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OUTROROCK



Last Updated: 9/28/2009

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Status: Single
City: Belo Horizonte
State: Minas Gerais
Country: BR
Signup Date: 5/28/2008

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Thursday, May 29, 2008 

FESTIVAL OUTROROCK - TESE

 

FAZER OUTRO ROCK EM BH

 

ROCK = BELO HORIZONTE

Não há como dizer quando foi criada a primeira banda de rock de Belo Horizonte. Qual era o seu nome? Suas influências musicais? Seria um "power trio", um quarteto, ou um combo? Onde foi o primeiro show? Os integrantes deste embrião da cena mineira certamente não imaginavam que, algumas décadas depois, ela se tornaria uma das maiores do Brasil e ecoante em todos os continentes do mundo. O rock mineiro é referência desde os experimentalismos do Clube da Esquina, passando pelo hard rock dos anos 80, pelo heavy metal e pop rock de alguns grupos que ganharam cadeira cativa sob o sol.

 

A capital de Minas Gerais é a sexta cidade mais populosa do Brasil segundo o último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os quase dois milhões e quinhentos mil belo-horizontinos, é tarefa fácil encontrar aqueles que tenham sua banda. Cada esquina, cada bairro, cada favela da cidade tem seus muitos roqueiros e suas guitarras, baterias, microfones, sopros, percussão e sintetizadores, fazendo música com dedicação e cuidado. Se há algo que diferencia o roqueiro de Belo Horizonte dos demais é a sua preocupação com o rock que está fazendo.

 

UMA CENA DOENTE

Junho de 2008. Apesar da quantidade e da qualidade, o rock mineiro sente que a cena não é o que os roqueiros esperam. Pouco incentivo da iniciativa privada e do poder público, dificuldade na formação de uma cadeia sustentável de produção e, principalmente, desarticulação completa entre os artistas são os sintomas mais visíveis deste diagnóstico.  A cena está doente. Frequentemente encontra-se um roqueiro disposto a buscar o reconhecimento de seu trabalho em outras praças, como se fosse preciso sair de Belo Horizonte para dar certo. Apesar das dimensões da capital, os lugares para apresentações são poucos e quase todos em uma mesma região da cidade. Conquistar público é um grande desafio, pouquíssimos artistas conseguem mais de uma centena de ouvintes em um show regular. Os festivais promovidos por casas noturnas, veículos de comunicação, lojas de discos e outros valiosos parceiros, chegam a causar boa repercussão, mas não suficientes para garantir, sozinhos, alguma sustentabilidade à cena.

 

A pior constatação deste panorama é: as bandas de rock de Belo Horizonte não se prestigiam. Freqüentam os mesmos espaços, tem afinidades em comum, mas não comparecem aos shows uma das outras, tampouco colaboraram com as carreiras de seus afins. O resultado é um mosaico de pequenas iniciativas individuais, quase sempre sem sucesso em longo prazo. A cena não circula em si própria, a cena está obstruída.

 

FAZENDO OUTRO ROCK

A produção e consumo de música no Brasil passam por um momento ímpar e talvez decisório para os anos futuros. A recente crise do mercado fonográfico, o crescimento da internet como meio de divulgação e consumo de música, além do maior acesso às ferramentas de produção artística estão promovendo uma mudança de paradigma. Sai o artista que almeja muito dinheiro, fama exorbitada e pouco trabalho, entra aquele disposto a atuar coletivamente, agregar, compartilhar, esforçando-se em diversas frentes da cadeia produtiva para a construção de um cenário sólido e sustentável. Os melhores resultados deste tipo de ação estão sendo conquistados longe da região sudeste, em estados como o Mato Grosso, Goiás, Acre e outros onde os artistas organizam-se solidariamente.

 

Em novembro de 2006, os artistas de Belo Horizonte ensaiaram uma ação nestes moldes: o festival Primavera Rock. Seis bandas independentes da cidade, dois convidados de outros estados e muita expectativa em inserir a capital mineira no novo circuito da música nacional. Todo esforço acabou frustrado na véspera, com a interdição da casa noturna onde os shows seriam realizados, devido à irresponsabilidade dos donos. Ao invés de sucesso, compartilhou-se prejuízo entre as bandas organizadoras.

 

FESTIVAL
Desde então, os músicos que sofreram a perda, assim como aqueles que têm circulado o Brasil conhecendo as experiências de outros estados, planejam uma nova ação. Após uma série de encontros formais e informais, o amadurecimento de idéias e o estudo da conjuntura da cidade, chegou-se a uma nova proposta em junho de 2008: Um novo festival, desta vez gratuito, com artistas belo-horizontinos e apoio da Prefeitura Municipal. O objetivo: criar Outro Rock em Belo Horizonte, promover uma nova consciência de articulação entre as bandas, público e parceiros, para pleitear melhores oportunidades e condições na produção artística da capital.


O festival OUTROROCK acontece através de uma experiência integrada. As bandas participantes atuam juntos em todas as etapas de produção. Da divulgação à organização de palco, da logística à venda de CD's e camisetas, todo esforço dividido para um bem comum. Articulação é a palavra de ordem, para inverter a lógica de marasmo vigente na cidade. A Prefeitura Municipal de Belo Horizonte entra como parceira, patrocinando esta ação por entender o rock como bem cultural legítimo e importante da cidade, corroborando com a iniciativa dos artistas em desenvolver-se de forma coletiva e integrada. Outro parceiro importante é o Coletivo Fórceps.

 

Desta forma, o festival já nasce atingindo um grande objetivo, fazer a cena interagir entre si. A experiência da união de forças transforma, primeiramente, a consciência dos atores envolvidos, universalizando as demandas e conquistas que vierem a acontecer. É fundamental que todo esse processo seja absorvido da maneira mais completa possível e que os erros e acertos sejam muito bem registrados por todos.

 

O festival é o começo. O fim não será outro. Será o rock de Belo Horizonte.


CAROLINA DIZ, MONNO, CINCO RIOS, UDORA, DEAD LOVER'S TWISTED HEART, ENNE, ÍMPAR, TÊNIS, SLAMA, PARALAXE, PÊLOS DE CACHORRO, ANTENOFOBIA, COLETIVO FÓRCEPS