A torcida rubro-negra chegou confiante ao Maracanã e já cantando
vitória: “Vamos ser campeões, vamos Flamengo”. E antes mesmo de a bola
rolar, a torcida rubro-negra já anunciava o que iria acontecer na tarde
deste domingo. Só não espera sofrer tanto. O título teve, novamente, um
herói. O goleiro Bruno defendeu três pênaltis (um de Victor Simões no
tempo normal e outros dois, de Juninho e Leandro Guerreiro, na decisão
por pênaltis) e como em 2007 virou o personagem da decisão. O Flamengo
chegou a abrir 2 a 0 no primeiro tempo com gols de Kleberson, mas
permitiu a reação alvinegra no segundo tempo. Assim como no primeiro
duelo, a partida terminou empatada por 2 a 2. Mas aí o camisa 1
rubro-negro fez a diferença, pegou dois pênaltis e o Fla garantiu o
quinto tricampeonato de sua história ao vencer por 4 a 2.
Com o título, o Flamengo assumiu a hegemonia do futebol carioca. Com
31 conquistas, o Rubro-negro passou o Fluminense pela primeira vez na
história. E se em 1999-2000-2001, a vítima foi o Vasco, desta vez
será o Botafogo quem vai ficar com a sina de ter perdido as três finais
seguidas.
O técnico Cuca se livrou do estigma de nunca ter conquistado um
título importante na carreira. Em 2007 e 2008, o treinador foi
vice-campeão com o Botafogo e após a conquista da Taça Guanabara
escutou a antiga torcida gritar “Vice é o Cuca”. Por outro lado, Ney
Franco permanece com o incômodo tabu de jamais ter vencido o Flamengo
em dez jogos disputados.
A partida deste domingo foi também a última da carreira do capitão
rubro-negro Fábio Luciano. O zagueiro, que completou 34 anos na última
quarta-feira e levantou a taça, prometeu encerrar a carreira após a
decisão do Campeonato Carioca.
Parecendo não acreditar no time, a torcida alvinegra, mais uma vez,
decepcionou. O setor amarelo da arquibancada estava completamente
vazio. Por isso, a festa era rubro-negra, que gritava o nome de Adriano
antes da partida. O Imperador acertou a volta ao clube esta semana.
Moeda para o alto e Juninho ganhou a disputa com Fábio Luciano.
Parecia ser um bom sinal. O capitão alvinegro escolheu o campo do lado
direito das cabines de rádio. E a partida começou com 12 minutos de
atraso.
No Flamengo, Cuca surpreendeu ao barrar Zé Roberto e escalar o jovem
Erick Flores no ataque ao lado de Emerson. Sem Maicosuel e Reinaldo,
machucados, Ney Franco precisou mudar bastante o esquema do Botafogo. O
treinador apostou no 3-6-1, com Victor Simões isolado no ataque. No
início, a tática até deu certo. E nos primeiro 15 minutos, o Alvinegro
chegava com mais perigo ao ataque. Leandro Guerreiro recebeu bom passe
pela direita, entrou na área e chutou cruzado. Para a sorte
rubro-negra, a bola explodiu em Fábio Luciano e foi para fora.
Botafogo também arriscava com a chegada surpresa do zagueiro Juninho
ao ataque. Nos primeiro minutos, o capitão alvinegro deu dois chutes
contra o gol de Bruno da intermediária, mas sem direção. Nas cadeiras
especiais, Reinaldo sofria.
- É muito ruim ficar fora do jogo. Mas tenho que passar força aos meus companheiros - disse o atacante alvinegro.
E o desespero aumentou quando Emerson errou uma cabeçada e permitiu
um escanteio para o Flamengo. Justamente o zagueiro, que nos últimos
dois jogos participou decisivamente de dois gols para o adversário. Na
cobrança, Juan cruzou para a área e Renan saiu mal do gol. Leandro
Guerreiro tocou de cabeça para o alto. A bola sobrou para Kleberson,
que cabeceou encobrindo o goleiro. E Ronaldo Angelim deu um carrinho
para completar para o fundo da rede. Flamengo 1 a 0.
Na comemoração, os jogadores correram para abraçar Kleberson.
O juiz Péricles Bassols também apontou para o quatro árbitro creditar o
gol para o meia. Mas o verdadeiro autor foi o zagueiro, que tocou na
bola antes de ela entrar. E Angelim voltou para a defesa correndo
sozinho, de braços abertos, em uma comemoração particular. Até o placar
eletrônico anunciava o gol para Kleberson.
Após o gol, o Botafogo tentou buscar mais o ataque. Mas,
desorganizado, não levava muito perigo. Aos 31 minutos, Tulio Souza
cobrou uma falta de muito longe. Mas o goleiro Bruno estava antecipado
pensando que a bola seria cruzada para a área e foi surpreendido. A
bola encobriu o camisa 1 e bateu no travessão.
Mas o Alvinegro insistia cometer um erro fatal: fazer muitas faltas
na entrada da área. Em uma delas, cobrada por Juan, Emerson quase
desviou e o goleiro Renan espalmou no susto. Na segunda, não teve
jeito. Em jogada ensaiada, Ibson rolou, Juan abriu as pernas para a
bola passar e Kleberson apareceu soltando a bomba. A bola desviou em
Alessandro, que saiu da barreira, e encobriu o goleiro Renan. Flamengo
2 a 0.
O clima esquentou. Nas cadeiras inferiores, policiais batiam
covardemente em torcedores alvinegros. E o primeiro tempo terminou com
o Flamengo com a taça na mão.
Para o segundo tempo, o técnico Ney Franco arriscou tudo. Tirou o
zagueiro Emerson e colocou o meia-atacante Jean Carioca. E a sorte
parecia mudar. Logo no primeiro minuto, Victor Simões chutou e Juan
colocou a mão na bola dentro da área. O árbitro Péricles Bassols
corretamente marcou pênalti.
O atacante pegou a bola para bater. Mas o chute foi fraco, no canto
esquerdo. Bruno foi bem e defendeu. Os jogadores do Flamengo correram
para abraçar o goleiro, que em 2007 brilhou na decisão de pênaltis
contra o Botafogo. Na arquibancada, a torcida homenageava e gritava
“Bruno é o melhor goleiro do Brasil”.
O Botafogo não desanimou e partiu para o desespero. Victor Simões
perdeu outra oportunidade dentro da área. Chute por cima do
travessão. Aos 11 minutos, Cuca tirou Erick Flores e colocou Obina. Mas
o Flamengo não melhorou.
E o que parecia improvável aconteceu. O Botafogo empatou em três
minutos. Aos 16 minutos, falta na entrada da área do Flamengo. Juninho
foi perfeito. Em vez da força, a categoria. Cobrança no ângulo direito
de Bruno, que se esticou todo e não conseguiu tocar na bola. Um lindo
gol. Aos 19, Leandro Guerreiro afastou um bola da defesa, Alessandro
desviou e Túlio Souza surgiu livre na frente de Bruno. O meia tocou por
cima do goleiro e empatou a partida: 2 a 2.
A pequena torcida alvinegra explodiu de alegria. Ney Franco pulou
como um louco na área técnica. Já do outro lado, Cuca passava a mão na
cabeça, reclamava, parecia não acreditar no que acontecia.
Após o gol, o Flamengo acordou. E usava a bola parada para
pressionar. Toda falta perto da área era um desespero para a defesa
alvinegra. Ibson chutou forte e Renan fez uma difícil defesa espalmando
para fora.
O Botafogo passou, então, a segurar mais a bola e deixar o tempo
passar. A pressão rubro-negra aumentou nos últimos cinco minutos. Ibson
quase marcou em um chute da entrada da área. Depois, Josiel partiu
livre pela esquerda e cruzou para Obina. Juninho cortou antes da
conclusão. Aos 46, Juan cobrou falta. Dezessete jogadores na área.
Renan espalmou para escanteio.
Aos 48 minutos, o zagueiro Fábio Luciano tentou concluir para o gol
com a mão. Acabou expulso. E o jogo terminou. A decisão iria para
os pênaltis.
Com o fim da partida, o zagueiro Fábio Luciano voltou para o gramado e
passou a dar força aos companheiros. A arbitragem errou feio ao
permitir ao zagueiro, que foi expulso, ficar em campo. O capitão ficava
ao lado de Cuca para escolher os cobradores. E participava ativamente
da conversa com os jogadores. Sem ser incomodado por ninguém.
Os cinco cobradores do Flamengo foram escolhidos por Cuca:
Kleberson, Juan, Aírton, Léo Moura e Ibson. Já Ney Franco optou por Léo
Silva, Juninho, Gabriel, Leandro Guerreiro e Victor Simões.
O Flamengo começou a série. Kleberson chutou forte no canto direito
de Renan, que ainda tocou na bola. Mas não defendeu: 1 a 0. Léo Silva
veio em seguida e deslocou Bruno. Bola na esquerda, goleiro na direita:
1 a 1.
Juan foi o segundo rubro-negro. Boa cobrança no canto esquerdo: 2 a
1 Flamengo. Chegou a vez, então, do capitão Juninho. E o zagueiro,
assim como na decisão por pênalti do Carioca de 2007, decepcionou. Uma
bomba no meio, que o goleiro Bruno defendeu. O Rubro-negro ficava em
vantagem.
Aírton aumentou o placar ao cobrar bem o terceiro pênalti. O garoto
Gabriel diminuiu: 3 a 2.. O Botafogo dependia de um erro do Flamengo
para seguir vivo na disputa. Mas Léo Moura bateu bem no ângulo: 4 a 2.
Se Leandro Guerreiro perdesse a quarta cobrança, o título era do
Flamengo. E o volante não suportou a pressão. Bateu mal, no canto
direito, e Bruno defendeu. O Flamengo era tricampeão!!! Todos os
jogadores correm para abraçar o camisa 1. E a torcida rubro-negra não
perdoou: “Vice de novo!” gritou para os alvinegros, que saíam
tristes do Maracanã. E anunciava orgulhosa com uma faixa na
arquibancada: a hegemonia é nossa!