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Category: Music
No dia 27 de setembro, na Ksa Rock, a banda Star 61 lançou mais um EP, de uma carreira que já completou cinco anos de estrada. A apresentação, que foi seguida pela Sem Horas, banda local, que também lançou novo EP recentemente. O show preparou a banda para o Gas Sound, programa transmitido pela Rede TV, onde o Star 61 foi selecionado para a eliminatória em Recife. A apresentação da banda foi ao ar ontem, às 8 da noite. Na entrevista a seguir, concedida uns três meses atrás, Flaviano André, frontman e mentor da Star 61, falou das novas composições, influências e inspirações.
Como você define a Star 61 hoje?
Uma estrela de quinta grandeza. Acho que no início muita gente jurava que não passaríamos de uma estrela cadente.
De que forma as constantes mudanças de integrantes ajuda musicalmente? É um atrapalho que transformou-se em fonte de inovação?
Os atropelos da vida vêm me deixando cada vez mais forte, de modo geral, e isso prova o quanto estou focado nas minhas determinações. Não será com saídas de integrantes que deixarei me abater ou perder minhas inspirações. Essas saídas e entradas de músicos na Star 61, de certa forma servem para me renovar, ter novas idéias e compartilhar meu mundo de melodias com outras opiniões. A inovação é essencial.
O que tem lhe inspirado ultimamente?
A própria vida cotidiana... Amor encontrado e não encontrado, escapatórias, amigos, cachorro, gato, cinema, xícara de café quente com música, meu quarto, meu silêncio, e minha tentativa de adaptação com o mundo externo. Musicalmente falando: Of Montreal, Rufus Wainwright, The Dears, Arcade Fire, Antony and The Johnsons, Patti Smith, David Bowie, Roxy Music, Smiths, Morrissey, Maysa, Secos e Molhados, Dusty Springfield, Cilla Black, Joy Division, Kraftwerk, T. Rex, The Durutti Column
Você costumava escrever as letras primeiro. Lembro disso ainda do tempo do Lisa..s Project...
Sim, é verdade. Naquele tempo eu não tinha muita facilidade para compor em português, eu só conseguia me expressar melhor em inglês, devido a minha forte influência com a música britânica. Minha cabeça fervia de idéias que eram rapidamente transcritas para o papel e logo após se transformavam em música.
A sua forma de compor mudou muito nos últimos quatro anos?
Naturalmente sim. Sou autocrítico e estou sempre tentando melhorar. Componho de maneira universal e minha linguagem tem que ser acessível... Adoro ouvir as crianças e donas de casa cantarolando minhas músicas.
Freqüentemente em suas letras você costuma esconder a dor com humor. É um recurso da sua vivência transposto para a música?
Que bom que você percebeu isso! Geralmente eu digo que amor rima com dor, mas também rima com humor, legal né? É pura verdade, eu sigo um dilema, uma postura artística. Para mim, onde há dor o campo é sagrado, e já que ela me deixa muitas vezes triste, naturalmente me vingo com humor.
star03img_2615.jpg"Abro a porta nua" é uma provocação dançante, disco, Donna Summer. Criar personagens é uma sua forma preferida de abordar temas provocativos ou polêmicos?
Claro que é! As pessoas reais, os personagens desse mundo louco estão por toda parte, temos apenas que prestar atenção do que acontece em nossa volta. Adoro observar. A noite liberta o que o dia tenta esconder. É minha contribuição para com essas pessoas, passar a mensagem mais clara em forma de música, falar na cara dos preconceituosos que existe outras formas de amor, de vida, e que não há lugar para o ódio.
"Na Parada" tem uma base bem anos 60, assim como "Tanto Faz". Para quem você aponta essas influências?
Quando estou compondo, vejo cores, escuto melodias e sinto o gosto do sabor doce e do amargo da vida... "Na parada" começou a ser escrita num banquinho de pedra enquanto esperava um ônibus; e assim como "Tanto faz", há rejeição e superação pessoal, e com um pouco de humor e acordes coloridos, pinto melodias influenciadas Poe gente como Shangri-las, Frankie Avalon, The Dells, Shirelles, The Crystals, Tommy James and The Shondells, Wanderléa, Rossini Pinto e Diana.
É você quem escolhe os covers? Podem ser considerados como influências da banda?
Gosto de ser democrático com a Star 61. Eu nunca penso na primeira pessoa. Cada um opina com os covers que iremos tocar. Primeiro temos que gostar, geralmente são nossas influências, mas também decidimos pensando no público.
O estilo glam rock permanece como a principal influência?
Glam rock, hard rock, brit-pop, Biliu de Campina e Zabé da Loca é tudo rock..n..roll. Fazemos rock..n..roll e é isso que importa. Essas subdivisões foram criadas para vender a música como um saco de batatas fritas codificada num supermercado. Meu visual é extravagante, gosto de brilho e de fantasiar, se isso é glam rock, então, que seja!
Você tem intenção de deixar de cantar em falsete? Ou é algo que está acontecendo naturalmente?
Sua pergunta foi praticamente minha resposta! Decido com a banda em quais músicas irei manter o falsete ou não. Ultimamente nas canções novas, o meu tom natural tem se encaixado melhor. É um processo natural que já vem acontecendo a um bom tempo, mas o falsete permanece!
"Los Amigos" é um spaghetti western. Tanto a letra como a música remetem a esse clima meio italiano, misturado ao tempero mexicano também...
"Los Amigos" foi composta em poucas horas, praticamente dois acordes e uma história verdadeira. Eu estava realmente de madrugada na Lagoa (parque Solon de Lucena) com mais dois amigos e uma garrafa de cerveja na mesa, esperando o ônibus passar, e isso depois de uma noitada mal sucedida. É curioso como as coisas fluem de maneira natural com a Star 61, nossas influências se encaixam perfeitamente, parece que cada um sabe exatamente o que vai ser feito com as músicas, e foi isso que aconteceu quando mostrei a música pela primeira vez para os meninos, eles amaram de cara! E quanto ao spaghetti, ele já não mais pertence apenas aos italianos, nosso molho tão picante quanto o dos mexicanos.
Quais são as suas outras inspirações?
Ainda durmo com Oscar Wilde, divido o café com Allan Poe ouvindo Kraftwerk, me vejo como algum personagem dum conto de Caio Fernando Abreu, sinto o cheiro da páginas do livro e da Veneza de Thomas Mann. A Europa me inspira mesmo sem ter ido lá. O amor ainda é a minha principal arma. Quanto aos filmes, não sou nenhum expert no assunto, mas gosto muito de O Piano, O Pianista, Querelle, Wilde (com Stephen Fry), A Casa dos Espíritos, Em Nome de Deus, Laranja Mecânica, Control, Hedwig, Brokeback Mountain, Calígula. Eu me emociono até com filmes da sessão da tarde! Quero ser um eterno aprendiz.
Já aconteceu de você começar a compor pensando num determinado tema e no final percebeu que tornou-se outro?
Sim, mas não lembro quais... Na verdade isso sempre acontece.
No palco o improviso é total?
Não gosto de seguir regras, sei que às vezes é necessário, mas quando percebo que tá muito ensaiado (não natural), uso a criatividade para mudar. O palco é sagrado. A música e os músicos tem que ser um só, o público não gosta de marionetes tocando rock and roll. Todo artista tem que se conhecer, saber dos seus limites, falar a mesma língua do público. As pessoas vem para um show para se divertirem e não para ficarem tristes ou paradas. Gosto do toque das pessoas e de tocá-las de alguma forma.
Fale um pouco sobre "Não destrua as flores", uma das músicas mais bonitas que ouvi esse ano... algo meio jazzy, meio Weller Style Council era...
Mais uma vez o amor que me guia e me cega, o amor que cura a vida e abre feridas. Rejeição em primeiro plano, superação mal cicatrizada. Agora me vejo na janela do meu quarto, apreciando o presente, vendo o futuro, o silêncio e a beleza de um jardim. Aprender com os atropelos da vida não é fácil, mas é gratificante quando enxergamos além do portão e que não mais nos importamos com o passado.
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