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vítor sá a.k.a. BIFE



Last Updated: 9/6/2009

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Saturday, November 03, 2007 

Category: Life

BIFE Eco-Alerta >>  Vale do Coronado em perigo!!!

Vale do Coronado corre o risco de ser destruído pela possível implantação da Plataforma Logística Maia-Trofa. Será um dos maiores crimes ambientais da história do Grande Porto.

A tramóia está a ser preparada pelo tal
Governo-socialista-que-pratica-a-deflação-da-felicidade-dos-Portugueses, em parceria com as Câmaras Municipais da Trofa e da Maia, pelo poderoso lobby do betão, transportes e restantes afiliados da modernidade irresponsável...

A ditadura do betão persiste! Até quando?!
E tu, vais ficar a assistir, impávido e sereno, a mais um
crime ambiental?!

Lê a tomada de posição e recusa a destruição do Vale do Coronado. Deixa a tua assinatura de apoio a esta eco-causa em www.convergir.org

 

A CONVERGIR RECUSA A DESTRUIÇÃO DO VALE AGRÍCOLA DO CORONADO (MAIA-TROFA)

Já lá vai mais de um ano desde que o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações apresentou o projecto de Rede Nacional de Plataformas Logísticas. Essa rede prevê a construção de uma plataforma intermodal, de características urbanas e nacionais, na área do Grande Porto, mais concretamente no Vale do Coronado, em terrenos pertencentes aos concelhos da Trofa e da Maia.

As associações integrantes da rede de cooperação interassociativa Convergir têm procurado acompanhar o processo, nomeadamente os esforços das populações e das associações de defesa do ambiente da região na procura de uma localização alternativa para a referida plataforma que evite a destruição do Vale do Coronado, mas têm visto o seu trabalho dificultado pelo muro de silêncio estabelecido à volta de todo este processo por parte das entidades oficiais.

Entende a Convergir que a dimensão do projecto, os impactes variados e significativos que lhe estão associados, nomeadamente os de natureza ambiental e social, e particularmente o facto de ele ser apontado para o Vale do Coronado, composto maioritariamente por terrenos agrícolas integrantes da Reserva Agrícola Nacional, justifica que a decisão que vier a ser tomada seja o mais amplamente participada, no respeito aliás de princípios hoje largamente aceites e reconhecidos por quantos assinaram a convenção de Aarhus, da qual Portugal é um dos subscritores.

A Convergir lamenta pois o secretismo que envolve todo o processo, e na linha das preocupações anteriormente manifestadas, particularmente pela ADAPTA – Associação para a Defesa do Ambiente e do Património na Região da Trofa, pela Cooperativa Agrícola de Santo Tirso e Trofa, pela Cooperativa Agrícola da Maia e pelas populações da região, particularmente das freguesias de S. Mamede do Coronado, de S. Romão do Coronado e de Folgosa, que, em sessão pública realizada no dia 7 de Dezembro de 2006, se manifestaram claramente contra a localização, vem alertar os responsáveis para o seguinte:

1. Apesar de alguns responsáveis governamentais terem afirmado que o projecto inicial foi alterado, com a diminuição para 160 hectares da dimensão da área a afectar à Plataforma Logística de Maia e Trofa, algo que está por confirmar, o problema de fundo subsiste na medida em que grande parte dessa área de 160 hectares é solo arável de Classe A e como tal integrante da Reserva Agrícola Nacional.

2. Mesmo com menores dimensões do que as inicialmente previstas e apesar de uma ligeira deslocalização para Sul, a implantação da plataforma logística da Maia/Trofa nos terrenos agrícolas do Vale do Coronado acabará por inevitavelmente levar à ocupação de todos esses terrenos, destruindo assim uma das maiores manchas de solo arável existente na Área Metropolitana do Porto.

3. A eventual destruição do Vale do Coronado, devido à construção de uma infra-estrutura logística de grandes dimensões, terá implicações ambientais enormes em toda a região, destruindo um valioso ecossistema que, não obstante as enormes pressões urbanísticas de que tem sido alvo, foi possível até agora preservar.

4. Sendo o Vale do Coronado formado por terrenos de aluvião, atravessados pela Ribeira da Mamoa, onde a água anda à superfície, a construção da plataforma logística nesses terrenos levará à impermeabilização de vastas áreas, com consequências ao nível das escorrências e do escoamento superficial e subterrâneo e consequentemente dos recursos hídricos existentes.

5. Com a construção da plataforma naquele local, a paisagem esteticamente agradável e a biodiversidade aí existentes serão profundamente afectadas, assistindo-se à fragmentação da paisagem e do habitat, bem como à destruição de solos férteis, com a correspondente disfunção ecológica. O ruído aumentará e o acréscimo da circulação de viaturas pesadas será responsável pela libertação de grandes quantidades de partículas e de químicos poluentes. Tudo isto provocará perturbações na saúde das populações e danos nos edifícios e no ambiente.

6. A localização de uma plataforma logística no fértil Vale do Coronado, encurralando a área urbana das freguesias de S. Romão do Coronado, de S. Mamede do Coronado, e de Folgosa, acarretará pois graves consequências para a qualidade de vida das populações dessas mesmas freguesias, destruindo um ecossistema milenar, que moldou a identidade das comunidades aí residentes, que desse ponto de vista ficarão irremediavelmente mais pobres.

7. No deve e haver das consequências económicas e sociais, o fim da actividade agrícola decorrente necessariamente da construção da plataforma não deixará de ter profundas consequências sobre o tecido produtivo da região, afectando drasticamente o rendimento de largas dezenas de famílias que da terra retiram o seu sustento. O legítimo e saudável apego de grande parte desses agricultores à sua actividade e à sua terra, e a um valioso património paisagístico e ecológico, faz com que alegadas vantagens económicas resultantes da plataforma, que podem ser obtidas em eventual localização alternativa, não possam de forma alguma compensar essa perda.

A Convergir é a favor do desenvolvimento, desde que este seja sustentável. Por isso, apesar da alegada importância económica, social e até ambiental deste projecto, não pode aceitar a sua localização prevista para o Vale do Coronado, tanto mais que existem outras alternativas que devem desde já ser estudadas, para que em sede de processo de Avaliação de Impacte Ambiental, no respeito pelos normativos legais em vigor, possam vir a ser confrontadas e avaliadas.

A Convergir manifesta total vontade e disponibilidade para participar num processo transparente e honesto tendo em vista evitar a destruição do Vale do Coronado. Cabe à tutela encontrar a melhor solução para que a Área Metropolitana do Porto possa vir a ter uma plataforma logística sustentável em local onde não sejam destruídos valores patrimoniais e naturais insubstituíveis, estando a Convergir disponível para colaborar na procura de alternativas. Mas exige também mais transparência e mais informação em todo o processo, na certeza de que jamais se comprometerá com uma solução que não respeite as pessoas e o ambiente, como parece ser o caso daquela que dizem estar prevista para o Vale do Coronado.

Porto, 19 de Outubro de 2007                                                                           

Convergir - rede de cooperação interassociativa

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atenta na crónica do ambientalista Bernardino Guimarães, publicada no Jornal de Notícias, edição de 30 de Outubro de 2007

Já sabemos que, para muitos decisores políticos, urbanistas, planeadores e tecnocratas, o mundo rural, a terra, o solo agrícola, não merecem consideração. O que se vê é mesmo a tentativa de associar ruralidade a atraso e pobreza. O uso do solo para fins agrícolas é apenas tolerado, relegado para bem longe das cidades, que a lógica das mais-valias e da especulação fundiária a isso conduz. Não admira, por isso, que sobre o Vale do Coronado penda agora uma pesada ameaça.

Mas, de que estamos a falar? De um vale agrícola, cuja superfície ocupa partes dos concelhos da Maia e da Trofa, formado por terras de aluvião, férteis e abundantes em água. Esses terrenos pertencem, pela sua qualidade, à Reserva Agrícola Nacional, configurando uma das maiores manchas de solo arável na Área Metropolitana do Porto. Centenas de hectares abrigando agricultura viável e populações que, em boa parte, apesar do processo de urbanização adjacente, beneficiam das vantagens económicas e ambientais de uma tal paisagem, de contornos seculares.

Mas o Governo, através do Ministério das Obras Públicas, anunciou há um ano a instalação, em pleno Vale do Coronado, de uma plataforma intermodal, integrada na chamada Rede Nacional de Plataformas Logísticas.

Agrupar um conjunto de estruturas de apoio aos diferentes tipos de transportes, agilizando o tráfego de mercadorias e induzindo economias de escala- assim dizem os entendidos- pode até ser uma ideia defensável. Mas a localização, meu Deus, é que não podia ser mais infeliz e desastrada.

Voltamos ao início - que importa a fertilidade de um vale, a vida de tantas pessoas, uma paisagem íntegra e valiosa enquanto tal, sequer a necessidade de mantermos os poucos solos que ainda temos para produção alimentar de qualidade? Outros valores se alevantam, aparentemente. E a decisão política de ali construir, de betonar e poluir o vale e as suas águas, foi tomada e reafirmada.

Contestação aumenta

Pouco se sabe do assunto desde o anúncio da decisão, e nada tem sido discutido. A contestação vai subindo de tom, partindo dos agricultores, reunidos na cooperativa agrícola de Santo Tirso e Trofa e na sua congénere da Maia, e pelas populações, especialmente as das freguesias de S. Mamede do Coronado, de S.Romão do Coronado e de Folgosa, que têm comparecido a sessões em número considerável.

Face ao silêncio do Ministério (esperemos que não seja prenúncio de inflexibilidade) crescem inquietações. A Convergir - estrutura interassociativa ambientalista, tomou há dias posição "Com a construção da plataforma naquele local, a paisagem esteticamente agradável e a biodiversidade aí existente serão profundamente afectadas, assistindo-se à fragmentação da paisagem e do habitat, bem como à destruição de solos férteis, com a correspondente disfunção ecológica.

O ruído aumentará e o acréscimo da circulação de viaturas pesadas será responsável pela libertação de grandes quantidades de partículas e de químicos poluentes. Tudo isto provocará perturbações na saúde das populações e danos nos edifícios e no ambiente."

A verdade é que há alternativas de localização para a dita plataforma. O Vale do Coronado é que não pode ser removido para outro lugar, e o património económico, ecológico e cultural que encerra perder-se-á para sempre.

A agricultura não deve ser erradicada das periferias urbanas. Persistir nesse caminho é um erro trágico, que aliás contraria o que se vai fazendo em muitos países da União Europeia. Destruir a paisagem rural, substitui-la por betão e asfalto, eis o que pode ser considerado um crime contra o (nosso) futuro, mesmo que cometido em nome do sacrossanto progresso.

http://jn.sapo.pt/2007/10/30/porto/vale_coronado.html

 

Saturday, August 04, 2007 
BIFE Newsletter >> a fervilhar desde 1998   
 
nota importante >> a leitura desta newsletter pode provocar dependência física – mais se informa que é desaconselhável a Duros de Ouvido e interdita a Velhos do Restelo. A BIFE Newsletter é gratuita; aceitam-se subscrições [infoline 966 862 294]. Posto isto, está mais do que na altura de esquecer o "business as usual" dominante. Faz como Fernando (em) Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Boa leitura, bons sons. Diverte-te! Segue-me...  

nota não menos importante >> reencaminha, sff. Obrigado! Serás recompensado/a com um "tacho" em Bruxelas ou numa qualquer Empresa Pública deste nosso Portugal Português...  ;)



Olá, BIFEólico/a Anónimo/a!

Depois dos workshops de Meditação e d' O Poder do Optimismo Através do Yoga, a Turma Elegante volta a proporcionar mais um episódio de aprendizagem. Agora, prepara-te, a coisa promete!
 
http://turmaelegante.blogspot.com

workshop nº 3
Tantra, o Sexo Sagrado

Ministrado pelo mestre Luís Lima, este workshop pretende ensinar:
> a abordagem teórica e prática do sexo na visão do Tantra e do Yoga;
> a protelar e expandir a capacidade orgásmica;
> a utilizar o acto sexual para atingir uma maior harmonia física, emocional e mental.

conteúdos
- origem do Yoga;
- uma visão geral do sexo nas culturas antigas;
- o Yoga e o sexo;
- a religião e o sexo;
- o que é o Tantra?;
- técnicas para canalizar as energias sexuais;
- a utilização do sexo como sagrado;
- os diferentes tipos de orgasmo.

Sexo Tântrico: realidade ou mito? Exclusivo dos praticantes de yoga? Expansão orgásmica ou yogásmica? David ou (en)Golias? Huuuum questões pertinentes, dúvidas existenciais...
 
local
- AgraClub [Castêlo da Maia]

data/horário
- domingo, 22 de Julho
- 9h00 – 17h30 [almoço: 12h00 – 13h30]

preço
- €50,00 [almoço não incluído]

inscrição
http://turmaelegante.blogspot.com


BIFE RadioShow
>> o primeiro programa de rádio com Aloe Vera!

domingos, 22-24 horas
activismo eco-sócio-cultural
Trofa FM 107.8 Grande Porto e Litoral Norte
no dito horário, também on-line em  http://www.trofafm.net

9º Aniversário do BIFE RadioShow ;)
Não batas palmas!
Atira beijos, soutiens, euros e cintos de ligas ou de karate!!


Fica bem e... até de repente!
vítor sá @ BIFE RadioShow  ;)
 

[blog]
http://abifanar.blogspot.com

[programa de rádio/myspace]
http://www.myspace.com/biferadioshow

[BIFE/myspace]
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[turma de hatha yoga, artes marciais, pilates e jazz]
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[blog do programa]
http://bife-radioshow.blogspot.com 
 


Parcerias, sugestões, crónicas "open mind", promos, DJ sets, publicações, paletes de propostas mais ou menos indecentes, até mesmo fardos de palha para alimentar a Alma dos Burros, resmas de info cultural e ecológica... são sempre muito bem-vindos!..

BIFE – Engenharia Cultural, S.A. ;)
[rádio/imprensa - vítor sá]
Apartado 2151, 4476-909 Castêlo da Maia, Portugal

e-mail: bife.radioshow@gmail.com
msn messenger: vitor.sa@tugamail.com
infoline: +351 966 862 294


apelo da Gerência >> ah!, a BIFE Newsletter pode (e deve!) ser partilhada com Amigos, melómanos, filotécnicos, ecologistas, ONGs, editoras, bandas, agentes, promotores "and so on". Partilha esta mensagem com tudo e todos, reencaminha esta newsletter... O Exmo. Senhor Presidente do Conselho de Administração do BIFE RadioShow, S.A., agradece a ajuda! Cheers. 
 

That's it! Acabou-se. Finito. Kaputo. The End. Obrigado pela atenção!

 
 ;)))
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Friday, August 03, 2007 

om namo gurudev namo

eu saúdo aquele que dissipa as trevas da ignorância

 

ad gurei name jugad gurei name sat gurei name siri gurudev e name

eu invoco a sabedoria fundamental, eu invoco a sabedoria intemporal, eu invoco a verdadeira sabedoria, eu invoco as sabedorias das sabedorias

 

sat nam

verdadeira identidade

;)

Tuesday, May 15, 2007 
Almas Gémeas


«(...)As almas gémeas quase nunca se encontram, mas, quando se encontram, abraçam-se. Naqueles momentos em que alguém diz uma coisa, que nunca ouvimos, mas reconhecemos não sei de onde. E em que mergulhamos sem querer, como se estivéssemos a visitar uma verdade que desconfiávamos existir, de onde desconfiamos ter vindo, mas aonde não tínhamos conseguido voltar.
O coração sente-se. A alma pressente-se. O coração anda aos saltos dentro do peito, a soluçar como um doido, tão óbvio que chega a chatear. Mas a alma é uma rocha branca onde estão riscados os sinais indeléveis da nossa existência. (...)

Gémea não é igual. É parecida. Não é um espelho. É uma janela. Não é um reflexo. É uma refracção. (...)
O desejo de encontrar uma alma gémea não é o desejo de reafirmarmos a unicidade da nossa existência através de outro que é igual a nós. É precisamente o contrário. É pdoer descansar dessa demanda. No fundo, todos nós duvidamos que tenhamos uma alma. Senão não falávamos tanto dela.

Uma alma gémea é a prova que não estamos sozinhos. (...)
O estado normal de duas almas gémeas é o silêncio. Não é o "não ser preciso falar" - é outra foma de falar, que consiste numa alma descansar na outra. Não é a paz dos amantes nem a cumplicidade muda dos amigos. Não precisa de amor nem de amizade para se entender. As almas acharam-se. Não têm passado. Não se esforçaram. Estão. É essa a maior paz do mundo. Como é que um ninho pode ser ninho doutro ninho? Duas almas gémeas podem ser.

Como é que se reconhece a alma gémea? No abraço. (...) Quando duas almas gémeas se abraçam, sente-se o alívio imenso de não ter de viver. Não há necessidade, nem desejo, nem pensamento. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perdêramos desde a nascença. (...)

As almas gémeas revelam-se uma à outra. Não são iguais. Mas revelam-se de forma igual. Como se tivesse surgido, de repente, uma língua que só os dois conseguissem falar. (...)

Toda a angústia do eu se dissipa. É-se inteira e naturalmente aceite. Sem perguntas. Sem condições. Sem promessas. E mergulha-se no outro como se já não fosse preciso existirmos.»


Miguel Esteves Cardoso
Wednesday, November 22, 2006 

Category: Romance and Relationships

Elogio ao Amor

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não sepercebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se podeceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
 
Miguel Esteves Cardoso,  in "Expresso"