Depois de aparecer aqui nesta seção como guitarrista da banda Milke, João Ferraz volta-em clima totalmente diferente ( e melhor) - com seu disco solo. Em SAPO, o mineiro vem, violão e guitarra em punho, trazer uma música semi-instrumental sofisticada, bem brasileira (tipo exportação?), quase nada pop no que a palavra tem de trivial.
Se eu usei o o termo semi-instrumental, é porque a voz de Adriana Duarte aparece como mais um instrumento, sem letra, sem tirar as cordas de João da posição de band-leader, em cinco das oito faixas do álbum.
Todas as canções de Sapo são de autoria do próprio João Ferraz e, se em algumas vezes passeiam pelo melancólico (como nos vocais de montanha e mar, a mais bonita do disco, e na melodia da sutil Mais MG) ou pelo dramático (no piano de introdução e no tremolo na guitarra da ótima Rochedão), o que marca o ambiente, ao longo do disco, é a leveza e a claridade.
Grande parte da qualidade de Sapo é mérito dos vários bons músicos capitaneados por João: César Santos, José Piénasola e Aaron Belani no baixo; Maurício Zottarelli na bateria; Marcus Santos na percussão; Dan Tepfer e Tim Butterworth no piano (o último também no B3 e no Rhodes, este tocado em outra faixa por Alfredo Cardim); Tim Nunnick no sax tenor; Miguel Gandelman no sax alto; Igmar Thomas no trumpete; Johnson de Almeida e Angel Subero no trombone; Marcos Frederico no bandolim; e Hiro Honshuku na flauta.
Com produção e arranjo do próprio João Ferraz, Sapo foi gravado no estúdio Dinosounds, por ele, César Santos, Mathew Zipkin e Tony Lamond entre 2003 e 2004 - período em que João estudou música com especialização em engenharia de som na Berklee College of Music (EUA). De volta ao Brasil, ele mixou o álbum no Lontra Music, estúdio no Rio do qual João é sócio ao lado de João Rodrigues.
Lígia Diniz