Hoje é um bom dia para publicar o primeiro vídeo de uma apresentação da The Dancing Demons, 13 de maio. Dia de Pretos Velhos, a entidade máxima na umbanda, figuras que representam a sabedoria da experiência. Que conhecem os caminhos de Aruanda, o poder das benzeduras, das ervas, da amizade, da compaixão. Esses negros velhos que a gente vê por aí, desconhecidos, tios, avós, pais de cabelos brancos, movimentos lentos, olhar reflexivo e de sábias palavras.
Também em 1888 neste dia foi assinada uma lei. Decreto postergado por quase cem anos. Acordos descumpridos pelo Império brasileiro sucessivas vezes, mas diante da pressão internacional a outorga da lei foi inevitável. Mas o país já estava se preparando para entrar em uma nova era, se tornar efetivamente parte do grande mercado consumidor capitalista, uma nação de homens livres para consumir. Para isso imigrantes foram cooptados em diversos países europeus, excelente tática: trocar favores com os poderosos e clarear a nação.
Após isso foi fácil a Princesa Isabel só precisou assinar a Lei Áurea e os donos de terras e escravos esvaziarem suas senzalas jogando os negros a sua própria sorte encontrando a mão-de-obra barata e especializada no plantio e no cultivo do imigrante europeu. Com as grandes propriedades nas mãos dos Senhores e as pequenas doadas a imigrantes, sem direito a posses de terras não sobrou muito ao negro além da mendicância e o trabalho pesado e pouco ou não remunerado, na base da troca por hospedagem e comida.
Nasce assim o país livre, e tradição dos empregados domésticos, o povoamento das periferias a marginalização. Também nasce mais um mito, uma heroína brasileira que em, um ato de compaixão e extrema nobreza libertou os negros escravos brasileiros: Princesa Isabel, salve!
Salva de bala na cara! Na cara de quem escreve e ensina esta falácia nas escolas. Viva Zumbi! Viva Palmares!
Viva a quem tem consciência de sua negritude não a esconde e não espera favores. A miscigenação não tira a raça nem a história de ninguém. Salve o afoxé, salve o metal, salve o afoxetal! Saravá!
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