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TIMBILA MUZIMBA



Last Updated: 8/25/2009

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Tuesday, June 17, 2008 
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Tournee por Portugal do novo album da Orquestra Timbila Muzimba... WARETHWA 2008
Monday, March 03, 2008 
Caderno Cultural
 
Viva o rei da timbila
Viva o rei da timbila

VENÂNCIO MBANDE: Um solo para timbila para reconhecer o rei

VENÂNCIO Mbande é uma das figuras mais representativas da timbila, esse Património Cultural da Humanidade, que mesmo antes de ser elevada àquela categoria já era um instrumento mágico que há muito transbordou para patamares internacionais, conquistando gente que se ajoelhará diante do feitiço do toque e da dança chope. E quando se fala de Timbila é obrigatório que seja referenciado o nome de Venâncio Mbande. E da sua geração. Porque é esta geração de timbileiros, já no seio da velhice, que continua a suportar a timbila. Embora isso, Venâncio Mbande e os seus contemporâneos, continuam a dizer que têm vontade de transmitir o legado aos mais jovens.
Maputo, Quarta-Feira, 27 de Fevereiro de 2008:: Notícias
 

Por outro lado, o mwenje, árvore que produz a timbila, está a desaparecer a um ritmo assustador. E se nada for feito, somente ficará a história.

Este é o momento de se aproveitar figuras como Mbande, personalidade incontornável na história da música chope, considerado neste momento o único que pode produzir um instrumento de elevada qualidade.

O agrupamento Timbila Muzimba percebeu que há toda uma necessidade de reconhecer aqueles que fizeram história, elevando-os à sua dimensão, daí ter organizado uma homenagem ao maestro Venâncio Mbande.

Mentora da iniciativa, o Timbila Muzimba afirma que ao realizar este evento fá-lo com a perspectiva não só de fazer a festa, que se pretende rija, como também é um acto de reconhecimento pela importância e significado que Venâncio Mbande tem para eles, entanto que grupo que se dedica à produção de música tradicional chopi, como também por aquilo que ele – Venâncio Mbande – fez e continua a fazer para o país e para o mundo. Aliás, basta recordar que hoje a timbila é património cultural da humanidade, sendo que o nome de Mbande estará para sempre associado a este feito único e engrandecedor.

Os Timbila Muzimba reconhecem a importância que Venâncio Mbande teve para a sua firmação na carreira que abraçaram e a influência que exerce no mosaico cultural moçambicano, para além de ser a fonte na qual bebem o "ópio" que espalham aos Homens pelos sítios por onde passam.

"É graças a este homem que hoje Timbila Muzimba é conhecido em Moçambique e no estrangeiro. Nós já actuamos em países como Noruega, Suécia, Alemanha, China, Grécia, Portugal, Ilhas Reunião e Mayote, Suazilândia,, tocando as timbilas produzidas por Venâncio Mbande. São timbilas muito apreciadas devido à sua qualidade quer em termos de vibração quer em termos de durabilidade", dizem os Timbila Muzimba.

A homenagem ao maestro tem como título Solo p'ra Timbila.

Mas porquê "Solo p'ra Timbila"?

"Demos este título porque chegou a hora de solarmos a timbila em sua homenagem. É com o solo da timbila que queremos chamar a atenção da nossa sociedade sobre os problema que nos afectam como artistas, como fazedores da cultura e muito em particular como fazedores da cultura chopi".

Timbila Muzimba chama a atenção ainda para o facto de aqueles que as raízes estarem a desaparecer, o que representa uma séria ameaça à cultura caso não seja lançada uma lufada de ar fresco, caso não se lance uma semente à terra, não se refresque. E estas raízes são Venâncio Mbande e sua toda a sua geração. São estes que fizeram a timbila e a sua história.

"É importante que valorizemos todos aqueles que deram a sua juventude, a sua vida pela cultura chopi. É importante que se criem condições para que os mais velhos possam andar pelo país fora a transmitirem as suas experiências como artistas", repisa, ao mesmo tempo que sublinha o facto de a Timbila ser património mundial da Humanidade e o Estado moçambicano e o mundo reconhecerem a sua importância, mas, por detrás disso, "nós Timbila Muzimba assistimos situações pouco dignificantes na nossa cultura. Não se valorizam os verdadeiros embaixadores da cultura".

Maestro, exímio tocador e produtor de uma timbila de qualidade, com reconhecimento internacional, Venâncio Mbande "continua sem ser reconhecido por quem devia o reconhecer. Não podemos falar de Timbila em Moçambique nestes últimos 50 anos sem falar de Venâncio Mbande", dizem os Timbila Muzimba, justificando a razão porque decidiram, mesmo com parcos meios, organizar o tributo "Solo P'ra Timbila", pois, segundo reafirmam, os Timbula Muzimba, Venâncio Mbande é merecedor desta e de mais outras homenagens, à sua estatura. Ele e a sua geração de timbileiros merecem ser referenciados na cultura do nosso país, e porque não constar em manuais do nosso Sistema Nacional de Educação para que as crianças, desde cedo aprendam a conhecer aqueles, na sua área, ajudar a construir a história cultural de Moçambique.

Os Timbila Muzimba anunciaram ainda a realização da grande homenagem, a ter lugar em Maio, em Guilundo, local onde caiu o cordão umbilical de Venâncio Mbande. Esta manifestação cultural já começou e os Timbila Muzimba pedem a colaboração de todos, desde pessoas singulares a instituições. A homenagem e a festa já começaram. "Queremos a vossa participação, o vosso apoio e o vosso incentivo. Todo o apoio é importante. Todo o apoio vai fazer a diferença. Pedimos que não ignorem os nossos pedidos, as nossas solicitações. Daqui até Maio queremos trabalhar arduamente para a concretização desta homenagem", dizem os Timbila Muzimba.

Matchume dos Timbila Muzimba sola com o mestre
Matchume dos Timbila Muzimba sola com o mestre

TIMBILA MUZIMBA DEU LIÇÕES A TODOS

Maputo, Quarta-Feira, 27 de Fevereiro de 2008:: Notícias
 

De grande alcance social e cultural, o feito dos Timbila Muzimba constitui uma lição a todos os jovens artistas, segundo explicou o vice-ministro da Educação e Cultura, Luís Covane.

Luís Covane diz mais ainda que, Timbila Muzimba conseguiu superar as barreiras da ideia segundo a qual tudo tem que ser feito pelo Estrado.

Mas, o Estado, na perspectiva do vice-ministro da Educação e Cultura, é de todos os moçambicanos, cabendo a ele a responsabilidade de criar um ambiente favorável para que acções daquela natureza aconteçam.

Diz ainda que, este é um exemplo a ser seguido por todos, pois, existem neste vasto Moçambique, gente da estirpe de Venâncio Mbande que merece ser reconhecida.

O se considerar mestre Venâncio Mbande tem a ver, na assunção de Luís Covane, com o facto de o próprio mestre não se contentar em ser e estar sozinho nas acções que abraçou, mas também  de estar mais preocupado em trabalhar com os outros, quer trocando experiências com os seus contemporâneos, como criando transmitindo o legado aos mais novos, bem como produzindo instrumentos característicos, no sentido de que produzem sons maravilhosos e únicos.

"O Governo apoia de forma sistemática acções de grande valor, como estas. E gostaríamos de ter mestres a produzir e a trabalhar em condições ideais, melhores do que as que estão actualmente, mas há problemas, não só no sector da Cultura, que se reflectem a vários níveis. O nível de satisfação é maior quando sabemos que bibliotecas e livros para todos, que os que estão na música têm instrumentos. E isso quando acontece significa que estamos a crescer e estamos no caminho certo", disse Luís Covane.

Venâncio Mbande fez questão de recordar que há anos, aquando da economia centralizada, o Estado detinha o controle de tudo, mas neste novo ambiente político-económico todos estão abertos a fazer homenagens aos seus ídolos.

No entanto, recorda que Venâncio Mbande é uma referência da nossa Timbila, sendo que não pode falar deste património mundial imaterial sem se citar o seu nome.

Dentro da sua simplicidade, Mbande é um trabalhador que marca uma geração, e reconhecermos os seus feitos estamos a escrever com letras gordas a dimensão cultural do nosso país, segundo diz Luís Covane, frisando que, a sua história de Venâncio Mbande como timbileiro tem mais de meio século, mas é meio século atravessada por muitos sucessos.

O poder do discurso
O poder do discurso

NÃO SOU MESTRE, SOU REI DA TIMBILA

Maputo, Quarta-Feira, 27 de Fevereiro de 2008:: Notícias
 

Deram espaço para Venâncio Mbande usar da palavra. Levantou-se e foi ao estrado e disse: "Não sou senhor, não sou mestre mestre. Sou o Rei da Timbila". Este é um epíteto que foi atribuído numa digressão que fez à Inglaterra. Depois de assistirem o seu espectáculo, um grupo de ingleses procurou saber donde é que ele era, ao que respondeu ser um chopi, de Moçambique. Venâncio Mbande falou da sua passagem pela vizinha África do Sul, contando ter viajado por várias regiões daquele país vizinho.

Depois desta viagem, Mbande falou das dificuldades que muitos timbileiros, sobretudo da sua geração, estão a atravessar. As mesmas prendem-se com a escassez de recursos para a aquisição de matérias-primas que lhes possibilitam produzir os seus instrumentos, as suas condições de vida e ainda a falta de um espaço geral onde possam transmitir os seus conhecimentos aos mais novos.

Sacanhane e Tchembene são exemplos das dificuldades nos quais os timbileiros estão mergulhados, sendo triste a forma como eles perderam a vida.

Lembrou que, quando regressou da África do Sul lançou a ideia de construção de um centro cultural. Nessa altura houve muitas promessas, mas até hoje nada se concretizou.   

Pediu ainda a intervenção do Governo, pois entende que só o Governo tem capacidade de minorar o seu sofrimento.

Disse sentir-se tocado com o gesto do agrupamento Timbila Muzimba, que é algo com a qual nunca havia sonhado.

Quanto ao facto de a sua timbila ser a que continua a ter melhor qualidade, Venâncio Mbande diz que isso prende-se com o facto de ele trabalhar com carinho e entregar-se com toda a emoção quando está a fazer uma mbila, o que chega a levar 90 dias.

"CAMÕES" RENDE-SE A MBANDE

Maputo, Quarta-Feira, 27 de Fevereiro de 2008:: Notícias
 

Um Diploma de Honra foi entregue a Venâncio Mbande pelo Instituto Camões – Centro Cultural Português, em Maputo, em reconhecimento da sua valiosa contribuição para o enriquecimento e divulgação da cultura moçambicana, nomeadamente na afirmação da Timbila como instrumento musical de referência no Património Cultural da Humanidade.

Refere o Instituto Camões que, o maestro Venâncio Mbande desde muito jovem que cultiva a sua dedicação às causas da dança e da música tradicionais, tornando-se, assim, num exímio tocador e criador de timbila, e dirigindo a sua própria orquestra: Timbila da Venâncio Mbande.

O Maestro Venâncio Mbande representa o principal elo de ligação com a música tradicional com a música tradicional da região de Inhambane, principalmente aquela região onde a timbila produziu grande orquestras conhecidas internacionalmente: o distrito de Zavala.

"Hoje, nós aqui orgulhamo-nos de acolher ao mesmo tempo quer o maestro Venâncio Mbande quer aqueles que podemos considerar os seus continuadores, o jovem e talentoso agrupamento musical Timbila Muzimba, que já tanto deu que falar no país e no estrangeiro e que representa a melhor criação desta grande figura da etnomusicologia moçamabicana", diz o Instituto Camões no seu discurso de homenagem e atribuição do diploma de honra.

BREVES NOTAS SOBRE MBANDE

Maputo, Quarta-Feira, 27 de Fevereiro de 2008:: Notícias
 

Venâncio Mbande nasceu há 74 anos, em Guilundo, no distrito de Zavala, província de Inhambane. A sua vida confunde-se com a própria vida art´sitica da pacata localidade de Guilundo. Muito cedo aprendeu a dançar makara, ngalanga e a tocar mbila. Ainda jovem demonstrou qualidades de liderança, impulsionando a criação de pequenos grupos de timbila.

Em 1953 comprou a sua primeira timbila com um tio seu. Como não podia viver só de música, Venâncio Mbande decide emigrar para a África do Sul, indo trabalhar nas minas de ouro. Lá continuou a desenvolver a sua vida artística. Aliou a música ao trabalho das minas, uma estratégia que veio a resultar anos depois. O seu sucesso foi tal que actuou como convidado especial em muitas sessões que se realizavam nas minas e em eventos especiais realizados pelos e para os próprios mineiros e pelas associações de mineiros.

Anos depois de estar a trabalhar como mineiro, Venâncio Mbande criou uma orquestra de timbila que foi um verdadeiro sucesso, facto que fez com que fosse objecto de estudos por parte de etnomusicólogos tais como o sul-africano Hugh Tracey e Margot Dias. Viveu na África do Sul durante 47 anos, durante os quais fez digressões pela Europa com a sua orquestra de timbila que integrava 32 elementos, tendo escalado Alemanha, Bélgica, Holanda, França e Portugal.

Depois de tantos anos nas minas, Venâncio Mbande decide voltar à sua terra natal: Moçambique, indo se instalar no seu Guilundo, onde continuou a sua vida artística.

Já em Moçambique voltou a formar mais uma orquestra: Timbila ta Venâncio Mbande, uma das maiores que existe e de que há memória na história da timbila.

Pai de 15 filhos, Venâncio Mbande continua a viver no pacato Guilundo, fabricando timbilas que são encomendadas por grupos e pessoas que vivem na capital moçambicana e no estrangeiro. Hoje ele anda doente, atravessando dificuldades de vária ordem.

  • Francisco Manjate
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Friday, February 15, 2008 
 
A magia do tambor chope
A magia do tambor chope

Timbila Muzimba firme no sucesso

QUEM agendou a sua sexta-feira para ver os Timbila Muzimba no Teatro Avenida, poderia estar a pressentir que iria encontrar uma banda cautelosamente ensaiada para aquele show. Por outro lado, houve ainda aqueles que aguardavam para crer, pairando sobre eles o ambiente de receio, já que na prática quotidiana é com frequência crescente que somos confrontados com bandas que hoje se exibem em alta, mas passado algum tempo acabam reduzidas a nada por múltiplas causas, sendo uma delas a vaidade e falta de modéstia.
Maputo, Quarta-Feira, 13 de Fevereiro de 2008:: Notícias
 

Mas como a orquestra Timbila Muzimba gere uma carreira experimentada de dez anos, logo que subiu ao palco, não deixou os seus créditos em mãos alheias, mostrando que não perdeu a sua marca de qualidade. Até porque não podia ser de outro modo, com um disco editado e vários concertos em festivais dentro e fora de Moçambique.

Foram aqueles sons de fusão de ritmo chope com de outros pontos do país que contagiaram a plateia multicultural convidada pelo Instituto Cultural Moçambique-Alemanha-ICMA ali no "Avenida".

Numa noite em que os instrumentistas estavam inspirados, tocavam obcecados na timbila, como se estivessem em terras de Zavala ou Inharrime...e o público, tomado de emoção, festejava gritando, "Warethwa!" "Warethwa!", "Warethwa!".

A dado momento, o palco foi invadido pelos fãs que cantaram e dançaram livremente com os seus ídolos. Foi interessante ver que a música não tem definitivamente fronteiras...e as ovações nao paravam, afinal a festa era rija!

E assim o Timbila Muzimba confirmava mais uma vez que eles têm sabido manter-se num nível aceitável; e que mantinham firme o sucesso que transportam há anos. É que para se chegar a celebridade pode ser fácil, porém difícil será conseguir manter-se incólume.

Convém anotar aqui que um dos momentos mais altos desse show, foi quando o grupo anunciou que iria tocar um tema da autoria de Fofinha, uma antiga bailarina já falecida e que foi membro fundadora do Timbila Muzimba.

Com oito elementos em palco, os quase sessenta minutos, foram poucos para estes jovens trazerem todas as melodias complexas e mágicas do povo chopi, que viu a timbila a ser considerada património mundial da humanidade pela UNESCO em 2004.

O público
O público

BREVE PERCURSO DA BANDA

Maputo, Quarta-Feira, 13 de Fevereiro de 2008:: Notícias
 

A banda surgiu no Bairro "Unidade 7"( "Jardim"). Juntaram-se outros jovens músicos da capital com raízes culturais de várias províncias no norte e no centro do país. Todos eles partilharam a mesma paixão pelos ritmos, instrumentos e danças da sua terra.

Sendo um grupo de música e dança o nome "Timbila Muzimba" reflecte os dois elementos do espectáculo; o som da "Timbila" e o movimento do "Muzimba", palavra chopi que significa corpo.

Com efeito, todo o  repertório do grupo é literalmente atravessado pela timbila.

Para enriquecer o seu trabalho, eles têm trabalhado na pesquisas de vários ritmos, canções, danças, técnicas de construção e execução de instrumentos musicais do país inteiro.

Foi no ano de 1999 que o seu percurso ficou marcado com a conquista  do primeiro prémio no concurso "Music Crossroads", um concurso regional, em que participam músicos seleccionados para representar os seus países. O mesmo concurso já tinha sido ganho pelo Kapa Dêch.

O prémio conquistado deu-lhes a possibilidade de efectuarem uma digressão pela Alemanha, Suécia e Noruega e em 2000  tomam parte em vários Festivais.

Fãs e ídolos lado a lado
Fãs e ídolos lado a lado

HOMENAGEM A AUGUSTO CUVILAS

Maputo, Quarta-Feira, 13 de Fevereiro de 2008:: Notícias
 

A actuação do Timbila Muzimba, que tinha como mote a abertura do programa cultural 2008 pelo Instituto Cultural Moçambique-Alemanha foi antecedido pela apresentação de outras expressões artísticas como o teatro, dança e poesia.

E foi a declamação do poema "Heróis da Arte" em homenagem ao coreógrafo da Companhia Nacional de Canto e Dança  Augusto Cuvilas que corou a plateia que fazia casa cheia o "Avenida". Trata-se de um ex-bailarino que muitos ainda conservam vivos os seus feitos na área de canto e dança tradicional e contemporânea. Era um dos maiores coreógrafos jovens de Moçambique e foi assassinado na sua residência em Maputo por agentes da PRM destacados para o socorrerem, quando o malogrado pediu auxílio já que era vítima ( com a família) de um assalto. A policia quando chega ao local abre fogo para o próprio Cuvilas, o seu irmão( mais velho) e o guarda, tendo Augusto Cuvilas morrido imediatamente, enquanto o seu guarda era evacuado de imergência para tratamentos intensivos no Hospital Central de Maputo onde acabaria por não resistir aos ferimentos contraídos.

O poema "Heróis da Arte" foi declamado por um membro da União Nacional de Escritores (UNE).

Entretanto, na ocasião o grupo de Teatro Luarte apresentou um "sketch" da peça "A vida louca de Muanasse Jané" e ainda foi exibida a obra "A Ponte" corografada por Pérola Jaime, da Companhia Nacional de Canto e Dança(CNCD).

  • Albino Moisés
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Thursday, February 14, 2008 
Venâncio Mbade e a sua orquestra
Venâncio Mbade e a sua orquestra

Timbila Muzimba laureia mestre Venâncio Mbande

Maputo, Quinta-Feira, 14 de Fevereiro de 2008:: Notícias
 

O AGRUPAMENTO Timbila Muzimba vai lançar no próximo dia 21, no Instituto Camões, em Maputo, um projecto de homenagem ao mestre moçambicano da Timbila, Venâncio Mbande. Esta homenagem é o ponto de partida de uma série de acções que irão decorrer em Maputo e em Inhambane, e conhecerão o seu ponto mais alto em Maio. Grupos como Timbila Muzimba, Timbila ta Gwevane e a orquestra de Eduardo Durão, que actuarão no dia 21, sairão de Maputo numa romaria que os levará a Zavala, Guilundo (terra natal de Venâncio Mbande) e culminará na cidade de Inhambane.

Com esta iniciativa pretende-se lançar um apelo no sentido de se angariar apoios para Venâncio Mbande que está a atravessar momentos críticos na sua saúde – é diabético -, devendo ser ajudado na compra de medicamentos, e ainda para a aquisição de materiais usados na produção de instrumentos musicais.

Até agora o agrupamento Timbila Muzimba só conta com o apoio do Instituto Camões, que cedeu o espaço onde vai decorrer o evento. No entanto, está em falta o transporte que vai trazer Venâncio Mbande, de Guilundo, em Inhambane, até Maputo, e levá-lo de volta. Os Timbila Muzimba ainda não conseguiram encontrar um parceiro que lhes ajude a pagar ou dar acomodação e alimentação para o mestre.

O Director Artístico de Timbila Muzimba, Matchume Zango, explicou que ao lançarem esta iniciativa pretendem, por um lado, chamar atenção para a necessidade de preservação e perpetuação da timbila – elevada a Património Cultural da Humanidade em Novembro de 2005 - , sem, no entanto, esquecer-se dos seus fazedores, neste caso Venâncio Mbande. E, por outro, os organizadores desta acção querem que a mesma sirva de coro para dizer alto, e em bom tom, que Venâncio Mbande está doente e precisa de apoios moral e material.

"O que nós não queremos é falar da necessidade de se apoiar uma pessoa que ninguém está a ver. Venâncio Mbande está doente, mas vamos fazer o esforço de trazê-lo para aqui e dizermos que este mestre da timbila precisa de ser apoiado".

Venâncio Mbande já não tem a mesma pujança de outrora, e aos 74 anos de idade começam a faltar-lhe forças suficientes para compor e produzir instrumentos. Mais ainda, quando sabemos que os materiais para a produção destes instrumentos musicais estão a preços incomportáveis para o nosso mestre da Timbila.

A par disso, os Timbila Muzimba estão a compor um tema denominado: "Solo para Timbila", que é uma exaltação à figura que ajudou a elevar para o topo a nossa timbila.

No dia 21 a organização vai também projectar imagens recentes onde mostram vários momentos da vida que Venâncio Mbande leva na sua aldeia em Guilundo, distrito de Zavala, província de Inhambane.

A sua vida confunde-se com a própria vida artística da pacata localidade de Guilundo. Muito cedo aprendeu a dançar Makara e Ngalanga e aprendeu a tocar mbila.

Ele impulsionou a criação de pequenos grupos de timbila.

Depois de uma passagem pelas minas de ouro da África do Sul, onde também continuou a cantar e a tocar, onde também foi um verdadeiro sucesso, Venâncio Mbande regressou ao país, criando uma série de orquestras de timbila.

As qualidades no toque, no canto e na dança e a qualidade dos instrumentos que produz levaram-no a realizar várias viagens pelo mundo, tais são os casos de países como Holanda, Dinamarca, Alemanha e Portugal.

A sua actual orquestra é composta por 14 timbilas, que são tocadas por ele e pelos seus filhos e outros parentes seus.

  • Francisco Manjate
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