Paralamas tocam em SP e prometem DVD ao vivo
por Eduardo Lemos
“Brasil
Afora”, a nova turnê dos Paralamas do
Sucesso, voltou a São Paulo neste último sábado, no HSBC Brasil, e mostrou aos
paulistanos porque a banda recebeu o prêmio de Melhor Show do Ano no Vídeo Music Brasil de 2009. Mesclando canções
do novo trabalho e criações obscuras com clássicos de sua carreira, o trio
formado por Herbert Vianna (guitarra e voz), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone
(bateria) fez o público presente cantar, dançar e, ao final, esquecer que o
local estava tomado de mesas e cadeiras, transformando o espaço em um
verdadeiro carnaval.
Após o show, Bi
Ribeiro estava satisfeito e disse sentir uma diferença entre a estreia da nova
turnê na capital paulista, em junho, e o show deste sábado. “As músicas parece
que estão mais encorpadas, principalmente as do último disco”, afirmou. João
Barone foi pelo mesmo caminho. “A gente saiu do palco hoje falando isso, que
está bem melhor que da outra vez”. O
baterista, aliás, disse que a banda pretende registrar este novo show em DVD.
“A gente está pensando nisso pra o ano que vem. Não temos muita coisa em mente
no momento, mas a idéia é fazer algo incomum. Talvez tocar em um lugar que os
Paralamas nunca se apresentaram”, revelou. Nos bastidores pós-show, Herbert
Vianna tirava fotos e dava autógrafos enquanto perguntava a todos que lhe
chegavam perto: “Como estava o som pra vocês ali? Deu pra ouvir legal?” A este
repórter, o flamenguista roxo Herbert falou da ausência do atacante Adriano no
jogo de seu time neste domingo, disse confiar no título e cornetou os
fluminenses João Fera e João Barone.
Show faz viagem pela carreira da banda
“Brasil Afora”
tem algumas mudanças interessantes: de primeira, o que se nota é o cenário que
fica atrás dos músicos, uma espécie de cortina gigante toda feita à mão e com
riqueza de cores, que dá mais sentido ao nome do novo trabalho do trio e à
brasilidade das canções dos Paralamas. E é com a mistura entre Salvador e Rio
de Janeiro, em uma parceria do grupo com Carlinhos Brown, “Sem Mais Adeus”, que
a banda completa abre o show – além do trio, estão no palco João Fera
(teclados), Bidu Cordeiro (trombone) e José Monteiro Jr. (sax-tenor).
Em seguida, os
Paralamas recordam “Severino”, o disco menos vendido do grupo, com a dançante
“Dos Margaritas”, que logo é emendada com “Pólvora”, de fazer dançar até as madames
mais comportadas. Na sequência, os Paralamas viajam dez anos em sua história e
fazem dançar: primeiro é “O Beco”,
sucesso de 1988 que, dizem os fãs, tem sua melhor versão na atual turnê e “Ela
Disse Adeus”, de 1998, que consegue levantar o público ainda intimidado com o
esquema de mesas nada condizente com o clima do espetáculo.
Já dizia Jorge
Ben Jor: “Botava o Paralamas pra tocar pra ela...”. Clima de romance no ar, e a
banda ataca com “Cuide Bem do Seu Amor”, do primeiro disco pós-acidente de
Herbert Vianna, e com “Romance Ideal”, de 1984, que brilha ainda mais com o
atual arranjo destacando os teclados de João Fera. Aos poucos, o público começa
a se soltar; a banda parece perceber e ataca com dois ska-samba que só eles
sabem fazer: a menos conhecida “Bora Bora” (1988) e o sucesso “Perplexo”, de um
ano depois.
Hora de o
relógio paralâmico avançar 20 anos e apresentar mais duas canções do novo
trabalho: a simpática “Meu Sonho”, com arranjo de metais lembrando/citando Tim
Maia, e “A Lhe Esperar”, maior sucesso do álbum até o momento. “Calibre”, de
2002, faz os Paralamas voltarem ao tripé baixo-guitarra-bateria; assim como no
já distante Rock in Rio, em 1985, o trio mostra um entrosamento e uma dinâmica
em níveis difíceis de se atingir; fica a dica para algumas bandas atuais.
Eles brincam
com “Town Called Malice”, do The Jam, antes de começarem “Meu Erro”. É
interessante ver como de repente o clima do show muda, todos os presentes
cantam e a própria banda, que toca esta canção há 25 anos, também se contamina
por “essa paixão que se renova”. Ao fim de “Meu Erro”, hora de uma pequena
pausa, e agora João Fera deixa os teclados e assume o violão, Herbert põe a
guitarra de lado e também pega um. Bi Ribeiro assume o baixo acústico e João
Barone sai de trás de sua imensa bateria para tocar, em pé, em apenas um bumbo
e uma caixa.
O set acústico
começa com “Mormaço”, a melhor música de “Brasil Afora”, e surpreende com o
efeito da súbita e proposital queda do cenário para a chegada de outro, mais
rústico, com tons de marrom. Logo os Paralamas emendam “O Rio Severino”, canção
difícil de 1994, mas que já apontava os rumos da lama e caos que viria a marcar
parte da música brasileira daquela década. Em seguida eles tocam
“Caleidoscópio” e “Uns Dias”, a primeira em versão ainda mais calma que a
gravada para o Unplugged da MTV, em 1999, e a segunda com algo à la Led
Zeppelin, diferente da original.
Os Paralamas,
então, voltam para os seus lugares habituais, mas não aos seus hábitos. Quem
apresenta a banda, dessa vez, é João Barone. O baterista brinca com todos os
músicos que acompanham a banda há tempos, e diz que vão tocar “uma musiquinha
de uma banda que a gente gosta muito”. Humildes, fazem sua versão para “O
Vencedor”, dos Los Hermanos, com o próprio João nos vocais.
Herbert retoma
seu posto de cantor com “A Novidade”, que no arranjo atual deixaram os falsetes
criados por Gilberto Gil serem um poderoso riff reggueiro de metais. Depois vem
a morna “Quanto ao Tempo”, do novo disco,
que Ivete Sangalo também gravou recentemente e “Lourinha Bombril”, que levanta
de vez todos os presentes da casa. “Alagados” transforma o ambiente comportado
do HSBC Brasil em carnaval de rua, com as mesas sumindo diante da invasão dos
que já estavam cansados de apenas bater palmas. O show é finalizado com a agora
surf music “Uma Brasileira”.
O público pede
e os Paralamas voltam, tocando “Lanterna dos Afogados”. Depois, é a vez de um
medley de “Sonífera Ilha”, dos Titãs, com “Ska”, de Herbert. Dois clássicos
fecham a apoteótica noite: “Óculos”, em que Herbert dá seu recado ao gritar que
“em cima destas rodas também bate um coração” e “Vital e Sua Moto”, que a banda
cita “Every Breath You Take”, do Police. De volta à sua viagem Brasil afora, os
Paralamas terminam sua atual fase com a canção que lhes abriu as portas do
sucesso e mostram que a honestidade em cima do palco ainda é mais poderosa que
qualquer efeito ou feitiço, jogo de luzes ou jogo de cenas. Afinal, música é
alguém tocando alguma coisa e, nessa questão, os que estão ali no palco são mestres
no que fazem.
Fotos e Vídeos do Show: Eduardo Lemos e Rafael Michalawski
Fotos do Show: http://twitpic.com/photos/pds_oficial
Vídeos da Passagem de Som e do Show:
http://www.youtube.com/osparalamasdosucesso