Status: Single
Country: PT
Signup Date: 10/10/2006
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Monday, August 10, 2009
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Category: Music
Daqui...De férias mas nada parados. A Lovers & Lollypops foi alvo de
destaque do programa GINGA BEAT da RBMA Radio, programa que passou
ontem na Antena 3. O destaque começa a partir do minuto vinte
nove mas todo o podcast aconselha-se para um final de tarde de verão
perfeito acompanhado de salmão grelhado e vinho rosé. Sa-Ra - Glorious - Ubiquity Sa-Ra - Spacefruit - Ubiquity Sa-Ra - Powder Bump - Ubiquity Sa-Ra - Hollywood Hollywood - Ubiquity Om'Mas Keith, Debruit & Woon - I'm Going.. - Various Assets/RBMA Sa-Ra - Spaceways Theme - Ubiquity Sa-Ra - Double Dutch - Ubiquity Sa-Ra - Souls Brother - Ubiquity Sa-Ra - White Cloud - Ubiquity Black Bombaim - Complication - Lovers & Lollypops The Glockenwise - Explosive Generation - Lovers & Lollypops Alto! - 10.000 Kennedys To Kill Obama - Lovers & LollypopsCibelle - Nha Eguinha - Unknown Lura - Tabanka - Unknown Ceu - Rainha - Unknown Mayra Andrade - Nha Damaxa - Unknown 3 Na Massa & Nina Miranda - Morada Boa - Unknown redbullmusicacademyradio.com
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Monday, August 10, 2009
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Current mood:  excited
Black Bombaim
Acreditar em Barcelos
Acreditar. Em
Barcelos. Em 2009. Quem o diz é Tójó, e estamos certos que Ricardo e
Senra rapidamente assinariam por baixo. A verdade é que, no processo,
fizeram alguns acreditar no stoner rock e na música psicadélica. De
novo. Se é psicadélico está na lingua de Tójó, dizem alguns. Ao vivo é
que a coisa rende, dizem outros. Os relatos dos concertos dos Black
Bombaim são os mais entusiásticos: fala-se de riffs impossíveis, de uma
certa e crescente vontade de movimentar a cabeça, de actuações suadas.
O EP que se chegou à frente mostra todo o querer, toda a intenção. E há
um novo disco que pode ser a prova dos nove. Porque não mexer com
Barcelos e com o resto do país? E porque este rock pode ser do demo,
quem sabe devolver os cornos à população? Tójó não confirma nem
desmente, mas discute em conversa amena os genes dos Black Bombaim e
Barcelos enquanto paraíso instalado.
Como é que está Barcelos?
Morto, vazio e deprimente. Nada de novo
É por isso que os Black Bombaim existem?
Eu normalmente digo que sim, as pessoas costumam-se rir quando digo que
toco numa banda porque não tenho mais nada para fazer...mas a verdade é
essa, não arranjo uma explicação melhor, e se arranjasse, estaria a
mentir.
É tipo Ramones?
[risos] Pode-se dizer que sim, mas sem a fama, o dinheiro e as groupies...
Mas quanto tempo durou esse tempo de tédio? Quem é que atirou a primeira pedra?
Como assim? A primeira banda a levantar o rabo do sofá?
Mais o primeiro de vocês da banda a levantar o rabo do sofá...
Ahh... Posso dizer que foi o Senra (o baterista), porque é o mais velho
e já tinha uma banda...que tanto eu como o Ricardo (o guitarrista)
assistíamos aos ensaios e concertos nos nossos 15 aninhos. Nessa banda
agora extinta, de nome Lip Poppers, estavam os nossos amigos rockeiros,
e de certa forma, queríamos ser como eles...em vez de estarmos a
assistir aos ensaios, decidimos nós também trabalhar no Verão para
comprar instrumentos e começar a rockar como eles. E depois de uns
aninhos para aprender a tocar e sempre a rodar amigos dentro da banda,
a banda do Senra acabou e convidámo-lo para tocar connosco.
Mas agora que falas, o gigante rabo de Barcelos também parece querer
estar a sair do sofá. Há mais bandas aí na ribalta. Como é que vês essa
coisa toda?
De fora parece ser melhor do que é...digo isto porque sempre estivemos
habituados a lidar com bandas em Barcelos, e não me parece assim nada
fora do comum. Maior parte dos nossos amigos toca um instrumento ou tem
uma banda. Mas a partir daí levar a coisa mais a sério e sair da cidade
maldita acho que contou muito com a ajuda do Joaquim da L&L. Ele
puxou e apoiou as bandas de Barcelos que de certa forma precisavam e
mereciam aquele empurrão.
Ia mesmo falar do Fua, que carinhosamente chamas de Joaquim. O empurrão dele foi mesmo decisivo?
Sem dúvida, não fosse ele e ainda estaríamos a tocar em cafés obscuros
a troco de 2 cervejas. Tornou possível a edição do disco e proporcionou
um giro de concertos bastante agradável.
Como é que tem sido tocar por aí pelo país. Achas que o pessoal está a sentir a vossa cena?
Está a ser muito bom! Acho que desde que começamos a sair da terrinha
encontramos um público diferente, mais vasto. Principalmente por não
dar importância ao estigma de não haver vocalizações. É um público mais
aberto e acho que curtem mais a nossa música, principalmente nas
cidades maiores.
Não achas incrível que ainda haja pessoas espantadas a esta hora do
campeonato com bandas que não cantam? Isso terá fim algum dia?
Realmente, é estranho algumas pessoas ainda não estarem habituadas,
principalmente agora com o "hype" do pós-rock, no qual muitas bandas
não cantam. Mas também o pessoal que ainda estranha as bandas
instrumentais não é de certeza o público do pós-rock eheh...Acho que já
era tempo de as pessoas abrirem um bocado os ouvidos ao que se anda a
fazer por aí e deixar de lado os "preconceitos do rock".
Achas que o vosso disco pode cumprir também essa função?
Pode facilitar...mas nós temos o defeito de não levar o disco demasiado
a sério, quer dizer, andamos a promovê-lo mas ao vivo apenas tocamos
uma pequena parte do disco. Somos todos rapazes novos e cansamo-nos
facilmente das músicas, e o disco apesar de ter saído há muito pouco
tempo, foi gravado no início de 2008. Desde aí já tivemos ideias novas
e andamos a praticar isso ao vivo. O disco pode ser visto como uma
parte mais light, mais descomprometida e certamente mais acessível de
um concerto. É mais um método de promoção e de inserção no meio do que
uma prova da música que fazemos.
Mas é também um disco que resume aquilo que vocês são? Estão satisfeitos com ele?
Estamos satisfeitos, mas também não gostamos de parar no tempo. A faixa
“Complication (Amplify, Defy, Mistify, Deny)” é certamente a que nos
resume, devaneios psicadélicos numa base claramente rock n' roll.
Essa base de que falas é influenciada por alguma fase especifica da
música rock? Sentem-se capazes de explicar de onde vem a vossa música?
As referências são óbvias. O final da década de 60 e inícios de 70. São
inúmeras as boas bandas nessa altura, e cada uma delas criou qualquer
coisa nova. Principalmente Black Sabbath, Blue Cheer, Led Zep e Grand
Funk Railroad. O aparecimento do chamado "stoner rock" nos 90's é nada
mais que um tributo a essa mesma época.
Com alguns desvios preocupantes, terás de concordar...
Sim, claro... Talvez um desses desvios mais importantes foi o punk rock…
Falava mais de outras entidades, mas o punk é preocupante para ti?
Acho que foi muito decisivo no som de bandas como Kyuss...eles
cresceram todos a ouvir Black Flag, e isso reflecte-se um bocado no som
deles, mais uptempo e duro nalgumas músicas. Mas no caso de uns Sleep,
aquilo é puro "Sabbath worship"…
Sacar riffs a la Black Sabbath é um bom estilo de vida?
É o melhor estilo de vida. Eventualmente irá cansar... Ou já cansou...
Não vês um futuro longo para os Black Bombaim?
Espero que sim, mas creio que uma banda deve-se reinventar e trazer
qualquer coisa de novo se quer permanecer activa. Uma coisa um bocado
hipócrita dita por um fã incondicional do rock clássico. Mas bandas
como os Comets on Fire, Earthless ou Mammatus fizeram isso.
O que é que é preciso para fazer o que os Comets on Fire ou essas
bandas fizeram? O que é que achas que eles fizeram de diferente? Eu por
acaso concordo contigo, diga-se...
Não sei explicar muito bem, deve ter qualquer coisa a ver com as
drogas. [risos] Acho que levaram os 70's ao extremo...não sei bem como,
talvez nem eles saibam
Achas que o rock é tão melhor quanto menos calculista é?
Sim, sem dúvida. A filosofia do rock é mais de atitude e
imprevisibilidade do que mega composições calculadas, com escalas
musicais escolhidas a dedo e mudanças rítmicas propositadamente
confusas. O calculismo tira a piada ao rock, na minha opinião.
Morte ao prog?
Talvez, ao recente. Bandas como Amon Duul, Pink Floyd, Van der Graaf
Generator têm o meu maior respeito, porque nota-se que é mais sentido.
Agora fazer música para músicos sem qualquer tipo de alma...
Tipo Yes?
Yes escapa porque tem um dos baixistas mais cool de sempre...agora Rush, Dream Theater e afins...não obrigado.
Dirias então que estás mais próximo do Porkabilly Psychosis dos Tédio Boys do que do 10,000 Anos Depois Entre Venus e Marte do José Cid…
Sim, apesar de reconhecer a qualidade do disco do Cid, é bastante choninhas para o meu gosto.
Em Portugal, que bandas satisfazem o teu apetite? Ou fizeram em tempos…
Hmm...gosto dos nossos amigos de Barcelos, Green Machine, ALTO!, The
Glockenwise, Aspen. A nível nacional tenho que dar crédito aos Born a
Lion, Dawnrider e também Men Eater. Bandas extintas lembro-me de Z.E.N.
e Arte e Ofício, que apesar de não conhecer a fundo, já ouvi grandes
malhas.
Esse estilo de vida de que falavas... é um estilo de vida que vais
aguentar como a partir de Setembro? Ouvi dizer que ias para Budapeste
em Erasmus...
Vai ser difícil, vou tentar compensar ao ver concertos ao vivo.
Tenciono ver Trouble e Pentagram em Outubro. De qualquer forma, está
planeado um regresso em grande em Janeiro/Fevereiro. Talvez com disco
novo.
Há canções novas no forno?
O disco já está gravado. Como sempre, questões financeiras atrasam
tudo. A ideia é também fazer uma edição diferente, o que também leva
tempo.
Há interesse de alguma editora?
Será uma edição semelhante à do disco homónimo. Com o apoio da Lovers
& Lollypops. Será diferente pois queremos lançar o disco apenas em
vinil
São fãs do vinil?
Sem dúvida. Só compro discos em vinil (quando posso claro). Acho que a
mística do vinil também vai bem com o nosso tipo de som, além de que
agora, muitas pessoas preferem comprar em vinil do que em CD, pelo
factor coleccionável. Acho também que a edição exclusiva em vinil não
vai ser um entrave a um possível comprador, pois no fundo, acaba-se
sempre por arranjar o disco de outra forma.
Não podia estar mais de acordo. Para terminar, pergunto: no meio de
tudo isto quais são os teus desejos para os Black Bombaim? E para
Barcelos. Podem ambos ser a mesma coisa?
O meu desejo para os Black Bombaim é que continuemos tocar, a lançar
discos. Somos ainda muito novos (por exemplo eu tenho 21 e o Ricardo
ainda só leva 20). Não queremos parar por aqui. Quanto a Barcelos, acho
que já não há nada a fazer. Espero só que continuem a aparecer bandas
novas com qualidade e, acima de tudo, que tenham coragem de se lançarem
para fora daquela terra. Acho que se notou bem o amor que sinto por
Barcelos ao longo desta entrevista.
André Gomes andregomes@bodyspace.net
06/07/2009
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Wednesday, December 10, 2008
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..Escrito por André Forte | 23-Nov-2008 |
No silêncio da distorção: Black Bombaim + Josué O Salvador + Alice In Wonderland Syndrome22 de Novembro, Via Latina - Coimbra
Sábado, dia 22, foi uma noite em que não foram proferidas palavras: as conversas foram deixadas para as cordas das guitarras e baixos, carregados de distorção, num dos discursos mais incendiários a serem proferidos a Coimbra nos últimos meses.
A Via Latina não estava vazia, já não era mau. Poucos tinham noção de que a sala da discoteca conimbricense ia ser tomada pela onda emergente do Stoner Rock português. Os que faltaram não imaginam que perderam uma noite cheia de força e de psicadelia.
Os primeiros feedbacks a abafar a música vinda do PA vinham dos pequenos amplificadores dos Alice In Wonderland Syndrome, banda local, claramente a mais jovens das três que compunham o cartaz. Com uma actuação muito contida, encheram o espaço como puderam com o seu Rock lento e bem pesado, suficiente para fazer alguns dos presentes curvarem a espinha. É inegável que há um conceito, um bom conceito, a precisar de desenvolvimento, mas este concerto não deixou de ser uma boa surpresa.
Seguiram-se os Josué, O Salvador Em Busca da Perdição. A contenção não pegou nos instrumentos desta banda de Coimbra que desenvolveu o ambiente explorado pelos conterrâneos, complexificando-o com muita classe: o baixo, carregado de distorção, fazia a melodia, enquanto que a guitarra fazia o resto – solava, fazia ambiente com muitos feedbacks. O improviso assumiu as rédeas do ambiente na Via Latina a partir desta actuação, que teve duas músicas, ambas longuíssimas, lentas, pesadas e cheias de solos de guitarra. Uma actuação a reter.
Mas a surpresa da noite, a verdadeira e mais brutal, ficou para o fim. A constatação, feliz, de muitos dos presentes foi que se calhar Coimbra ainda é a cidade do Rock e que ainda há quem faça música na terra dos estudantes, no entanto foi um momento fugaz de contemplação que durou até os barcelenses Black Bombaim pegarem nos seus instrumentos. A bateria mostrou-se, finalmente, mais desenvolta e rica do que durante as anteriores actuações, dando uma dinâmica completamente diferente à música. E foi precisamente com uma bateria bem batida que começou o concerto deste trio de Stoner Rock. Tal como uma caixa de velocidades, a actuação começou, primeiro, algo lenta, aproveitando a onda que dominou a noite, depois desmultiplicando o andamento da música com outra mudança, uma mais rápida, e depois outra ainda mais rápida, outra, e por aí em diante; culminou com um público rendido a abanar a cabeça, deliciado, bem depressa, a sorver a música que se impunha na sala, imponente e melodiosa. Esta banda demonstrou conhecer bem os limites do seu género, expandindo-os durante a monumental Jam Session que foi o concerto. Há química, há atitude, há boa música… Todos os ingredientes necessários para proporcionar a viagem alucinante e esmagadora que é a sua actuação.
No fim desta avalanche, fez-se um silêncio repentino. Sem uma única palavra, os Black Bombaim pousaram os instrumentos e começaram a desmontar o material. Sem uma única palavra, as outras bandas acompanharam o ritual. No Sábado, dia 22, a Via Latina foi dominada pelo tipo de música mais demolidora: a instrumental. Não há discurso mais elucidativo sobre o bom Stoner que já se faz em Portugal. | ..
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Wednesday, December 10, 2008
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..| Escrito por André Forte | | 23-Nov-2008 | O Surgir do Stoner Português: Entrevista a Black Bombaim  Já passavam das dez noite. Os Black Bombaim, que figuravam no cartaz da noite de 22, aguardavam o início dos concertos encostados à carrinha que os levou até à porta da Via Latina em Coimbra. Com o Ipod amplificado através de umas pequenas colunas, instalado no tabeliet da carrinha, ouviam Sleep e fumavam os seus cigarros. O Ponto Alternativo abordou-os para uma pequena conversa sobre um pouco do passado, muito do presente e ainda algo do futuro – que começa a adquirir contornos promissores.
Comecemos pelo mais importante: vocês foram abrir para Brant Bjork – é um privilégio. Como foi? Correu bem?
Tójó: Foi o melhor. Ele é um ídolo da nossa adolescência. Já o ouvimos a música dele desde que temos 15 anos, Kyuss, Fu Manchu, e tocar com ele... O concerto correu bem. O pessoal que estava a ver era da onda. E raramente tivemos isso nos nossos concertos, pessoas que gostassem de Stoner e de Rock Psicadélico. E todos gostaram. Boa gente veio falar connosco no fim para dizer "altamente". Foi muito bom para a visibilidade.
E ele gostou daquilo que ouviu?
T: Ele não ouve. Nós estivemos a falar imenso tempo com ele. Mas ele disse que não gosta de ouvir bandas [antes de tocar]. Desconcentra-se da cena que tem de fazer. Isso e também não fuma ganzas antes de tocar. Ele disse que o desconcentra, se estiver a ouvir bandas. Mas o roadmanager dele, um alemão, gostou. O gajo do Stoner Hands of Doom, ou Stoner From The Underground, disse que ia entrar em contacto connosco.
Isso é muito bom. E serem convidados para tocar com o Brant é sinal de alguma coisa. Quer dizer que vocês começam a ter visibilidade.
T: Pois. Quem organizou o concerto foi a Cooperativa dos Otários, uma organização de quinze, dezasseis pessoas. E alguns que já nos conheciam viram que era adequado ao Brant.
A vossa maqueta de 2007 tem tido alguma atenção, mais nesta fase de 2008…
T: É a primeira maquete. Essa nem saiu do armário. Essa ficou por lá, teve no myspace algum tempo… Agora queremos apostar no que acabámos de gravar e que está para sair.
Digo isto porque, é curioso, tenho visto que agora é que começam a pegar na maqueta e começam a ver o que é que vocês lá tinham.
T: Sim…
Já de Fevereiro de 2007, de há mais de um ano.
T: Já não tem quase nada a ver com o que nós fazemos agora… quer dizer, tem as raízeszitas. Mas é muito diferente agora. Adoptámos mais o psicadélico, fugimos mais aquele rock 4 por 4.
Vou ter de vos fazer esta pergunta. Sei que já falaram disto nos Santos da Casa, sobre o vocalista. Acho que foi o Ilídio que escreveu na vossa biografia, no Myspace, que "é esta a banda a que todos tentam arranjar um vocalista." Mas eu vou tentar pôr isto de outra forma – vocês acham que o vocalista ia condicionar o vosso som?
T: Totalmente. Da maneira que nós fazemos [música] é impossível nós termos vocalista. Senra: Não temos esse método de trabalho. T: Não, porque – e tu vais ver o concerto – é diferente. Os temas que temos gravados no Myspace, mesmo os novos que vão sair, são completamente diferentes daquilo que nós fazemos em concerto. É um conceito também diferente. Um vocalista… não dava.
Condicionava a estrutura…
T: Exactamente.
E vocês são uma banda de Jam, pelo que percebi.
S: E não há tantos vocalistas por aí que se adeqúem a este tipo de som. O nosso som é mesmo instrumental, é muito vocacionado para o instrumental. Já pensámos, deixámos de pensar. Agora esquecemos completamente. Não há necessidade nenhuma.
O instrumental é mesmo o que faz mais sentido, para vocês….
S: As nossas vozes são cordas. É um site, por acaso, de música instrumental. "Their voices are strings."
O vosso álbum de estreia também está para breve. Vai ser misturado pelo John Golden…
T: Já foi, já foi. Os temas que estão no Myspace já estão masterizados.
E como é que conseguiram esse contacto?
T: Como é que foi? Ah, isso é interessante. Nós estávamos assim um bocado descontentes com o trabalho de mistura e masterização. De gravação correu muito bem, mas o de mistura e masterização não estava a assim correr muito bem. Tivemos de insistir para ele fazer uma mistura muito boa. Mas depois decidimos mandar-nos para a frente e para o futuro. Eu falei com Scott Reeder, dos Kyuss, pelo Myspace e perguntei-lhe se ele não masterizava o nosso trabalho, eu sabia que ele tinha um estúdio e tudo. Ele disse que isso não é uma coisa que tu dás a um gajo com um computador para fazer, que tem de ser um profissional e mandou-me o site do gajo que masteriza tudo aquilo que ele grave. Entrei em contacto com a filha dele [do John Golden], ele mandou-me lá o orçamento e fomos para a frente com isto. Custou-nos, tivemos que arranjar dinheiro por aí, roubar e assaltar pessoas…
Estou a ver que os bancos e bombas de gasolina lá pelo Norte…
S: Em Barcelos ficou tudo por nossa conta (risos).
Já têm título e data para a edição do álbum?
T: Título, vai ser homónimo. É capaz de soar a cliché, mas é este o som que nos define. Black Bombaim – Black Bombaim. Foi como ele disse no Santos da Casa: não é bem o que nós fazemos em concerto, é um complemento. São canções que fizemos para ser mais fácil de ouvir. Mas da próxima que gravarmos, daqui a algum tempo, já vamos optar por temas mais longos, como fazemos agora. E data… Janeiro, Fevereiro.
Ainda não é certo…
T: Ainda não está certo. Temos ainda de tratar disso com a Lovers e com a Sonic Infusion.
Vocês já têm tocado fora, foram tocar a Vigo há pouco tempo…
S: É um bocado mentira. Fora…
Sim, bem sei que a Galiza é quase Portugal.
T: Por acaso, a gente vinha a falar, hoje foi a primeira vez que passamos o Douro. Tocámos em Bragança, não foi Vigo, foi numa cidade entre Santiago Compostela e Corunha, mais para dentro. Foi porreiro, com os amigos Supa Scupa. S: Temos é no dia 5 de Dezembro, na Fábrica do Chocolate, em Vigo. T: Sim, agora é que vamos a Vigo.
Mas no geral os vossos concertos têm boas reacções? Além da parte do vocalista…
T: Pois, isso era no início! Agora… eu fiquei maravilhado, mesmo, com as pessoas no fim do concerto de Brant Bjork. Vieram todas dizer-nos que o nosso som era altamente. Nós ficámos mesmo…
O público em Portugal também começa a estar mais habituado ao instrumental.
T: Ao instrumental e ao Stoner, também.
Pois começam a aparecer algumas. Há os Josué O Salvador aqui de Coimbra…
T: Há os Cosmic Vishnu, uns amigos nossos de Barcelos… S: Os próprios Marbles, que tocaram connosco lá no Brant Bjork. Que não é bem Stoner… T: Isso é que é o Stoner! O Stoner assim mais straight.
Vocês falaram de Barcelos e eu tenho de vos perguntar isto. Aquilo que está a acontecer lá é fenomenal, não é?
T: Visto de fora parece grande, parece um grande movimento.
Pergunto isto porque não são só vocês que começam a ter visibilidade, mas há muitas bandas mais experimentais por lá que também o começam a experimentar… os Lalala Ressonance são de lá, os Nikouala são de lá…
T: É assim, visto de fora, aquilo parece mesmo, como às vezes dizem, Seatle. Mas nós, por dentro, nem temos noção disso. Sempre foi assim, sempre lidámos com muitas bandas. Toda a gente que conhecemos ou toca numa banda ou tem amigos próximas que tocam numa banda. É natural. Nós nem vimos isso como uma cena, mas por fora é capaz parecer.
Digo isto porque o movimento musical mais interessante dos últimos tempos aparece lá. Nos últimos dois, três anos é quase tudo de lá. É fenómeno para nós, por exemplo, que somos de Coimbra, supostamente a capital do Rock.
Ilídio Marques (Sonic Infusion): Eu estou parvo! T: E nós olhamos para Coimbra e dizemos que é a capital do Rock. Dizemos que é onde os Tédio Boys apareceram. S: As bandas singraram aqui… enquanto que em Barcelos, por muito que as bandas caminhem, têm que arriscar muito mais. As bandas arriscam muito pouco. Temos bandas lá que têm qualidade e raramente saem de Barcelos, raramente ensaiam, raramente tocam. Tu conheces muitas bandas de lá, vamos falar que há mil e uma bandas. Mas bandas a tocarem, mesmo, encontras três, quatro no máximo. I: Sempre houve bandas em Barcelos, a questão é que nunca houve forma de as pores cá fora. T: Não há nada como no Barreiro. Porque eles unem-se todos, fazem o festival deles e mexem-se para fora. Em Barcelos, não há ligação entre as bandas. I: Não é questão de haver ligação ou deixar de haver ligação. É um bocado difícil teres ligação entre bandas que têm estilos completamente diferente, gostos completamente diferentes. No Barreiro é muito a cena de Rock 'n' Roll, não consegues encontrar Stoner e assim. Em Barcelos tens bandas de Metal, de Rock, de Pop, de Hip Hop, de Punk… tens tudo. Começou é a haver um bocadinho a cena de venderes o produto. Em Barcelos vendeu-se o produto. Tinhamo-lo, mas não sabíamos como lhe fazer promoção. Começámos, finalmente, a fazer promoção ao produto, a vender o peixe, e em três anos… o Myspace ajudou bastante naquilo. Muita gente conhece bandas de Barcelos pelo blogue Rock Rolla em Barcelos, que foi eu que criei. Por isso é que fico surpreendido ao ver-te falar assim de Barcelos, não tinha noção que aquilo parecesse Coimbra no tempo dos Tédio Boys. Lá não tens aquele espírito Rock 'n' Roll, musical. Não tens sítios para tocar… tens um barzinho e o auditório.
Mas isso não é só em Barcelos.
I: Pois, mas isso leva as bandas a querer sair dali e foi o que aconteceu. T: Isso da cena de Barcelos é um tema um bocado polémico. Já dava outra entrevista. S: É reunires as bandas…
Tenho de pensar nisso… mas estou a ver é que isso dava um debate.
S: Dizem uma coisa pela frente, mas por trás… T: Isso foi o que ele [Senra] disse no Santos da Casa! (risos)
Essa parte foi engraçada. Até te podia perguntar o que é que querias dizer com isso.
S: Não, está aí o Ilídio, ele tem o blogue e acho que ele consegue desenvolver melhor o assunto.
Sim, mas o Ilídio não é da banda…
S: (risos) Vai-te embora [Ilídio]!
E planos para o futuro? Claro que sobre o álbum já falámos…
T: Tocar, mostrar a nossa música, fazer com que as pessoas conheçam… basicamente isso. Sabemos que o ponto mais alto que podemos ter, na nossa carreira enquanto músicas desta banda, é tocar no Roadburn. Isso é um desejo, é o ponto máximo. Muitas bandas dizem que é actuarem no Royal Albert Hall, num alto festival. Roadburn – para nós é o máximo. Não estou a dizer que estamos a trabalhar isso, não é um objectivo. S: Seria um bónus. T: Nós fazemos isto por gosto.
E só por curiosidade, o que é que têm ouvido?
T: Earthless é a minha banda do momento. Ultimamente, muito Sleep e Black Sabath, mas isso também é sempre. Houve uma que descobri… descobri não, arranjei: Blood Cerimony. Uma mistura de Jethro Tull com Sabath.
Flautas com guitarradas?
T: É. É uma miúda a cantar e a tocar flauta.
S: O que é que eu ando a ouvir? Não é possível dizer… Karma to Burn, OM… e… Ivan Costa (risos). Ricardo: Sleep, Jimy Hendrix, Sabath…
Falaste em arranjar… Vocês disseram uma coisa muito curiosa no Santos da Casa, sobre o download. O pessoal faz o download, deixa-o lá por casa atirado…
S: É o Rock do Mp3.
O vosso Ipod ali [no tabliet do carro] diz algo sobre isso…
T: Pois! (risos) Sacas um álbum, és capaz de ouvir uma ou duas músicas e, pode até ser muito bom, mas nunca mais pegas naquilo. Quando compras um CD, um vinil, uma mixtape, tu ouves aquilo até à exaustão. Agora os álbuns sacados… há alguns que, claro, vais ouvir sempre. Mas é mais fácil de ignorar, de esquecer. S: Lembras-te de quantos gigas de música tens no disco, mas não te lembras que bandas é que lá tens.
Também pergunto isto porque o vosso percurso foi até bastante clássico. Utilizaram o Myspace, é algo novo. Mas foi trabalhar, tocar, gravar com o dinheiro que obtiveram para, finalmente, editar um CD. Mesmo que por uma editora independente como a Sonic Infusion, o objectivo é o clássico.
T: Nós não sabemos fazer de outra maneira. Nem sabemos fazer desta maneira! S: Há quem faça por nós: a Sonic Infusion e a Lovers & Lollypops. O álbum vai ser editado pelas duas. A ideia surgiu vinda deles. Eles acreditam em nós, nós só temos que agradecer e trabalhar.
Mas vocês não acham que através do download chegam a mais pessoas?
T: Eu sou completamente a favor [do download]! Que saquem o nosso álbum e que toda a gente o ouça! Era um espectáculo! Eu acho que uma banda tem que ganhar o que tem a ganhar em concertos. Isto de vender discos… quanto mais pessoas sacarem o nosso disco e o ouvirem melhor. São mais pessoas que possivelmente vão ver os concertos e isso é que dá gosto.
É a mais valia. Pelo menos para vocês que, sendo uma banda de Jam, aquilo que tocam não é o que gravam.
T: É um guia, é um complemento. | ..
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Monday, May 05, 2008
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01 - peixe : avião - "Finjo a fazer de conta feito peixe : avião" 02 - Black Bombaim - "Demo" 03 - Kooltuga - "A Luta Continuga…" 04 - Território - "Casa Viva" 05 - The Jills - "Madonna is our Mother" 06 - Lobo - "Lobo" 07 - Luís Costa - "…so said the mute" 08 - Rodriguez - "Country PlayGround" 09 - Conjunto Contrabando - "As Melhores Canções" 10 - Slapdash - "Retalhos" 11 - Adorno - "Demo" 12 - Moe's Implosion - "Morning Wood" 13 - Heroína - "Maqueta - 2007? 14 - Contratempos - "Contratempos" 15 - Human Groove Machine - "Human Groove Machine" "A maqueta tem 6 temas e cheira a rock e mais rock, ácido, naquele espírito mais stoner. De base instrumental, é sobre o fulgor das guitarras que os Black Bombaim assentam a sua mensagem sonora, dando à bateria e ao baixo o espaço próprio para as acompanhar as primeiras nesta viagem exploratória de novas ondas - mas sempre rock. É no riff que reside toda a alma dos Black Bombaim, estes mensageiros do rock instrumental feito palavra, tal a energia que trespassa por toda a maqueta. Feito igualmente de algumas alternâncias de ritmo, fica a pujança, uma certa espessura rítmica, uma densidade eléctrica que se mantém constante, como se uma guitarra clamasse por ajuda: "vamos partir isto tudo". Uma palavra ainda para a voz de João Pimenta (Green Machine), a dar uma cor especial a "The Black Past Doll"; com genica." (1)
in http://a-trompa.net
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Sunday, October 07, 2007
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LIVRE TRÂNSITO|Setembro'07 - 1
Pois é, caros amigos, é tempo de mais uma novidade neste vosso blog. A partir deste mês, este vosso servo, passará a organizar uma compilação mensal com base nos artistas e bandas postados n'a trompa durante o mês anterior. A compilação a disponibilizar para download será composta por temas já anteriormente disponibilizados a título gratuito pelos seus respectivos autores. Nem todos os temas têm a melhor qualidade - junto segue o bitrate de cada um, no entanto, para o efeito, meramente promocional, julgo ser suficiente. A colecção vai chamar-se "Livre Trânsito" e será composta habitualmente por cerca de 20 temas. Assim, com base no que se escreveu na trompa durante o mês de Setembro e no que se encontra disponível na Internet para download, saiu o seguinte alinhamento; espero que gostem: 01 Nothing | Mikroben Krieg | 192 kbps | 6:24 | na trompa | na fonte02 Subliminar Message | a paranoid android | 128 kbps | 3:54 | na trompa | na fonte03 Stubbornness | Hugo Paquete | 320 kbps | 7:42 | na trompa | na fonte04 Introspecção | Clorofila Azul | 224 kbps | 3:50 | na trompa | na fonte05 Blues Explosion | Projecto Gentileza | 128 kbps | 3:04 | na trompa | na fonte06 Verdes Anos | Luís Costa | 192 kbps | 3:44 | na trompa | na fonte07 Waleias & Dolfinhos | BiarooZ | 192 kbps | 5:39 | na trompa | na fonte08 So Young | The Jills | 256 kbps | 2:43 | na trompa | na fonte09 The Black Past Doll | Black Bombaim | 224 kbps | 4:29 | na trompa | na fonte10 Obliquo Sangue | Budhi | 256 kbps | 4:29 | na trompa | na fonte11 Sold Out Soul | Holy Llama | 320 kbps | 3:477 | na trompa | na fonte12 Sleeping Sadness | WinterMoon | 256 kbps | 4:45 | na trompa | na fonte13 Bipolar | [F.E.V.E.R.] | 128 kbps | 3:46 | na trompa | na fonte14 The Road | Jazzu | 128 kbps | 7:41 | na trompa | na fonte15 Lonely Nights | DEADBOY | 192 kbps | 3:29 | na trompa | na fonte16 Letters From The Boatman | a Jigsaw | 320 kbps | 2:57 | na trompa | na fonte17 Sombra de Um Estranho | High Flying Bird | 128 kbps | 6:22 | na trompa | na fonte18 Mercy Came Home Today | Sandy Kilpatrick | 128 kbps | 5:31 | na trompa | na fonte19 Arte de Dar | Dr. Estranhoamor | 128 kbps | 3:01 | na trompa | na fonte20 Abdução | A Raiz | 192 kbps | 3:36 | na trompa | na fontePara além do ficheiro com a compilação, podem ainda fazer o download de uma cover bem simples, dobrável - para fazer de caixa, criada para poder ser imprimida normalmente numa folha A4. Para perceberem como dobrar a tal folha, aconselha-se o visionamento deste vídeo - pode até ser divertido!  Download da compilação "Livre Trânsito 1" | Download da capa/caixa dobrável. 
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Wednesday, September 12, 2007
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MAQUETAS|"Demo" - Black Bombaim
Às vezes ficamos com a ideia que Barcelos é um mundo inteiro. Um olhar mais atento pelo que se passa nesta simpática cidade minhota, leva-nos à ideia de um dinamismo absolutamente reveladores; são as bandas que surgem e crescem, as editoras, associações e movimentos que por lá respiram, são os espaços e espectáculos que lhe dão vida. Às vezes parece um mundo inteiro bem maior que todos os Fiúzas desta vida. Hoje, o tema é Black Bombaim. Grupo composto por Ricardo e Mais Novo nas guitarras, Tojo no baixo e Senra na bateria, os Black Bombaim - ao mesmo tempo que lançam novos temas para a arena - continuam ainda a rodar por aí a sua maqueta de Fevereiro de 2007; aquelas guitarras selvagens... A maqueta tem 6 temas e cheira a rock e mais rock, ácido, naquele espírito mais stoner. De base instrumental, é sobre o fulgor das guitarras que os Black Bombaim assentam a sua mensagem sonora, dando à bateria e ao baixo o espaço próprio para as acompanhar as primeiras nesta viagem exploratória de novas ondas - mas sempre rock. É no riff que reside toda a alma dos Black Bombaim, estes mensageiros do rock instrumental feito palavra, tal a energia que trespassa por toda a maqueta. Feito igualmente de algumas alternâncias de ritmo, fica a pujança, uma certa espessura rítmica, uma densidade eléctrica que se mantém constante, como se uma guitarra clamasse por ajuda: "vamos partir isto tudo". Uma palavra ainda para a voz de João Pimenta (Green Machine), a dar uma cor especial a "The Black Past Doll"; com genica. Nada é definitivo e em Black Bombaim também não o é, no entanto, o caminho existe; no mais puro rock'nroll. A maqueta foi produzida por José Arantes e pelos próprios Black Bombaim.  Ouvir alguns os temas de Black Bombaim.  01 III 02 Se7en 03 Peyote 04 Your Sister Morphine Won't Get You Home 05 The Black Past Doll 06 12 A.M.
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Saturday, September 01, 2007
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Edição| Black Bombaim Ep
Barcelos é uma cidade prodígio em bandas rock, mas nem todas até hoje apareceram com a mesma fogosidade e espontaneidade que o quarteto de stoner-rock instrumental Black Bombaim. Há um deserto árido e tórrido que os distancia do restante produto barcelense. São seis os temas que constituem este primeiro Ep. Temas longos e tipicamente rebuscados no puro stoner de bandas como Karma To Burn ou The Atomic Bitchwax. Têm solos estridentes que rasgam riffs de guitarras desobedientes de forma naturalmente raivosa. «III» é bom exemplo disso: uma malha longa que termina a fundo com guitarras desvairadas. «Se7en» é um pecado mortal curto, mas eficiente e suficiente para ser contagiante e nos levar completamente embalados para «Peyote» - o último meio minuto desta leva-nos para o mosh inconsciente numa arena rock perdidos algures no cerne do abrasador Grand Canyon. A chegada é já sedente a «Black Past Doll!». O riff inicial impõe respeito. Não fazemos ideia do que aí vem, até que uma brusca mudança rítmica rompida por um baixo astuto e rebelde, rasgado deliciosamente (e sem pedir licença) por uma guitarra que, poucos segundos depois, é possuída por um solo que faz arrepiar qualquer um. Brutal! A isto, e para abrilhantar, junta-se a voz incorrecta e suja de João Pimenta, o endiabrado vocalista dos barcelenses Green Machine. No final do tema ainda ecoa na cabeça aquele oto-verme, berrado até às entranhas, que é "I'm moving up to Cincinatti, it's automatic!!!". Vénias ao senhor! Atravessa-se o que resta do deserto desta Bombaim selvagem em «12 A.M.» para chegar à pérola deste disco: «You Sister Morphine Won't Get You Home». Quatro minutos e meio de pura demonstração rock. Do melhor que já ouvi nos últimos tempos. Genial! Black Bombaim são cada vez mais uma certeza e cada vez menos uma promessa. São um oásis no deserto do stoner-rock português. Que façam levantar o pó do deserto que os vê nascer.
«III» «Se7en» «Peyote» «Black Past Doll!» «12 A.M.» «Your Sister Morphine Won't Get You Home»
em:
rock-rolaembarcelos.blogspot.com
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Friday, July 27, 2007
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Current mood:  high
Crítica de Vítor Pinto da Fenther a 3 projectos de Barcelos, Rendimento Mínimo, Classified e Black Bombaim...
Uma cidade, três projectos!
Há um movimento de revolta pela zona de Barcelos… Há uma emergente onda punk a surgir dos subúrbios incandescentes das ruas e vielas da cidade do galo. Desde há muito que Barcelos tem afirmado o seu produto musical. Mas o Fenther, apresenta agora, 3 novos projectos de produção barcelense e que ilustram perfeitamente a vontade da expressão por parte dos Rendimento Mínimo, Classified e Black Bombaim.
O registo homónimo amarelo dos Rendimento Mínimo, demonstra uma energia revoltante. Sente-se as palavras de ordem e as "Mãos Sujas" e a "Desconfiança Cega", levam-nos logo de imediato ao cérebro da questão. "O que é que se passa? Anda tudo armado… em parvo!". A força das guitarras sentem-se nas veias, e a vontade continua a fazer estragos… "Rock Rola", uma abordagem artística para o blog de apoio a bandas de Barcelos, o rock-rolaembarcelos.blogspot.com do amigo da Fenther, Ilídio Marques.
O melhor tema encontra-se a meio do disco. "Homem Acorrentado" navega pela perfeição. Muito bem conseguido este momento, que junta vário estilos, aqui em perfeita harmonia nos sentidos! Sem querer desfigurar a obra dos R.M., há aqui bastantes aromas a Mão Morta. E isso é sem duvida notório em "Contar os Segundos", o que não deixa de ser saudável. Experimentem. Tendo como parceiros de edição a Honeysound e Oops!, não restam duvidas que Barcelos consegue conceber, criar e expor todo o trabalho conseguido em "casa". Notável este momento que se vive por estes lados. A fechar "Num Instante o Distante" sobre gritos de desespero e ainda "O Diabo Dança" cantado bilingue. Português e Francês. Um single perfeito!
Os Classified dentro da mesma ordem de ideias, fogem já um pouco para o campo Grunge. "Taunt" carece de uma audição atenta nesse sentido. Muito bom o inicio deste «Loud n Angry», um EP que demonstra bem as vontades destes quatro rapazes, o Rui Rodrigues, Marco Vale, Rui Lima e Miguel Martins. Os próprios dizem ser uma alternativa à alternativa, rotulando de imediato, toda a sua criação para a "Musica Zangada"… Uma atitude que merece respeito. Solta-se a guitarra em "Binary" na vontade de ser um tema forte e viciante. Conseguida a proeza. "Monster" e "Ace of Blades" funcionam como comprovativo de um bom caminho a ser percorrido pelas entranhas de Barcelos. O primeiro a passear por entre um blues marginal e o segundo na revolta do rock rastejante. No final, o longo tema de 7 minutos e meio. "Smoke", um refrescante tema, calmo e envolvente. Saber saborear este tema, é saber viver!
O terceiro destaque vai para os Black Bombaim. Chegado até nós ainda em formato maquete, espera-se desta banda barcelense, muito mais. Para além do disco de estreia, aguardam-se concertos ao vivo, para debitarem toda uma energia que não pode ficar simplesmente compactada dentro de uma rodela. O som dos B.B. é para se extrair e para ser captado por entre o suor dos rostos de quem a produz. É preciso sentir fisicamente, o que de espiritual é por demais sentido. As palavras instrumentais são simplificadas nos instrumentos que são tratados com a devida beleza. O resultado? "III" logo na abertura deste registo. Sente-se uma corrente que nos obriga a dançar. Impossível ficar indiferente. Perfeito!
"Seven" Segue o encanto de primeiro tema, na aventura instrumental, no longo percurso caminhado por palavras sonoras imaginárias. De novo as notas melódicas que se soltam das cordas em "Peyote" e a raiva em "12 A.M.", que se divide em dois momentos distintos, tendo o primeiro acto a vocalização já merecida por entre encantos sonoros. Solta-se o grito e o sentimento. No segundo acto, a calma aparentemente camuflada pela força dos Black Bombaim. "Your Sister Morphine Won´t Get You Home" desliza até ao final, com a calma merecida, para repor energias para uma próxima movimentação.
Bem Vindos ao universo destas três bandas, que partilham a mesma vontade, as mesmas ideologias, a mesma cidade…
Vítor Pinto
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