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Gira Lua



Last Updated: 3/1/2009

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Wednesday, December 16, 2009 
Que vida de merda, acreditem, nessa madrugada eu estava sentado na minha mesa de "estudos" em frente ao computador tentando me masturbar para umas fotos da Vera Fisher na decada de 80, quando comecei a lembrar da minha infancia em Barra Mansa.
Na esquina da rua que eu morava tinha um bar com uma curiosidade,  toda sexta feira de número impar o espirito das 7 caveiras baxava na Dalva, (a dona do buteco) e ela saia de sutiã e calcinha pela estrada de terra gritando...Eu lembro das crianças da vila, um dia antes do acontecimento comentando:
-Amanhã vai ter desfile ...
Era uma alegria só, a mulecada se juntando no morro em frente, no final da tarde, parecia gol do Brasil em época de copa do mundo.
Ah! bons tempos aqueles ...
Por isso eu digo, melancolia de mais, faz broxar.
E que fique bem claro, não foi culpa da Vera, o problema, sou eu .


Gabriel Gouvêa O Maléfico.


Tuesday, December 15, 2009 
Caralhooo, estava escutando Jon Bon Jovi agora mesmo, e vi que a vida é muito mais que passar em uma escolinha de merda ...
Azar se ela é a medicina de formação de atores do país, a menina dos olhos de ouro da eca, e daí se o Paulo Betti se formo lá, hoje em dia ele fica por ai fazendo pontinha na globo, e olha que eu ja vi ele nas novelas da Record ...
Quem ? Marisa Orth ? Ela como atriz é uma otima apresentadora de bbb.
Ney La Torra ? Neila Torraca?... desculpe não conheço .
Ja dizia Gina para Tomi:
-Levanta dessa cadeira e vai aranjar um emprego porque eu não aguento mais ser garçonete e sustentar a casa .
Que bosta, odeio me emocionar escutando Bon Jovi .

Prazer,
Gabriel Gouvêa O Maléfico.

Tuesday, July 21, 2009 

Delírio.

 

A realidade é um grande texto em branco. Cada leitor a preenche com o que acha melhor.

Cada mocinha e cada herói são feitos de um jeito, e sofrem de inúmeras crises de paralaxe, concordância e coesão.

A realidade é um pote cheio de nuvens nas mãos de um garoto que corre.

Cada esquina e cada marquise tem um cheiro e uma textura própria e que o digam a prostitutas e mendigos e todos os habitantes invisíveis de nossos dia a dia. Que o digam as meninas de doze anos que usam crack nas portas dos bancos fechados de madrugada, que o digam as freiras que tocam violão em frente a um hotel às sete da manhã, que o digam as professoras passivas e os alunos sonolentos.

A realidade é que na realidade somos uma grande obra de ficção de nós mesmos. Somos as nossas fantasias embaladas num plástico a vácuo.

Somos as reprimendas de nossos pais aliadas aos desejos de consumo inoculados pela televisão.

Somos a geração sem geração, somos os diretos descendentes de nós mesmos do dia de ontem, esperando lembrar quem somos hoje, pra que amanhã tenhamos esperanças de ser, finalmente.

 

M.L.B.T – 22/07/2009

Thursday, May 28, 2009 

Acomodado


digam que foi desgosto
ou uso excessivo de aposto

Digam que foi a fantasia que eu usei
e que acabou rasgada porque emprestei

digam que foram as rimas
que ficaram sem rimar

Digam que foi sinusite
ou que fiquei assim por causa de gastrite

Digam o que quiser, mas não me perguntem
porquê eu fiquei assim.

M.L.B.T

Tuesday, April 28, 2009 

O medo


O medo precisa de um rosto
ou de um ditatorial alto posto
De forma que de lá do alto
reverenciêmo-lo, sabendo por onde ele se move.

O medo é um virus, uma bactéria,
uma artéria que explode no meio da rua,
que faz pessoas usarem máscaras mais óbvias
em nosso cotidiano.

Temos um medo em algum lugar,
escondido nas narinas do nosso vizinho,
Sorrateiro, sussurrando um terror baixinho
espreitando a deixa pra entrar.

M.L.B.T - 28/04/2009

Monday, April 06, 2009 
........................

No sumidouro do espelho

Preciso me falar algo. Não sei o que é ainda, mas preciso.


 Calma...Calma...Respire
fundo.


Você não é especial. Você erra. Repita depois de você mesmo:


“Eu não sou especial. Eu erro”.


Se sente melhor?


Na realidade ainda não.


O que mais eu posso fazer por mim mesmo?


Não sei. Talvez ficar quieto um pouco.


Mas qual o efeito prático pra isso tudo?


Isso tudo o quê? Eu tenho só esses minutos aqui comigo no
bolso. Isso tudo são lembranças, memórias, o resto é especulação e ansiedade.


E o que eu faço com eles?


É só não se esquecer de respirar, comer de vez em quando,
beber bastante água e esperar passar.


E depois?


Depois... Depois... Não sei.


Então o quê eu vim fazer aqui?


Aqui onde? Você está se ouvindo apenas. Nem é um lugar
físico pra ser sincero.


Hmmm entendo.


É, amigo, te vejo mais tarde.


.. M.L.B.T - 6/04/2009
..




Wednesday, April 01, 2009 
[Auto crítica]

Feito bala, perdida.

Quel é seu ponto ?
Sua alça de mira ?
Sua cabeça cheia de nuvens
ou seu passo incongruente?

Qual é a sua causa ?
No que é que você se atira ?
Você se preocupa com seus cacos
ou só gosta do prazer da queda ?

Te dizem "Cresça!", Te dizem "Suma!"
Mas ao final do dia, o que você adia ?
Cresceste hoje ? Ou sumiste deixando
apenas a fumaça, o estampido
e o zumbido no ouvido ferido
de quem te ouve?

M.L.B.T. - 31/03/2009



Sunday, March 29, 2009 


Ninguém se parecia muito com ninguém, fulano e ciclano eram totalmente distintos e antipáticos, os cumprimentos eram feitos quase que a quilômetros de distância e todo mundo tinha desistido de tudo. Éramos uma banda.
Nossa banda era a próxima a tocar. Uma estupidez.Eu gritava feito um imbecil e geralmente me sentia imensamente bem, sempre fui um fã dos extremos, por isso punk. Quando não estava quieto de saco cheio estava gritando meu vazio, coisa bonita de se dizer, mas muito desconfortável na verdade.
Nossas apresentações eram sempre um desastre e isso alegrava muito o público, todos com o símbolo da anarquia até na alma, e com muita preguiça...é claro.
- Depois dessa música vocês entram! Disse o organizador do festival.
- Tá.- Eu respondi.
E foi assim, entramos os quatro, sem muita perspectiva, sempre. Falamos alguma coisa no microfone. O cara do Bongô recitou aquela poesia do porquinho da índia do Manuel Bandeira, e as pessoas riram, depois o Guitarrista tocou uma melodia dos beach boys que não saiu no microfone, e ninguém ouviu, o rapaz do baixo tocou um riff do Alice in Chains e eu gritava uma letra do Nelson Cavaquinho, eu acho. Tudo ao mesmo tempo. O público vibrou. Desligaram nossos microfones depois de duas outras músicas. Nossas apresentações eram desastrosas. Saímos e fomos tomar sorvete. O público vibrava...

  



Saturday, March 28, 2009 



Carmenère

Sinto coisas que não sou
capaz de escrever.

Pudor,  pelos cortes que posso causar.

Arritmia.

Sinto uma poesia sem
palavras, que me mede inteiro,

Que me põe à prova a cada
gole de vinho,

Que me deixa tonto feito
álcool, mas que me

Elucida a cada olhar que
troco no espelho.

Sou velho demais pra ter
essa juventude!

Sou responsável demais pra
ser tão arredio! Tão arrogante!

Sou fraco, só pelo fato de
me pensar como forte,

Como um mensageiro que leva
a mensagem mais importante da sua vida

E que morre pelo caminho num
duelo por uma dama que nunca seria sua.

Sou convoluto demais pra
saber algo sobre mim... vitória.

Sou óbvio, cínico, triste e com
meia garrafa de vinho chileno.

.. ..

M.L.B.T - 28/03/2009....



Saturday, March 28, 2009 


....................

Cada barco com seu remo. ....



A representação inclusiva das mais variadas inserções meta-fisiológicas
de nossos sonhos nada mais é do que a fantasia de que tentamos não nos convencer
de que, por si própria, é desejo mascarado, incrustado numa linguagem
fria.



Sabendo que, por mais vocabulares que sejamos, ainda temos a
admirável apreciação pelo intocável, pelo moralmente incorreto, pelo limitado
por nossos valores cultivados em cada esquina que dobramos, como fosse um
palavrão, como fosse um rompante de fuga, de juventude, como fosse um último
suspiro de infância... De criança que ainda faz a arte e se arrepende depois.



Chame-se a isso de quinhão, sina,ventura.



Cada qual com sua divisão, com sua linha na areia, com sua
trinca na pintura vazando aquela água fina que deixa como que um desfiado no
tecido que nos mantém, por assim dizer, de pé.



Se a possibilidade de que sua arte de criança fosse
realizada, você escolheria? Arrependimento versus aprendizado? Compromisso
versus aventura? Desejo versus desejo ?



Não há espaço para perdão... Não há. Simplesmente se carrega
o fardo, arqueia-se os ombros um pouco mais e se decide em que momento a
fraqueza é mais forte que seus últimos impulsos de tônus muscular, de preparo
psico-fisiológico e se entrega à mais sublime embriaguês de humanidade,
confiando de que do outro lado se há um outro ser da  mesma espécie de fibra que o trouxe até o
outro lado da margem, da terceira margem. Lá há um barco que sempre passa
durante os nossos sonhos mais selvagens e nos trás de volta à realidade servida
de café e jornal matinal.



.. ..



M.L.B.T – 28/03/2009