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Black Jack

Joaquim Pedro


Last Updated: 12/7/2009

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Thursday, October 15, 2009 
[O texto não é meu. Mas o vídeo é lindo! ..]

Este vídeo foi para o ar no programa Saia Justa. A atriz (?) e escritora (?) Maitê Proença estava em Portugal por causa de uma peça teatral e aproveitou os seus momentos de horas vagas (?) para fazer algumas imagens para o quadro do semanal do canal GNT. A pergunta é: como isso foi para o ar? O tema? Aquele mesmo assunto pobre de sempre: gozar com os portugueses. Como isso ainda não basta, ela terminou o vídeo cuspindo. A pergunta é novamente: para quê? Será um laboratório para ela ser “o próximo chafariz” da nova novela da TV Record?

Todo o vídeo é uma ofensa a Portugal e aos portugueses. Começa por ir a Sintra para mostrar uma porta de uma casa aparentemente comum com o 3 virado para a direita e, sem perceber o significado esotérico, zoa com os portugueses, pois diz que aquilo demonstra que está em Portugal - os caras nem sabem colocar direito um algarismo numa porta! Só vai a Sintra, que tem imensos monumentos, castelos e palácios, e é Património da Humanidade, para gozar com aquilo.

Depois goza com o Tejo ser, para os portugueses, o mar, quando na realidade ela está junto ao Estuário do Tejo, onde o rio desagua no mar e ambos se confundem. Fala também no Salazar, de que ela não sabe nada (Portugal viveu 48 anos em fascismo), imaginando que, por ter sido um ditador, foi igual a Hitler ou a Mussolini. Goza com o túmulo de Camões, com o estilo arquitectónico manuelino, enfatizando o Manuel, nome injuriado no Brasil nas piadas de português e fala também no epísódio no Hotel com o seu PC, quando o Hotel tem áreas de Internet e se tinha problemas com o seu Computador pessoal, deveria usar o equipamento disponível no Hotel para os clientes. O Hotel não tem obrigação de reparar os equipamentos pessoais dos clientes, sejam PC's ou carros ou máquinas de barbear ou sei lá o quê.

Eu acho que ela vai ter muita vergonha quando souber das reações dos portugueses ao vídeo e vai pensar duas vezes antes de voltar a falar do país e dos seus habitantes. Infame, só revelou ignorância e rancor, talvez dor de cotovelo.
Quem deveria ter acesso a este vídeo eram os milhares de portugueses que gastaram muitos euros para assistir às suas peças de teatro em Portugal. O que lhe vale é que o povo português é o mais simpático e sereno do mundo.
Enfim... vejam o vídeo e, por favor, divulguem:
 
http://www.youtube.com/watch?v=1GCAnuZD7bk

Essa mulherzinha quando voltar a Portugal para, cinicamente, dizer maravilhas muito simpáticas, terá explicações a dar! É favor fazer circular para que bem conste...

Wednesday, April 01, 2009 
[english version below]

Daniel Hannan, político, escritor e jornalista inglês, com vasta obra
publicada sobre política europeia, debruçou-se agora, com saber e
perspicácia, sobre a Questão de Olivença em artigo no Telegraph, cuja
tradução para português se transcreve (segue-se o original em inglês).

http://blogs.telegraph.co.uk/daniel_hannan/blog/2009/03/13/if_spain_wants_gi
braltar_when_is_it_planning_to_give_up_olivena



«SE A ESPANHA QUER GIBRALTAR, QUANDO TENCIONA DEVOLVER OLIVENÇA?
Daniel Hanan

E se tivesse sido ao contrário? E se a Espanha tivesse tomado um pedaço
de território de alguém, forçado a nação derrotada a cedê-lo num tratado
subsequente, e o mantivesse ligado a si? Comportar-se-ia Madrid como quer
que a Grã-Bretanha se comporte em relação a Gibraltar? Ni pensarlo!
Como é que eu posso estar tão certo disso? Exactamente porque existe um
caso assim. Em 1801, a França e a Espanha, então aliadas, exigiram que
Portugal abandonasse a sua amizade tradicional com a Inglaterra e fechasse
os seus portos aos navios britânicos. Os portugueses recusaram firmemente,
na sequência do que Bonaparte e os seus confederados espanhóis marcharam
sobre o pequeno reino. Portugal foi vencido, e, pelo Tratado de Badajoz,
obrigado a abandonar a cidade de Olivença, na margem esquerda do Guadiana.
Quando Bonaparte foi finalmente vencido, as Potências europeias
reuniram-se no Congresso de Viena de Áustria para estabelecer um mapa
lógico das fronteiras europeias. O Tratado daí saído exigiu um regresso à
fronteira hispano-portuguesa (ou, se se preferir, Luso-espanhola) anterior
a 1801. A Espanha, após alguma hesitação, finalmente assinou o mesmo em
1817. Mas nada fez para devolver Olivença. Pelo contrário, trabalhou
arduamente para extirpar a cultura portuguesa na região, primeiro proibindo
o ensino do Português, depois banindo abertamente o uso da língua.
Portugal nunca deixou de reclamar Olivença, apesar de não se ter
movimentado para forçar esse resultado (ameaçou hipoteticamente com a ideia
de ocupar a cidade durante a Guerra Civil de Espanha, mas finalmente
recuou). Embora os mapas portugueses continuem a mostrar uma fronteira por
marcar em Olivença, a disputa não tem sido colocada na ordem do dia no
contexto das excelentes relações entre Lisboa e Madrid.
Agora vamos analisar os paralelismos com Gibraltar. Gibraltar foi
cedida à Grã-Bretanha pelo Tratado de Utrecht (1713), tal como Olivença foi
cedida à Espanha pelo Tratado de Badajoz (1801). Em ambos os casos, o país
derrotado pode reclamar com razões que assinou debaixo de coacção, mas é
isto que acontece sempre em acordos de paz.
A Espanha protesta que algumas das disposições do Tratado de Utrecht
foram violadas; que a Grã-Bretanha expandiu a fronteira para além do que
fora estipulado primitivamente; que implementou uma legislação de
auto-determinação local em Gibraltar que abertamente é incompatível com a
jurisdição britânica especificada pelo Tratado; e (ainda que este aspecto
seja raramente citado) que fracassou por não conseguir evitar a instalação
de Judeus e Muçulmanos no Rochedo. Com quanta muito mais força pode
Portugal argumentar que o Tratado de Badajoz foi derrogado. Foi anulado em
1807 quando, em violação do que nele se estipulava, as tropas francesas e
espanholas marcharam por Portugal adentro na Guerra Peninsular. Alguns anos
mais tarde, foi ultrapassado pelo Tratado de Viena.
Certamente, a Espanha pode razoavelmente objectar que, apesar dos
pequenos detalhes legais, a população de Olivença é leal à Coroa Espanhola.
Ainda que o problema nunca tenha passado pelo teste de um referendo, parece
com certeza que a maioria dos residentes se sente feliz como está. A língua
portuguesa quase morreu excepto entre os mais velhos. A cidade (Olivenza em
espanhol) é a sede de um dos mais importantes festivais tauromáquicos da
época, atrai castas e matadores muito para além dos sonhos de qualquer
pueblo de tamanho similar. A lei portuguesa significaria o fim da tourada
de estilo espanhol e um regresso à obscuridade provinciana.
Tenho a certeza que os meus leitores entendem aonde tudo isto vai
levar. Este "blog" sempre fez da causa da auto-determinação a sua própria
causa. A reclamação do direito a Olivença (e a Ceuta e Melilla), por parte
de Espanha, assenta no argumento rudimentar de que as populações lá
residentes querem ser espanholas.
Mas o mesmo princípio certamente se aplica a Gibraltar, cujos habitantes,
em 2002, votaram (17 900 votos contra 187!!!) no sentido de permanecer
debaixo de soberania britânica.
A Grã-Bretanha, a propósito, tem todo o direito de estabelecer conexões
entre os dois litígios. A única razão por que os portugueses perderam
Olivença foi porque honraram os termos da sua aliança connosco. Eles são os
nossos mais antigos e confiáveis aliados, tendo lutado ao nosso lado
durante 700 anos - mais recentemente, com custos terríveis, quando entraram
na Primeira Guerra Mundial por causa da nossa segurança. O nosso Tratado de
aliança e amizade de 1810 explicitamente compromete a Grã-Bretamha no
sentido de trabalhar para a devolução de Olivença a Portugal.
A minha verdadeira intenção, todavia, é a de defender que estes
problemas não devem prejudicar as boas relações entre os litigantes rivais.
Enquanto Portugal não mostra intenção de renunciar à sua reclamação formal
em relação a Olivença, aceita que, enquanto as populações locais quiserem
permanecer espanholas, não há forma de colocar o tema na ordem do dia. Não
será muito de esperar que a Espanha tome um atitude semelhante vis-a-vis
Gibraltar.
Uma vez que este texto certamente atrairá alguns comentários algo
excêntricos de espanhóis, devo clarificar previamente, para que fique
registado, que não é provável que estes encontrem facilmente um hispanófilo
mais convicto de que eu. Eu gosto de tudo o que respeita ao vosso país: o
seu povo, as suas festas, a sua cozinha, a sua música, a sua literatura, a
sua fiesta nacional. Amanhã à noite, encontrar-me-ão no Sadler..s Wells,
elevado até um lugar mais nobre e mais sublime pela voz de Estrlla Morente.
Acreditem em mim, señores, nada tenho de pessoal contra vós: o problema
é que não podem pretender ter uma coisa e o seu contrário.

(trad. C. Luna)



IF SPAIN WANTS GIBRALTAR, WHEN IS IT PLANNING TO GIVE UP OLIVENÇA?
Daniel Hannan
13-Mar-2009

What if it had been the other way around? What if Spain had helped itself
to a slice of someone else's territory, forced the defeated nation to cede
it in a subsequent treaty, and hung on to it? Would Madrid behave as it
wants Britain to behave over Gibraltar? ¡Ni pensarlo!
How can I be so sure? Because there is precisely such a case. In 1801,
France and Spain, then allies, demanded that Portugal abandon her ancient
friendship with England and close her ports to British ships. The
Portuguese staunchly refused, whereupon Bonaparte and his Spanish
confederates marched on the little kingdom. Portugal was overrun and, by
the Treaty of Badajoz, forced to give up the town of Olivença, on the left
bank of the Guadiana.
When Boney was eventually defeated, the European powers met at the Congress
of Vienna to produce a comprehensive settlement of Europe's borders. The
ensuing treaty urged a return to the pre-1801 Hispano-Portuguese (or, if
you prefer, Luso-Spanish) frontier. Spain, after some hesitation,
eventually signed up in 1817. But it made no move to return Olivença. On
the contrary, it worked vigorously to extirpate Portuguese culture in the
province, first prohibiting teaching in Portuguese, then banning the
language outright.
Portugal has never dropped its claim to Olivença, though it has made no
move to force the issue (it toyed with the idea of snatching the town
during the Spanish Civil War, but eventually backed off). Although
Portuguese maps continue to show an undemarcated frontier at Olivença, the
dispute has not been allowed to stand in the way of excellent relations
between Lisbon and Madrid.
Now let's consider the parallels with Gib. Gibraltar was ceded to Great
Britain by the Treaty of Utrecht (1713), just as Olivença was ceded to
Spain by the Treaty of Badajoz (1801). In both cases, the defeated power
might reasonably claim that it signed under duress, but this is what
happens in all peace settlements.
Spain complains that some of the provisions of the Treaty of Utrecht have
been violated: that Britain has extended the frontier beyond that
originally laid down; that it has bestowed a measure of self-government on
Gibraltar incompatible with the outright British jurisdiction specified by
the Treaty; and (although this point is rarely pressed) that it has failed
to prevent Jewish and Muslim settlement on the Rock. With how much more
force, though, might Portugal argue that the Treaty of Badajoz has been
abrogated. It was annulled in 1807 when, in violation of its terms, French
and Spanish troops marched on Portugal in the Peninsular War. A few years
later, it was superseded by the Treaty of Vienna.
Of course, the Spanish might reasonably retort that, whatever the legal
niceties, the population of Olivença is loyal to the Spanish Crown. While
the issue has never been tested in a referendum, it certainly seems that
most residents are happy as they are. The Portuguese language has all but
died out except among the very elderly. The town (Olivenza in Spanish)
hosts one of the most important bullfighting ferias of the season,
attracting breeds and matadors beyond the dreams of any similarly sized
pueblo. Portuguese rule would mean an end to Spanish-style bullfighting,
and a return to provincial obscurity.
I'm sure you can see where this is going. This blog has always made the
cause of national self-determination its own cause. Spain's claim to
Olivença (and Ceuta and Melilla) rests on the knock-down argument that the
people living there want to be Spanish. But the same principle surely
applies to Gibraltar, whose inhabitants, in 2002, voted by 17,900 to 187 to
remain under British sovereignty.
Britain, by the way, has every right to link the two issues. The only
reason the Portuguese lost Olivença is that they were honouring the terms
of their league with us. They are our oldest and most reliable allies,
having fought alongside us for 700 years - most recently, and at terrible
cost, when they joined the First World War for our sake. Our 1810 treaty of
alliance and friendship explicitly commits Britain to work for the
restoration of Olivença to Portugal.
My real point, though, is that these issues ought not to prejudice good
relations between the rival claimants. While Portugal has no intention of
renouncing its formal claim to Olivença, it accepts that, as long as the
people there want to remain Spanish, there is no point in pushing the
issue. It is surely not too much to expect Spain to take a similar line
vis-à-vis Gibraltar.
Since this post is likely to attract some crotchety comments from
Spaniards, I ought to place on the record that you're not likely to find a
more convinced Hispanophile than me. I like everything about your country:
its people, its festivals, its cuisine, its music, its literature, its
fiesta nacional. Tomorrow night, you will find me in Sadler's Wells,
transported to a nobler and more sublime place by the voice of Estrella
Morente. Believe me, señores, it's nothing personal: it's just that you
can't have it both ways.



____________
SI/GAO - 02-03-2009.
www.olivenca.org olivenca@olivenca.org
Tlm. 96 743 17 69 - Fax. 21 259 05 77

Thursday, December 04, 2008 
A ti, da criação
Princípio imenso
Matéria e espírito
Razão e senso

Enquanto no cálice
O vinho cintila
Como a alma
Na pupila

Enquanto sorriem
A terra e o sol em clamor
Vão trocando
Palavras de amor

E corre um arrepio
Do seu secreto abraço
Da montanha e planície
Brota vida no regaço;

A ti, desafiador
Verso ousado,
Invoco-te, Satan
Monarca do banquete anunciado

Coloca de parte o teu hissope
Padre, e as tuas litanias!
Não, padre, Satan
Não se retira das cercanias!

Vede! A ferrugem
Corrói de Miguel
A espada mística
E o fiel

Arcanjo, depenado
Cai na vasta imensidão
Relâmpagos jazem congelados
De Jeová na sua mão

Como meteoros pálidos,
Mundos extintos num momento,
Os anjos caem
Do firmamento

Na matéria
Que nunca dorme
Rei dos fenómenos
Monarca conforme

Satan vive só.
Mantendo-se seguro
No relampejo trémulo
De um olho escuro,

Ou cuja languidez
Foge e persiste,
Ardente e húmido
Provoca, insiste.

Que brilhe em cacho
E no sangue prazenteiro pingue,
Por quem a rápida
Alegria não se extingue,

Cuja efémera
Vida preserva,
Que a dor prolonga
E o amor inspira e conserva

Respiras, Satan
Em versos meus
Irrompendo em mim
Um desafio ao deus

De perversos pontífices
E reis sanguinários;
Como um relâmpago tu
Chocas os seus imaginários.

Para ti Arimane,
Adonis, Astarte
Vive o mármore, a tela,
O pergaminho e a arte

Quando os jónicos arcos
De serena aura sem limite
São abençoados por Venus
E Afrodite

Para ti do Líbano
Abana o arvoredo verdejante,
Da alma Cipriota
Ressuscitado amante:

Para ti danças e coros,
São dedicados com fervor,
A ti as virgens oferecem
O seu cândido amor,

Entre as perfumadas
Palmeiras dos Edomitas
Onde dos Cipriotas mares
A espuma fitas

Porque razão esse bárbaro
Do Nazareno
Fúria exacerbada
Do ritual obsceno

Com a sagrada tocha
Os teus templos incinera
E as tuas estátuas
Dispersa pela cratera?

Acolho-te, refugiado
No seio do lar
O povo zeloso
No seu domínio secular

Assim um feminino
Coração palpitante
Transbordante, férvido
Deus e amante,

A bruxa pálida
Do incessante questionamento
Dirige o seu socorro
À natureza em sofrimento

Tu, para o olhar fixo
Do alquimista
E para o desobediente
Mago à tua vista

Do claustro lânguido
Para além da sua portada,
Revela o brilho
De uma nova alvorada.

No deserto de Tebas
Onde em tudo tu resides
Fugindo, o monge infeliz
Se esconde dessas lides

Através da tua
Alma marcante e divisa,
Satan é benigno;
Eis Heloísa.

Flagelas-te sem propósito
No teu invólucro amargo e ácido:
Enquanto Satan te murmura versos
De Virgílio e Horácio

Por entre o lúgrebre hino
E o monocórdico lamento;
As formas divinas
São-te oferecidas em chamamento

Entre a horrível multidão negra
Um tom róseo gera,
Dado por Lycoris,
E por Glycera

Mas outras imagens
De uma época mais grandiosa
São mais apropriadas
A esta insonolenta cela preciosa

Satan, das páginas
De Lívio, conjura fervente
Tribunos, cônsules,
Multidão fremente

O perspicaz, e fantástico
Orgulho Italiano pioneiro
Empala-te, ó monge
No Capitólio altaneiro

E a vós, que a furiosa
Pira destruir não conseguisse,
Vozes fatídicas,
Huss e Wycliffe

Aos ventos o grito
De aviso envias:
Uma nova era se inicia
Completa-se a espera dos dias

E já tremem
Mitra e coroa:
Dos claustros
A rebelião ecoa,

Pregando a provocação
Sob a estola
De Girolamo
Savonarola

Assim como Martinho Lutero
Se livrou do seu hábito
Liberta-te das tuas grilhetas
Que tolham teu pensamento,

Com Relâmpagos e trovões
Rodeado de chamas;
Matéria, ergue-te:
Satan venceu suas batalhas.

Um belo e horrível
Monstro se liberta,
Percorrendo os oceanos
Percorrendo a terra aberta:

Incandescente e fumegante
Como um vulcão à superfície,
Supera a montanha,
Devora a planície;

Sobrevoa o abismo;
Para depois se esconder do mundo
Em caverna incógnita,
Através de caminho profundo;

E regressa, indomável
De ponta a ponta
Como um furacão
O seu grito desponta,

Como um furacão
Alastra o seu sopro terrífico:
Eis que passa, ó povo,
Satan o magnífico

Passa benemérito
De local em local
Na sua imparável
Carruagem de fogo infernal

Saúdo-te, Satan
Rebelião,
Força vingadora
Da razão!

A ti dedico os sagrados
Votos, incenso e dotes!
Conquistaste o Jeová
Dos sacerdotes.

- Giosuè Carducci (1835-1907)

[adaptação portuguesa por Lurker, Vº Satan's HellOutro]

--

"Não conheço nem verdade de Deus
nem paz com o Vaticano ou qualquer padre.
Eles são os verdadeiros e imutáveis inimigos de Itália"

"Respiras, Satan, nos meus versos,
quando do meu coração explode
um desafio ao deus de perversos
pontífices e reis sanguinários;
como um relâmpago
tu chocas as mentes dos homens"



Giosue Carducci Winner of the 1906 Nobel Prize in Literature
Tuesday, September 23, 2008 
TELL ME ABOUT YOURSELF - The Survey
Name:JP
Birthday:1975
Birthplace:Lisbon (but was about to be Manteigas, damn!)
Current Location:My appartment in the suburbs of a suburban satelite city
Eye Color:brown
Hair Color:brown
Height:1,79 cm
Right Handed or Left Handed:R
Your Heritage:75% Lusitanian highlands, the rest is M&M's
The Shoes You Wore Today:square boots
Your Weakness:the same as my strenght: solitude
Your Fears:losing control
Your Perfect Pizza:soya, pinneaple, lotsa tomato, quality cheese of 4 kinds...
Goal You Would Like To Achieve This Year:I'll keep this one to myself.
Your Most Overused Phrase On an instant messenger:
Thoughts First Waking Up:sex
Your Best Physical Feature:touch
Your Bedtime:no routine
Your Most Missed Memory:dad
Pepsi or Coke:
MacDonalds or Burger King:I hate both
Single or Group Dates:single
Lipton Ice Tea or Nestea:regular water
Chocolate or Vanilla:mix
Cappuccino or Coffee:black
Do you Smoke:weed
Do you Swear:some
Do you Sing:sorta
Do you Shower Daily:usually once
Have you Been in Love:on occasion
Do you want to go to College:undecided
Do you want to get Married:undecided
Do you belive in yourself:just this tiny bit
Do you get Motion Sickness:only if I drink too much
Do you think you are Attractive:just this tiny bit
Are you a Health Freak:concerned not freak
Do you get along with your Parents:Y
&..39;Do you like Thunderstorms:Y
Do you play an Instrument:N
In the past month have you Drank Alcohol:Y
In the past month have you Smoked:Y
In the past month have you been on Drugs:Y
In the past month have you gone to a Mall:Y
In the past month have you eaten a box of Oreos:N
In the past month have you eaten Sushi:can't remember, probably
In the past month have you been on Stage:at the tattoo convention, showing off to the judges
In the past month have you been Dumped:sorta
In the past month have you gone Skinny Dipping:miss that a lot, hehe
In the past month have you Stolen Anything:N
Ever been Drunk:to what extent?
Ever been called a Tease:oh yeah
Ever been Beaten up:let the past be forgotten, I retaliate differently now
Ever Shoplifted:as a child
How do you want to Die:accomplished
What do you want to be when you Grow Up:I am
What country would you most like to Visit:NY, soon!
In a Boy/Girl..
Favourite Eye Color:any. but I may drown in clear eyes
Favourite Hair Color:dark
Short or Long Hair:any. but I love the texture of long
Height:smaller than me, but I don't scare easily
Weight:the right curves, no extremes
Best Clothing Style:dark, classic, foxy
Number of Drugs I have taken:not too much, luck and wisdom
Number of CDs I own:hundreds of them!
Number of Piercings:1
Number of Tattoos:does a sleeve count as 1? I've got a bunch.
Number of things in my Past I Regret:all have feminine names, hahaha!!

CREATE YOUR OWN! - or - GET PAID TO TAKE SURVEYS!
Monday, September 22, 2008 
Acabo​ de regre​ssar do Vietn​ame.​ Saí de lá a ver o caste​lo já quase​ todo desmo​ntado​ por uma equip​a de produ​ção formi​dável​,​ num tempo​ surpr​eende​nte.​
É com entus​iasmo​ e sensa​ção de dever​ cumpr​ido que estou​ agora​ a sabor​ear o fecho​ de mais um capít​ulo da minha​ jorna​da profi​ssion​al/​ exist​encia​l.​ O banho​ de multi​dão pode ter este efeit​o.​ :)

O Tatto​o & Rock IV no Atlân​tico conse​guiu ser ainda​ mais poder​oso do que o III em Oeira​s no ano passa​do.​ O risco​ era imens​o,​ a força​ e a vonta​de torna​ram possí​vel não só resol​ver no fio da naval​ha o que chego​u a parec​er impos​sível​ de concr​etiza​r,​ mas super​ar as melho​res expec​tativ​as.​
Será desel​egant​e estar​ a revel​ar númer​os por esta via, mas quem estev​e viu e senti​u:​ AVASS​ALADO​R !

Claro​ que falar​ei do Anuár​io Tatto​o & Pierc​ing.​ Apesa​r de algum​as falha​s técni​cas (​nunca​ estar​ei 100% satis​feito​,​ é capaz​ de ser feiti​o - ahaha​!​)​,​ a maior​ia dos comen​tário​s foram​ "​favor​áveis​"​.​ Já não é um proje​cto bebé,​ cresc​eu,​ e em termo​s numér​icos esper​o que isso també​m se faça senti​r.​ Para já, na Conve​nção,​ foi dobra​da a meta de 2007 com o novo Anuár​io,​ tendo​ o acrés​cimo de ainda​ irem algum​as dezen​as de cópia​s da ediçã​o anter​ior por compa​nhia.​ Novas​ pesso​as lidar​em com o unive​rso da tatua​gem,​ e o secto​r estar​ hoje mais sólid​o e digni​ficad​o que nunca​.​

Agora​ vamos​ ver como o país o receb​e.​ Já anda por aí pelas bancas e até já receb​i telef​onema​s (nem todos​ "​inter​essan​tes"​,​ mas enfim​,​ há que ter paciê​ncia e ser cordi​al)​.​

Obrig​ado pelo apoio​!​ Em 2009 vou ver se não passo​ tanta​s horas​ a ser tatua​do e consi​go priva​r com tod@​s no Tatto​o & Rock – ou pelo menos​ com um ar menos​ sofre​dor,​ hahah​a!​!​

Cheer​s!​

Thursday, September 18, 2008 
Sucesso.

Por isso começar por renovar agradecimentos a todos os que tornaram possível existir a revista portuguesa de tatuagem (e piercing). Nunca é demais lembrar o conceito do Anuário: uma produção conjunta com os estúdios. Um objecto de beleza acessível a todos por um preço justo. Prestigiando e defendendo o sector, sendo por isso mesmo também a sua voz.

Depois da criação, a evolução – a par de um sector mais produtivo que nunca, em mais um ano que passa. Prova disso é, por exemplo, o crescimento da nossa Convenção. Um evento que começou humilde numa discoteca da capital, em 2007 mudou-se para a ampla Fundição de Oeiras, e não constitui agora surpresa para alguém atento que o próximo Tattoo & Rock vá ter lugar no Pavilhão Atântico.

Igual sinal da força da tatuagem nacional é o crescente número de profissionais portugueses em convenções internacionais, atentos ao que se passa noutros cenários, viajando ou fazendo guest-spots noutros cantos do mundo. O português Marco Serio salienta-nos isso adiante nestas páginas. Uma presença que nos honra e uma voz construtiva com conhecimento global e local do mundo da tatuagem. Também interagimos com C.W. Eldridge (Tattoo Archive, revista Skin & Ink, etc.) que é uma das maiores autoridades neste universo. C.W. agraciou-nos com uma sua peça de cariz histórico mas também um traço futurista, uma vez que lida com uma alternativa pouco difundida: as máquinas de tatuar pneumáticas. Neste Anuário abordamos também a nova técnica no campo do body-piercing: o microdermal.

Já pela negativa, 2008 será lembrado pelo rocambolesco de uma proposta de Decreto-lei inconsistente. Porque possui omissões elementares ao nível da higiene e segurança e porque arrancou com a bandeira do moralismo radical, tido como impopular e rapidamente forçado a uma correcção. Durante uns dias assistimos quase estupefactos a um ping-pong de uma só raquete, media-food levado à exaustão, egocentrismo-circense televisivo, e ameaços de histeria colectiva porque, infelizmente, ainda há ausência de uma representação associativa consistente neste sector.

Em 30 de Julho de 1999 a Secretaria de Estado da Saúde emitiu a portaria CVS-12. Nela constam "providencias correlatas sobre os estabelecimentos de interesse à saúde denominados Gabinetes de Tatuagem e Piercing". Será que o executivo politico considerou a anulação desta normativa em pról de uma "nova" alternativa, minuciosa no campo da química e incompleta no campo da saúde?

Em 14 de Novembro de 2007 foi emitida no Diário da República a portaria 381, que consta de uma revisão do CAE, de acordo com o Regulamento (CE) n.º 1893/2006 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 20 de Dezembro de 2006. Nesta revisão é criado o código 96091 que corresponde a "actividades de tatuagem e similares". Informamos, caso haja quem também o desconheça.
A ASAE tem tido oportunidade de analisar a actividade económica e sanitária de vários estúdios. Por que critérios se estará a reger? Os mesmos que nós? Trabalhar de forma positiva, e sempre na defesa da saúde pública e do consumidor, mas é fundamental ouvir e compreender as realidades com que se lida!
Já agora fica a sugestão...

A verdade é elementar: qualquer estúdio digno informa devidamente o seu cliente quanto a riscos e procedimentos. Simplesmente é mau negócio a insatisfação ou resultado nefasto decorrente de uma prática indevida.

A conversa vai longa e argumentativa. Mais adiante beleza e arte com fartura. Fiquem por aí. E já agora continuem a enviar feedback espontâneo. Um mail com uma critica, sugestão ou pergunta é sempre apreciado.

Abraços a tod@s.

JP


Friday, August 15, 2008 
Caros Amigos,

É com pesar que nos dirigimos a todos para comunicar que o Underworld – Entulho Informativo vai suspender as suas actividades por tempo indeterminado.

Foi uma decisão difícil mas inevitável no contexto de crise que atravessamos, pelo que entendemos preferível parar a baixar o nível qualitativo que sempre procurámos elevar a cada nova edição.

Não adianta dissecar todos os motivos que nos levaram a tomar esta decisão, apenas referir que a intenção passa somente por deixar a porta encostada, não a fechando completamente. "Melhores dias virão."

O Underworld sempre foi um trabalho de paixão, a partir do qual nunca retirámos qualquer dividendo que não fosse o prazer que nos deu fazê-lo ao longo destes anos. Apesar de todos os altos e baixos, olhamos para trás com orgulho por tudo o que alcançámos (desde 1994) apenas com o nosso esforço e sem cedências de qualquer espécie.

Resta-nos agradecer o apoio de todos os que tornaram possível este sonho, e criaram a identidade muito própria que é o UW, delineado em toalhas de papel manchadas de cerveja por vários restaurantes em Lisboa, desde bandas, editoras, anunciantes, promotores, ilustradores, nunca esquecendo todos aqueles que, de forma abnegada, nos ajudaram a fazer chegar revistas aos locais mais recônditos do país.

Fica a faltar uma palavra especial para a nossa equipa de colaboradores mas, para esses, já nos faltam as palavras. Muito obrigado a todos.

Um abraço e até sempre!

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As palavras são do coração do Amorim, Editor do Underworld – Entulho Informativo, subscritas por mim.

Em 2000 o Underworld teve a sua primeira morte. Na décima edição. Regressou em 2003 para uma jornada de mais 16 revistas e cinco CDs. Fizemos acontecer coisas praticamente inacreditáveis aos nossos olhos, voltando ao ponto de partida com a mesma humildade com que começámos.
Privámos com criaturas realmente excepcionais, aprendemos imenso a nível humano e profissional, vivemos experiências inqualificáveis. Sempre com suor no rosto, por vezes sangue. E fez sentido – apesar de em alturas mais difíceis por vezes não parecer.

Foi um trabalho de prazer mas também de sacrifício. Fizemos quase ponto de honra de ser os primeiros a criticar quem se queixa das adversidades (e não valoriza o que tem!), não o vamos estar agora nós a fazer. Que se fodam os coitados do mundo. Foi bom enquanto durou e é isso que importa.

Tornámo-nos demasiado exigentes para o nosso próprio bem? Talvez. No Rock 'n Roll quando o ímpeto esmorece perde-se o feeling. Nós não somos sell-out nem poseurs. Esses sempre ficaram bem nas capas das outras revistas. "It's better to burn out than to fade away." Já dizia o outro de pescoço agrafado. Arder em intensidade, ou não de todo.

Deste lado irá persistir como noutros ciclos um enorme "e se", o mesmo "e se" que um dia fez surgir, e re-emergir o cavalo de batalha chamado Underworld em 2003. A paixão jamais morrerá. É o que nos define.

Façam acontecer coisas. Agora é a vossa vez!

JP, over and out.
Sunday, July 13, 2008 

Current mood:Nostalgic



Adoro foder-te. És sedosa, aperto-te e sinto-te firme em mim.
Atinjo estados autênticos contigo. Penetro-te. Aprofundo-te.
Desejas levar comigo neste frenético exercício. Ambicionas por mais, até ao fim...
Que nunca o é. Um ciclo interminável. Êxtases múltiplos de infinito a dois.

Já não vivo sem o teu cheiro, sem esse microcosmos, e o teu inebriante toque...
Andamos juntos por caminhos que mais ninguém percorre, fazendo da morte vida e da vida morte.
Viragens súbitas, esgares insanos, palavras, sons de devassa hipnose... Morde-me agora.
Dá-me, mais, mais... Carrega com tudo aquilo de meu que nunca permitirei que deites fora.
Sente-me... Vive-me!

Sim, adoro enterrar-me completo dentro de ti, jorrar por toda a parte...
Abraçar-te num misto de peganhesa, luxuria e doce.
Tacteio-te suavemente para ganhar segurança, e deixo a minha língua percorrer-te... toda!
Gemes, chamas-me tudo... e por mim.

E quero mais! Sim... Sentir-te mais uma e outra vez...
E nada mais importa, nada mais...!
Dentro, mais ainda... Forte, suave, húmido... já arde outra vez... Recebe-me na mesma...

Deita-te a meu lado...

.


Tomei-te nos meus braços e senti-te... viva.
Olhei nos teus olhos e vi-te... arrependida.
Pensei nas tuas acções e julguei-te... morta.

Então deitei-me a teu lado.
Não, não eras nada do que sonhara.

Até nunca.


in "Banal000" (97.03.12),
publicado sob pseudónimo em Underworld – Entulho Informativo N.º 7, 1998

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Depois de dez anos, resolvi assumir. Fui eu que escrevi. Lembro-me de na altura apreciar o feedback e questões em relação à autoria. Ainda sorrio com isso.

No exercício da palavra damos pela pena a revelar a nossa intuitiva auto-análise, auto-retrato. Há alguma ostentação na intensidade destas palavras. Não o nego. Por isso o publiquei. Talvez também para mostrar a alguém em particular – não o consigo assegurar hoje, por incrível que pareça.

"Vaidade. Tudo vaidade.
Vaidade e medo da morte."

1997 foi um ano bastante profícuo em insónias, dilemas, toxicidade e... palavras. Hoje encaro as mesmas insónias e dilemas com uma visão bem diferente, mas a mesma sensibilidade. Nunca deixamos de ser o que realmente somos no nosso âmago. Há quem lhe chame coerência. E, karmico ou não, todos temos aquilo que merecemos – mais cedo ou mais tarde na vida. Ela, a vida, encarrega-se disso.

Fetagun (RIP)
Friday, July 04, 2008 

Current mood:  argumentative
"Penguins are among those species that show us that we are making fundamental changes to our world," (...). "The fate of all species is to go extinct, but there are some species that go extinct before their time and we are facing that possibility with some penguins."
As the world's population continues to explode and more and more people live in coastal areas, the negative effects are growing for both marine and shore-based habitats used by a variety of species. There is an urgent need to begin monitoring those negative impacts, Boersma said.

"I don't think we can wait. In 1960 we had 3 billion people in the world. Now it's 6.7 billion and it's expected to be 8 billion by 2025," she said. "We've waited a very long time. It's clear that humans have changed the face of the Earth and we have changed the face of the oceans, but we just can't see it. We've already waited too long.


6,7 billion people trying to achieve an industrial lifestyle where you consume and throw away plastic entertainment every week, is a complete disaster. Dee Boersma is right when she says that we need the penguins in real life and not just on TV. Time to change direction of where we're heading, not just in the West, but in the East as well as in continents like Australia and Africa. We don't have time to sit around and debate whether we should execute carbon farting cows or how many light bulbs each democratic citizen ought to recycle. We need to be fewer people and we can't go on living the lifestyle we're living at the moment. Until we address these two fundamental points, the penguins across the world will continue to suffer, and the oceans with them.

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Alex Birch, http://www.corrupt.org
Monday, June 30, 2008 
Deitado no chão da rua com a cabeça em cima de uma mochila, detritos a esvoaçar à minha volta e aves de rapina a grasnar ocasionalmente; lia Sartre (aquele que dizia que o inferno são os outros). Alternando entre o contemplativo e o melodioso, fui remetido para um tema musical que me tocou em dado momento, rodando no leitor digital que disfarçava o burburinho das criaturas em meu redor. Milhafres.

Estas últimas semanas têm sido bastante intensas. Sinto que a vida tem cada vez mais a revelar e oferecer-me – se eu lhe for sobrevivendo. Dentro da minha condição humana transcendo limites que nem sabia haver em mim, e outros que julguei insuperáveis. Aumento o meu capital de amizades. É também isso que por cá deixamos e nos pacifica. Dou prioridade ao que realmente interessa.
O futuro sempre me foi incerto. Será sempre esta a minha condição. Mas busco sempre um cume mais alto. Construir outra torre de maior elevação. No processo sinto a vida. Sou.

"Atravessei os mares, deixei cidades ficar para trás, e subi os rios ou penetrei pelas florestas, e buscava sempre outras cidades. Possuí mulheres e joguei à pancada com homens; e nunca podia voltar atrás, como um disco não pode girar ao contrário. E tudo isso levava aonde? A este minuto. A este assento. A esta bolha de claridade, susurrante, de música.

And when you leave me.

Sim, eu, que gostava tanto, em Roma, de me sentar à beira do Tibre; em Barcelona, à noite, de subir e descer muitas vezes as Ramblas; eu, que, perto de Angkor, no ilhéu do Baray de Prah-Kan, vi, à roda da capela dos Nagas, as raízes enterlaçadas duma figueira-da-índia, estou aqui, a viver o mesmo segundo que estes jogadores de manilha, a ouvir uma preta cantar, enquanto lá fora erra a noite indecisa.

O disco parou.

A noite entrou, melíflua, hesitante. Não se vê, mas está presente; turba a luz dos candeeiros. Respira-se no ar qualquer coisa de espesso; é ela. Está frio.
(...)
Este frio é tão puro, tão pura esta noite; não serei eu próprio uma onda de ar gelado? Não ter sangue, nem linfa, nem carne. Correr como um líquido por este longo canal, direito àquele clarão lá ao fundo. Não ser senão o frio."

in A Náusea. Jean Paul Sartre

Revejo-me no filósofo. No pagão (irlandês) amargurado mas imponente. Penso em voz alta e apeteceu partilhar(me) nas suas palavras. Raro acto a que o devir quase nunca me permite. Estou demasiado ocupado a viver. A fazer.
Não estive esta tarde e soube tão bem... ;) *


Primordial:
The Soul Must Sleep

"I have crossed the seas, I have left cities behind me,
And I have followed the source of rivers towards their
Source or plunged into forests, always making for other
Cities. I have had women, I have fought with men ; and
I could never turn back any more than a record can spin
In reverse. And all that was leading me where ?
To this very moment..."
[Jean Paul Sartre "Nausea"]

I sink below the waves
Is this what I've been looking for ?
It seems
I've found someone to die for
Someone to lie for...

I've drunk my fill of misery
It's time to move on
Restless and forgiving
It will lead me to the Grave

Let's leave for other worlds
Leave the future behind
Here...my will has been spent
Let us depart
Before the night steals upon us
The Wretchedness of another day

"The wish, the want, to stay in the dream state,
Can leaving this mortal coil be seen as a new
Departure?, or a return to a permanent dream state ?
To feel to never want to wake. For here my will has
Been spent..."

No iPod a coincidência era a minha. Estava confortável com os costados no chão de cimento rugoso, mais confortável com a minha plenitude interior.

Back to basics.