MySpace
myspace music

THE VICIOUS FIVE are Lies.

THE VICIOUS FIVE



Last Updated: 10/15/2009

Send Message
Instant Message
Email to a Friend
Subscribe

Status: Single
City: Lisbon
Country: PT
Signup Date: 6/16/2005

Blog Archive
[Older      Newer]
 /  / 
Wednesday, October 14, 2009 
Lisboa,                                                                                   11 de Outubro de 2009

 

 

Um fim não é um fim em si, é uma hipótese de começar outra vez.

E o fim da história que vão ler agora, é o começo de cinco novos capítulos: os The Vicious Five vão deixar de tocar juntos.

 

A história que começou há seis anos atrás com os cinco putos de Lisboa a quererem tocar alto e fazer as pessoas dançar, acaba agora ainda com o mesmo sorriso nos lábios. E muito sinceramente, explicações são devidas na medida em que explicações são possíveis.

 

Começamos esta banda porque queríamos fazer a música que queríamos ouvir e não a encontrávamos em lado nenhum. Fomos descobri-la dentro de uma garagem, dentro de nós. Continuamos com esta banda porque o prazer que recebíamos de volta do tempo e trabalho que lhe oferecíamos todos os dias , compensava, sentíamo-nos retribuídos e muito mais vivos ao fim de cada ensaio, de cada gravação, de cada concerto. E The Vicious Five, a música que fizemos e tudo o que vivemos juntos ensinou-nos muito. Conseguimos dizer hoje, que somos pessoas melhores por termos decido construir isto juntos.

 

E é por respeito ao que construímos juntos que tivemos de parar para pensar e conversar. A verdade é que no último ano nos fomos sentindo menos juntos, e começamos a perceber que o que púnhamos na banda não vinha devolvido na mesma proporção. E como em qualquer parceria ou casamento, cada um dá o que quer receber.

 

Digamos que se tornou evidente uma escolha – manter amigos e abrir mão de uma banda ou manter uma banda, perder amigos e passados alguns meses perder a banda.

 

Sempre quisemos ser positivos e independentes em tudo o que fizemos, firmes crentes no amor, na honestidade e na autonomia, não queremos agora deixar que a vida decida por nós, a maneira como acabamos ou começamos as nossas histórias, nem queremos que o que construímos de bom e positivo fique manchado por não termos sabido parar quanda era altura de parar, nem considerar-nos uns aos outros.

 

Estamos orgulhosos do que fizemos. Com o que vivemos e aprendemos juntos, cada um de nós vai continuar a fazer música e enquanto houver um puto insatisfeito que insista em perguntar “porquê?” a nossa música há-de estar viva. Contamos com vocês para continuarmos a fazer o novo baile e para se continuar a espalhar o amor como se fosse manteiga.

 

Obrigado a todos, por tudo.

Stay horny, stay hungry, be thirsty.

 

Sempre vossos,

The Vicious Five
Tuesday, September 09, 2008 
Os The Vicious Five acabam de ser nomeados para a categoria de Best Portuguese Act nos EMA's (para quem não sabe - European Music Awards) da MTV.
Precisamos da vossa ajuda para chegar lá e se vocês são uns gajos e gajas fixes e que curtem um bués de nós, vão ajudar-nos de certeza.... e para isso só precisam de fazer esta cena tão simples que eu passo a descrever aqui em baixo:

- 1. Clica aqui ao lado - Photobucket

- 2. Clicas onde diz VOTA.
- 3. Clicas onde diz PORTUGUESE ACT
- 4. Clicas no nome THE VICIOUS FIVE claro....
- 5. Podes clicar muitas vezes... quantas mais vezes clicares, mais depressa vais ver a tua banda favorita - NÓS! - a receber um prémio lindinho!!!
- 5. Não te enganes e não votes em nunhum dos outros nomeados, apesar de serem pessoal fixe, porreiro e tal.... vê lá.....

E é isto pessoal!
Obrigado pela ajuda e que ganhe o melhor!

Vemo-nos na estrada!!!

PEACE!

THE VICIOUS FIVE
Tuesday, November 08, 2005 

Juventude eléctrica lisboeta

 

“Up On The Walls” é o excelente longa duração de estreia dos lisboetas Vicious Five, depois de um EP bem recebido.

 

Pedro Rios

 

Raoul Vaneigem, um dos arautos da Internacional Situacionista, dizia que falar em revolução tem que ter em conta a “vida quotidiana” e “o que há de revolucionário no amor e positivo na recusa das limitações”. Já antes, Emma Goldman, anarquista do século XX, ligava umbilicalmente a revolução à dança. Serve o palavreado político para aterrar em Lisboa 2005, local e tempo propícios à criatividade juvenil, à festa como meio e fim de uma revolução sem causas à boa maneira pós-moderna. Vamos directos ao assunto: os Vicious Five são a mais excitante nova banda portuguesa e “Up On The Walls” é o álbum-festa que está aí para o provar.

O álbum sucede ao EP “The Electric Chants of The Disenchanted” (2003), lançado em edição de autor. Se no primeiro registo o tom era ainda de afirmação estética - um híbrido entre o hardcore e o rock mais angular -, “Up On The Walls” é um disco mais pensado, menos homogéno e que confirma todas as expectativas criadas com o EP, sem fugir radicalmente da matriz estílistica.

“Tivemos um ano para começar a escrever o que gravámos neste disco, no primeiro EP foi qualquer coisa como cinco meses. Gravámos o EP como ‘demotape’ e depois é que decidimos lançar como CD. Este desde o princípio que foi pensado como disco, mesmo sem editora”, explica o vocalista Joaquim Albergaria, à conversa com o Y na casa emprestada onde o grupo ensaia, junto à Avenida Estados Unidos da América, em Lisboa.

“Não tivemos pressões de espécie alguma, foi tudo feito com pés e cabeça. Estivemos aqui sossegados, vínhamos aqui com o propósito de escrever música e era muito descontraído. Acho que isso ajudou a ser uma coisa menos ‘in your face’. Só ficou feito quando achámos que estava feito”, acrescenta o baterista Paulo Segadães.

O disco surge, curiosamente, com o selo da Loop, casa editorial associada ao hip hop. “Foi tudo muito natural. Tínhamos a noção do que precisávamos de uma editora - e não somos muito exigentes. O mais importante para nós era gravar o disco”, diz Segadães. Para Albergaria, que recorda a contratação dos At The Drive-In pela Grand Royal dos Beastie Boys, o “namoro” é perfeito: “não somos só cinco pessoas que fazem música. Fazemos os nossos próprios cartazes, tudo o que é imagem; até há pouco tempo marcavamos todos os concertos, carregavamos o nosso material, faziamos tudo. É o sonho de qualquer editora, uma banda auto-subsistente”.

“The Electric Chants Of The Disenchanted” era um manifesto pró-“copy and paste”, que se reflectia tanto nas letras como nos temas que pilhavam “riffs” daqui e dali. A técnica é ainda assumida pelo quinteto como “modus operandis” e como “substrato de Vicious Five”, mas já não surge como conceito ou manifesto. “Para evitar o ‘fingerpointing’ do ‘vocês são uns ladrões’, armamo-nos em espertos e assumimos isso. Aqui, por excesso de confiança, achámos que não roubamos assim tanto, despreocupamo-nos um bocado e apontámos para outras coisas”, diz Albergaria.

“Up On The Walls” acaba por ser mais político, já que é menos auto-centrado e é mais voltado para o meio envolvente. “A abordagem conceptual é diferente, mais apontada para uma dinamização da juventude, o elogio da festa e da cidade - não nos sentimos bem aqui, mas não conseguimos estar em mais lado nenhum”, elabora o vocalista.

 

“tédio como combustível”

Os Vicious Five são, pois, um bando de agitadores, que, como o activista norte-americano Abbie Hoffman, fazem a apologia da revolução só pela revolução. É precisamente ele que citam (“Revolution for the hell of it”) nas páginas centrais do livreto do disco para justificar a falta de “convicções” ou “convenções” da luta juvenil das sociedades pós-industriais.

“Hoje em dia é tudo tão globalizado e maior do que o espectro que um comum mortal consegue visualizar que ninguém tem noção de quem é o inimigo”, explica. “Se não estás contente com as instituições que os nossos antepassados criaram, crias uma situação a um nível dentro do universo dos teus afectos. Temos a banda porque gostamos de fazer música, mas também para criar um nicho de afectos e de pessoas que gostem do que estamos a fazer e que sintam vontade de criar coisas também”.

“Não acredito que haja algum puto no mundo que não passe a maior parte da vida entediado. As pessoas ficam tão blasé por excesso de informação, estímulo e facilitismo. A excitação da caça acabou. É aí que pegamos, no tédio como combustível”, conclui.

Em “Your mouth is a guillotine”, Joaquim Albergaria canta “The kids are doing it all over the world/They’re turning shit into gold”. Que merda e que ouro são esses? “É ir buscar [inspiração] à cultura institucionalizada e dar-lhe um ‘twist’”, explica o guitarrista Bruno Cardoso. Albergaria teoriza: “A cultura só evolui quando a crítica ao estabelecido é bem feita. E é bem feita quando reconhece que o que estamos a aceitar como instituição é um ‘cagalhão’. Esse esforço cabe à juventude. Ser-se pró-activo e egoísta e pensar num futuro para nós não é vergonha nenhuma. Viver é esperar para morrer - vamos fazer qualquer coisa entretanto”.

À boa maneira situacionista, os Vicious Five fazem a apologia do amor como arma revolucionária. Ouça-se, por exemplo, “Lipstick #5”, canção soberba cujo refrão pede beijos com línguas activas e no meio dos motins (“French kissing amidst the fires/In love/In riot”). “Quando eu e o Rui [Mata, baixista] escrevemos essa letra, fizemos um pastiche de uma data de chavões situacionistas do Maio de 68 porque estávamos a ver um documentário. Vimos um gajo que disse que só estava nas manifestações para engatar gajas [risos]. O mundo estava a cair aos bocados e a maneira mais revolucionária que ele tinha [para agir] era andar a beijar no meio dos motins. Pensámos que isso era uma alegoria para os tempos de hoje. Está tudo a ficar tão mais agressivo e frio que, se consegues encontrar amor no meio disto tudo e que seja o ‘drive’ para tudo o que tu fazes, é uma grande vitória”.

Olhando em volta, os Vicious Five vêem motivos para sorrir. Até fixam o momento - “Lx 2005”, algo inconscientemente, na página do livreto do tema “Electric youth”. “2006 vai reservar mais boas surpresas. Há muita gente que está a transformar merda em ouro e que não está a tomar a atitude normal de ficar à espera”, diz Albergaria, que destaca Linda Martini, If Lucy Fell, Loosers, CAVEIRA, Gala Drop e “mais uma salganhada anónima que anda para aí”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

The Vicious Five

Up On The Walls

9/10

Loop

 

hinos para uma geração desencantada

 

“The Electric Chants Of The Disenchanted” foi uma pequena maravilha, objecto raro de convivência hardcore/rock’n’roll em Portugal. Eram só 13 minutos, oito músicas extremamente urgentes, que remetiam para o rock’n’roll angular dos Hot Snakes ou do hardcore dos JR Ewing ou Snapcase. Essa urgência e economia de meios transformou o EP numa espécie de “teaser” para algo que confirma-se agora em “Up On The Walls”.

A espera recompensou: os Vicious Five são a mais interessante das novas bandas portuguesas. Construiram um corpo estético coerente, inteligente e único, o que não deixa de ser curioso para uma banda que assume o pilhanço como inevitável ou mesmo como técnica criativa.

O novo álbum é mais rock’n’roll que o anterior e menos homogéneo. É mais complexo, sem que isso comprometa a bruteza dos Vicious anteriores. Tanto dá para o “headbanging” como para abanar as ancas ou bater palmas. Nem sempre obedece aos cânones rock, introduzindo falsos refrões (como em “Lipstick #5”), mudando palavras subtilmente aqui e ali.

Traz ocasionalmente um órgão, uma “cowbell”, palminhas ou pandeireta para o circo rock montado em 11 excelentes temas. A voz de Joaquim Albergaria está menos monocórdica que no EP anterior, alternando, desta feita, entre os berros, o falsete e sequências mais melódicas. Também a dupla de guitarras é mais explorada do que no registo de estreia (como na ponte de “Suicide club” em que uma ataca um “riff” semelhante a “You really got me” Kinks e a outra investe no funk).

São múltiplos os momentos gloriosos de “Up On The Walls”. “Your mouth is a guillotine” tem um refrão incendiário, com Albergaria a repetir “bring it on” empurrado pela velocidade punk das guitarras e da bateria. “Suicide club” é uma piscadela de olho à pista de dança (ouve-se o que parece ser um órgão “retro” em pleno festim rock’n’roll) com direito a breve passagem pela “cowbell”. Outro potencial “single” é “Bad mirror”, com “riff” de guitarra a remeter para os The (International) Noise Conspiracy, e um refrão que pode ser uma espécie de hino para uma geração desencantada (“We got enough self esteem to have no self esteem/We’re all ugly!”).

O disco tem um lado brincalhão vincado - ouçam-se os refrões de “Hystereo” e “Fallacies and fellatio” -, mas nem sempre é festivo. “On a bus to nowhere” e “We did the west, let’s do the rest” são menos lúdicas do que a maioria do disco, mas são extremamente “catchy”. Menos directa é “The electric youth”, que fecha o disco em jeito de hino punk (“Me, you, the electric youth!”) com passagens menos lineares à At The Drive-In.

Em 33 minutos quase imaculados, “Up On The Walls” resume a excitação de cinco lisboetas obcecados em provocar a festa com propósitos políticos, utilizando os truques de uma das maiores indústrias da cultura que atacam - o rock’n’roll.

Tuesday, November 08, 2005 



THE VICIOUS FIVE

Urgência Em Loop

The Vicious Five. Alma. Energia. Descontentamento. Força. Hinos. Ritmo. Rock. Desconstrução. Inconformismo. 33 minutos. Vontade. Suor. Punk. Inteligência. Incitação. Velocidade. Êxtase. Liberdade. Peso. Urgência. Groove. Atitude. Carisma. “Up On The Walls”.

 

Os Vicious Five estão apresentados, mas Portugal está, por vezes, pouco habituado aos termos acima descritos. O leitor lembrar-se-á de bandas como os Zen, Mão Morta ou Loosers para refutar parcialmente a afirmação anterior. No entanto, não é exagero dizer que há anos que Portugal não via nascer uma banda rock (o punk fica, por agora, de lado) deste calibre. Apesar deste parecer ser o momento oportuno para a banda, eles dariam que falar nem que fosse na Tasmânia. Os Vicious Five são oportunistas ou criaram as condições para “Up On The Walls” estar a bater forte (na minha cabeça, na de outros, na dos media) como está? Oportunistas são e gostam de o ser. Pilharam as influências, assimilaram-nas, deram-lhes um chega para lá, escreveram o disco durante um ano e gravaram-no em dois dias. A curiosidade dos media cresce, o público aumenta a cada concerto e a internacionalização dá passos pequenos mas seguros. Segue-se a conversa com quatro quintos da banda.

 

Croustibat, Human Beans e Renewal. No vosso background musical já constam alguns nomes. Os Vicious Five nasceram das cinzas dessas bandas ou não existe nenhuma relação entre ambas as coisas?

 

Paulo Segadães – Noutros tempos integrámos essas bandas e agora estamos todos juntos, mas os Vicious Five são uma banda nova. Não há relação entre esta e as nossas bandas do passado.

Joaquim Albergaria – Se calhar por não ter muitos pontos de contacto é que este projecto surgiu.

 

Acho que estão a conseguir um dos objectivos de qualquer banda que se preze: desligarem-se das influências de modo a conseguirem uma sonoridade cada vez mais própria. Os ecos de Refused, Snapcase, At The Drive-In ou JR Ewing já vão um pouco longe. Destes talvez escolhesse os JR Ewing como a influência mais visível actualmente...

 

Bruno Cardoso – Sou capaz de perceber a relação devido às guitarras e principalmente ao novo álbum deles, a voz lembra-me os Jane’s Addiction... de Snapcase não vejo nada...

Pois, é discutível...

PS – Sim, mas mesmo sendo discutível não fazemos nada pensando que vamos soar como este ou como aquele grupo mas há-de haver partes que soam a essas bandas.

O que quero dizer é que cada vez se nota mais uma identidade própria, ficando as influências mais para trás.

PS – É natural, quando tu começas estás sempre mais ligado às coisas que ouves, às coisas que cada um dos membros transporta para a banda, mas à medida que vais tocando mais e compondo as músicas em conjunto começas a distanciar-te das tuas influências e acabas por criar a tua cena...

 

Quando escrevi sobre o EP “The Electric Chants Of the Disenchanted” para a Mondo Bizarre [nº 18 – Março/2004] vocês eram bastante desconhecidos. Saiu o EP, seguiram-se uns quantos concertos em Lisboa, alguns no resto do país (Sudoeste incluído) e incursões até Espanha. Tem sido uma correria...

 

JA – Não tanto como nós queríamos...

PS – Gostávamos de tocar muito mais. Nós achamos que tocamos pouco. Se pensares, no Verão tocámos dois ou três concertos, e em Portugal o usual é tocar o Verão inteiro. Já temos alguns agendados mas é coisa de fim-de-semana em fim-de-semana.

 

Sim, mas também andavam entretidos com a gravação e composição do disco...

 

JA – Sim, decidimos não tocar muito por isso mesmo.

PS – Mas gostávamos de tocar muito mais, fazer digressões mais extensas, tipo quinze dias ou um mês se pudéssemos. Claro que nós temos as outras vidas, trabalhamos, etc.

 

Agora fazem parte da família Loop:Recordings normalmente associada ao sons hip-hop/soul/funk, mas na descendente Loop:Off que busca outras sonoridades. Sentem-se integrados?

 

BC – A começar principalmente pelo método de trabalho, entendemo-nos todos bem em relação aos objectivos, tem sido uma boa simbiose.

Rui Mata – A maneira deles fazerem as coisas agrada-nos.

PS – A maneira de pensar também, revemo-nos nisso.

BC – Eles têm respeitado o nosso território, não tentam inventar nem nada disso.

 

Gravaram este disco em apenas dois dias e no melhor estúdio de Portugal (Valentim de Carvalho, em Paço D’Arcos). Sentiram-se pressionados por estes dois factores?

 

JA – Nós nunca gravámos sem pressão. Não tínhamos nem tempo nem dinheiro para gravar, foi sempre o máximo no mínimo de tempo possível.

PS – Quase que foi um milagre.

BC – O primeiro objectivo era gravar a bateria num estúdio bom porque é o mais difícil de gravar. O resto seria aqui e ali, por exemplo, na nossa sala de ensaios onde gravámos algumas vozes. O som é bom e as guitarras sairiam de lá com um bom som, mas foi melhor gravar em Paço D’Arcos, até porque fizemos bons takes com a banda a tocar toda ao mesmo tempo e isso transmite um feeling diferente.

RM – Nós não esperávamos sair de lá com o instrumental todo gravado.

PS – Foi uma surpresa. Chegámos ao fim do primeiro dia e percebemos que a maior parte estava feita.

 

As vozes não foram gravadas lá?

 

JA – Três delas foram, as outras foram na sala de ensaios. O disco estava feito há meses e meses. Tudo mais que ensaiado, passámos um ano a fazer o disco.

RM – Foi uma pressão positiva, chegares lá e olhar para aquela parafernália toda...

BC – Fomos lá para gravar, não para inventar nada. Fizemos uma ou duas coisinhas novas.

PS – Pequenos pormenores, mais coisas de voz. Todo o instrumental estava muito bem preparado antes de entrarmos em estúdio. Para uma banda das nossas dimensões nem há outras condições, não temos dinheiro para estar num estúdio a criar.

JA – Nem nós funcionávamos da mesma maneira a escrever em estúdio.

PS – Se pudéssemos estar no estúdio sem gastar dinheiro poderia funcionar, mas pressionados com o factor orçamental para nós não dá. Acho que conseguimos fazer um bom trabalho com o pouco tempo que tivemos.

JA – O disco no total foi feito em quatro dias, mistura e tudo.

 

Este disco mostra uns Vicious Five mais maduros na composição, mais conscientes do que fazem e para onde querem seguir. O EP era como um “olá, nós existimos, ainda vão ouvir falar de nós.” E este “Up On The Walls” é mais como um “crescemos, se não nos ouviram podem-se morder todos.”. Concordam?

 

JA – O primeiro EP é um bocado especial porque surgiu numa altura de ruptura da própria banda, com mudanças de formação dentro do estúdio, e o próprio espírito de composição foi demasiado descontraído, pouco pensado, mais emocional. Por isso é que o disco é tão urgente, tão rude. Este demorou um ano a ser escrito, em que íamos tocando e compondo e, quando estava quase pronto, fomos abordados pela Loop, houve conversações e acabámos o disco. A pré-produção foi feita em ensaio, o Luís Caldeira veio aos ensaios ver como se podia abordar a gravação, e em quatro dias o disco estava feito. Enquanto que o outro disco demorou seis meses, com um orçamento muito inferior. Fizemos um take directo, com os overdubs de voz em três dias, num estúdio de qualidade inferior. Foram situações diferentes, com pessoas diferentes, a conjuntura, os meios e o modo de operar foi também diferente. Sinto-me mais confortável com este disco. Foi discutido, pensado, planeado e composto pelos cinco, o artwork foi feito pelos cinco... tudo muito mais oleado, mais maturado, conversado. O outro foi simplesmente excreção.

A urgência de pôr uma gravação cá fora...

BC – O objectivo da gravação nem sequer era gravar um EP de fábrica, era gravar uma cassete, depois é que nos apercebemos que se calhar valia a pena investir um pouco mais visto o som não estar assim tão bera. Acho que foi uma boa aposta.

PC – Foi uma questão financeira, a coisa saiu bem e o CD não era assim tão caro como isso.

JA – E é diferente, este foi pensado como um disco o outro foi um bocado como as músicas que tínhamos até à altura. O próprio conceito dos Vicious Five estava um pouco em desenvolvimento, e ainda está. Há uma identidade mais própria não só a nível musical, quem é que nós somos, como é que funcionamos juntos, quais são as expectativas de cada um em relação à banda, tudo isso está muito mais claro e discutido. A prova disso é que no EP tens mais facilidade em apontar as referencias, desta vez tens mais dificuldade em equipará-lo a alguma coisa. Podes perceber que fomos buscar as guitarras ali ou acoli, a maneira de compor ali ou acoli, mas em relação ao todo não consegues arranjar paralelo.

 

Não é só em termos de composição que se encontram diferenças entre o álbum e o EP. “Up On The Walls” está mais produzido, com um som mais limpo. Como foi trabalhar com um produtor conceituado como o Luís Caldeira?

 

BC – Ele é conceituado mas discreto, essa é a minha opinião mais imediata dele. Gostei muito de trabalhar com ele porque entendeu logo o que queríamos e não tentou meter o dedo.

PS – Ele foi muito inteligente porque percebeu que não tínhamos nem muito dinheiro nem muito tempo e como nos tinha visto tocar, percebeu como é que nós queríamos soar. Percebeu que o nosso som resultava de uma certa forma, que nós não somos os melhores músicos do mundo, que não podíamos estar cada um a perder muito tempo a gravar o seu instrumento. Arranjou uma maneira inteligente de gravar de modo a que nós conseguíssemos transmitir a energia que temos ao vivo.

JA – A questão é simples: O Luís é um roqueiro, ele percebe a urgência do volume, do peso, a abrangência de som, percebe isso tudo intuitivamente e por amor, como nós. Nós queríamos soar alto, ter um som real: ele disse “perfeito, vamos tocar juntos, acho que a vossa energia vai ficar boa, vamos gravar em fita, fica logo o quente que vocês querem.”. Para nós gravar em fita foi uma oportunidade fantástica, nós tínhamos o fetiche do analógico há anos e nunca se tem dinheiro para essas coisas...

 

Como é que funcionou o processo de composição? Alguns temas já tinham cerca de um ano. Sentiam que ainda havia um longo caminho a percorrer?

 

BC – Este período serviu para fazer algumas mudanças mas a estrutura principal foi mantida, o que foi bom, principalmente para a voz. É difícil para uma banda que toque numa garagem, com tudo alto, perceber bem a voz. O Quim sabe o que está a cantar mas para nós é complicado.

 

O tema “About Teennihilism” era, na versão demo, mais enérgico, mais cru, resultado da parte de guitarra na primeira mudança de ritmo. Porquê a mudança na versão final?

 

BC – Essa é a música mais antiga do disco.

JA – Foi a primeira música que escrevemos a seguir ao EP.

 

Talvez por isso tivessem mais vontade de a alterar?

 

JA – Nem tem muito haver com isso. Não foi por consciência de picos e vales, quando é que há a tensão, quando há o release, resolvemos foi abrir mais aquela parte do descanso. Eu sempre fui apologista do imediato, eles são os músicos em si e tendem a pensar mais nas coisas, como é que a coisa pode fluir melhor, como é que pode respirar melhor. Uma ideia presente neste disco foi como fazer a nossa música respirar. As outras músicas eram mais curtas, com estas quisemos criar mais ambiente, que elas respirassem para quando as levantasses outra vez as levantasses ainda mais... e eu sempre fui fã de levar sempre ao extremo. Eu gosto muito das duas versões, e é das músicas que mais gosto, ao contrário deles. A versão nova faz sentido como um todo nos Vicious Five de agora, a outra era uma versão de transição. É uma boa forma de testemunhar o nosso progresso.

BC – É giro porque essa música foi a última a ser decidido como iria ser gravada apesar de ter sido a primeira a ser escrita.

 

Uma das mais-valias do vosso som são os riffs de guitarra. Parecenças sonoras à parte, fazem-me lembrar os Franz Ferdinand. Riffs muito angulares, certeiros, cativantes e viciantes. À semelhança das dos escoceses, acho que oito nonos das músicas davam um bom single.

 

BC – Penso que tens alguma razão. O nosso som tem a drive dos Hot Snakes com um bocado do groove dos Franz Ferdinand.

JA – É catchy. Uma das forças que nós temos é possuirmos ouvido tanto para o ataque punk como para a solução fácil e eficaz da pop. Temos a escola punk, do simples que funciona como ponte entre o drive e o anzol, essa equação saiu-nos bem, sem grande esforço.

Porquê a escolha de “Bad Mirror” para single?

JA – De todas [as músicas] penso que é a que tem o carácter mais FM. Chegámos à conclusão, em conjunto com a Loop, que seria uma boa aposta para primeiro single.

É uma boa porta de entrada para vos conhecerem.

JA – Sim, e no “Bad Mirror” reconheces muitos tiques de rock mais acessível, o que poderia ser mais difícil de encontrar noutra música de Vicious Five, a música é mais aberta, a própria construção é em acordes maiores.

BC – É dançável. Mesmo sendo sujo e berrado tem aquele toque mais FM. Nós tínhamos mais hipóteses mas numa conversa de cinco minutos com a Loop escolhemos esta.

Joaquim, o teu registo no disco está um pouco diferente do EP, mais cantado e menos gritado. Isso foi algo intencional ou é maioritariamente fruto da produção do disco?

JA – Essencialmente é uma evolução dado que a gravação do EP coincidiu com a minha primeira experiência como vocalista.

BC – Não houve um único ensaio antes da gravação do EP.

JA – Nunca tinha sido vocalista de banda nenhuma. O resultado deste disco é fruto de um ano de concertos, ensaios, treino e experimentação com a minha voz. É uma surpresa tanto para ti como para nós. Ficámos um pouco espantados com o resultado, eu um pouco menos, afinal de contas vivo com a minha voz na minha cabeça – com toda a esquizofrenia que isto possa indicar. (risos) Foi uma evolução, a vocalização foi premeditada mas a voz em si, o seu registo fruiu da percepção que nós os cinco tivemos do que é que eu conseguia fazer como vocalista. Já surgiram montes de ideias novas sobre coisas que se podem fazer, percebemos a potencialidade, pela maneira como eu abordo as novas músicas, já o faço com uma consciência diferente do meu aparelho vocal. Já todos temos uma ideia mais concreta do que consigo fazer.

BC – Por vezes nos ensaios nós dizíamos-lhe para ele encaixar mais melodia, ele dizia que o estava a fazer e nós ficávamos tipo “hãhã, tás tás...”. Um gajo num ensaio ouve barulho e um gajo aos gritos. Quando ele foi gravar a primeira voz (“Suicide Club”), uma música com registo vocal gritado, para a frente, ficámos todos parvos. O registo é, como o era habitualmente, projectado, forte, mas ele consegue encaixar melodia. A métrica é um bocado peculiar, não encontro mais vocalistas que o façam desta forma. Eu atrapalhava-me a tocar essa música depois de saber como é que ele a cantava mesmo, parece que entra fora de tempo mas não entra, só que eu atrapalhava-me... e isso é uma mais-valia da voz dele.

JA – É a mais-valia dum baterista a cantar.

 

“The Electric Youth” é perfeita para fechar o disco. Possui uma estrutura diferente, é mais directa, mais in your face. Foi propositado?

 

JA – Sempre foi vista assim. Saiu naturalmente assim. É uma boa música para encerrar porque é uma música que não tem fim. Há um fim ilusório, há um punchline que é um reabrir de conclusões. Seja melódico, seja de forma, seja de conteúdo. É o fim clássico pós-moderno, mostra a mecânica e é inconclusivo, é obra aberta. Instrumentalmente é inconclusiva e obriga as pessoas a carregar no play outra vez, eventualmente a reler ou mesmo a pensar no que está a ser dito no disco. Nos concertos é perfeita porque as pessoas ficam a pedir por mais. Deixar as pessoas com sede numa época de piscinas é uma boa estratégia.

 

Ao vivo porque é que não usam tanto os coros como em disco?

 

BC – Na gravação eram bastantes pessoas...

JA – Estamos a contar com o público. A visão desses coros no disco foi a de imaginar aquele fim quase épico, de uma sala inteira a entoar exactamente a mesma coisa: uma sala cheia de putos num concerto com as vozes do público a abafar por completo a banda. Isso é a nossa visão dum final de concerto perfeito. Toda a gente a sentir-se uma juventude eléctrica.

 

Vários membros dos Vicious Five andam entretidos com outros projectos. Os Caveira e as iniciativas da Kid City, entre outros, ajudam a manter-vos ocupados. Sentem necessidade disso?

 

JA – E mencionaste alguns de muitos...

 

Vi até um concerto duma banda do Paulo na Universidade Nova...

 

JA – Os Wifes Knives num evento da Kid City. É ele, o Rui e dois elementos dos Day Of The Dead. Há os míticos e infames Gafanhoto que ninguém sabe quem são. (risos) Nós inventamos uma por dia.

BC – Se os Vicious Five agora acabassem nós teríamos não sei quantos projectos para fazer, as ideias não estão assentes em papel mas estão na cabeça. Quase que brincamos com isso. Não sei se parte do facto de sermos melómanos...

JA – Acho que está relacionado com o facto de sermos melómanos, viciados em música, e na escola punk rock sempre foi muito fácil começar a banda a seguir. É tipo um desporto da nação punk.

 

Com uma maior legião de seguidores e com um disco quente nas lojas, como se sentiam antes de o estrear oficialmente (os Vicious Five tocaram 15 dias antes do lançamento do álbum, no Mercado, em Lisboa) numa sala – a ZDB – que já vos conhece bem?

 

BC – Eu estava um bocado nervoso... nervoso não, ansioso...

JA – Aquela ansiedade curiosa de ver o que é que isto dá. A realidade dava-nos dois timbres: uma era tipo tem calma, a outra mostrava-nos que se abriram montes de possibilidades, de repente há montes de gente a prestar atenção ao que nós fazíamos quando estávamos habituados ao anonimato completo, tocar para amigos e curiosos. Acho óptimo, acredito que a qualidade do que estamos a fazer merece atenção. É extremamente bem vinda mas, mesmo sentindo que é merecida, não deixamos de estar surpresos com tanta atenção. Se eu não fosse desta banda estaria à porta deste concerto.

BC – Nesse concerto da ZDB todos sentíamos uma ansiedadezinha...

 

Nos concertos queixas-te da falta de reacção (física) do público às vossas canções. Como dizes no tema “The Smile On Those Daggers”, achas que somos “…a generation of cinderellas”?

 

JA – Sim, acho que sim. Por muito subjectivas que sejam, as nossas letras estão muito relacionadas com a condição portuguesa. Isso pode-se referir a uma juventude global mas é muito mais visível na juventude portuguesa. O estarmos à espera de qualquer coisa, um Sebastianismo inconsciente. (risos) As pessoas nem querem... tipo “eu não estou à espera de nada, não preciso de ninguém”, e isso faz parte da arrogância contemporânea e da questão individualista que cada sociedade incute, tipo “sou auto-suficiente” mas isso em Portugal é mentira. É muito fácil aos portugueses apontarem bodes expiatórios e conseguirem responsabilizar outros pela falta... pelo não sucesso... não tenho medo de dizer essa palavra, acho que o sucesso é bom, a ambição é boa, numa base de respeito, de amor pelo próximo e por ti próprio. Quando eu digo que somos todos uma Cinderela à espera do sapatinho, está relacionado com essa cultura. Nós recebemos muita informação, dos media à escola. É tipo uma doença da abundância. Tendo nós tocado uma data de concertos em que 99 por cento das pessoas estavam de braços cruzados a ver todo e qualquer movimento que nós fazíamos, quando eu sei que são inteligentes o suficiente para depois de saírem do concerto conseguirem fazer um report daquilo que viram. A energia que é gasta a observar, a opinar, seria muito mais bem empregue a criar, a usufruir da própria experiência que é um concerto de rock, de punk-rock como é um concerto dos Vicious Five que acima de tudo é sobre celebração e dança.

 

Como foi a experiência de tocar no Sudoeste?

 

JA – É uma liga que não é nossa. Sentimo-nos como um clube pequenino que vai a Alvalade jogar para a Taça.

BC – Mas nós fomos a Alvalade ganhar!! Foi o que sentimos porque o Paulo estava lá desde o primeiro dia e disse-nos que àquela hora (o concerto era às 17h00) estavam lá gajos das festas dos dias anteriores, ou à sombra por casa do Sol ou a dormir. Mas quando chegou à hora do concerto, a tenda estava cheia. E o público aderiu bem, não com o entusiasmo que gostávamos que houvesse, mas também era muito material novo...

 

Texto: Pedro Miguel Guimarães, Fotos: Rita Carmo

 

 

THE VICIOUS FIVE

UP ON THE WALLS (CD Loop:Off)

Ao segundo lançamento (o primeiro foi o disco homónimo dos Mecánosphère) a Loop:Off, subsidiária da Loop:Recordings, mostra estar atenta e estar tudo menos Off. Numa jogada de mestre, evidenciando visão de mercado, uma editora tendencialmente virada para o hip-hop/soul/funk agarra uma das mais promissoras bandas rock portuguesas, dando-lhe condições para em trinta e três minutos, conseguir explanar todo o seu potencial. Quem ouviu “The Electric Chants Of The Disenchanted” dificilmente não reparou nas músicas, na força, na atitude da banda lisboeta, e esses, os que ouviram o EP, terão acreditado que o melhor estaria para vir – e estava mesmo. “Up On The Walls” surpreende pela força, coesão, urgência e pela palete de ritmos capaz de pôr qualquer esqueleto, exposto numa aula de Biologia há mais de 5 anos, a dançar. E caso o esqueleto seja, nas horas vagas, interno de um qualquer colégio de bem comportados, vai certamente incitar à revolução. Com o recurso a hinos como “We're talking to our generation; This time it's all about celebration; Me. you. we are the revolution.” de “The Electric Youth”, “We’re a generation of cinderellas and no slipper on the way.” de “The Smile On Those Daggers” ou “We got enough self esteem to have no self esteem.” de Bad Mirror, não há quem resista.

Os Vicious Five trabalharam para chegar até aqui, tocaram para amigos, curiosos e onde os quisessem, editaram o EP do seu bolso, e, finalmente, as coisas começam a acontecer para estes cinco rapazes. A uma edição com a promoção (e atenção dos media) que se lhe requer, juntam-se os concertos de divulgação do disco e a cereja em cima do bolo é o convite para fazer duas datas espanholas com os noruegueses JR Ewing. “Up On The Walls” é o disco português do ano. (9/10) PMG

Tuesday, November 08, 2005 

www.ruadebaixo.com

Tudo começou com muita vontade de agitar as hostes. Depois surgiram alguns temas e um ou outro concerto ao vivo. Quem assistia à prestação da banda, rapidamente passava a palavra aos amigos e a “bola de neve” aka hype começou a crescer. “The Electric Chants of the Disenchanted” foi o EP que colocou a “revolução” numa rodela digital e que a levou a outras paragens, trazendo ainda mais concertos, repletos por uma juventude sedenta por dançar sem tabus e constrangimentos. ”Up on the walls”, o disco de estreia dos The Vicious Five, é o resultado natural do trabalho da banda, mas ao mesmo tempo uma agradável surpresa para todos aqueles que só agora conhecem o som do grupo lisboeta.

Os The Vicious Five são formados pelo vocalista Joaquim Albergaria, os guitarristas Bruno Cardoso e Edgar Leito, o baixista Rui Mata e o baterista Paulo Segadães. Com uma postura punk-rock/hardcore ao vivo, o grupo baseia a sua música essencialmente nas suas letras, nas ansiedades de uma juventude, no amor sem tabus, nos costumes conservadores da sociedade, na política e a necessária revolução que poderia alterar o estado das coisas.

Capa dos disco ...Editado pela Loop, ”Up on the walls” é composto por temas mais “fáceis” do que aqueles que os deram a conhecer. Continuando embora a apostar nas guitarras e postura punk, onde se destaca a voz aguda e “berrante” de Joaquim Albergaria, a banda parece procurar o formato “normal” de canção, com refrões ainda mais orelhudos e radiofónicos.

Ao vivo a postura continua a mesma: um festim para dançar como não houvesse amanhã. (Vejam o artigo relacionado).

Estivemos à conversa com Bruno Cardoso, um dos guitarristas da banda, que falou sobre o percurso dos The Vicious Five, desde a sua génese até ao novíssimo “Up on the Walls”. Fiquem com a entrevista e façam o favor de ouvir música portuguesa.

RDB: Como e quando é que surgiu a ideia de formar os The Vicious Five?

Bruno Cardoso: A banda começou a partir do nome e da vontade de experimentar uma sonoridade que nunca tínhamos explorado em bandas anteriores. Acabou, também, por ser um desafio para nós começar a tocar, por exemplo, com menos distorção nas guitarras, principalmente porque tecnicamente não éramos muito bons.

Quais são as vossas maiores referências musicais?

As nossas maiores e mais directas influências encontram-se nos últimos 40 anos de rock (ou de música com guitarras). Desde os Beatles até aos ciclos revivalistas do novo século, mas com a escola principal a vir da segunda metade da década de 70 e da primeira dos anos 80, o período de tempo da emergência do Punk, do seu desenvolvimento e disseminação noutros géneros musicais. Curiosamente todos nascemos nesse período de tempo...

Primeiro nasceram alguns temas, depois surgiu o EP, agora o CD…

Acho que foi um percurso normal. Começar discretamente, na sala de ensaios a explorar ideias; sentir a necessidade de as registar, logo que possível, para poder mostrá-las; tocar ao vivo para promover e ganhar “rodagem”, aceitar com humildade críticas positivas e negativas, aprendendo com elas e não pondo a carroça à frente dos bois; depois, ter a sorte de alguém reconhecer talento em nós ao ponto de querer ajudar-nos a avançar para algo com mais qualidade.

O vosso som foi-se desenvolvendo. Quais os aspectos onde se sentem melhores?

Como banda sentimo-nos melhores em tudo. Tanto ao nível da composição musical como no conteúdo das letras. As vocalizações também são bastante superiores às do registo de estreia. Tudo passou por, ao contrário de no passado, pensar um bocado mais nas ideias que iam surgindo e tentar que elas ganhassem uma consistência que realmente achássemos que era boa. Se na altura do lançamento do EP havia aquela urgência de mostrar, para o álbum a prioridade era fazer o melhor possível.

Os cinco magnificos ...Porque acham que conseguem captar a atenção de um público mais indie e menos “rockeiro”?

Pensamos que agradamos de forma igual a esses dois tipos de público que referes. Mas sendo mais verdadeiro, não te sabemos explicar o porquê. Acima de tudo, ao vivo, entregamo-nos ao máximo com toda a sinceridade possível mas talvez o facto de a ZDB já nos ter convidado para tocar, possa sugerir que temos algum público mais virado para indie. Entendendo o Indie como um bolo mais eclético onde confluem inúmeros estilos musicais...

Como se rotulam? Indie-Punk-Rock ? Que tal “riot boys”?

Obviamente, e claro que é um cliché, não somos apologistas de rótulos. Claro que não negamos nem o Indie, nem o Punk, nem o Rock. Seria, claramente, uma atitude pretensiosa fazê-lo. Temos características comuns a qualquer dessas referências. Riot Boys é uma ideia interessante. A insurreição perfeita seria, certamente, musicada e festiva, e nesse prisma gostaríamos de participar.

Existe um “gap” na música nacional que vocês podem aproveitar?

Pensamos que não existe ninguém semelhante a nós em Portugal. Nesse sentido talvez preenchamos essa lacuna. Já não é a primeira vez que nos encaram nesse sentido e nós próprios começamos a sentir isso a partir do momento em que nos vimos numa situação em que para um certo tipo de público nós éramos muito soft e para outro demasiado hard. Foi óptimo sentir isso.

Como surge a Loop nas vossas vidas?

O pessoal da Loop ouviu falar, ou leu, sobre nós. E foram curiosos. Contactaram-nos e acabaram alguns dias depois por nos convidar para trabalhar com eles. Tem sido interessante e gratificante esse trabalho. Não podia correr muito melhor do que correu até agora tendo em conta todas as possibilidades. Deram-nos oportunidade de podermos gravar bem, com o Luís Caldeira, e puseram cá fora o CD. Tudo correu bem pois houve uma empatia imediata entre ambas as partes. Estranhamente, nunca sentimos estar a entrar num território alheio, pois a cultura Hip Hop tem no seu conteúdo inúmeras ligações ao espectro em que nos movemos.

Este disco é um pouco mais comercial. Era esse o vosso objectivo? Ter mais airplay nas rádios e alargar o vosso público?

Airplay nas rádios nunca foi um objectivo primordial na construção das músicas. Até porque estas foram surgindo com naturalidade na sala de ensaios. Alargar o público pode passar por escolher tornar a música mais acessível, mas passa também - e este cremos ter sido no nosso caso - por um trabalho de auto-investimento e de promoção. Concordamos, claro, que o disco é muito mais acessível do que o EP. Acima de tudo, fazemos música que gostaríamos de ouvir, que gostamos de tocar, mas também fazemos música para incentivar a dança e, como tal, fazemo-la com um sentido de partilha. Tipo: “Isto não é só nosso. É para todos os que quiserem dançar connosco”. Simples. Se a nossa música se resumisse a uma estratégia de entretenimento fácil, mais valia fazer uma banda de covers. Não dava tanto trabalho.

O título do disco, “Up on the walls”, é claramente uma menção à cultura urbana. Expliquem-nos o significado deste título.

O significado é tão abrangente como a cultura urbana. Abarca toda uma experiência de vida na cidade e nos subúrbios.

As paredes são o último lugar (ilegalmente) livre para a exposição de ideias numa sociedade em que tudo é propriedade alheia e privada. Servem para comunicar das formas mais diversas. A verticalidade característica das cidades fornece esse espaço que, mesmo com dono, é exterior e acessível a todos. Serve de tela para autores anónimos. Entre o brejeiro, o cliché, o naif e a vanguarda, as paredes são o suporte ideal para mostrar. São muitas vezes a única forma de se apresentar seja o que for ao mundo. “Up On the Walls” como indicador de “estamos aqui, pois não nos deixam estar em mais lado nenhum”.

É possível desvendar muito de uma cidade pelo conteúdo de toda uma contra-informação patente nas paredes. Os melhores museus e galerias nem sempre são institucionais. Há muita cultura livre por aí.

A vossa música pode ser considerada de intervenção. Quais são as vossas maiores preocupações na sociedade de hoje?

Pode ser considerada de intervenção, claro! A partir do momento em que se tentam contornar valores que limitam a criatividade... contrapondo-os, precisamente, com ideias para reflexão... Ou quando se fala de amor sem nos armarmos em coitadinhos de coração destroçado.

Nós não conseguimos separar a música da comunicação de ideias. E essas ideias servem também para interagir com o público.

Falando concretamente sobre Portugal preocupa-nos muito a letargia dos “brandos costumes”. Ao que parece, muitos portugueses falam com orgulho sobre o seu país como um país de brandos costumes. Só que somos brandos pela negativa. Somos um povo que não reage aos problemas de forma particularmente empreendedora. Os portugueses limitam-se muito a criticar e a discordar mas têm medo de se impor. Impor através de mostrar algo seu. Algo que contribua positivamente para o País em que vivem. Nós próprios sofremos um bocado desse adormecimento, parece quase inevitável. Mas tentamos que não seja um impeditivo para o que gostamos de fazer. Isto não é nada que já não se tenha dito. Mas tem vindo a reflectir-se cada vez mais.

Depois, todo o mundo ocidental em geral está, progressivamente, a entregar-se ao entretenimento mais fácil e ao narcisismo egoísta pondo de lado os valores do convívio e da partilha.

Grande parte das faixas do disco fala de uma juventude descontente com o rumo dos acontecimentos. É para essa geração que existem os The Vicious Five?

É para essa juventude. Não é bem uma questão de gerações porque não vamos negar, à partida, a jovialidade de alguém pela sua idade.

“The Electric Youth” (a última faixa) resume todo o disco. Concordam com esta afirmação?

Concordamos em absoluto. Poderia, perfeitamente, funcionar como uma sinopse para apresentação do conteúdo do álbum. Não tanto no que respeita à estética musical mas sim ao conteúdo lírico ou, digamos, ideológico. São três ou quatro frases chave que, em jeito de apelo, sintetizam todo o imaginário explorado conceptualmente no disco.

A vossa música incentiva a acção. Acham que o mundo precisa de uma revolução?

O nosso desejo é que a música incentive à acção. Seja ela o simples dançar num concerto nosso ou o aproveitar momentos especiais, seja o apostar num empreendimento de consciencialização social.

Em primeiro lugar não acreditamos propriamente numa revolução de choque. Ou seja, não acreditamos que as coisas se processam de um dia para o outro. Também temos a noção de que transformar o mundo para melhor é cada vez mais uma tarefa ingrata e utópica. Ainda para mais perante um sistema que oculta quem o coordena e quem o faz funcionar em prol de benesse própria.

Temos em conta que a revolução é mais viável, primeiro a um nível pessoal e só depois como acção conjunta. Mas que o mundo necessita de ser mudado não é novidade para ninguém. A merda está à vista de toda a gente e cada vez mais os aparentes avanços para a resolução de problemas são apenas processos burocráticos que permitem a alguém ter um ordenado chorudo.

Falando da nossa realidade, temos uma vida em que nos tentam roubar tudo precisamente por nos oferecerem o excesso. O excesso que leva a tédio e à tal letargia que já mencionamos. Mas o que nos oferecem não é o suficiente. Queremos sempre mais e o que queremos não propriamente produtos pré-concebidos com objectivos comerciais. E como já nos mentiram tanto, e tantas vezes, só podemos, à partida, acreditar em nós.

Artigos Relacionados > The Vicious Five @ ZDB

by Pedro Marques

Friday, October 21, 2005 
A música dos Vicious Five é simples, crua e directa.
Os desenhos harmónicos baseiam-se no já velhinho, mas sempre eficiente, sistema do “quadrado mágico”, no qual são utilizadas duas notas com um tom de diferença seguidas depois pelo mesmo desenho feito uma quarta abaixo do sujeito inicial, respeitando as matemáticas de Pitágoras nas quais são estabelecidos os intervalos de 8ª, 5ª e 4ª através das relações dos comprimentos das cordas, como sendo respectivamente 2/1, 2/3 e 3/4 e reafirmando esta posição ao recorrer a acordes baseados em quintas e oitavas.
Mas esta é apenas uma análise matemática que bem poderia ter saído de um qualquer computador extraído de uma outra qualquer produção “sci-fi” de série B…
O certo é que ainda existem dúvidas relativamente a quem melhor consegue descrever a beleza que nos rodeia, na qual se insere naturalmente a música.
Se tal meta poderá ser mais facilmente alcançada por cientistas, poetas, artistas ou por pessoas comuns, também não será propriamente importante, já que todas as visões são válidas se orientadas para o bem comum de conferir um real significado para a sua existência.
“Up on the walls” é um disco feito por pessoas comuns para pessoas comuns, sem o pretensiosismo de ascender a muito mais do que isso, usando como principal arma a principal razão de ser de toda a arte, ou seja, o facto de se ter algo para dizer.
E os Vicious Five dizem muito. Relatam experiências urbanas repletas de uma banalidade que nos reflecte a todos, com o natural vigor da juventude inqualificável por qualquer processo de análise matemática. posted by Samuel Jerónimo

@

http://phono.com.sapo.pt/v_albuns/viciousfive_uponthewalls.htm
Sunday, October 09, 2005 
The Vicious Five Up On The Walls
2005
Loop Recordings



O tradutor é um traidor. Pois já é hora de se assumir como tal. Assim acontecia na Roma Antiga que fez de Nero o primeiro dos piromaníacos a garantir a eterna simpatia do rock. Entre um e outro bago de uva siciliana, era apenas mais um que acordava com a boca cheia de formigas. Soam as doze horas na capital mexicana e, subitamente, aquele que acariciava a arma passa a ter o metal frio a acariciar-lhe a nuca. Pela hora da siesta, o dominante encontra-se tão embriagado em mescal que nem sequer escutou o estalar do pé zapatista sobre o galho da calmaria. Como é rude o despertar de quem acorda algemado perante as chamas. Os Vicious Five já tinham alertado para os riscos do sono sedentário: ”Vai brincando às casinhas, enquanto eu brinco às bombinhas”. A mutação pode servir de instrumento à conspiração.

Não se conhece um só riff absoluto às músicas do quinteto lisboeta, nem tão pouco Up On The Walls será um disco fixado num dogma musical. Verificam-se revoluções internas a onze faixas que, ainda que convictas, não se sentem obrigadas a uma compostura de convento. “Fallacies and Fellatio”, por exemplo, serena a erecção carnuda das suas guitarras com a farsa de um refrão muito mais perigoso que o seu lúdico “uh oh oh oh” possa fazer crer. Também Monica Lewinsky exibia uma franja simpática e um sorriso de campónia aos canais de notícias, mas sabotou a seriedade de todo um sistema democrático. Imperturbável somente a vigilância militante de quem não teme vir a ocupar uma tribuna de manutenção fragilizada pela incompetência. Luca Brasi dorme com os peixinhos. Bem aconchegadinho a todos os discos periféricos que agora soam a obsoletos quando comparados ao primeiro longa-duração dos Vicious Five.

Os Vicious Five de Up On The Walls continuam a ser a mesma pandilha de mentirosos, patifes, pulhas, vilões, amigos do alheio, esquerdistas foliões com a cabeça a prémio por tostões. E se de alguma caderneta empoeirada constar lugares vagos, os Vicious Five podem também ser os Jr. Ewing, AC/DC, Division of Laura Lee, os Blood Brothers, The Plot to Blow Up the Eiffel Tower (sem químicos inalados), metade das bandas produzidas por Alex Newport, Detroit Rock City contemplada a partir do alcatrão ainda quente. Por cada adicional comparação, os Vicious Five agradecem a bala no coração.

Pode até parecer cliché, mas Up On The Walls será o disco deste ano que mais alto projecta o eterno lema hardcore “Sangue, suor e nada de lágrimas”. O sangue escorre a cada vez que as guitarras (baionetas nas mãos de Edgar Leito e Bruno “Gazela” Cardoso) decepam a galopante armada rítmica. O suor é praticamente omnipresente no universo dos Vicious Five e escorre abundantemente ao apelo de Quim Albergaria, assim que o refrão de “Your Mouth Is a Guillotine” repete um incendiário “Bring it On” com se fosse “Cresce para mim. Acorda para o que trago até ti.”. As lágrimas alheias serão as extorquidas ao crocodilo EMO que, mais preocupado com o equilíbrio do penteado, nem deu conta do punhal que lhe cortou os olhos para fazer de “Lipstick #5” um momento mais intensamente dedicado às relações menino-menina.

Essencialmente, Up On The Walls frisa subversivamente uma verdade que está ao alcance da remoção de um “r”: a revolução comporta a evolução. Nada é sagrado e assim também acontece com a puberdade eléctrica dos Vicious Five que, agora, passa a ser maturidade. Mediante a consolidação de uma fórmula que já era letal em The Electric Chants of the Disenchanted, é admissível que os Vicious Five cometam a ousadia de tomar as rédeas da erosão e derrubem o que resta ao relevo dos rostos petrificados e inconsequentes suspensos no Monte Rushmore (repare-se na contra-capa de Up On The Walls. Quando tudo o resto falhou, porque não tentar a autonomia que a euforia permite? O mundo necessita de mais entertainers que façam frente ao prejudicial divertimento proporcionado outrora por Ronald Reagan e mais recentemente por George Bush ou pelo nosso Alberto João Jardim. "Só será revolução se houver diversão" ganha um novo sentido. As circunstâncias complementam-se em Up On The Walls, que decerto constará bem alto nos murais edificados em memória de 2005.

Miguel Arsénio

Friday, October 07, 2005 

The Vicious Five - “Up On The Walls” ( Loop:Off) 


Punk. Som nu e cru que bate no corpo e rasga a pele removendo as nossas entranhas. É difícil ficar indiferente. Os The Vicious Five causam mossa.
O tom mais low-fi da sua música e toda a parte gráfica deste cd dão um colorido mais do it yourself a esta obra. Tudo feito por medida. Veste bem. Fica a matar.
O som bebe inspiração no longínquo ano de 77, altura em que o punk começou a ganhar corpo e se fez homem. Corre depois em direcção aos anos 90 para meter conversa com os Fugazzi.
As guitarras debitam quilos de decibéis, enquanto a voz grita palavras de raiva. Os ritmos variam entrando a velocidade estonteante pelos nossos ouvidos. Quando uma música acaba já está logo outra a bater à porta do nosso cérebro. Não temos tempo para respirar. Quando chegamos ao final das 11 músicas damos conta que passou por nós um furacão. Mas não temos tempo para reparar os estragos pois o nosso dedo é puxado de novo para a tecla play.
Quando tentamos rever tudo de novo mais tarde, a primeira coisa que perguntamos, é porque é que isto aconteceu assim, apesar de estarmos prevenidos. Sim, porque quem conhece os The Vicious Five já sabe do que a casa gasta. Quanto aos outros, atenção redobrada.
A resposta até parece fácil. Não existem por estes lados muitos discos assim. Frontais. Encorpados. Não existem muitas bandas como esta. Honesta. Directa. Sem medo de criar canções que fogem ao normal., sem necessitarem de um refrão fácil para nos pôr a cantar.
Por tudo isto eles merecem muito mais que os 15 minutos de fama. E agora que “Up On The Walls” aí está, é tempo de deixar entrar os The Vicious Five para que em conjunto possamos fazer a revolução. Este país precisa de um abanão.
Por fim resta dar os parabéns à Loop:Recordings, uma editora dedicada ao hip hop e derivados, que começa aqui uma nova vida, percebendo que esta é também uma cultura que tem muito para dar.
Bolas, já não sei se sou eu. Transpiro. Ao longe ainda escuto os últimos acordes enviados pelos The Vicious Five. Querem meter-me num colete de forças. Não deixo.
Volto atrás e recomeço tudo de novo. No ar “Your Mouth Is a Guillotine” faz-se ouvir. Sinto-me feliz…


Nuno Ávila