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1)
“Somos uma banda de Hardcore cuja amizade interliga, une e fortalece a
cada dia mais cada um dos seus componentes e busca sempre superar
qualquer barreira que se instale entre nós e nossos objetivos.” No
hardcore/punk ter uma banda ultrapassa a idéia de um grupo que somente
se propõe a tocar músicas. No trecho exposto fica evidente a idéia de
que para vocês uma banda é feita de diversos sentidos, dentre eles, a
troca de experiências e convivência com amigos. Pensando nisso,
fale-nos sobre a formação da banda e sobre o significado do nome da
mesma.....
Antes de mais nada, a gente agradece de coração a proposta da entrevista. ....
Respondendo
a primeira pergunta, na nossa opinião, o próprio estilo '' hardcore''
em si, já se propõe isso: uma melhor interação e convivência entre as
pessoas. Ter uma banda, nesse sentido, é a exposição de idéias
coletivas, onde a convivência pacífica, mesmo não sendo sempre
alcançada (aqui entre nós a porrada sempre come, afinal de contas, onde
tem mais de uma opinião entre os assuntos, sempre há uma certa
discordância) é buscada; é o que nós sempre buscamos. A gente já passou
por alguns conflitos, pessoas já se foram e novas pessoas entraram na
banda, mas, SEMPRE pensamos em prol da coletividade, sempre visamos
essa AMIZADE acima de tudo. Eu, por exemplo, jamais tocaria numa banda
onde não estivessem os meus amigos e jamais conseguiria me ambientar
bem numa banda onde algo que não a amizade fosse a prioridade. Parece
doidera, mas o próprio nome da banda é uma síntese do que significa
amizade: é algo explosivo, onde algo que consome é ao mesmo tempo
consumido. Plastic Fire significa, metaforicamente
(não numa tradução muito ao pé da letra), algo q queima e que se refaz,
algo que se extingue e não se limita a uma existência linear, uma
amizade para mim é isso, queimar e renascer.
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2)
Vocês alegam que suas músicas buscam uma “sonhada sonoridade própria”,
todavia, mesmo construindo músicas que os levam ao novo, vocês não se
desprendem das “velhas” influências. Fale-nos sobre as influências
gerais – sejam elas musicais ou não - que os guiam nas confecções das
músicas?
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Todo
mundo que começa a tocar, seja em uma banda ou aquele velho violão do
pai, acaba fazendo isso, por ter ouvido ou uma banda ou uma canção que
acabou despertando aquele sentimento que diz: ''cara, como eu queria
tocar/cantar essa canção!!!''. Essa “sonhada sonoridade própria” acaba
não sendo o mais importante na gente porque acabamos voltando aquela
pergunta: “o que é o novo? quem inventou isso ou aquilo?'' Porque
buscar nem sempre é conseguir, mas sempre devemos buscar algo. O que
queremos mesmo é que quando uma música esteja pronta, ela esteja sendo
o mais sincera possível, que ela seja as nossas palavras, que ela
esteja com a nossa cara, como algo q gostamos muito de tocar. As
influências são as mais gerais possíveis: uma musica do Ramones ou do
Jorge Ben (ergth), uma notícia do Jornal da Globo ou do da
Bandeirantes, um livro do Dostoievski ou um artigo do Paulo Coelho, um
papo cabeça ou conversa de botequim, ou quem sabe alguma entrevista que
nos faça pensar e refletir sobre nós e sobre a banda, quem sabe! O que
importa é q as palavras sejam o mais sinceras possíveis!
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3)
Sabemos que vocês já tocaram em diversos lugares, dentre eles, Espírito
Santo, São Paulo, e algumas cidades do Rio, nesse sentido, é louvável o
esforço que vocês fazem para tocar e divulgar a banda. Tocar em
diversos lugares não implica em somente compartilhar músicas, mas antes
trocar experiências. Fale-nos a respeito dessas diversas experiências
que vocês tiveram tocando fora e o que isso trouxe de positivo para a
banda.
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Cara,
acho a agente toca em todo lugar possível e imaginável. É só ser
chamado ou até mesmo se convidar para tocar... euheuheuhe... fora do
estado agente tocou em lugares muito legais, em lugares mais cheios e
em cidades distantes. A vibe das pessoas é a mais diversa, mas ainda
acho que trocar uma idéia, comentar sobre a cidade onde estamos,
conversar e fazer novos amigos é o que mais importa nessa bagunça toda.
Às vezes agente viaja 6, 8 horas, pagando do nosso bolso, dormimos mal
e comemos pior ainda. Mas quando agente tá de volta pra casa, moído e
sem dinheiro, a felicidade de ter feito o que realmente nos faz feliz é
o que mais vale; e trazer isso na bagagem de volta é impagável.
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4)
Vocês vêm participando de alguns projetos, como a coletânea GANG
FRIENDS SIN FRONTERAS(PERU). Quando essa coletânea será lançada e quais
os futuros projetos de vocês. Pretendem lançar outro cd?
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Essa
coletânea está sendo organizada por um pessoal do peru que agente
acabou conhecendo na net. Mandamos nossa música para eles e eles
gostaram e levaram alguns cds nossos prá lá. Estamos engajados numa
coletânea chamada ''RIO DE JANEIRO - HARD CORE'', que irá contar com,
pelo menos, 33 ótimas bandas aqui do RJ, que consiste na produção de
1100 cópias e alguns festivais aqui no RJ e até mesmo fora dele, em
cidades e estados visinhos. Agente tá vendo um projeto sobre a ''dirty
and real tour'' que deve acabar virando uma coletânea com bandas de
vários estados, pelo menos os 4 estados do sudeste. Sobre o cd novo,
vamos começar a gravar algumas músicas ainda esse ano, para um EP
virtual ou um split, quem sabe.....
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5)
“O que você constrói para o futuro do mundo?” No vídeo feito da música
“Futuro” são apresentadas fortes imagens, fazendo jus à injustiça e
violência que nos deparamos cotidianamente. Frente a esse presente
desolador, a música nos deixa a indagação - o que podemos esperar de um
“futuro de um mundo como este”? Fale-nos a respeito disto e conte como
surgiu a idéia do clipe.
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A
idéia da música surgiu de uma reportagem sobre o Iraque, na verdade era
apenas uma poesia tendo a guerra como tema. Acabamos compondo e
musicando a poesia e virou futuro. A música é rápida e agressiva e o
clip acabou surgindo de uma idéia simples, com objetivo final de chocar
e conscientizar sobre aquilo que estamos cotidianamente ligados: a
violência, principalmente sobre a criança, é real. O clip é uma junção
de imagens da segunda guerra, imagens do Iraque e muitas imagens do
rido de janeiro, porque pensamos que a guerra está muito distante de
nós, mas não está. A música age como uma reflexão simples sobre como é
que nós contribuímos para o futuro do mundo, como é que agimos contra
ou a favor do q está ao nosso redor. O cplip foi uma pesquisa minha e
do meu queridão Victor Schaal, vocal da banda Stormbane (www.stormbane.com). Ele produziu e editou o clip, eu dei os meus pitacos... vale a pena ver e conferir o clip: ....
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6) Vocês estiveram conosco na ocasião do 2° Uberlândia Hardcore, ocasião na qual exibimos o documentário Afro-punk. É
notório que o Plastic Fire é uma exceção: hardcore melódico cujos
integrantes, na sua quase maioria, são negros. É possível traçar algum
paralelo?
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O
rock, em si, não foi muito generoso com e não reconhece muito a
participação dos negros para a sua composição e estabilização. O
documentário (que eu mesmo fiz muita questão de malocar uma cópia) fala
muito bem disso, de como os negros são meio que deslocados da cena rock
mundial. Graças a nossa grande miscigenação, os brasileiro não refletem
muito essa discriminação, principalmente a norte-americana. Nosso
preconceito aqui é outro, acaba sendo muito mais uma exclusão
monetária, onde os negros acabam sendo muito mais POBRES do que apenas
negros. No nosso caso, em si, agente faz muita piada sobre isso, como,
por exemplo, o Erick ter entrado no sistema hardecoriano de cotas. Não
somos uma banda muito politizada nesse assunto, somos uma banda
política, onde negro e brancos são nada mais do que seres humanos,
burros, preconceituoso, feios e ignorantes, seja lá qual seja a sua cor.
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7)
Qual o painel atual que vocês fazem da cena/comunidade hardcore
carioca? Como vocês se incluem neste painel? É possível fazer alguma
relação com o que vocês viram aqui em Uberlândia - tanto nas carências
quanto nas virtudes?
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A
cena hc do RJ está tão boa ou tão ruim quanto a de muitos outros
lugares. Ótimas bandas, muitas bandas novas, poucos lugares para tocar
e muito menos gente para ver. O hc, no geral, não soube se ''renovar''
quanto os tantos outros estilos. As bandas acabam tocando muito para os
amigos e muito pouco para novas pessoas. Tem muita gente preocupada em
organizar eventos e muito pouco preocupada com a organização dos
eventos. Os meios de comunicação, como orkut e myspace, acabam sendo
meio que mal utilizados, pois, tipo, a galera acaba preferindo ver um
clip no youtube ou baixar uma música do que ir no show, isso é um
absurdo. Conhecer gente nova, novas bandas e ate mesmo novos estilos,
trocar uma idéia sobre qualquer assunto com pessoas de verdade e não
perfis, isso não tem preço, é vivencia, não se compra.....
Eu
particularmente, achei a galera daí de Uberlândia mais interessada, era
a primeira vez a agente tocava aí, e tinha gente que já conhecia a
banda, já tinha ouvido e até mesmo sabia cantar, fiquei emocionado,
alegre que nem criança, deu vontade de ficar por aí. Acho eu que o
sentido de CENA CARIOCA DE HC hoje em dia é esvaziado, a palavra e o
sentido de COMUCIDADE FEZ MUITO SENTIDO PRA MIM, com o pessoal aí de
Uber.
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8)
Nós adoramos tê-los conosco, considerem Uberlândia como a segunda casa
de vocês. O que acharam do 2° Hardcore Uberlândia? E deixem a mensagem
que quiserem.
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Cara, adoramos tocar ai em Uber, queremos muito voltar, porque foi loco demais.
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