Below part one of the portuguese version of the new interview to PANORAMA JOURNAL (Colombia).
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Olá fãs do POSTHUMAN TANTRA ,
Segue versão em português (Parte 1) da nova
entrevista que concedi ao PANORAMA JOURNAL da Colômbia - publicação
especializada em arte, metafísica e transcendência. O entrevistador E.Kerval
denotou um amplo conhecimento de minha obra e desenvolveu questões muito
interessantes abordando os aspectos transcendentes e as conexões tecnognósticas
de minhas propostas conceituais.
A versão em inglês da entrevista
pode ser lida no blog do PANORAMA JOURNAL: http://www.panoramajournal.blogspot.com/
Ajude-me a divulgar essa entrevista.
Desde já agradeço aos outros veículos (blogues, sites, webzines, etc.)
interessados em publicar a versão em português que se segue.
A parte dois segue em outro post.
Abraço pós-humano,
Edgar Franco.
ENTREVISTA COM EDGAR FRANCO
(POSTHUMAN TANTRA) POR E. KERVAL – ....
PARA O “PANORAMA JOURNAL”, da
Colômbia – veículo especializado em arte, metafísica e
transcendência.
....
A entrevista a seguir foi conduzida
por mim (E. Kerval) com o propósito de informar a todos sobre as visões
criativas de um dos mais importantes projetos de música ambiente/experimental da
América do Sul e de todo o Planeta!!! ....
(Leia a entrevista original em
inglês: http://www.panoramajournal.blogspot.com/
)....
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1- KERVAL: Meus cumprimentos Edgar,
e deixe-nos explorar a estrutura futurística do POSTHUMAN TANTRA. Nós poderíamos
dizer que existe uma dimensão pós-humana para onde converge a sua visão de novas
formas de vida desenvolvidas através de manipulação genética, clonagem e
hipertecnologia, isto funcionaria como uma ambientação para a busca de níveis
superiores de consciência que devemos explorar objetivando transcender a partir
de seu universo? ....
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Edgar Franco: A tecnologia pode ser algo soberbo
se puder aliar-se aos aspectos transcendentes da essência universal que existe
no seio da espécie humana. A completa hibridação entre homem, máquina, animal e
vegetal não deve ser encarada apenas de um ponto de vista apocalíptico, é bem
verdade que se essa hibridação ocorrer apenas como um fruto podre do sistema
monetarista de lucros das grandes multinacionais (as verdadeiras bestas
apocalípticas dos novos tempos) teremos realmente um cenário de colapso.
Infelizmente muitas biotecnologias estão sendo desenvolvidas para disseminar
organismos vivos patenteados e estéreis, uma subversão egoísta do verdadeiro
caráter mágico da biotecnologia: a busca transcendente de um mito ômega!
Hibridizar-nos a outras espécies para voltarmos a compreender que estamos
realmente conectados a Gaia. Todas as demais espécies vegetais e animais são
sangue do nosso sangue, as bases de nucleotídeos (Adenina, Guanina, Citosina e
Timina) que compõem a vida na Terra são as mesmas para todas as criaturas. Somos
todos um único organismo que está ligado pelo cordão umbilical chamado Gaia ao
Universo!....
A tecnologia pode ser um dos canais
para a reconciliação com nossa essência cósmica. Eu creio na possibilidade da
“singularidade”: o momento de convergência tecnológica que fará emergir uma nova
humanidade - a pós-humanidade – abandonando os valores egóicos e limitantes da
velha humanidade, promovendo o salto quântico, a transcendência quântica.
....
2- Podemos observer que a hibridização
através da manipulação genética entre humanos e outras formas de vida orgânica
compõem boa parte de sua expressão artística. De que maneira essa concepção
visual representa sua própria natureza a partir de uma perspectiva visionária?
Você imagina esse processo de hibridização em um futuro não muito distante?
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De forma intuitiva, desde a minha
infância, eu sempre desenhei criaturas híbridas. Acredito que ao hibridizar em
um ser características humanas e de diversos animais e vegetais estou dizendo
iconograficamente que todos somos iguais e importantes, estou colocando nossa
espécie em visceral conexão com as demais e não só com as espécies vivas de
nosso planeta mas com inúmeras outras espécies cósmicas que vislumbro em meus
transes artísticos. Para o bem, ou para o mal, a transgenia se realizará, já
existem dezenas de animais trangênicos e até uma ovelha com 15% de genética
humana foi criada. Eu vislumbro o momento em que a biotecnologia nós dará a
possibilidade de nos transmutarmos em seres míticos como sereias ou centauros! E
esse momento não será tão distante se pensarmos no crescimento exponencial dos
avanços tecnocientíficos, cientistas e visionários como Ray Kurzweil e Hans
Moravec acreditam que esse processo terá início dentro dos próximos 30
anos.....
As minhas imagens híbridas fluem
diretamente do inconsciente universal, portanto creio que traduzam
simbolicamente mensagens da estrutura cósmica.
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3- De que maneira a exploração de
diferentes facetas de sua consciência artística através da música, das artes
visuais, da web arte, da magia e de outras formas de desconstrução das
realidades interiores ajudam-no a criar um expressionismo futurista eclético e
visionário, que obviamente reflete em sua existência e na do POSTHUMAN TANTRA
também?....
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Vivemos em um mundo corrompido pelos
dogmas, dogmas de toda natureza: étnicos, religiosos, culturais, sociais, morais
e até dogmas artísticos! O sistema cartesiano ensina nas pseudo-universidades do
globo que devemos dedicar-nos a apenas uma atividade – devemos agir como
máquinas unifuncionais, repetindo sempre a mesma atividade pela vida afora,
tornarmos-nos especialistas enfadonhos e vazios. Assim se você desenha deve só
desenhar, se toca música deve só tocar, se esculpe deve só esculpir, esse é um
reducionismo alienante e doentio, uma forma de apodrecer o espírito das pessoas
mais rápido, robotizá-las e desviar o foco da felicidade para o “ter” e não para
o “ser”, torná-las obcecadas por consumir, desviar delas o prazer de fazer e
conhecer o novo pelo prazer de obter objetos. A felicidade do ter obstruindo o
ser! Veja que grandes artistas, verdadeiros alquimistas da arte, como Dali, Da
Vinci, William Blake, Buckminster Fuller e Jodorowsky são adeptos das múltiplas
expressões, mantêm sua mente e espírito joviais ao criarem de forma ampla e
irrestrita nas múltiplas vertentes de expressão artística! Acredito que quem
domina uma arte, domina todas as artes! Portanto estou sempre aberto a criar nas
mais diversas formas de expressão, desde a poesia, passando pelo desenho,
pintura, escultura, música e chegando à arte conceitual e web arte. Para mim a
arte é a maior de todas as ciências e também o maior canal mágico existente, a
arte permite um diálogo amplo e irrestrito entre todos os assuntos e temas e ela
fala diretamente ao inconsciente universal que existe no íntimo de cada ser por
trabalhar diretamente com símbolos. Quando estou criando, estou realizando atos
rituais de conexão profunda com o cosmos, o meu processo criativo é para mim a
forma mais profunda e legítima de magia ritual! O Posthuman Tantra é uma das
dimensões de minha arte ritualística e nasceu durante os estudos de meu Ph.D em
artes na Universidade de São Paulo (Brasil), é a ....dimensão sônica de minhas criações pós-humanas.
4 - Você tenta expandir sua
consciência a níveis mais altos com seu próprio universo ficcional baseadondo-se
em suas experiências e aprendizados nesse nosso mundo
mundano?....
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Ao longo dos anos os meus rituais de
criação artística têm me mantido em contato íntimo com a essência universal,
através da criação contínua e tendo o amor libertário pelo cosmos como base para
meus processos criativos, tenho percebido gradativamente um aumento de minha
doçura interior, de meu respeito por todas as criaturas. Ao vislumbrar outras
esferas e universos paralelos em meus transes artísticos percebo a limitação de
nossos 5 sentidos eleitos pelo cartesianismo-materialista como a base única para
a compreensão dos fenômenos. Tenho percebido também a importância dos opostos
complementares, das energias positivas e negativas que devem harmonizar-se e que
a doçura pode conviver em um espírito forte. Respeito os dois caminhos: o do
místico (que abdica da vida em função da busca da transcendência) e o do
ocultista (que busca essa transcendência na sua vida cotidiana). Mas sou um
ocultista que tem na arte o processo alquímico. Busco um ideal de “santo civil“,
conceito do artista e ocultista Alejandro Jodorowsky – que se resume na idéia de
ter uma vida normal, mas buscar internamente ajudar as pessoas, e todos os seres
vivos na busca por seu equilíbrio e harmonia, desenvolver o conceito de amor
incondicional, numa perspectiva que reúna a idéia de amor ao próximo e amor sob
vontade de avatares como Jesus, Buda e Crowley. Obviamente sofro também dos
males do “ego” e luto constantemente para livrar-me do apego materialista e da
sedução publicitária que conecta felicidade à obtenção de
coisas.....
Na verdade minha arte é uma magia
branca que fantasia-se de negra para combater a magia negra da publicidade (que
trabalha para os monstros monetaristas das multinacionais) e camufla-se sempre
como magia branca, coisificando o mundo.....
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5- O álbum “Neocortex Plug-in” é uma
dimensão mágicka eclética no qual todas as possibilidades estão abertas criando
um vórtice de natureza múltipla, sempre dinâmica e fluindo em todas as direções.
Como cada uma das músicas foi gerada para ele?....
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A temática de todas as músicas de
“Neocortex Plug-in” envolve o embate entre os possíveis caminhos da nossa
relação com os avanços tecnológicos e a transcendência. O álbum sofreu forte
influência conceitual da obra de artistas visionários que refletem sobre a
iminente condição pós-humana, como Orlan, H. R. Giger, Mark Pauline, Natasha
Vita-More, Stelarc, Roy Ascott, Diana Domingues, Eduardo Kac, David Cronenberg,
e alguns aspectos de movimentos como The
Extropy, Transhumanism &
Immortalism. Já a visão tecno-transcendentalista é inspirada por pensadores
como R.A.W., Terence McKenna, Buckminster Fuller, Teilhard de Chardin, Aldous
Huxley, Madame Blavatsky, John C. Lilly, Tim Leary, Giordano Bruno, John Dee,
Gurdjief, A.O.Spare, William Blake, Rupert Sheldrake, Ken Wilber, P.K.Dick,
Crowley, Stanislav Grof, Alejandro Jodorowsky, Alan Moore, entre outros.
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Toda a concepção lírica de Neocortex Plug-in parte do universo
ficcional da “Aurora Pós-humana”, apresentando múltiplas possibilidades para
esse futuro hipertecnologizado. Aliadas a esses aspectos ficcionais eu incluo
minhas investigações e experiências de transcendência e tecnognose, além de
minhas buscas como magista caótico. Cada faixa envolve um conceito principal
dentro desse contexto. Abaixo destaco os conceitos que engendraram os aspectos
líricos e sonoros de algumas faixas presentes no álbum:....
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The
Omega Neocortex: Faixa que abre o CD, com forte clima onírico &
transcendente. Música instrumental na qual tentei capturar a essência da
proposta do visionário Teilhard de Chardin, ele anteviu o surgimento de uma rede
global que conectaria a consciência de todos os homens e seres vivos do planeta,
chamou essa rede de “Noosfera”. Quando ela estiver completa Gaia acordará como
um planeta consciente e nós seremos seus trilhões de neurônios, neurônios do
grande “Neocortex ômega de Gaia”.....
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Visions From The Abyssal
Neurogenetic Circuit: Faixa instrumental baseada nas
possibilidades de transe através de realidades virtuais computacionais, transes
tecnológicos semelhantes aos dos enteógenos. Transes que poderão fazer com que
alcancemos as verdades universais através de nosso circuito neurogenético
(presente no DNA). Trata da possível descoberta da consciência cósmica com
auxílio da tecnologia. É inspirada nas reflexões de Roy Ascott & Robert
Anton Wilson.....
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Glorification of our
Nanotechpain:
Música densa e obscura com várias participações vocais (entre elas a de Kenji
Siratori – escritor cyberpunk Japonês
& Mike, mentor da banda suíça TransZendenZ). O conceito que a
engendrou trata das ameaças possíveis como a criação de nanorobôs que
inicialmente serão gerados para erradicação de doenças, mas depois passarão a
ser produzidos em larga escala de forma clandestina para inocular novas doenças
e fazer uma poderosíssima indústria farmacêutica do futuro lucrar com a venda de
“nanorobôs antídoto”. É o continuísmo, a alta tecnologia aliada ao velho
mercantilismo e egoísmo humano.....
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Downloading my Universal Conscience
Through Cyber Pulmonary's Pranayama: A técnica milenar do “Pranayama”
utilizada em conexão com os novos dispositivos de imersão em realidades virtuais
objetivando o alcance da consciência universal. É mais uma faixa tecnognóstica
que propõe estas possibilidades.....
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Biotech Antenna to Receive Morphic
Resonances from the Mu Continent: Esta faixa - que funde
atmospheric, noise e industrial em sua sonoridade - trata de implantes
biotecnológicos, unindo chips de silício a conexões neuronais. A criação de
dispositivos tecnológicos que simulem realidades vegetais e possibilitem uma
ligação neuroatómica com os circuitos ancestrais da humanidade, bebendo do
conhecimento das primeiras raças cônscias que habitaram o planeta Terra, como a
raça do extinto continente de Mu, descritas por Madame Blavatsky. Também envolve
o conceito de “ressonância mórfica” definido pelo biólogo inglês Rupert
Sheldrake.....
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My Eternal Avatar: Uma criatura digital que nos
represente em um mundo de realidade virtual poderá viver eternamente, continuar
existindo, carregando nossas memórias e desejos mesmo depois que nosso corpo
biológico fenecer. É a faixa mais antiga do álbum e também a mais curta, foi a
primeira que gravei, trabalhei em meus vocais por algum tempo para chegar à
textura que desejava.....
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Hymn in Praise of the New Hyper
Conscience Receptacles - The Flesh Rottens and Disappears, Image and Memory
Still Remain: Às
vezes sentimos uma estranha distância entre o que fomos no passado e o que somos
agora. Olhamos fotos, ouvimos nossa voz gravada e não nos reconhecemos. A cada
sete anos nossos átomos são substituídos completamente, nossa matéria não contém
mais nada do que éramos, mas a memória permanece e nos dá identidade. Se
conseguirmos transplantar essa memória e a mente com sua rede de ressonâncias
mórficas universais, poderemos viver eternamente. Talvez seja minha faixa
preferida de todo o álbum, abre com uma gravação que recuperei de uma velha fita
cassete, eu e meu pai conversando no ano de 1976, eu tinha 5 anos de idade.
Fecha com minha mãe entoando uma das canções que adorava cantar quando eu era
criança. No meio dela ainda incluí as risadas de minha esposa – uma das coisas
mais agradáveis do mundo para mim. Não
consigo escutar essa faixa sem me emocionar.
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6- Fale-nos um pouco sobre o
videoclipe incluído em “Neocortex Plug-in” e quais foram suas necessidades
expressivas de utilizar-se de um recurso multimídia para expressar a essência do
álbum?....
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Este trabalho não é um videoclipe
comum, trata-se de uma espécie de história em quadrinhos eletrônica que envolve
interação reativa com o usuário para que ele possa fruí-la na íntegra. É um
trabalho que envolve múltiplas formas de minha expressão artística, o desenho, a
animação, a música e a poesia, uma produção multimídia que realmente sintetiza a
proposta do álbum. Game-o-tech 2.0 é
uma faixa interativa criada a partir de meus desenhos e montada no software
Flash, no trabalho contei com o auxílio do web artista Fábio FON e ainda com
participações especiais na guitarra e vocais. O título é um
trocadilho/neologismo – utilizando o termo “brinquedoteca” e trocando o “Q” pelo
“G”, criando Game-o-tech, no qual as letras G, T, C & A fazem referência
explícita às bases de nucleotídeos do DNA - guanina, timina, citosina e adenina.
Já o 2.0 refere-se a essa nova versão de uma brinquedoteca infantil – um
playground pós-humano.....
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No trabalho as criaturas híbridas
“humanimais” e os andróides são apresentados como produtos, objetos vivos
patenteados para servirem como brinquedos para as crianças nesse contexto
futuro. As brincadeiras desse novo playground são sádicas e cruéis, envolvendo
sofrimento e dor das criaturas vivas – meros objetos de diversão para seus
interlocutores – eles metaforizam os brinquedos tecnológicos contemporâneos,
sobretudo o universo dos games de computador tão repleto de violência
sanguinolenta coreografada. ....
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A destruição sádica dos avatares
inimigos nos games é substituída na brinGuedoTeCA pela vivissecação dos novos
brinquedos biotecnológicos patenteados pelas multinacionais. As antigas
coreografias virtuais tornam-se novas experiências de crueldade divertida para
essas crianças de moralidade reestruturada pelos processos tecnológicos. No
final o prazer do poder sobre as “vidas híbridas coisificadas” confunde-se com
um orgasmo.....
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O trabalho reflete sobre a
aceleração da coisificação da vida através dos processos de criação e
patenteamento de seres vivos híbridos, trata também de possíveis reestruturações
na ordem moral e ética humana a partir dos ditos avanços tecnológicos.
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7- Sabemos que o
primeiro álbum do POSTHUMAN TANTRA, “Pissing Nanorobots”, teve inspiração e
influência de alguns filmes de David Cronenberg. Em quais filmes do diretor
Canadense você inspirou-se para capturar a essência dos conceitos criativos do
CD?....
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Pissing Nanorobots foi o primeiro CD do Posthuman
Tantra lançado de forma independente em 2004. O trabalho foi concebido como uma
reflexão conceitual sobre as possíveis sexualidades renovadas e reformatadas no
contexto da “Aurora Pós-humana”, incluindo 14 faixas. Em meu universo conceitual
pós-humano a evolução tecnológica e da consciência possibilitou a migração
psicossexual dos desejos da atual era Freudiana - estruturada sobre traumas e
tabus sexuais, além dos desejos reprimidos -, avançar para uma era Junguiana -
acesso ao inconsciente das espécies -, e finalmente mergulhar em uma era
Grofiana (Stanislav Grof), caracterizada pela penetração no inconsciente
universal. Mas nos estágios iniciais de
aceleração tecnológica a sexualidade em transformação produzirá novas perversões
e múltiplas insanidades como robô-copulações doentias, a criação de andróides
escravos sexuais e a degeneração de alguns humanos que vibram só nas baixas
freqüências. Ao longo das décadas a liberação sexual pós-humana terá resultados
positivos, pois liberará a humanidade do estigma Freudiano.
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No contexto do meu universo
ficcional da “Aurora Pós-humana” a sexualidade das criaturas é a mais variada e
iconoclasta. Imagine que existem os mais diversos humanimais, como híbridos de
mulher e golfinho, homem e cavalo, e todos podem ser hermafroditas, possuindo
múltiplos órgãos sexuais masculinos e femininos. Você pode colocar um pênis de
asno em sua testa e sua parceira uma vagina de baleia entre os olhos. Na “Aurora
Pós-humana” a genética está tão avançada que consegue produzir essas aberrações
e irrigá-las, além de gerar novas conexões neuronais múltiplas, ampliando a
região cerebral responsável pelo orgasmo. Os tabus e taras sexuais podem ser
quebrados e vividos livremente. No contexto de meu universo essa total liberação
sexual propõe que as amarras sexuais nunca foram um problema real, toda a moral
era simplesmente um bloqueio ancestral baseado em dogmas arcaicos. E com a
liberação e realização completa dos desejos sexuais as criaturas podem
finalmente concentrar seu pensamento e desejo em uma verdadeira evolução da
consciência na busca da transcendência. ....
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O álbum Pissing Nanorobots parte dessa concepção
de sexualidades pós-humanas como conceito instigador para a geração das músicas,
faixas como Cum Nanochips e Cloneborg Chamaleon’s Body traduzem em
sons industriais ambientais as múltiplas formas de copulação nesse contexto
ficcional pós-humano. A faixa Penetrate
the Virgin Bioport é um tema deliberadamente criado com inspiração no filme
eXistenZ (Canadá, 1999) do cineasta
canadense David Cronenberg, nele, a “bioborta” é um orifício aberto na base da
coluna vertebral para receber o plugue de um game biológico que é alimentado a
partir do sangue do jogador que flui através dele. No filme a bioporta tem esse
duplo sentido, ao mesmo tempo que abre a conexão para esse mundo de ilusões
virtuais também é um novo orifício corpóreo com conotações sexuais, algo como um
segundo ânus. Existe algo de grotesco e ao mesmo tempo curioso nessa fascinação
de Cronenberg por orifícios tecnológicos, uma espécie de tecnofetichismo que
também aparece em outro de seus grandes filmes Videodrome (Canadá, 1983). Penetrate the Virgin Bioport é uma
elegia musical inspirada por esse fetichismo pós-humano. Também ..em Pissing Nanorobots..
existe outra homenagem explícita a Cronenberg, a faixa Allegra Geller’s Memorial, composta em
memória da programadora de jogos do filme eXistenZ que se chama Allegra - em um de seus jogos você
literalmente é Deus, esse é o seu papel no game - uma estranha e brilhante
proposta de neo-transcendência, viver como Deus em um universo de realidade
virtual, passar toda sua vida lá, numa matrix divinatória.....
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8- Você poderia nos dar sua opinião
sobre os seguintes assuntos: realidades virtuais, robótica, hermafroditismo,
hipertecnologia, tecnofetichismo e de que maneira esses elementos poderão
auxiliar-nos no sentido de alcançarmos níveis superiores de consciência através
de sua exploração nos próximos milênios?....
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Vou tratar brevemente de cada um dos
assuntos propostos por você:....
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As realidades virtuais aliadas à
experiências com as antigas realidades vegetais (transcendência através do uso
de enteôgenos, as plantas de poder como a Ayahuasca) e aos transes artísticos
podem abrir portas para uma compreensão mais ampla e dinâmica de nosso lugar no
universo.....
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Através da robótica, da criação de próteses
biônicas e biorobóticas e de processos de substituição de órgãos e sistemas do
organismo de base carbônica, vamos aos poucos percebendo como nossa essência vai
muito além do corpo físico-material, finalmente quanto chegarmos ao momento da
tecnologia da transbiomorfose – transferência de nossa consciência e memória
para um biochip, perceberemos como somos criaturas imateriais e
imortais.....
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Ao transmigrarmos para um corpo
biotecnológico híbrido teremos a chance de experimentarmos os múltiplos aspectos
da sexualidade, sermos hora Yin, hora Yang, resgatando o hermafroditismo de uma das primeiras
raças da Terra, segundo a cosmogonia de Blavatsky. Poderemos ter os opostos
complementares novamente em uma única criatura. Seria uma excelente
oportunidade, uma poética viva! È sempre bom lembrar que isso poderá vir a
realizar-se caso a idéia de lucro não contamine toda a evolução biotecnológica e
a transforme em mais um produto do monetarismo egóico.....
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A idéia de technofetichismo pode chegar a um ponto
glorioso que irá finalmente resolver todas as doenças e taras sexuais que foram
impressas no inconsciente coletivo da espécie humana nos últimos 5 milênios,
quando tivermos os primeiros biobots hipertecnológicos que imitem com
perfeição o humano, teremos a chance de realizar todos os obscuros desejos
sexuais que existem em nosso ID e expurgar de vez esses desejos tornando-nos
puros, pois para que ocorra a transmutação é preciso descermos o mais fundo no
abismo do self!....
Tudo isso são conjecturas,
possibilidades que vislumbro, mas existem linhas de realização múltiplas, o
destino de nossa espécie depende verdadeiramente de nossa compreensão do todo,
de nossa reconexão com o universo, se essa compreensão frutificar a tempo,
teremos chance de experimentar verdadeiramente o êxtase divinatório através dos
processos tecnológicos.....
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9- Por favor, fale-nos um pouco a
respeito de seu projeto musical chamado POSTHUMAN WORM e das relações sexuais
copulativas entre humanos e robôs tratadas por ele?....
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No Japão os robôs de companhia estão
sendo desenvolvidos e existe uma grande preocupação em duplicar expressões
humanas neles, fazê-los quase humanos, ou seja, humanóides. Mas na falocracia
norte americana a maioria dos robôs continuam inumanos e burros, monstros
metálicos feitos para a guerra. Na “Aurora Pós-humana” é do extremo oriente que
surgem os primeiros escravos sexuais pós-humanos, robôs como no filme A.I.
(2001, EUA, Spielberg & Kubrick). Em
minha ficção, nos primórdios transumanos ainda existe uma grande resistência à
clonagem e criação biotecnológica, portanto as bonecas biotecnológicas sexuais –
de carne e osso – mas com o cérebro positrônico, surgem apenas em uma segunda
fase. ..Em minha
FC.. tento projetar-me no futuro, realizar um verdadeiro salto
quântico para vestir a pele desses seres que habitam um mundo hipotético, ao
mesmo tempo refletir metaforicamente sobre a realidade contemporânea da
imbricação homem-tecnologia. Eu coloco um pouco de mim e de todos os meus
questionamentos, incertezas, vicissitudes e contradições em cada um de meus
seres, minhas personagens são múltiplas frações de minha alma, retratos fractais
holográficos daquilo que está no meu interior. ....
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O “Posthuman Worm” é um projeto
paralelo com o qual já realizei alguns poucos CDs, esta segunda banda é um
agressivo e furioso manifesto minimalista “sci-fi cyber gore” no qual a temática
é resumida a sexo pervertido e inimaginável entre as criaturas pós-humanas na
fase primeva de degenerescência sexual que advirá inicialmente com o avanço
tecnológico. ....
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No projeto eu tento imaginar as mais
pútridas e grotescas formas de robô-copulação e transas entre híbridos
humanimais, também mostro humanos “normais” se encontrando com essas criaturas
para realizar suas fantasias doentias. Esse projeto refere-se ao nigredo
alquímico, o fundo do poço mais abissal a que a humanidade deverá chegar para
assim finalmente iniciar sua ascensão para a verdadeira consciência cósmica.
Para mim é um repositório de meu lado obscuro, minha faceta mais cruel,
sanguinária e doentia, eu a expurgo e purifico minha essência criando essas
músicas e imaginando essas aberrações. É um exercício criativo catártico
poderoso. Todos nós devemos conseguir balancear bem os opostos complementares de
nosso ID, para que exista o Posthuman Tantra – a cada dia mais tecnognóstico – é
necessário existir o Posthuman Worm – o lado podre e obscuro de minha alma. Eis
aqui o título de algumas músicas do POSTHUMAN WORM e o seu
significado:....
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Cyborg Siamese Real Doll
Penetration – A
faixa propõe uma cópula alucinada de um humano com uma boneca ciborgue no estilo
das “real dolls”, só que nesse caso trata-se de uma “siamese real doll”, isto é,
uma boneca ciborgue gêmea siamesa em que as irmãs são pregadas pelos lados de
forma invertida, assim enquanto ele
transa com uma pode ir fazendo cunilinguis na outra...uma perversão realmente
insana.....
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Dog Human Transgenic
Girl – Essa
simplesmente relata uma transa sensual com uma garota híbrida de cadela e
humana, com uma enorme língua e um rabo que fica acariciando o
parceiro.......
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Fucking Fat Hole With Bionic Killer
Dildo – Essa
apresenta um robô escravo sexual atendendo os desejos de sua dona humana obesa
de 180 kg e utilizando uma espécie de pênis biônico de grande performance para
satisfazê-la durante horas ininterruptas.....
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Veja que tudo é realmente levado aos
limites do impossível, um mergulho completo nas taras obtusas do reprimido e
doentio mundo da fase Freudiana em que vivemos. Ao transformar minha fase
freudiana em arte eu purifico um pouco mais o meu espírito, expurgo de forma
lúdica essa faceta.....
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(Leia a parte 2 em outro post que se segue a esse).