Review - Jardim de FerroDepois de um primeiro EP saído em 2007 os
Gnomon trazem na bagagens a mesma vontade inspiradora em criar música.
Apesar de algumas diferenças obvias “Jardim de Ferro” é a continuação
lógica do trabalho da banda de Joane.
Os Gnomon continuam a fundir
estilos. Misturam o tradicional com jazz. Mostram carinho pela arte de
improvisar. E polvilham aqui e ali o seu som com um pouco de
progressivo.
Por altura do primeiro EP era quase imperceptível qual
estilo tinha mais peso no som dos Gnomon, se o jazz se o tradicional.
Era certo que as musicas dos Gnomon partiam sempre do tradicional, para
depois se casarem de forma sublime com o jazz..
Em “Jardim de Ferro”
o tradicional começa a ganhar mais peso na construção musical da banda.
Logo a abrir o tema “Alvura” que nos indica na perfeição o caminho que
a banda quer seguir e onde participam os Tocá Rufar e o Ensemble de
Gaitas de Vigo.
Outra diferença, esta maior, que encontramos neste
disco é a presença de voz em alguns temas. Em muitos deles a voz de
Carla Carvalho funciona como mais um instrumento que adorna de forma
muito bela o som. Mas temos por duas vezes canções onde as palavras se
soltam, ao vento. Em “Passeio dos Contentes”, Zé Perdigão oferece-nos
uma arrepiante interpretação. Em “Um Tempo de Por Ti Ser “, volta a ser
Carla Carvalho a “dizer“ as palavras.
Apesar desta evolução obvia, que se saúda, os Gnomon não perdem a sua linha orientadora que os torna num projecto tão singular.
De
realçar ainda a participação neste disco de Rui Luís Pereira (Dudas),
Eleonor Picas, Hugo Correia dos Fadomorse, Artur Fernandes dos Danças
Ocultas, David Viegas, Zé Valente e Tiago Dias.
Voltamos assim a
estar perante um registo onde a melhor palavra para o definir é: fusão.
Uma mistura sublime de estilos que nos trazem uma enorme paz de
espírito.
“Jardim de Ferro” é um disco fervilhante, que se digere de
forma fácil. Para este facto contribui uma produção simples mas
certeira. Sem grandes artefactos, mas a deixar o som fluir de forma
certeira.
Abre-se assim a porta para que o tradicional entre noutros palcos e para o jazz chegue a outras casas. Um encontro muito feliz.
Os
Gnomon, não se desviam do seu caminho. Escovam o seu melhor fato,
vestem-se de novo a rigor e partem para nova viagem, onde pisam
caminhos de terra portuguesa.
Nuno Ávila