23/08 - Rio de Janeiro - RJ
Após três dias da boa e velha rotina, estávamos prontos para a segunda etapa da tour. Os italianos, como bons turistas, já estavam no Rio de Janeiro desde segunda-feira, portanto a gente só precisava encontrar com o Matteo e a Glauce para pegar a van e cair na estrada. Depois de uma viajem que durou a madrugada de quarta para quinta-feira, chegamos ao ponto de encontro: a rodoviária do Tietê. O motorista, Seu Assis, foi pegar a gente lá e em poucas horas já estávamos na estrada novamente.
A viajem foi muito tranquila; o espaço sobrava na van e o silêncio tomava conta. A viajem foi longa, mas chegamos ao Rio cedo o suficiente para resolver tudo — check-in no albergue, deixar os instrumentos aqui, a bagagem ali, encontrar os italianos, arrumar lugar para o motorista e assim por diante. Deu tempo até de comer com calma e deixar o Beto ganhar algumas partidas de Mortal Kombat 2 no Super Nintendo (claro que no final eu fui obrigado tirar ele de lá).
O local do show foi o Audio Rebel, um local que possui estúdios de ensaio e gravação e uma sala própria para shows. Talvez pelo fato de ser uma quinta-feira e nem todos terem o privilégio de poder sair tão cedo do trabalho, o show estava um pouco vazio. Já havia escurecido quando o show começou. Uma banda local subiu no palco primeiro, substituindo o Norte Cartel, que infelizmente não pôde tocar. Não me lembro do nome deles (mesmo depois de ter perguntado aos próprios membros), mas o som soava na linha de bandas como Dag Nasty e In My Eyes e o show foi bem bacana.
Subimos no palco logo em seguida. O som estava muito bom e, mesmo apesar do público ter sido pouco numeroso e participativo, o show foi bom. Vale lembrar que minha correia arrebentou e se não fosse o Fabio, do Watch Your Step, os shows seguintes do Your Fall mais iriam parecer um acústico (valeu Totinho!). O WYS entrou logo em seguida e fez um show muito bom. Mais uma vez ninguém sabia o cover do Judge e pouca gente se mexeu, mas o som estava legal e eles fizeram muito bem a parte deles, como sempre.
Acabado o show dos italianos, outra banda subiu no palco, mas o cansaço era tanto que não cheguei a conferir. Relaxamos um pouco no estúdio e nos separamos novamente; o WYS foi a uma festa e o YF, junto à Glauce e o Matteo, voltou ao albergue — não antes de ir a uma pizzaria enxer a barriga. Vale lembrar que o lugar onde ficamos era uma espécie de albergue alternativo, com uma infinidade de coisas para fazer e uma série de toques especiais que o deixavam com uma cara bem diferente. Os banheiros, por exemplo, eram iluminados por luzes vermelhas, enquanto o corredor principal tinha luz negra. Infelizmente o cansaço e falta de tempo nos levou a dormir sem assistir DVD na recepção, nem jogar Playstation 2, nem mesmo subir no muro de escaladas. Alguns de nós foram tomar banho, enquanto outros simplesmente deitaram e dormiram. Fim do dia, tarefa cumprida.
24/08 - Vitória - ES
Acordamos às 7:30 da manhã da melhor maneira possível; meu despertador tocou escandalosamente, acordando não só nós, como as outras cinco pessoas que dormiam no mesmo quarto. Quem não havia tomado banho aproveitou a brecha e em poucos minutos, o café já estava servido. Pouco depois, saímos do Rio de Janeiro com destino a Vitória - ES.
A viagem foi longa e enfadonha. Desta vez a van estava cheia e a estrada era ruim, mas o cansaço era tanto que maioria de nós apenas dormiu. A parada para o almoço foi bem escolhida e a comida estava muito boa, mas na hora de ir embora um pequeno probleminha no arranque da van exigiu a ajuda alguns músculos antes que saíssemos de lá. O trabalho braçal nos inspirou a assistir o filme do Conan, que felizmente estava na minha mala, e assim a viajem se tornou um pouco menos cansativa.
Quando chegamos em Vitória, já havia escurecido e a primeira banda já estava para tocar. O show aconteceu no DCE da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), um espaço bom de tamanho ideal para um show de hardcore cheio de energia. Depois de alguns sanduíches vegetarianos, subimos e deixamos nossas coisas no local do show. Na correria de arrumar tudo, não tive a chance de ver todas as bandas de abertura, mas consegui dar uma conferida no Atonement, banda do Victor, que estava cuidando da organização. O show foi muito bom; o som estava brutal e eles parecem ser bem populares por lá, pois todo mundo parece ter ficado louco durante o set.
Era nossa vez de tocar. Logo de cara vi que a aparelhagem era legal e em pouco tempo arrumamos tudo. A princípio, achei que todo o público que destruiu no show do Atonement já havia ido embora, mas, após alguns minutos de show vi que estava muito enganado. Não sei o que há em Vitória, mas o fato é que o público de lá foi um dos mais brutais e cheios de energia para o quais nós tocamos. Faltam palavras para descrever o que aconteceu naquela sala durante o nosso show; a energia era contagiante e todo o cansaço que nos consumia parece ter sido varrido instantameamente.
O Watch Your Step subiu no palco logo em seguida e o show deles não foi nem um pouco menos cheio de energia. A galera de Vitória realmente mostrou que sabe se mexer e principalmente que tem um puta condicionamento físico! Rolou até stage dive com a almofada do sofá (reprimido pelos gritos do Victor, que logo pareceu ter desistido de conter a molecada de literalmente quebrar tudo). Após mais um show brutal do WYS, era hora de finalmente descansar. Depois de algum tempo esperando que tudo fosse resolvido, fomos à casa do Victor e comemos um rango brutal antes de dormir. O relógio marcava 2:30 quando nos deitamos. Vitória — feito.

25/08 - Contagem/ Belo Horizonte - MG
Acordamos bem cedo e em cima da hora. Não há tempo para café da manhã, não há tempo para enrolação. Foi só o tempo de todo mundo ir ao banheiro e juntar as tralhas e já caímos na estrada novamente. Esta foi a viagem mais cansativa de todas (talvez porque tenha sido minha vez de ir na frente, torrando no sol como churrasco enquanto os outros assistiam 300 lá atrás) e chegamos bem em cima da hora em Contagem.
Chegamos logo antes do Scoring the Game subir no palco e infelizmente no meio da correria não tive a chance de ver todo o show deles. O Overstate subiu no palco logo em seguida e eu fiquei encarregado de cuidar da banquinha. Acabei assistindo o show deles de camarote e foi muito foda. Rolaram vários sing along brutais e eles não precisariam nem ter tocado o cover de Cro-Mags que tocaram para isso.
Novamente era nossa vez de tocar. Arrumamos tudo com calma, mas o resultado ainda assim não foi 100% satisfatório. Felizmente o público ajudou participando e muitos conhecidos e amigos estavam lá, fazendo do show bem mais agradável! O Watch Your Step subiu logo em seguida e quebrou tudo, como sempre. Destaque para o cover de Gorilla Biscuits, "New Direction", uma fórmula infalível para muito sing along e stage dives.
O show acabou antes das 10 e nós estávamos mais é afim de dar um rolê. Eu, o Beto, o Peixe, o Chad e o Rafa fomos pra casa da Glauce e do Matteo, tomamos banho e fomos a um lugar chamado Eddies com nossos amigos de BH. O lugar era uma espécie de bar retrô, repleto de desenhos à la anos 60 recheados de pin ups. Se bem que isso não importa nem um pouco diante de um hamburguer tão bom e refrigerante à vontade. Comemos, jogamos conversa fora e o Cris e a Cris nos levaram de volta à casa do Matteo e da Glauce, onde passamos a noite. Mais uma etapa bem sucedida!
26/08 - Piracicaba - SP
Como sempre, levantamos bem cedo e o Matteo já havia comprado pão para todos. Depois de um café da manhã delicioso, juntamos as coisas e caímos de novo na estrada. Mais uma viajem longa e cansativa, mas chegamos no nosso destino com algum tempo para descansar, ligar para as namoradas e familiares e arrumar tudo com calma.
Subimos no palco mais cedo, pois a passagem de volta para Curitiba já estava comprada e o horário começava a ficar apertado. O som estava muito bom e, apesar de alguns problemas técnicos, o show foi muito bom! O público participou bastante, mas o destaque especial foi um moleque de 13 anos, que apavorou no dancefloor e merecidamente ganhou uma camiseta do YF!
O Watch Your Step entrou logo em seguida e o vocalista, Leo, fez um pedido especial à platéia: como último show da tour, queria que este fosse o mais brutal de todos. "Vamos todos agitar!", tentou dizer ele. Embora não tenha sido o show mais movimentado e cheio de energia da tour, o público participou bastante e o clima lá era bastante positivo. Mais uma vez o cover do Judge foi ignorado, enquanto o do Gorilla Biscuits rendeu sing along e até algumas tentativas de stage dives. Novamente o moleque de 13 anos se destacou, se mexendo bastante e ganhando de longe no número de stage dives executados!
Não havia mais tempo a se perder, portanto, juntamos tudo e saímos em menos de meia hora. A viagem para São Paulo tinha clima de despedida, com muita cantoria e conversa, e eu nem vi o tempo passar. Chegamos na rodoviária Tietê com pouco menos de uma hora de folga, o suficiente para nos despedirmos rapidamente dos nossos amigos, juntar tudo, comer um sanduíche e embarcar de volta à velha rotina; chegamos aqui com alguns minutos para tomar um banho, ir direto para o trabalho e voltar à vida comum.
Essa tour foi um sucesso e apesar de todo o cansaço e energia gastos, sentimos que tudo valeu muito a pena! Todo o esforço aplicado foi recompensado em dobro e nós não poderiamos estar mais satisfeitos! Muito obrigado ao Matteo e a Glauce (os melhores patrões do mundo hehe) por terem nos aguentado durante esses dias e por terem feito o melhor para que tudo corresse bem. Um muito obrigado também aos nossos grandes amigos do Watch Your Step, Leo, Totynho, Cionka, Massi e Stefano e também ao pessoal do Overstate! Outras pessoas que gostaríamos de agradecer: Seu Assis (grande motorista do Chitão!), Victor e Samuel (Vitória), Fabiano, Gabriel, Bruno (Crossfire), Mayra, Cris e Cris, Luke (Alliance), Mulan, Diogo e a todo o pessoal que organizou, ajudou ou compareceu e participou dos shows! Muito obrigado!
Claudio/YF
Mais fotos em breve!