Depois
Com um dos melhores shows de rock da música brasileira independente, a banda leva ao Cinematèque os hits dos dois discos da carreira: Canções Perdidas Num Canto Qualquer e o elogiado Acima da Chuva (ambos lançamentos da Senhor F).
Revelação
Considerada a revelação do Abril Pro Rock 2009, um dos festivais independentes de música mais importante do país, a banda arrumou as malas, deixou Recife e fixou residência em São Paulo desde junho deste ano. E, agora, realiza o sonho de se apresentar no Rio.
Mas, antes de deixarem a cidade natal, o vocalista Bruno Souto conversou com Tathianna Nunes, em entrevista originalmente concedida à revista Coquetel Molotov, e dividiu suas expectativas. Alguma vez você se sentiu incomodado por ser conhecido como "a banda gaúcha" do Recife?
Bruno Souto - Nunca! Isso nunca me incomodou, até porque sei que é algo mais pejorativo a busca de um rótulo. Pode ser ruim para quem vai escutar a Volver pela primeira vez e já faz um pré-conceito do nosso som, mas não temos como evitar isso. Quando comecei a fazer música, tinha que me inspirar em algo. O primeiro disco foi muito espontâneo, ficou pronto rápido e foi calcado em cima de diversas influências, entre as quais se sobressaía o rock gaúcho. As influências são importantes para nos colocarmos em um caminho. Este segundo trabalho foi diferente. Quem for atrás da Volver procurando rock gaúcho neste disco, vai se decepcionar.
O que mudou para a Volver desde o lançamento de Acima da Chuva até agora?
Bruno Souto - Acho que nunca fomos tão citados na mídia como estamos sendo desde que lançamos este disco. Tipo altas resenhas e boas. Não sei se isso se traduz em novo público. Mas mas estou feliz com o que andam falando do disco.
Coloque-se no lugar de um jornalista e procure rotular seu disco.
Bruno Souto - Nunca pensei nisso! (risos) de rotular. Não gosto de ficar pensando em rótulos, deixo esse trabalho difícil com vocês (risos). Acho que vou mais pelo que estava escutando na época em que estava compondo. Novas influências, como o Clube da Esquina e os dois primeiros discos de Beto Guedes que, por sinal, são fantásticos. Bem, não tenho cacife de fazer o que eles fizeram, mas escutei e me inspirei muito neles.
Como essas influências os guiaram para este novo som da Volver? Realmente, quem escuta o primeiro disco e pega este agora, fica positivamente surpreso.
Bruno Souto - O primeiro disco é mais simples, cru nos arranjos, tem certa urgência punk. O segundo é mais maduro, e essas novas influências nos ajudaram a conquistar isso.
O que o inspira na hora de gravar?
Bruno Souto - O que me inspira são as minhas histórias. Escuto muita música e, quando pego o violão, fico tentando algo nele até aparecer uma melodia. O mágico é que a própria melodia chama a letra. Eu sou um pouco monotemático. Grande parte das minhas músicas é sobre relacionamentos, mesmo falando de diferentes perspectivas. O próprio nome da banda, Volver, que significa voltar, vem do trauma da perda, que é um tema recorrente.
Conte um pouco sobre o que você já perdeu.
Bruno Souto - Eu já perdi muita coisa. Principalmente nos relacionamentos em que sempre me joguei muito e tentei fazer algo duradouro. Quando acontecia algo, ficava muito down, acabava comigo. Sou casado há sete anos já. Se acontecer de nos separarmos, vai ser horrível. Até fazendo um parêntese, vou deixar minha esposa aqui para tentar algo em São Paulo. Estou colocando a música em primeiro lugar, até na frente do meu relacionamento. Corro o risco de perdê-la por conta da banda e estou confiando. Voltando, essa relação homem-mulher, rotina, etc. são minhas principais inspirações. Minhas músicas são muitos confessionais. Eu não crio histórias.
Parece que a nostalgia é um dos principais temas do disco. Você é uma pessoa nostálgica?
Bruno Souto - Sim, eu sou nostálgico e a música é a pessoa. A música é o compositor. Por mais que você se esconda por trás de uma história, é algo seu. Eu não me forço para ser assim, é algo natural em mim.
Por que lançar o disco primeiro no MySpace?
Bruno Souto - A parceria com o MySpace foi mediada pelo selo Senhor F Discos e, para a gente, foi muito bom porque, no final do primeiro mês, já tínhamos mais de 30 mil plays das músicas. O que se traduz em uma grande divulgação. O alcance em 1 mês foi bem maior do que toda a primeira tiragem do CD físico, que foi de mil cópias. Lembrando que o disco ficou inteiro (11 músicas) para download, no nosso MySpace, durante 30 dias.
Couvert: R$ 20,00 e R$ 15,00 na lista amiga (
reservascinematheque@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ).
Texto: Tathianna Nunes