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Claudia Cunha



Last Updated: 11/18/2009

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Tuesday 25/08/2009 

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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

ESTREIA ILUMINADA

Por Toninho Spessoto

CLAUDIA CUNHA CLÁUDIA CUNHA                                  
Responde à Roda
Biscoito Fino

Fruto da vitória no Prêmio Braskem Cultura e Arte de 2007, Responde à Roda, disco de estreia da paraense (radicada na Bahia) Cláudia Cunha, ganha distribuição nacional através da Biscoito Fino. Co-Produzido pelo notável compositor e cantor mineiro Sérgio Santos e por Cláudia, o CD mostra uma cantora sensível e afinadíssima, a serviço de repertório de qualidade.
O timbre doce e cristalino de Cláudia Cunha passeia por sambas, baiões, afoxés, candomblé e canções, entre eles Din Don (de Rodolfo Stroeter), Baião Dividido (Cláudia Cunha/Rafael Dumont), Ganga Zumbi (Sérgio Santos/Paulo César Pinheiro), No Girar de Alice (Cláudia Cunha), Responde à Roda (Cláudia Cunha/Manuela Rodrigues), Auto-Retrato (Egberto Gismonti/Geraldo Carneiro) e Quando Eu Era Sem Ninguém (Tom Zé).
CLAUDIA CUNHA Zé Renato, o baiano Roberto Mendes e Sérgio Santos fazem participação especial em, respectivamente, Pra Você Gostar de Mim (Zé Renato/Joyce), Seu Moço (Roberto Mendes/Hermínio Bello de Carvalho) e Ganga Zumbi. A cantora e compositora é acompanhada por músicos do gabarito de Nailor ‘Proveta’ Azevedo (sax soprano), André Mehmari (piano), Toninho Ferragutti (acordeom), Ramiro Musotto (percussão) e Tutty Moreno (bateria). Trabalho de altíssimo nível, que revela uma artista refinada.
Tuesday 25/08/2009 

http://blogdomauroferreira.blogspot.com/2009_08_01_archive.html

Com segurança, Cláudia Cunha entra na roda...
Por Mauro Ferreira

Resenha de CD
Título: Responde à Roda
Artista: Cláudia Cunha
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * 1/2

É no toque da capoeira que Cláudia Cunha entra na roda do mercado fonográfico. Tema de Rodolfo Stroeter que presta tributo ao som do berimbau, Din Don abre o primeiro disco dessa artista paraense radicada na Bahia. Na sequência, a cantora se revela promissora compositora ao assinar com Rafael Dumont o Baião Dividido, que desemboca num galope quando o acordeom de Toninho Ferragutti acelera o ritmo. Responde à Roda, o CD, deixa ótima impressão de Cláudia Cunha, cantora afinada que mostra segurança ao desencavar as raízes africanas da música brasileira em faixas fortes como Aioká (Alcyvando Luz e Carlos Coqueijo) e Ganga-Zumbi (Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro). Extraído de Áfrico, CD de Sérgio Santos, este tema conta com o violão, a voz e o arranjo de Santos, apropriado produtor do disco de estreia de Cláudia. A aliança com Santos dá a pista do caminho tradicional percorrido pela intérprete neste álbum que fala muito das águas em faixas como a canção Mar do Norte, sublinhada pelo violoncelo de Fernanda Monteiro. Entre sambas de Zé Renato com Joyce (Pra Você Gostar de mim, cantado em dueto com Renato) e de Roberto Mendes com Hermínio Bello de Carvalho (Seu Moço, cantado em dueto com Mendes), Cláudia Cunha apresenta inédita de Sérgio Santos com Paulo César Pinheiro (Putirum) e joga luz sobre composição pouco ouvida de Tom Zé, Quando Eu Era sem Ninguém, tema cheio de brasilidade e suingue (realçado pelo sax de Nailor Proveta), lançado pelo autor no álbum Todos os Olhos (1973). Ao fim, a intérprete sai da roda em um clima camerístico, entoando - emoldurada pelo piano de André Mehmari - canção de Egberto Gismonti letrada com poesia por Geraldo Carneiro, Auto-Retrato. Enfim, uma boa estreia que sinaliza que Cláudia Cunha vai ter um lugar ao sol no país das cantoras, com sua MPB tradicional.
Thursday 14/05/2009 
Cláudia Cunha, voz para entrar na roda
                                              por Marielson Carvalho

Extasiado. É esta a sensação que tive ao terminar de ouvir a voz de Cláudia Cunha. Quem é? Ouça. Mas como sou língua-solta e dedos-corredios, não perco a vontade de falar e escrever sobre esta moça de Belém que desaguou por aqui em 1996.
Em sua trajetória por águas baianas, ela já ganhou o Troféu Caymmi, o V Festival da Rádio Educadora e o Prêmio Braskem. Com esta premiação, pôde lançar seu primeiro cd "Responde à Roda". O último dia da temporada de lançamento aconteceu em 1° de fevereiro, com sessão extra, no Teatro Gamboa Nova, e repeteco aberto ao público dia 11 no Pelourinho. A escolha do Gamboa completou a riqueza sonoro-visual do show. Ao cantar a belíssima canção "Mar do Norte" (Ivan Bastos e Gil Vicente Tavares), numa sugestiva remissão à sua origem paraense ("Aquém do norte estou/ Mas não sei mais me achar aqui no sul"), as cortinas do fundo do palco se abriram para a baía ensolarada em tarde de verão. A voz clara e líquida se amalgama com a letra e a paisagem marinha.
O mar é recorrente nesse seu trabalho. "Aioká" (Alcyvando Luz e Carlos Coqueijo) explora a magia do mundo das águas, da morada de Iemanjá. Na performance desta canção, que foi o bis de encerramento do show, Cláudia Cunha em seu vestido branco, longo e rodado, com cabelos soltos e grandes, emoldurada pelo mar da Bahia, não poderia representar melhor o canto de Janaína, abrindo os festejos da Rainha do Mar do dia seguinte. A circularidade e a infinitude que a imagem da roda traduz estão presentes nas canções, especialmente em "Responde à Roda" (Cláudia Cunha e Manuela Rodrigues), "No Girar de Alice" (Cláudia Cunha) e "Din Don" (Rodolfo Stroeter).
Na música que dá título ao cd, a gente entra com a cantora numa ciranda, brincadeira que integra todos os participantes num girada só. Mesmo quem não está dentro é chamado para entrar. Essa comunhão é sagrada para que a vida ganhe em felicidade. É esse sentimento que vemos iluminado no rosto de Cláudia ao cantar "No Girar de Alice". A leveza da roda de Alice, "enquanto a tardinha cai macia no quintal", é a mesma leveza da voz de Cláudia ao cair da tarde mansa.
E já que a roda é elemento simbólico marcante na Bahia (roda de candomblé, roda de fogueiras de São João, roda de conversa), "Din Don" nos joga numa roda de capoeira e de samba. Tudo nesta roda nos lembra uma festa de rua de Salvador. Os instrumentos musicais citados na letra, como tambor e pandeiro, as evoluções dos capoeiristas e a dança da baiana referenciam ao formato da roda. A circularidade de que falei antes, é também memória. E Mestres Pastinha e Bimba são sempre lembrados numa roda de capoeira.O acento em cantigas e canções folclóricas ou recriações dessas narrativas musicais é outro ponto forte do repertório do cd. Em letras como "Ganga-Zumbi" e "Putirum" (Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro), os compositores jogam na roda de nosso imaginário elementos da cultura, das línguas e da religiosidade afro-ameríndia brasileira. Calunga, canjerê, Zambiapongo, Mutalambô, Zumbi, Ogum, gongá, cunhã, quarup, cauim, Mairá, Xingu, ararajuba, cocar, ajuru... Uma festa com trilha sonora que busca a integração a partir da dança. Não por acaso, expressão corporal que índios e negros ritualizam até hoje.
Sambas maneiros entram também na ciranda colorida e festiva como "Pra você gostar de mim" (Zé Renato e Joyce), delicado e sonhador, "Cabe um tanto" (Manuela Rodrigues), com arranjo pungente e acústico de Luciano Salvador Bahia, e "Seu Moço" (Roberto Mendes e Hermínio Bello de Carvalho). Nesta última o tom percussivo é bem do Recôncavo, não à toa com a ajuda vocal do próprio compositor Roberto Mendes, exaltando sua Santo Amaro de fundo de Baía.
O cd termina com "Auto-retrato" (Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro). Só acompanhada com o piano, Claúdia canta a memória de um "cantor de samba", mas ela mesma se reveste em um trovador solitário das multidões, quando nos faz caminhar e girar pelo vasto mundo de suas lembranças e das nossas também.

Cláudia Cunha em seu MySpace disponibiliza cinco músicas para quem quiser levitar com sua voz serena de soprano, mas que não fique apenas nesse aperitivo. A roda só gira toda se você ouvir todo o cd e assistir à sua performance no palco.

Para ler diretamente no blog:
http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2009/02/voz-de-claudia-cunha.html
Thursday 14/05/2009 

ENTREVISTA COM A CANTORA E COMPOSITORA CLÁUDIA CUNHA

                                                                                                        por Zózimo Trabuco

Geração Supernova: Você saiu do Pará e aportou na Bahia. Conte como foi essa mudança, o que significou na sua vida e na sua música.

Cláudia Cunha: Eu cresci numa cidade pequena do estado do Pará onde as festas religiosas e populares constituíam uma referência muito forte na vida dos moradores. Logo, desde cedo eu estava metida naquelas manifestações e acontecimentos, cantando – quando era momento de cantar – e dançando – quando era o momento de dançar. Às vezes, as duas coisas juntas. Vem desse período minha aproximação e encantamento com as tradições musicais do interior e que permanece ainda hoje no meu trabalho. Nessa cidade havia também um festival de música que acontece já há quase 30 anos e que gerava uma movimentação muito grande de compositores, cantores, etc. Foi nesse festival que comecei a cantar e a ganhar meus primeiros tostões e reconhecimento com a música, por volta dos meus 15 anos, o que acabou me levando a me mudar para Belém em seguida. Já em Belém comecei a fazer o percurso natural pro cantor popular, que é o da noite, cantando em bares, bandas de baile, etc., e, freqüentemente, “defendendo” (expressão engraçada, né?) as composições de amigos em festivais espalhados pelo país. Em 1995 vim fazer uma apresentação aqui em Salvador a convite de uma amiga baiana e arranjei um namorado (Risos). Embora minha história em Belém me trouxesse já um certo conforto enquanto cantora com um trabalho já reconhecido, decidi me mudar pra cá em 1996 e (re)começar uma nova história aqui, o que incluiu entrar pro curso de música da UFBA. Essa mudança não foi fácil no início. Eu já tinha passado pelas etapas da noite, do esquema mais amador e não estava animada a passar por isso aqui, então fiquei voltada pro estudo, pra pesquisa na área de música popular e tradicional e fiquei um tempo sem cantar, alternados com algumas apresentações esporádicas em projetos pequenos (Elas Cantam no T. XVIII; Pelourinho Meio-Dia; Festival de Inverno da Chapada em Igatu; Circuito Cultural UESB e outros.). Entretanto, esse tempo na EMUS (Escola de Música da UFBA) foi importantíssimo, pois me pôs em contato com músicos e compositores talentosos, que se tornaram amigos e parceiros desde então, no fazer e pensar a música.


Geração Supernova: Quais os aspectos semelhantes e diferentes destes dois universos musicais, o Pará e a Bahia? Quais as suas principais referências na música paraense e na música baiana?

Cláudia Cunha: Sabe que eu não vejo muito as diferenças? Vejo mais coisas em comum, como a forte relação com a dança, com a festa. Se aqui tem o axé, lá tem o tecno-brega. Aqui tem o samba-de-roda, lá tem o carimbó. Já no âmbito da música popular (ô termo complicado!) e da poética dessas músicas, há referências e construções que são muito próprias ao contexto amazônico e que são muito bem trabalhadas, no Pará, pelo Walter Freitas, o Nilson Chaves, o Vital Lima, o Joãozinho Gomes. Sem falar de uma geração de compositores novos que têm feito um trabalho muito bonito lá que são o Floriano, o Leandro Dias, o Felipe Cordeiro, o Ziza Padilha e outros. Dos compositores daqui da Bahia, nossa! tem um caminhão: o Gil, Caetano, Caymmi, Elomar, Assis Valente... dos mais novos, o Luciano Aguiar e Borega (Matita Perê), a Manuela Rodrigues (também grande cantora), o Tiago Rocha, o Rafael Dumont, o Luciano Salvador Bahia e muitos outros. De cantoras, nem se fale! Tanto no Pará como aqui na Bahia, há cantoras maravilhosas! E aqui em Salvador, especificamente, tenho grandes amigas intérpretes, e tem havido entre nós, uma aproximação e troca muito freqüentes e frutífera. Vou citar mas espero que não role ciúmes (risos): Manuela Rodrigues, Márcia Castro, Marilda Santanna (tem alguma transação numerológica aí com a letra M), Ana Paula Albuquerque...


Geração Supernova
: Em Salvador você teceu estreitas relações com o Choro e o Samba, participando do grupo “Mandaia” e se apresentando como convidada do grupo “Os Ingênuos”, e participando de projetos como o “Coletivo Circo dá Samba”. Como ocorreu essa aproximação com o Choro? E como tem sido participar de projetos de valorização do samba em Salvador?

Cláudia Cunha: O samba é uma escola (olha o clichê!). Minha experiência cantando com o grupo Mandaia por dois anos, todas as semanas, quase sem férias, foi fundamental pro meu crescimento como intérprete. E aí nem importa se no meu CD eu decidi não gravar samba e choro – que era o que muita gente esperava e que, no final das contas, seria mais confortável pra mim. Essa vivência com os chorões, com um repertório imenso e maravilhoso, e com um público fiel e conhecedor que não se deixa enganar, foi um dos mais ricos nesse meu percurso. E depois de um tempo convivendo com esses músicos incríveis e se você é aceita e aprovada entre eles, ah! que delícia. Seu nome cai na roda! Porque a oralidade é um elemento fundamental nesse universo e é de uma força gigante.


Geração Supernova
: Em 2007 você conquistou três importantes prêmios na cena independente da música baiana: O Troféu Caymmi de Melhor Cantora, o prêmio de Melhor Intérprete do V Festival da Educadora FM, e o Prêmio Braskem de Música. Este último revelou nos últimos anos os talentos de Mariene de Castro e de Márcia Castro, e assim como a essas duas, lhe possibilitou gravar seu primeiro CD. Como foi participar de cada um deles e o que eles significaram na continuidade da sua carreira?
Cláudia Cunha: Menino, esse ano de 2007 foi uma coisa, né? O que poderia parecer meio estranho essa concentração de prêmios num mesmo ano, nada mais foi que, esse era o meu ano! Lembrei da música do Chico, Sentimental: “este ano vai ser o seu ano ou senão/ o destino não quis/ ah eu hei de ser, serei feliz”. É claro que colocado assim fica parecendo que é algo que foge totalmente ao meu controle, e não é bem assim, já que eu venho atuando há algum tempo. Essa coisa de cantar e fazer música – e tudo o mais que envolve essa atividade, desde que eu passei a fazer isso profissionalmente – sempre teve a minha dedicação, seriedade e todo meu coração. Então um dia a resposta e o reconhecimento vêm, né? Essas premiações me deixaram muito feliz por tudo o que elas representam pra cena musical de Salvador. O show que eu concorri em 2005 ao Troféu Caymmi, o Mesa Farta, acho que foi o ponta-pé de tudo o que se seguiu depois. Foi um show muito bem amarrado, muito bonito, de uma riqueza rítmica! Ali eu comecei a encontrar a direção do repertório e do conceito que veio a resultar no CD. E foi com esse show que pisei pela primeira vez no palco principal do TCA, já que ele foi selecionado para o Circuito Cultural Banco do Brasil. Nós dividimos a noite com a Leila Pinheiro e foi muito lindo! O TCA inteiro, lotado, de pé, aplaudindo! Ah! Em janeiro de 2007 eu voltei a pisar no palco principal do TCA, dessa vez pelo MPB Petrobrás, abrindo o show do Ed Motta.
E voltou a ser lindo e o show já se chamava Responde à Roda (música minha e de Manuela Rodrigues). Mas, acredite, depois disso, eu não fiz mais nada nesse ano em termos de show. Tava já me batendo um nervoso (risos) quando decidi gravar uma música minha: No girar de Alice, que eu fiz pra minha filha; fui e inscrevi no Festival da Rádio Educadora. O impulso de realizar e de acreditar que aquele ano ainda ia me trazer alguma coisa boa me fez me lançar então com muita determinação na construção do meu projeto do CD pro Prêmio Braskem Cultura e Arte 2007. Agora perceba que até aqui eu só gastei, não ganhei nada! Hahaha. Então, em novembro sai o resultado! E aí, tipo duas semanas depois sai a premiação do Caymmi, e alguns dias depois veio junto a premiação da Rádio Educadora. Então, eu tô num momento muito especial da minha carreira e muito feliz com as possibilidades que estão se abrindo a partir desses prêmios. De certa forma ainda é recente, o CD acabou de sair, mas estou agora voltada pra realizar o show de lançamento aqui em Salvador, e a partir daí, levá-lo pra outros estados.


Geração Supernova
: O CD já estava com o repertório e a pré-produção encaminhada quando você conquistou o Prêmio Braskem de Música, ou foi realmente o prêmio que viabilizou todas as fases de produção do CD “Reponde à Roda”? Como você chegou aos compositores (as) do disco e às participações especiais de Zé Renato e Roberto Mendes?
Cláudia Cunha
: Foi o prêmio que possibilitou realizá-lo do jeito que foi, e isso ainda antes de vencê-lo. Vou explicar melhor. Ao inscrever meu projeto eu tinha que apresentar quatro gravações (aliás, das quatro, só uma acabou não entrando pro CD, embora tenham sido regravadas depois com novos arranjos ou com o tempo e o cuidado que não receberam antes). Com esse material pronto aproveitei e abri uma página no MySpace. E essa foi a melhor coisa que eu podia ter feito! Foi incrível a resposta das pessoas e os contatos que se desenrolaram a partir disso. Inclusive, com o Sérgio Santos, que é um violonista, compositor e arranjador maravilhoso, e que se tornou depois, junto comigo, o produtor musical do CD. Foi ele quem trouxe pro CD talentos admiráveis como o Zé Renato, o André Mehmari, o Nailor Proveta, o Ferragutti e outros, além de fazer comigo esse trabalho de buscar e selecionar repertório. Aliás, trabalhou muito bem, aquele moço de Minas (risos). Da minha parte e da Bahia vieram o Roberto Mendes, de quem sou grande fã e que me deu a honra da presença (porque esse caboclo lá de Santo Amaro é muito enjoado (risos); o Luciano Salvador Bahia, o Ivan Bastos, a Manuela Rodrigues, o Tom Zé, o Jurandir Santana, Ramiro Musotto e todos os músicos talentosos que tocaram no CD, muitos dos quais já me acompanham pelos palcos.


Geração Supernova
: Considerando que o CD pode ser interpretado como “um extrato do show” o que esperar de um show de Cláudia Cunha? Quem você é no palco?
Cláudia Cunha:
Ah, pode esperar um show lindo! (risos). O CD tem músicas e arranjos primorosos. O cenário e a direção artística são do Rino Carvalho. E tanto o CD quanto o show tem uma unidade e construção bem brasileira. Agora, eu não sei como responder quem sou eu no palco...O que eu posso talvez é me localizar dentro de uma linhagem de cantoras brasileiras. Pensando a partir desse viés, eu poderia dizer que meu canto e minha forma de me relacionar com a canção trazem desde a brejeirice de uma Carmem Miranda ao sentimento de uma Elizeth Cardoso, ambas ma-ra-vi-lho-sas e emblemáticas na forma de abordar a canção. No mais, é ver pra saber.


Geração Supernova
: Gostaríamos de agradecer pela entrevista e desejar todo o sucesso. Sempre terminamos a entrevista com um último recado do (a) artista para os leitores (as) do Blog Geração Supernova, fique à vontade.

Cláudia Cunha: Adorei a chance de falar para os leitores do Geração Supernova.

Ah, quero dizer que todos temos uma ou várias músicas que parecem ter saído de nós; vozes que são também as nossas vozes! E é apaixonante ouvir e descobrir músicas que se afinam – às vezes instantaneamente – com nossas sensibilidades. Mas pra isso acontecer, tem que se abrir pra ouvir!

Quero aproveitar pra convidar todo mundo que estiver em Salvador, em janeiro, para ir à temporada de lançamento do CD “Responde à Roda” que acontecerá todos os domingos às 17 hs, no Teatro Gamboa Nova.

Beijos e espero que tenham curtido. Eu curti.

Para ler diretamente no blog:
http://geracaosupernova.blogspot.com/2009/01/cludia-cunha-responde-rua.html

Thursday 14/05/2009 

Current mood:  artistic
Cláudia Cunha traz a diversidade brasileira
Primeiro CD apresenta cantora de timbre especial e sotaque próprio
Cantora paraense com os pés em solo baiano desde 1996, Claudia Cunha lança seu primeiro CD, o especialíssimo Responde à roda. Vencedora do prestigiado Prêmio Caymmi em 2007, Claudia estréia com um disco de sotaques diversos celebrando a diversidade musical brasileira. Sua voz, afinadíssima e extremamente agradável, passa doce por um repertório de samba, baião e até ecos de uma nova bossa. A cantora cativa de vez com sua musicalidade inteligente e particular.
Cláudia Cunha é dessas artistas especiais, sem seguir fórmulas ou tendências. Seu trabalho artístico faz paralelo a nomes raros como os de Ceumar e Déa Trancoso. Traço comum entre as três, Cláudia entende sua cultura local e parte dela para criar uma expressão própria. O título do disco já aponta essa dica: a roda de samba, de capoeira, da troca no olhar. Sem medo Cláudia responde, e nessa hora o som delicado de sua voz ganha força ao lado de uma sonoridade acústica, bem elaborada e carregada de raízes. O disco pulsa vivo, traz verdade e talento latentes; está carregado de sentimentos.
Na hora de registrar esse primeiro retrato, Cláudia foi buscar a parceria do violonista mineiro Sérgio Santos, co-produtor do álbum, que trouxe músicos especiais para azeitar a música da cantora. A lista de boa companhia segue para as participações de Roberto Mendes, que canta com ela Seu moço, composição dele com Hermínio Bello de Carvalho. Outra voz a dividir uma canção é Zé Renato, que canta com Cláudia a bossa Pra você gostar de mim, parceria dele com Joyce.
A música que abre o disco traz os elementos na letra: por Din Don, de Rodolfo Stroeter, passam instrumentos, ritmos, referências e muita felicidade. Caminho livre, aberto para a rica diversidade que vai desfilar. Cláudia está irresistível na brejeira Quando eu era sem ninguém, regionalíssima composição de Tom Zé. Logo depois ela vem sofisticada, acompanhada pelo piano de André Mehmari em Auto-retrato, música de Egberto Gismonti com letra de Geraldo Carneiro.
Ao longo do disco a artista também dá (poucas mas boas) pistas da compositora. Cláudia assina três músicas em sua estréia. A primeira a aparecer é Baião dividido, parceria com Rafael Dumont. A faixa que batiza o disco é assinada com Manuela Rodrigues, assim como Cláudia também grata surpresa da nova geração de artistas baianos. Sozinha, Cláudia traz a deliciosa No girar de Alice, com imagens belíssimas e envolventes do olhar maternal.
A música de Cláudia Cunha tem dança, com a felicidade dos ritmos da tradição popular. Tem cores paraenses e baianas nos ritmos, tem toques mineiros. Tem o regional que revela suas riquezas e acrescenta. A diversidade que interessa a um mundo globalizado. Cláudia Cunha traz esse calor local em sua música e serve essa riqueza em seu primeiro trabalho. Primeiro retrato de uma cantora talentosa e antenada que merece atenção e ouvidos que não se contentam em ouvir sempre o mesmo.

Você pode acessar essa matéria no endereço:
http://www2.uol.com.br/ziriguidum/0903/090310-01.htm