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Rafael Castro e Os Monumentais



Last Updated: 12/7/2009

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Wednesday, August 06, 2008 

Entrevista falada pro Jornal Tribuna Lençoense transcrita na íntegra por Cristiano Guirado.

O Monumental Caipira
...

Antes da entrevista, um café com leite e cigarro. Eram quase 15, e ele tinha acabado de acordar. Liguei meia hora antes pra avisar que ia atrasar mais meia hora. Certamente ele aproveitou pra tirar mais um cochilo. Dez minutos antes de ir, ele me liga.

- Cara, você faz um favor pra mim?
- Diga
- Traz um Hollywood vermelho?

Depois do café e uma ajeitada no cabelo, já sabendo que seria fotografado, ele teve suas idéias:

- Vamos tirar uma foto consertando a máquina de lavar – sugeriu.
- Podemos até tirar, mas não vai sair no jornal.

Entramos. O cantinho de Rafael Castro é um quarto/suíte/ estúdio, onde a cama divide espaço com os instrumentos musicais que coloca em suas músicas. Detalhe: ele grava cada voz, cada ritmo e cada acorde de sua produção musical. Tudo direto no computador, e do PC para a internet, onde divulga sua produção.

A entrevista foi para falar do festival da Trama Virtual, onde ele emplacou o segundo lugar, com a música "Fobia Aguda de Pessoas que Batucam Mal", do CD "Combustão Espontânea", lançado em 2007.

JT: Como foi essa aventura do festival da Trama?

RC: Rolou o concurso, apareceu uma garota e disse, "oi pq você não se inscreve, a gente quer ver você tocar aqui". Nunca tínhamos tocado em São Paulo. Me inscrevi e a música foi selecionada para ir para a votação popular. Ficou em segundo e a gente foi tocar lá dia 10 de julho. E foi massa, foi gostoso, o pessoal já conhecia as músicas. Outras pessoas ficaram com ar de surpresa, mas foi bem divertido, até saiu uma resenha depois, que eu publiquei no Myspace, caso ajude a complementar a matéria...

JT: Você não foi processado ainda por uso indevido de imagem?

RC: Não, não. A Sabesp é tranqüila, uma empresa tranqüila...

JT: Você acha que esse resultado no festival pode ser um caminho para a incursão no mercado da música, que é tão cruel, pelo menos com os bem intencionados?

RC: Esse negócio de mercado é meio esquisito né cara? Não tem mercado rock, não existe isso daí. Mercado rock de verdade não vende mais nada. Tem bandinhas assim de garotos bonitos, e eu nunca fui um garoto bonito, nem que eu quisesse não ia rolar. Mas não tem, ninguém vende disco assim, ninguém funciona nessa idéia de fazer música bacana e tocar por ai.


JT: Como é a sobrevivência pra quem tem um som diferente?

RC: Tem que inventar uma grande parada, uma parada monumental, faraônica. Inventar um monte de mentira, que seja os novos Mutantes, ou ser apadrinhado por alguém, inventar um circão daqueles pra tentar agradar alguém que forme opinião e que construa alguma estrutura de que música de verdade e não uma banda de rock. É a imagem da banda de rock que está falida.

JT: Falar em bandas falidas, como foi a chegada aos Monumentais? O SuperQuase não deu certo, ou deu certo e teve seu prazo...

RC: Ah cara, o lance do Superquase é que tava todo mundo louco. O Marcelo fazendo faculdade, o Fi também. Tem que ir, voltar, aí o Jonas engravidou a menina, e rolou a coisa de não ter tempo de ensaiar nem de fazer nada. Achei que era melhor parar, se não ia ficar perdendo tempo, ficar fazendo ensaio à toa. Se rolasse de tocar por ai e tal, às vezes um ou outro não ia poder ir, então não tinha porque continuar. Terminei com a banda e comecei a fazer acústico com o Cleiton, e sempre que ia tocar nego ficava pedindo minhas músicas. E não era a idéia na hora que tivesse fazendo acústico, não é todo dono de bar que conhece a gente. Depois comecei a pensar em fazer um projeto menor que uma banda, algo pequeno, só pra tocar meu som em lugar que nego pede. Eram férias, o Fi tava de boa, o Marcelo também, e resolvemos fazer um triozinho, alguma coisa despretensiosa pra tocar em algum lugar só pra divertir até acabar as férias. Juntou e foi da hora, deu certo. A sonoridade ficou interessante em três, com muita energia e tosco. Às vezes as músicas têm um puta arranjo, e em três rola só energia. Os shows que fizemos na Barra Bonita foram bem legais e cismamos. Começamos a trocar idéia com o Wander, que mora em São Paulo e toca também. Fomos morar lá, os quatro morando em uma quitinete. Ficamos uns três meses lá e não deu nada certo. Voltei, mas os contatos que fizemos acabaram rolando agora, e estamos fazendo os shows e tal.

JT: Ali na mesa do café você fez uma análise interessante de sua passagem pela capital...

RC: Incubadora de glamour. Você não ganha nada, mas reserva alguma coisa.


JT: A divulgação do seu trabalho é muito específica. Você nunca tocou nas rádios, na TV, não deu entrevista nos jornais nem nada.

RC: Só internet, o "Sabesp" aí.

JT: Onde estão seus maiores públicos?

RC: Tem bastante público em Lençóis mesmo. Em São Paulo, de tanto ficar tentando fazer show lá. Em Campinas tem um pessoal que gosta... estão espalhados por ai.


JT: Existe alguma estratégia pra você solidificar isso em forma de carreira musical?

RC: Na real deve ter várias coisas, mas se pá não pode nem falar. Tem uns caras de olho, querendo trabalhar o negócio e querendo até botar uma grana, e não pode falar quem é, até rolar. Depois que rolar até falo. Eu estou trabalhando em uma empresa de mídia, e o dono dessa coisa é ex-presidente de uma grande gravadora, então é um contato possível. Nas horas vagas que eu não to folgando eu sou analista sênior de gambiarra pra essa empresa. Cada um dos cabeças cuidam de uma parte: vendas, tecnologia, programação, hardware, conteúdo, documentação. O lado que aperta eu vou.

JT: Em 2003 saiu o primeiro CD, aquele com a música da estratosfera. Você esperava essa aceitação? Queira ou não você pirateou e vendeu seus CDs para mais de 200 pessoas.

RC: Foi. O primeiro disco oficial ali é de 2004, e foram cinco CDs de lá pra cá. Em 2003 começou com o cdzinho com a galera vendendo. Depois não tinha mais pra quem vender e fiquei só no virtual mesmo. É, funcionou. Não sei se esperava. A gente sempre espera que role algum negócio quando você está fazendo. Acontece de nego me parar na rua e falar "ô, você que é o Rafael Castro?".

JT: Você tem um jeito peculiar de fazer CD....

RC: Será que é peculiar? Eu sento e começo escrever e gravar. Gravo uma depois a outra... Dominar, dominar, não domino nenhum instrumento, mas o que eu uso na música são os que estão nesse quarto: violão, guitarra, baixo, teclado, cavaquinho, gaita. Às vezes tem uma caixinha de fósforo, um balde, alguma coisa.

JT: Continua produzindo?

RC: Estou fazendo dois ao mesmo tempo agora. Um que chama "Maldito", que a idéia é fazer algumas músicas realmente estranhas, pra ninguém gostar. E tou fazendo um sertanejo também. Um sertanejo mais sertão mesmo, na real.

JT: Já tem data pra lançar?

RC: Não tem cara, nunca tem. Quando eu canso de fazer, vejo que tem umas 12 músicas e não tem mais idéia, fecho um pacotinho, faço uma capinha bonitinha, e aviso a galera pelo Orkut, Msn, Myspace e tal.

JT: O que você tem ouvido ultimamente?

RC: White Album e Abey Road, os dois dos Beatles. To gostando, entendeu? Ta funcionando, eu ouço pra fluir a coisa. Acho que estou me inspirando com isso agora.

JT: Qual é a sua formação musical?

RC: Com seis ou sete anos fazia aula de piano clássico, até os 10 anos. Mudei pra Lençóis e parei de fazer aula e ir pro violão, algo mais popular. Eu cito como influência Mutantes, Jards Macalé, Juca Chaves, Jorge Mautner... Raul eu considero também uma influência.

JT: Ajuda ou atrapalha um cara com idéias como as suas em uma cidade como Lençóis Paulista?

RC: E se eu falar que ajuda? De repente, em São Paulo, ia parecer porra louca demais... de re pente por ser do interior o povo diz "olha, lá em Lençóis tem um lance assim...", desperta uma curiosidade. Igual o cara escreveu na revista da Trama, "Lá em Lençóis em Paulista, há 300 quilômetros da capital, vive um cara de bem com a vida" (risos). Acordo três horas da tarde! Muito de bem com a vida! Se pá, o cara paga pra escrever na Trama, é muito falida a Trama. O pessoal é muito preguiçoso, não pára pra ler, pra ouvir, e sai fazendo perguntas.

JT: Diz a lenda que todo artista tem algo que perturba a cabeça naquele momento de criação. O que tem te perturbado?

RC: Nossa velho, que pergunta pessoal, hem? Não vou saber dizer. Tanta coisa que não tem nada a ver com música; Mas na verdade as músicas saem de perturbações, quando tá rolando perturbação sai uma música nova. É só ouvir as músicas e estão lá todas as perturbações. Tem um cara construindo uma casa aqui do lado, é perturbação o dia todo, sete horas da manha ele começa, e meu pai tem mania de ficar espantando passarinho. É uma perturbação constante e prolongada.

JT: Você vai participar de mais festivais?

RC: Não quero mais participar de festivais. Esse daí da Trama a gente não precisava fazer porra nenhuma, era só inscrever a música. Você colocava a música e se nego votasse a gente ganhava. Agora, festival que tem pagar inscrição, ir lá não sei onde pra tocar, e tem eliminatória, semifinal, final. Acaba gastando tempo e dinheiro pra caralho, e sempre tem um amigo do cara que organiza que vai ganhar. Ladroagem isso. Não vale a pena festival nenhum, não recomendo pra ninguém.

Depois da entrevista, saindo do quarto/estúdio, ele cobra:

- Porra, aquelas fotos concertando a máquina não vão rolar mesmo, né?

http://www.dinosuicide.flogbrasil.terra.com.br/

Tuesday, July 15, 2008 

15/07/2008
Rafael Castro & Os Monumentais no Milo Garage
Hard-rock, psicodelia setentista e blues diabão fervendo cérebros


Devem acontecer umas reorganizações cerebrais pesadas no momento em que um moleque espeta um cabo num amplificador e pela primeira vez extrai um riff da guitarra. Sério, isso deveria ser estudado por neurologistas. Uma chapa do cérebro, o sangue fervendo numa área X, e alguém de jaleco explicando que "foi nesse momento que o paciente executou a abertura de A Hora e A Vez do Cabelo Crescer" - imagina.

Um show do Rafael Castro & Os Monumentais é um replay desse episódio, só que dessa vez incluindo além de músicos, platéia. O trio começou com Fobia Aguda de Pessoas Que Batucam Mal, a música inscrita no concurso Trama Virtual / Peligro, do qual eles foram um dos vencedores. Guitarra, baixo, nenhum pedal, bateria e voz, tudo varado por uma eletricidade setentista que sustenta psicodelia, hard-rock e bluesões mais diabos na manha. Uma letra incrível. E um humor rápido e nonsense que estaria em um Trapalhões das antigas roteirizado pelo Laerte. Bastou pra que todos (re)ativassem no cérebro seus respectivos moleques roqueiros, diferentes talvez nisso ou naquilo, mas unidos por um orgulho da simplicidade elétrica e festeira de uma banda de rock.

Era só a primeira música; a coisa seguiu, e aumentando. Os Monumentais – Filipe Franco no baixo e Marcelo Lopes na bateria – ao invés de fazer cama, punham fogo no colchão pra que Rafael Castro, compositor de todas as músicas, despejasse carisma inflamável pela guitarra, pela voz e pela presença, mais que de palco, de espírito. Logo nesse começo o público se acostumou a esperar, o Rafael vai fazer alguma coisa no intervalo entre as músicas, e ele fez mesmo, sempre, e era tão espontâneo e afiado que desconcertava.

Mas a música. Privilegiando canções mais roqueiras – na vasta discografia da banda há uma amplitude de pensamento e estruturas que endossa a auto-declarada influência de Jards Macalé – o trio parece ter feito a melhor escolha. Que Saudade Do Meu Cabelo, Enquanto Não Me Notares e Barman, entre outras em que o instrumental é um Mutantes garageiro e as letras e vocais, no escárnio, é Juca Chaves, envolveu e prendeu o interesse até de quem mal sabia o que esperar da banda. Pélico, outro compositor de canções ganchudas em evidência, foi muito inspirado na interpretação da garota que pede uma força "para Deus Senhor, pro Carlão e pro Aquaman" em Ai Paulo, Ui Paulo.

Vou Te Encher De Birinight, matadora em seu romantismo cafa, encerrou o show quando ele ainda estava quente. Tão quente que uma chapa cerebral coletiva mostraria muitas áreas em ebulição, o médico ao lado lamentando – ou comemorando, vai saber – "sim, é irreversível".

Diego Franco
diegortv@gmail.com

http://www.tonelada.org/conteudo/index.php?op=ViewArticle&articleId=1197&blogId=3

Tuesday, July 08, 2008 

Refletores: Rafael Castro e Os Monumentais
por Enrico Vacaro

Segunda banda do concurso TramaVirtual / Peligro a se apresentar, Rafael Castro traz folk-rock-pastelão ao Milo Garage 

08/07/2008
A quase 300 km da capital, em Lençóis Paulista, vive um cara de bem com a vida, tranqüilo, que não perde a piada nunca. E foi com muito bom humor e visual escrachado, vide as fotos inusitadas espalhadas pela rede, que Rafael Castro se transformou numa máquina de compor músicas.

Gravando tudo de forma caseira, com o espírito lo-fi aventureiro, ele lançou, desde 2006, cinco discos, sendo três apenas no ano passado.

Rafael Castro é um cancioneiro de primeira e merecidamente aparece entre os ganhadores do concurso. O compositor, sempre acompanhado d'os Monumentais, hoje empresta seu próprio nome ao projeto em que está envolvido. Mas passou anos liderando a patota quando esta se reunia sob outro nome, SuperQuase.

Muito comentado em blogs e podcasts, e visto ao vivo por poucos, Rafael Castro finalmente mostrará seu trabalho aos paulistanos. "Fobia Aguda de Pessoas Que Batucam Mal" foi o carro chefe de sua campanha rumo à apresentação no Milo Garage, nesta quinta (10/07), e ilustra bem a simplicidade e a irreverência do vasto repertório de Rafael.

Lembrando que a coluna Refletores se propõe a lançar luzes especiais para as atrações vencedoras do concurso TramaVirtual/Peligro. Os shows do ciclo continuam durante todo o mês de julho, sendo os próximos Tenis (no dia 17), Velhos e Usados (no dia 24) e Destruidores de Tóquio (no dia 31).


Refletores acesos:

Rafael Castro e os Monumentais


Quando começou?
Fazia música desde criança porque gostava de tocar o piano que tinha em casa. Mas eu não gostava de estudar música, daí fazia as minhas próprias e assim não precisava ficar lidando com partitura e essas coisas importantes. Isso foi em 1990, e é claro que eu era muito ruim e não tinha nada a ver com isso de agora.

Como começou?
Esse lance mais ou menos como é hoje começou depois de aprender a gravar toscamente, lá em casa, em 2004, e mostrar para os amigos. Não demorou muito até alguns apoiarem a idéia de montar uma banda pra tocar aquilo. Daí continuei gravando e tocando com esses amigos, aqui e ali.

Principais influências?
Jorge Mautner, Juca Chaves. Jards Macalé, Roberto Carlos e algum guitarrista estrangeiro fodidão.

Como define seu som?
Som pra tirar no violão, cantar com os amigos e não sentir vergonha, ainda que precise beber um tiquinho antes, mais pra aquecer a voz, mesmo. Quanto a estilo, pra não ter erro, é MPB. É música, é popular e é brasileira. Definição mais rápida: trilha sonora de suicídio.

Por que vale a pena ouvir você?
Porque minhas músicas são feitas com amor, carinho e dedicação. Se bem que, se pá, nem vale a pena - é uma coisa de momento, de cheiro, de pele...

Como você usa a internet?
Com café e cigarro, tranqüilo.

Se você pudesse escolher algum outro bardo do folk ao seu estilo para tocar ao lado, quem seria?
Então, rapaz. Num entendo muito esse negócio que saiu por aí de folk rock. Se for ver mesmo, tem um negocinho ou outro de folk numa música ou em outra, mas "folk-folk" mesmo, num é. Eu me identifico mais com a idéia do Diego Franco (produtor do podcast Baixaria) de me chamar de Hard Rock - tem o riff, tem o refrão e tem o solinho. Se fosse pra escolher alguém pra tocar do meu lado seria meu pai. Só que ele é muito grosseiro, embora tenha uma puta presença de palco e uma deliciosa voz de cafajeste.

O que de melhor e pior aconteceu com você até o momento?
Pô. Pergunta complicada. Teve uma vez que eu achei uma nota de R$20 no chão do bar depois que minha grana já tinha acabado. Essa foi uma das melhores coisas que aconteceram até o momento, dentre as coisas que a gente pode dizer assim sem culpa, em público. De pior teve uma vez que eu fumei maconha e fiquei com síndrome do pânico.

Qual foi a sensação de ter sido escolhido no concurso?
Sensação boa, né? Eram quase 400 ou mais de 400 bandas inscritas, daí me escolhem. Qualquer um sentiria um afeto no ar. Uma satisfação e tal.

Qual é o futuro desse folk meio pastelão no Brasil -é uma coisa que pode virar hype?
Como eu disse ali em cima, eu não sei de nada disso aí! Se bem que, sendo justo, qualquer coisa pode virar hype, até mesmo eu e você. A coisa do pastelão rola bem, né? Não pesa, não enche os pacová. Pode virar hype.

Você se sente ofendido com o rótulo?
Não, não. Ofendido, não. Se rolou o desejo, tem mais é que pôr. Só acho que rótulo é uma coisa que tem que sentar pra conversar, dar aquela debatida, tomar uma cachaça, rolar um acordo comum. Ó, um rótulo legal é 'o novo Mutantes' - isso é quase tão injusto quanto folk pastelão, mas deve dar mais polêmica e mais sentação pra falatório. Que tal?

http://tramavirtual.uol.com.br/noticia.jsp?noticia=7570

Saturday, April 05, 2008 

Sábado, Abril 05, 2008

Mais uma entrevista da séria série "entrevistas com quem você ama"
O Programa Garagem foi até lençóis Paulista em uma tarde ensolarada e cheia de espirros para entrevistar por e-mail o novo fenômeno da música independente nacional. Rafael Castro!

Rafael Castro é de Lençóis Paulista. Músico, compositor e naturista, Rafael era integrante da extinta banda paulista SuperQuase. Hoje, ao lado de sua nova banda, "Rafael Castro e Os Monumentais", lançou cinco discos em menos de três anos.

...

Uma vez fui falar com você e você disse que eu era amigo do Cleyton. Eu não conheço nenhum Cleyton. Você sabe quem eu sou?
Você, não. O Cleiton que eu conheço é com I.

Por que o Superquase acabou? Você se sentiu abalado com o fim do SuperQuase?
O SuperQuase acabou porque o baterista, o Marcelo, saiu da banda porque tinha que trabalhar, fazer faculdade, etc. Daí eu fiquei um pouco desesperado porque em Lençóis Paulista não tem muitos bateristas e de desânimo pra procurar um novo baterista levei a banda ao fim.
(Rafael sorri e responde com uma voz branda e aveludada) Me senti muito mais livre pra compor as músicas mais estranhas, aquelas que dificilmente seriam tocadas pela banda um dia; então fiquei de boa.

Onde você arrumou os Monumentais? E de onde diabos você tirou esse nome?
Eu arrumei chamando caras que já tinha tocado comigo no SuperQuase. Depois do fim da banda eu continuei fazendo os acústicos que sempre fiz com o Cleiton pra levantar uma grana, daí as pessoas que assistiam esses acústicos me torravam pra eu tocar músicas minhas e não isso era a proposta do acústico e, muitas vezes, muito menos a proposta do bar. Os Monumentais são o Filipe, no baixo, e o Marcelo que saiu do SuperQuase, na bateria. O Filipe foi o primeiro guitarrista do SuperQuase, então pode-se dizer que é a mesma banda, reduzida, e com um nome muito mais egoísta e imponente.
O nome "Os Monumentais" eu achei bonito.

Esse lance de falar que você grava tudo em casa, é real mesmo ou é só uma estratégia de marketing?
É real. Gravo tudo em casa com aqueles microfonezinhos de PC, aqueles de plástico que vêm com o micro quando você compra em loja de eletrodomésticos. Isso também é uma estratégia de marketing, mas, convenhamos, uma péssima estratégia. E eu tenho medo disso; (Rafael olha para o próprio pé e espirra) as pessoas podem se encorajar a fazer gravações caseiras toscas e a gente pode acabar sendo bombardeado com mais um lote de música de péssima qualidade.

Recentemente comentamos sobre você no Programa Garagem. Falamos que você é um compositor insaciável. Você concorda?
Acho que concordo. Acabei de compor uma música chamada "Fazenda". Nela eu sou um monte de bicho junto, a voz da bicharia de corte prestes a ser abatida sendo judiada por uma senhorinha fazendeira que eu amo.

Eu sei que você regravou algumas músicas que eram do SuperQuase, mas mesmo assim, foram 5 CDs em três anos. Você pretende seguir esses números?
(Rafael fica embaraçado, pede gelo, vai no banheiro, volta, fuma um cigarro e espirra) Na verdade, foi o SuperQuase que regravou algumas músicas que eram minhas e já pertenciam a esses álbuns; umas três. A grande maioria das músicas que saíram como SuperQuase era o velho Rafael Castro de sempre que continua até hoje.

Podemos esperar no mínimo mais um CD ainda pra esse ano?
Sim, agora que estou voltando pra Lençóis depois de uma frustrada incursão pela capital do meu estado, São Paulo, poderei voltar pro meu quarto, onde gravo as coisas. É muito provável que saia mais um disco completo pra esse ano e um EP no estilo da "Serenata do Capeta", com regravações da fase super-tosca antes do "Fazendo Tricot" que não foram publicadas.

Você pretende lançar um "The Best of Rafael Castro e Os Monumentais"?
Acho que não tem porque. Qualquer pessoa com banda larga baixa tudo lá do Myspace e cria seu próprio "Best Of Rafael Castro e Os Monumentais" em alguns minutos.

De onde você tira tanta música? São fatos reais?
Eu sou vagabundo por natureza. Odeio trabalhar, mas também odeio que me chamem de vagabundo; daí eu fico fazendo uma música atrás da outra pra dizer pra mamãe que eu estou trabalhando – ela acredita, canta junto e até já participou de gravação, papai também. (Rafael não se agüenta quando começa a tocar "Beat It", vai dançar e volta) Em síntese eu tiro as músicas da pressão familiar.
Muitas músicas são frutos de experiências reais, sim. É melhor não dizer quais exatamente seguem essa premissa porque ninguém mais gosta de roqueiro sociopata transviado.

Você realmente sente saudade do seu cabelo?
Quando eu fiz a música eu realmente sentia falta dele, sem cabelo eu sou um boboca, o cabelo escondia isso por uns minutos. Hoje eu sou um boboca orgulhoso.

Tem fobia aguda de pessoas que batucam mal?
Acredito que todas as pessoas têm fobia aguda de pessoas que batucam mal, até mesmo as pessoas que batucam mal. É só uma questão de se atinar a isso. Da próxima vez que alguém batucar perto de você, certifique-se que há um amigo não-fóbico pra te impedir de arrebentar a cara do sujeito. Afinal, pra quê batucar? (Rafael derrama uma lágrima) PRA QUÊ?

Você votaria no Silvio Santos para presidente?
Sim. Ele faria aviõezinhos de dinheiro público ou daria a grana depois que um cidadão cumprisse alguma tarefa divertida; tudo isso seria filmado, televisionado e a popularidade dele só aumentaria, governando o país por uns 100 anos, formando a dinastia Abravanel. Gosto de círculos viciosos.

Na música "Sobre A Problemática Global" você diz que nunca esteve na Somália e nunca vai querer estar. Qual é o teu problema com a Somália? Um de nossos estagiários veio de lá e não gostou da piada.
Passa o endereço do estagiário e eu mando uma cesta-básica pra ele com um cartãozinho amistoso.

Você costuma embebedar as garotas para facilitar o flerte?
Descambando com a idéia de me dissociar da imagem de roqueiro sociopata transviado, sim. Mas isso porque a idéia da música gira em torno da sonofilia. Embebedar garotas pra elas ficarem fáceis é coisa de gente bonita, saudável.

Você fez isso com sua vizinha?
Minha vizinha é minha avó. E não.

Alexandre Gaioto, um de nossos apresentadores é leitor assíduo de Oscar Wilde, o que você tem a dizer pra ele?
(morrendo de vergonha, rindo com o maior dos desdéns, virando e pedindo um drinque ao João) Alexandre! Me acompanha num assobio?

Você tem vários fãs. Não apenas em Lençóis Paulista, como por exemplo a Pámela, de São Paulo.
Pois é, os fãs vão se espalhando por aí, isso é bonitinho!

Você tem fãs em Maringá?
Não sei dos fãs de Maringá. Se tiver algum, mando um salve, salve, simpatia!

Existe algum fã fanático extremista? Já atiraram objetos no palco?
Não. Fanático extremista, não. Geralmente eu convido os meus fãs pra almoçarem em casa e quebro totalmente qualquer estereótipo de deus servido com oferendas. Em contrapartida eu já atirei objetos do palco e deu merda.

Já vi uma comunidade no orkut de sua autoria, na qual você sugeria que as pessoas de Lençóis Paulista andassem peladas. Além disso, você tem algumas fotos espalhadas pela internet, nas quais você possivelmente está nu. Qual é o seu lance com a nudez?
(Rafael tem um ataque de espirros) Nudez, nesse caso, é muito mais um lance de alcoolismo do que de filosofia naturalista. Acho que todas as pessoas quando bebem querem fazer besteira e ficar nu em público é uma beleza de besteira. A comunidade é nada mais que um incentivo às pessoas, pra que entrem em enrascada e saiam um pouco de suas vidas felizes e tranqüilas que eu tanto invejo. Além disso é muito mais fácil flertar sua amiga se, além de bêbada, ela já estiver nua. Aliás, isso tudo é óbvio.

Qual a melhor atriz pornô?
A que a gente pode transar antes, durante ou depois de ver o filme.

Você ouve ou já ouviu o Garagem? Ou não tem nem idéia de porque eu estou te fazendo essas perguntas?
Ouvi alguns programas com o SuperQuase, depois de descobrir que tínhamos sido veiculados por aí. Eu toquei em algum programa? Tou por fora. (Rafael espirra)

http://programagaragem.blogspot.com/2008/04/mais-uma-entrevista-da-sria-srie.html