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Há séculos rola uma filosofia muito importante e bonita que
(mal resumidamente) nos diz que tudo o que acontece vem para o nosso bem. Essa
verdade elementar da natureza já foi sacada por vários sábios ao longo da
história da humanidade. Seja lá qual for sua crença e até mesmo não crendo em
nada, temos que concordar que essa “lei”, de que tudo acontece para o nosso
bem, é muito confortante para qualquer ser humano diante das adversidades e
perrengues que a vida impõe a todos. Eu, particularmente, acredito nisso: que
toda mudança é para melhor, e que todos os percalços são para o nosso
aprendizado. Portanto: tudo vem para o nosso bem.
Mas, limitados que somos ainda, estamos sujeitos às
confusões da interpretação. Muitas
descobertas, sacadas e ensinamentos adquiridos pela humanidade através dos
tempos foram e são, até hoje, erroneamente interpretados. “Opa! Erroneamente?
Então você está admitindo a existência de um certo e um errado?”
Sim. Dentro da relatividade que abraça a tudo (como nos
provou aquele malucaço genial da língua pra fora), existe o certo e o errado, o bem e o mal, a vida e a
morte, e todas as outras dualidades
características desse mundo em que nos encontramos.
Aí, aquela pulguinha rebelde atrás da orelha joga a idéia na
cabeça: “Mas se tudo vem para o bem, logo o mal não existe. Não preciso me
preocupar. Tudo é perfeito e maravilhoso!”
Sem dúvida, tudo é lindo, perfeito e maravilhoso. Mas
atenção: Saber que tudo o que nos acontece vem para o nosso bem não nos exime
da responsabilidade que nos cabe
desde o primeiro segundo em que saímos da barriga da nossa mãe. A
responsabilidade do direito da escolha, da faculdade de pensar, da capacidade
de discernir, que nos torna diferentes (mas nem por isso melhores) de todos os
outros seres, nossos irmãos, desse planeta em que moramos.
Por poder raciocinar, escolher e arbitrar, somos senhores
dos nossos atos. Por esse motivo devemos, além de agradecer, respeitar e fazer
valer esse don que nos foi dado. Pra que você pensa? Pra que você tem iniciativa e vontade? A
resposta pode variar muito de pessoa pra pessoa, mas parece óbvio pra todo
mundo que algum motivo para isso existe. Negar essa parada, é colocar o ser
humano na condição de máquina sem criatividade e sem poder de decisão.
Justamente duas características que definem essa espécie. É negligenciar o que qualquer ciência admite: que toda ação tem
uma conseqüência. É jogar no lixo essa coisa tão preciosa e bonita que a
natureza nos deu: o livre-arbítrio.
Portanto, saber que tudo
vem para o nosso bem não pode servir de desculpa para a nossa apatia,
preguiça e covardia diante da responsabilidade que a vida nos cobra. Tudo é
lindo e perfeito, mas nós também somos responsáveis por essa perfeição. O
passado nunca poderá ser mudado, e tudo o que ele trouxe foi para o seu bem.
Mas o futuro é a nuvem de infinitas possibilidades que se apresenta diante de
você esperando as suas atitudes e decisões para virar realidade. Dentro dessas
possibilidades existem as que vão te ajudar mais ou te atrapalhar mais. Consequentemente,
ajudando e atrapalhando aos seus semelhantes que tão aí na sua volta.
Então fica esperto meu/minha camarada! Você é inteligente,
você tem tarefas, você tem responsabilidades. Além de ser tudo e ser todos,
você é um indivíduo à parte. Você é um ser humano!
.Vitor