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Marina de la Riva



Last Updated: 11/17/2009

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Monday, December 01, 2008 
Marina de la Riva: cruzamento perfeito entre a música brasileira e cubana

SHOW
Brasileira de alma cubana

Marina de la Riva canta pela primeira vez na cidade e é uma das atrações do Belo Horizonte Music Station; a partir deste sábado e nos próximos três, evento transforma em palco algumas estações de metrô

Milton Luiz
A partir deste sábado (29) e nos próximos três (6, 13 e 20), as estações de metrô Santa Inês, Minas Shopping e Vilarinho serão palco do Belo Horizonte Music Station. Entre as atrações, nomes como Arnaldo Antunes, Tom Zé, Nação Zumbi, entre outros. Marina de La Riva é um dos destaques. Filha de um cubano e uma brasileira ("minha mãe é mineira, do Triângulo, de Araguari"), ela canta pela primeira vez na cidade. "Estou esperando por isso há muito tempo. Como diz uma amiga minha: minha parte brasileira cantando na terra. Gosto de ver meu trabalho caminhar. São pequenos passos, mas firmes. Tomara que no show que vou fazer aí faça alguém sonhar", conta, sem esconder a expectativa de estrear no Estado natal da mãe.

Como vai se apresentar numa estação de metrô, Marina diz que deve modificar seu repertório usual. Sempre faz um set list imaginando o lugar onde vai cantar. Mas, na hora, se sente livre para mudar. Mesmo promovendo algumas alterações, deve manter a base do álbum de estréia. Nele, promove, com maestria, o cruzamento da música cubana com a brasileira, intercalando pérolas como "Ta-Hi" (sucesso de Carmem Miranda), e "Sonho Meu" (Dona Ivone Lara) a "Te Amare Y Después" (Silvio Rodriguez) e "Ojos Malignos" (bolero do final dos anos 50 que, no CD, teve a participação especial de Chico Buarque).

Cuba

Difícil conversar com a intérprete sem falar de Cuba. Sua história está atrelada àquele país. O pai e os avôs de Marina foram para Miami (EUA), fugindo da revolução cubana, em 1959. Nos Estados Unidos, as coisas não deram certo e o avô decidiu vir para o Brasil, onde possuía terras no Rio de Janeiro, compradas na época que ainda morava em Cuba. Foi no Brasil que o pai Fernando, um exilado cubano, conheceu a mãe da cantora, Margarida. Foram morar em Baixa Grande de Leopoldina, interior flumiense, onde Marina nasceu e morou até os 21 anos. Antes de cantar profissionalmente, Marina estudou direito e criou búfalos.

Ela esteve em Cuba há quatro anos para gravar seu primeiro CD. "Foi a primeira vez que estive lá fisicamente, mas Cuba está na minha vida desde que nasci". Lá, descobriu que as pessoas têm visão fantasiosa do país. "Os turistas chegam a Cuba com aquelas lentes que imaginam. De uma Cuba que tem um ditador por 40 anos, que representou uma rebeldia na época que trouxe novas idéias. Desconhecemos a fibra do cubano, um povo que sofre pra caramba. A imagem que temos é de um povo alegre, que sabe dançar, toma mojito. O cubano é muito parecidos com o brasileiro. Assim como a gente, ele tem uma ginga de quem está acostumado à dificuldade".

Para a cantora, há um lado sério e intenso do país que muitos desconhecem. "É um povo que está há quatro décadas numa situação que ninguém sabe como porque não vive lá. As pessoas costumam pontuar Cuba da revolução pra cá. Cuba é desde os índios. Falta ao turista abrir o olhar e imaginar porque existe uma farmácia lá que é patrimônio universal. Se perguntar o que fez uma família russa morar em Cuba ? Por que havia muita chinês em Cuba na época da revolução? Há uma parte da história anterior à revolução que as pessoas não se ligam muito".

Do período que passou gravando o CD naquele país guarda histórias. Passou 20 dias no estúdio. Trabalho regado a café, um de seus vícios, além da música. No último dia, numa de suas idas a cozinha, aproveitou para se despedir da senhora que trabalhava lá. "Ela disse que tinha se afeiçoado a mim. Falei que voltaria, que ia dar tudo certo. Ela começou a chorar. Fiquei sem saber o que responder. E ela: ..Tudo bem para você que pode vir e ir embora'. Aquilo foi um soco no meu estômago".

PROGRAMAÇÃO

29 de novembro (sábado)
Palco Santa Inês
0h15 — Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra
Palco Minas Shopping
0h15 — Chico Amaral
Palco Vilarinho
0h30 — Nação Zumbi
2h — Clube do Balanço

6 de dezembro (sábado)
Palco Santa Inês
0h15 — Fino Coletivo
Palco Minas Shopping
0h15 — The Dead Rocks
Palco Vilarinho
0h30 — Teatro Mágico
2h — BossaCucaNova

13 de dezembro (sábado)
Palco Santa Inês
0h15 — Marina De La Riva
Palco Minas Shopping
0h15 — Tattá Spalla
Palco Vilarinho
0h30 — Vander Lee e Lokua Kanza
2h — Tom Zé

20 de dezembro (sábado)
Palco Santa Inês
0h15 — Marina Machado
Palco Minas Shopping
0h15 — Erika Machado
Palco Vilarinho
0h30 — Ana Cañas
2h — Móveis Coloniais de Acaju
3h30 — Jack Tequila

Belo Horizonte Music Station
.. 29 de novembro; 6, 13 e 20 de dezembro (sábado)
Local: Estações do Metrô de Belo Horizonte — Central, Santa Inês, Minas Shopping e Vilarinho. Entrada obrigatória pela Estação Central — praça da Estação, centro
Horário dos shows: a partir das 0h15
Portões abertos às 23h30.
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada) — à venda nas lojas Claro do BH Shopping, Loja Claro da Savassi, Shopping Cidade, Itaú Power Shopping e Minas Shopping. Ingressos limitados por noite

Informações: (31) 3264-2423 — www.bhmusicstation.com.br
Wednesday, August 27, 2008 
O MAR E O VULCAO DE MARINA DE LA RIVA, POR HERON COELHO.

http://sovacodecobra.ig.com.br/2008/08/o-mar-e-o-vulcao-de-marina-de-la-riva-–-impressoes/
O Mar e o Vulcão de Marina de La Riva – Impressões
Publicado em Da platéia por Heron Coelho
04/08/2008 | 08:27

Marina de la Riva na Virada Cultural 2008 - fonte da imagem: Flickr (Expansão Cultural)
Numa conversa entre mim e o pianista e compositor Eduardo Nazarian (hoje em Nova York), fui interpelado por uma pergunta incisiva:
"Você conhece a Marina De La Riva?"

Na hora, pensei em alguma ilha paradisíaca, com suas praias desertas ladeadas por pedra, cascalho e flor. Respondi que não e silenciei, sem saber ao certo se o amigo pianista se referia a alguma proeza marítima por mim desconhecida, ou a algum belo quadro, pintado por Picasso ou Frida Kahlo.
Meses mais tarde, a beleza já preconizada se me afigurou num CD, no qual a primeira audição me levou a uma breve pesquisa, para saber quem era Marina, e de onde surgia essa maré arrebatadora cuja voz engendrava um conteúdo musical conceitualmente elaborado, com ressonâncias e confluências que, a cada audição, revelavam um projeto cultual muito mais amplo do que costumeiramente se faz neste país (as pilhas e pilhas de CDs que recebo para ouvir, e de onde poucos me tocam tão profundamente quanto o trabalho de La Riva).
A partir daí, consegui assistir ao seu show, creio que o primeiro em São Paulo (no auditório de uma livraria), pois já havia recebido o CD há algum tempo pela imprensa, e acredito que aquele tenha sido seu lançamento oficial, cuja data não preciso ao certo. E a partir daí, gradativamente passei a tomar um contato indireto com a cantora (por meio de jovens amigos artistas em comum, como o cineasta Rafael Gomes e o compositor Vinícius Calderoni), sabendo sobre suas agendas de show, para assisti-la mais vezes.
E assim a repetição constante da audição do disco se reiterou em minha presença em seus shows, como um espectador contumaz, diretor de teatro e de musicais, na busca incessante de compreender o que em mim despertava tanta emoção, a cada show, a cada canção, a cada gesto que Marina emprestava ao repertório composto por canções latino-americanas e brasileiras.
Caiu-me a ficha, num insight catártico que me fez definitivamente enxergar La Riva em sua essência, e a verdadeira natureza e importância de seu trabalho em nossa música popular.
Com seu vestido leve, sua flor na cabeça, sua afinação impecável aliada ao seu gestual teatralmente preciso para cada canção que interpreta, Marina De La Riva faz emergir toda uma latinidade embrionada em cada um de nós, incorporando em nossa anima brasileira o sentimento de que somos, nós, os latinos, um magma cuja cultura sempre fora elidida nos longos processos de colonização, sempre mascarada e atravessando séculos – hoje, vive travestida pela imposição mercadológica e massificadora que, inacreditavelmente, permitiu que uma artista como De La Riva viesse à tona, feito um vulcão que eclode irrefreável, sem que ninguém a possa conter, seja no palco, seja e sua trajetória que será longa.
Lembro-me de Myrian Muniz contando-me sobre sua experiência com Elis Regina no musical Falso Brilhante, no qual a até então cantora (e, pós-Myrian, cantora-atriz) surgia entre os músicos, subitamente, cantando Gracias a la vida, de Violeta Parra, arrancando do público uma comoção ignota, incompreensível num primeiro momento, efeito paralelo ao que Marina de La Riva provoca. "É o teatro", Myrian diria, "é o teatro e Dionísio".
Ao ver sua última apresentação, veio-me à mente um texto de Lorca, "Juego Del Duende", no qual o poeta, em uma conferência, fala sobre o dom embrionário e orgânico (el duende) que alguns aristas trazem em si, essencialmente ligado à alma e a um talento natural, proveniente de uma força mágica que implica uma transformação do artista mediante seu ofício – e o poeta se referia à Pastora Pavón, sua La Niña de Los Peines, histórica cantora de flameco, assim como os violonistas que a acompanhava.
Marina traz em seu bojo o duende do Lorca, e inteligentemente o coloca em ação, alinhavando nossas grandes cantoras estilistas, principalmente Carmen Miranda e Marlene, cuja teatralidade e interpretação musical remetiam à uma epifania, uma manifestação divina e sobrenatural, sentimento súbito de compreensão de algo.
E este "algo" é a ponte que La Riva faz entre as almas brasileiras e latino-americana, ao juntar Luiz Gonzaga com Lecuona, Jose Martí com Dona Ivone Lara, baião com habanera, e quem sabe, futuramente, o samba e o tango, que um dia nossa Carmen se atreveu?
Luz Del Fuego aparece no palco para abençoar sua filha, essa menina brasileira-cubana, la pequeña Mariposa, assim como todas as nossas vedetes e divas esquecidas, juntamente com nossas Elizeth e Zezé Gonzaga, dando-lhe à bênção da voz eternizada em discos.
Generosa e espontânea, Marina De La Riva traz nos cabelos uma flor, feito uma cerejeira frondosa que oferta aos seus espectadores toda a boniteza (como diria Bororó) que tem em seu talento e simplicidade.
De Marina guardo uma dessas flores, posta junto a um pequeno busto de Clementina de Jesus, nossa Rainha Ginga, e que decerto a abraçaria, dizendo: "essa menina canta bonito…".
http://sovacodecobra.ig.com.br/2008/08/o-mar-e-o-vulcao-de-marina-de-la-riva-–-impressoes/
Thursday, April 24, 2008 

http://www.youtube.com/watch?v=4xfdx_6a6O0

Caros, Fiz o programa  "Som Brasil" na Globo em Homenagem ao Lulu Santos. Fiquei honradissima com este convite.

Foi  maravilhoso poder reler um trabalho tão pop, vivo e ativo. Para quem quiser assisitir, o link, no youtube.

http://www.youtube.com/watch?v=4xfdx_6a6O0

bjs,

Marina

Thursday, April 24, 2008 

http://blog.uncovering.org/archives/2008/04/delirios_de_fusoes.htmlcomments

De pai cubano e mãe brasileira, Marina tem seduzido o Brasil com seu projeto musical que busca unir Rio de Janeiro y La Havana como pontos de um imaginário criativo das lembranças. Assim, extrai músicas onde as colagens e fusões transcendem a aparência do posto junto; reinventa antigas canções da ilha, do morro e do sertão dando a cada uma delas nuanças novas, bastante originais. Através de Marina, o centro inventivo, emergem seus ousados instrumentistas - de ambos os países - que não se furtam em explorar novas fontes de som numa espécie de busca épica pelas notícias e sentimentos de uma Revolução perdurada sobre estranhos concretos, anos que Marina de La Riva não viu, mas se lembra. Aliás, não é raro vê-la elevando a sua arte a alguma instância mística, se não, metafísica; se não; pura subjeção-intuitiva: colocava a voz e ficava ouvindo para ver se as músicas também me escolhiam, diz ela contado sobre a escolha do repertório.

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Nem mesmo as presenças elegantes de Davi Moraes e Chico Buarque lhe tiram a concentração devota. A cantora costumeiramente apressa-se em dizer que, antes e depois do deslumbramento, está a música, a arte e o projeto tão bem sucedido que, a partir do disco independente, irá desdobrar-se em documentário e gravação de concerto(s). Tudo fruto de mais de três anos de trabalho e viagens "ponte-aérea" Brasil e República de Cuba: caminho, para ela, essencial.

Segundo Marina, a possibilidade de criar esses novos contornos baseados em matrizes musicais tão diferentes é possível por conta da sua infância, quando não percebia diferenças entre as músicas dos dois países: Para mim era tudo a mesma coisa, a música da minha casa. Trio Matamoros e João Gilberto era mesma coisa. Talvez seja realmente por isso que os hibridismos soam tão naturais; entre os batuques africanos e uma profusão de ruídos vindos sabe-se lá de onde, a tração dos instrumentos de metal rumbeiros penetra por todos os poros brasílicos e põe o "Marina de La Riva", seu primeiro disco, entre os mais envolventes do ano.

Para uma amostra, aí em baixo podemos ir de Tin tin deo/Xote das Meninas, colagem. A primeira canção é de 1940 composta pelos cubanos Gil Fuller e Chano Pozo (que trouxeram muitos ritmos latinos para o jazz) e, a segunda, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, gravada em 1953. É a primeira faixa do álbum e um excitante resumo do que vem a seguir.

..
..

Marina de La Riva - Tin tin deo/Xote das Meninas (excerto)

5 comentários

Prill do Céu,

Estamos altamente conectadas.
Marina é uma grata surpresa na MPB. Adoro, adoro, adoro. Essa semana, creio eu, ela estará em SPe se eu retornar a tempo juro que vou.
Não sei como ela fica concentrada com o Chico...ai que inveja, Prill

Sandra em 14 de abril de 2008 às 20h41

HAHAHAHAHAHHAHHA

Sandra, também fiquei pasma de ver que, nas entrevistas, ela fala do dueto com o Chico recheada de um profissionalismo, de um amor dogmático à música... que me fez colocá-la numa categoria de pessoas que me fazem sentir vergonha. eu não teria a menor postura, a menor...

ótima a conexão, querida! se você for no show, quem vai sentir inveja serei eu. um beijo grande e obrigada por comentar (!)

prill em 15 de abril de 2008 às 02h41

Também conheço! A moça tem futuro!!

PR em 15 de abril de 2008 às 11h26

PR, e não é verdade?
considero a Marina a mais criativa dessa leva de moças da mpb, se não for, certamente é a que mais me toca, a que mais toco.
obrigada pelo comentário e volte sempre!

prill em 16 de abril de 2008 às 18h21

Me encanta Marina. Soy un enamorado de Brasil y esta garota me parece impresionante sobre todo como persona. Que mal lo tiene que pasar siendo tan guapa. Aquí en España se dice que la suerte de la fea la tonta la desea. Y canta fenomenal. Espero conseguir pronto un CD de ella aunque me gustaría conocerla en persona (sonho meu).

Jose Luis em 18 de abril de 2008 às 21h09
Saturday, February 09, 2008 

Category: Music

CAROS,

ENTREVISTA RECORD NEWS, COM LORENA CALABRIA.

http://www.mundorecord.com.br/play/5c0c4c36-256b-469a-8042-6a94f3c56e48

Friday, December 21, 2007 

CAROS,


MUITO OBRIGADA PELO CARINHO E APOIO AO MEU TRABALHO NESTE ANO DE 2007.

DESEJO A TODOS MUITAS BENÇÃOS CRÍSTICAS, PRINCIPALMENTE A GRAÇA DA CONSCIÊNCIA DA PRESENÇA DA VIDA INFINITA EM TUDO, ATEMPORALMENTE.

E QUE POSSAMOS VIBRAR, PENSAR E AGIR NO CRISTO, TODOS OS DIAS DE NOSSAS VIDAS, COMO QUALIDADE DE UNÇÃO QUE VAI NOS DIRECIONAR FORA DO TEMPO, EM DIREÇÃO AO INFINITO.


MUCHAS BENDICIONES, ALEGRIA Y MUSICA!!


BJS E ATÉ 2008.

MARINA


 

Marina de la Riva

www.marinadelariva.com

Wednesday, October 31, 2007 
Sunday, October 21, 2007 
VOGUE BRASIL
"NOSTALGIA"
..:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /> 
 
Alma migrante
Destaque da nova safra de cantoras brasileiras,
Marina de ..:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" />la Riva  conta a incrível trajetória de sua família, que
começa na Europa, vira realidade em Cuba e desabrocha no Brasil.
 
Gostaria de saber o que pensam os imigrantes
no momento exato que decidem partir. A esperança vestida de coragem sobrepujando o medo. 
Sou de uma família que vem mudando de terra desde o século 17 – 
da Alemanha para Cuba, da  Espanha para Cuba e de lá para os Estados Unidos e depois para o  Brasil. Sempre me questiono o que os moveram. Certamente tinham suas próprias razões. Ditas pelo silêncio e confirmadas pela migração. São muitos os caminhos que os levaram à plataforma, ao trem, ao porto.
 
No século 19, partiu de Santander, na Espanha, com
destilo à ilha  
de Cuba um comerciante de nome Ramiro de la Riva.
Vivendo pelas  
bandas caribenhas, conheceu una señorita muito
mais nova, Elvira,  
cujo pai concedeu-lhe a mão em casamento, contra a
vontade da moça,  
que tinha outra paixão. Do enlace entre Ramiro e
Elvira nasceram vários filhos, entre eles, Fernando.
Ramiro morreu, deixando Elvira e a prole  desamparadada. Na falta de sopa, única comida da casa, ela pedia à padaria que lhe desse molho de tomate para alimentar os  filhos. Nessa dureza se criou Fernando, que aos poucos tornou-se arrimo de família. Que além de exímio atleta, 
conseguiu se formar em Direito. Um dia, jogando futebol  americano, teve um grave acidente. O médico lhe colocou de cama por seis meses.
Para a mesma ilha, só que dois séculos antes, saiu de Hamburgo um  
armador de sobrenome Averhoff. Tornou-se o
primeiro  cônsul alemão da colônia espanhola e entre seus feitos, está  o Jardim Botânico de la Havana – consta que ele mesmo
regava as mudas de árvores que trazia em suas longas viagens para plantar no Jardim. Mariano também morreu cedo, deixando viúva e filhos. Entre eles Octavio Averhoff y Plá.  
Que para poder estudar, como não tinha dinheiro para
comprar livros, passava todo o tempo na biblioteca pública. O
empenho valeu a pena: aos 19 anos, tornou-se o mais novo professor de
Direito Romano da Faculdade de La Havana, cargo de muito prestígio
na época.
 
Também da Espanha com destino à Cuba, mais
precisamente de Barcelona, saiu uma numerosa família, de sobrenome
Sarrá. Os Sarrá  chegaram à ilha "de alpargatas", como eram
chamados os  espanhóis de poucas posses que aportavam em busca de
prosperidade. O pai, José Sarrá, um químico genial, escolheu um terreno em Havana que, segundo seus conhecimentos químicos, tinha uma fonte de água mineral muito especial. Ali instalou sua pequena botica e, no andar de cima do  prédio, a família. Trabalhava noite e dia e aos poucos consegiu se  estabelecer. Comprou o quarteirão inteiro, abriu uma loja de  departamentos. Mandou a filha caçula e predileta estudar em Nova York, fato absolutamente incomum para a
época, num colégio para moças – as pouquíssimas cubanas que estudavam só o faziam com  tutores em casa. Celie Sarrá Hernandez era cheia
de energia e questionadora. A mãe, muito controladora, não
gostou nada. Mas ela foi, expandiu o pensamento (foi até sufragette) e voltou quando o pai morreu.
 
Celie conhece Octavio e apaixonam-se, contra a
vontade da mãe despótica de Celie, casam-se. José havia dado em vida uma casa a cada filha.  
O que salvou o casal, já que a mãe de Celie
tinha o hábito de  deserdar seus filhos por pequenas discórdias
domésticas, "por no portarse bien" – ainda que  
depois voltasse atrás. Numa dessas idas e vindas,
a mãe morre,  deixando Celie, ironicamente a predileta do pai,
sem herança nenhuma. O casal prospera e tem três filhos. Nasce Aleida Sarrá Averhoff, que mistura a  curiosidade da mãe com a rigidez do pai. Alva, olhos muito escuros e profundos, era comportada e levada ao mesmo tempo.
Estudou em  Briacliff, Nova York, montava a cavalo, tocava
piano, violão,  pintava, escrevia, falava cinco línguas, adorava
moda, tinha seu  próprio carro, "una mujer completa".
Um dia uma amiga convidou Aleida para visitar um
conhecido seu,  grande atleta, que estava convalescendo após um
acidente. Era  Fernando de la Riva, um moço de olhos verdes
de mar, cabelos pretos e um pouco triste, apesar de simpático. A
afinidade foi  imediata, e Aleida ofereceu-se para levá-lo a passear no dia  seguinte, para tomar um ar. Fernando aceitou e, entre o
mar e o Malecón,  se apaixonaram. Queriam ficar juntos, nunca mais se
separar, o  problema era contar à família dela, tradicional.
Fernando a pediu  em casamento, para horror dos Averhoff, que não
viam com bons olhos  a diferença social. Aos poucos, com seu carisma
inigualável, foi  aceito. Aleida e Fernando casaram-se em 26 de
dezembro de 1932. Ano  agitado, tensão política no ar, a cerimônia
aconteceu dentro de  casa. Partiram para a lua-de-mel em êxtase, uma
princesa e um  guerreiro apaixonados. Na volta, Aleida e Fernando
vão morar em  Rancho Veloz, salina que era seu ganha pão. Viviam em uma casa muito simples, de madeira e sapé, quase sem móveis.  
Aleida descobriu árvores caídas e as transformou em cadeiras e  
mesas. Aleida engravida, nasce o primeiro filho, "varón", também  
Fernando, celebrado e cuidado a maior parte do
tempo pelos avós Octavio e Celie. Depois veio  uma menina,
Aleidita.
A vida seguia, Fernando era um trabalhador
incansável e genial. Tornou-se um dos homens importantes da economia cubana. Um de seus amigos, grande engenheiro açucareiro, morria de medo de avião. E para fazer projetos com  
ele, só indo a Cuba. Foi assim que Fernando
conheceu alguns paulistas, da família Morganti.
Os Morganti  ofereceram à Fernando um negócio no
Brasil, no  interior do Rio de Janeiro, um engenho que estava
à venda. Ele  se  interessou, mandou enviados de confiança para
verem de perto a  história e fechou negócio. Estava muito ocupado
com uma fábrica de  papel que acabara de construir – papel reciclado,
de bagaço de  açúcar. Era um visonário, definitivamente. Mas não a
ponto de prever  que as novas turbulências políticas iriam mudar
Cuba para sempre. A  revolução se instalou, dando uma nova ordem de
não-propriedade e  violência em nome da ideologia.
 
Fernando embarcou Aleida e filhos para a Flórida,
enquanto os  Averhoffs seguiram para o México. Ele ficou em
Cuba. Ao  tentar  enviar por mar um carregamento de açúcar, de sua
própria produção,  para sustentar a família, foi traído e entregue
aos revolucionários  por um amigo muito intimo. Fernando sofreu as conseqüências,tentou continuar na ilha por mais um tempo, mas
terminou deixando Cuba para encontrar a família na Flórida.
Conseguiu dinheiro  emprestado com um banco e alguns amigos, entre eles Henry Ford e o espanhol Ignacio Fierro. Comprou um terreno  apropriado, reuniu conhecidos  exilados e iniciou a construção de uma nova usina, "Talismã". Que por definição já dizia tudo, era a esperança de muitos.  Trabalharam com  determinação, dia e noite, sonhando moer os primeiros pés de cana  já no ano seguinte. Mas o destino não pensava igual, uma  grande geada se abateu sobre os campos de cana, em ponto de corte e perdeu-se uma safra inteira.  
O sonho foi desfeito. Fernando, arrasado outra vez,  vendeu tudo  
para honrar seus débitos. Transformava outravez raiva em 
vontade de vencer quase que por orgulho. Mais tarde  
diria que a vida era dura, mas que ele era muito
mais duro que a vida.
Decidiu ir para o Brasil dar atenção ao engenho
falido que havia  sido comprado por sugestão dos Morganti. Foi parar
em Baixa Grande  da Leopoldina, distrito no interior do Rio. Tomou
posse de sua  propriedade, arrumou a casa, conseguiu móveis em
uma fábrica e  ligou para Aleida de um posto telefônico. Pediu
para que ela  comprasse as passagens com o dinheiro que deixara,
bastava fazer as  malas e embarcar para o Rio de Janeiro com os seus
filhos. Aleida  concordou, mas parecia triste e preocupada.
Desligaram o telefone.  
Quinze minutos depois, Fernando recebe uma
ligação. Aleida havia  sofrido um ataque cardíaco e morrera. Por essa ele não esperava.  
Esmagado pela emoção, volta aos Estados Unidos
para o funeral da  mulher, recolhe sua vida mais uma vez e embarca para o Brasil com os  filhos. É o ano de 1964.
A vida é sempre um recomeçar, e isso é muito claro
para os de la  Riva. Fernando filho se apaixonou por uma
brasileira, mineira, orfã  de pai. Margarida Maria tornou-se o elixir dos de la Riva. Flor por  natureza, alegre e fervorosa, coloriu a vida dos imigrantes,  oferecendo à casa triste a vivacidade de comidas
brasileiras,  plantas e frutos. Frutos em vida, netos. Éramos cinco
crianças. Crescemos na mesma casa, cheia de saudades
caladas, imagens,  livros, fotos, cheiro de charuto e música.
Fernando agora é avô, o outro é pai, Margarida é a
flor. E eu sou  Marina de la Riva, um dos frutos. Meu avô querido,
que me ensinou  muito, dizia sempre que a única coisa que não se
pode tirar de um  homem é o que ele é. E mordendo seu charuto de lado,
apertando os  olhos para que não vissem sua emoção, contava que
a única perda que  realmente lhe esmagou foi perder Aleida.

 

Volto a pensar nos imigrantes,  suas decisões e como afetam o mundo. Penso em música, volto ao porto. Nosso porto de todo dia.

Friday, October 19, 2007 
Monday, October 15, 2007