Não parece, mas já passaram quase 3 anos desde a edição do “Panorama de uma Vida Normal”, o primeiro e até agora único trabalho editado como Landfill.
Em Outubro de 2006 o Pedro Leitão, da excelente netlabel Test Tube, deu-me a oportunidade de lançar um álbum gratuitamente pela internet, algo que eu nem sequer sabia possível. Quando se cresce em meios pequenos, estas coisas às vezes acontecem.
E esse álbum/EP/o-que-lhe-queiram chamar será sempre para mim um marco, não só pela música como também por tudo o que aconteceu desde a sua edição.
Criei o projecto Long Desert Cowboy porque a música de Landfill mudou. Muito. Mas preciso da experimentação também, e nada melhor como um pseudónimo cowboy para um alentejano actualmente na Irlanda para das asas a essa liberdade que é o fazer música com imagens na cabeça.
Seguiu-se Oceansea, com canções que se acumularam ao longo de anos e anos e que já vão em largas dezenas, esperando melhores tempos financeiros para serem gravadas em condições e então editadas. Houve uma inesperada sessão acústica na Antena 3 em 2008. Inesperada porque eu, como qualquer bom alentejano, pensava que ninguém estava para se dar ao trabalho de ouvir a minha música. Obrigado aos que me contrariaram.
Depois vieram as bandas.
Primeiro os Moneymaking Machine, depois os Delay Lama, ainda os Seven Thousand e por fim os Uaninauei. São muitas. Por mim podiam ser mais. A música não tem limites, porquê impor-lhos? E desta forma posso usar todos os tipos de penteados possíveis, que ninguém me pode acusar de não encaixar no "estilo" que toco. Isso é quase importante.
Nos próximos meses será gravado um álbum de Uaninauei, um EP de Seven Thousand, uma demo "como deve ser” de Delay Lama. E Landfill terá uma banda que lhe faça jus.
Este é, portanto, um trabalho de transição, a passagem do ambiente espacial e conceitual de "Panorama de uma Vida Normal" para o cançonetismo psicadélico que será "Cantigas do Pobre e do Morto" (do qual já podem ouvir demos de "Vaca Sagrada de Tetas Espremidas", "Cantiga do Pobre" e "Fado dos Invertebrados" há muito aqui nesta página).
As palavras roubam algum espaço à música, o suficiente para conviverem amigavelmente.
Rádio Pirata porque estas músicas e respectivos poemas (e como eu odeio esta palavra) fazem mais sentido para mim ouvidas numas colunas pobres, de pouca qualidade.
A má qualidade da gravação e a voz distante quase que me obrigam a encostar o ouvido aos auscultadores para me perceber. Gosto dessa sensação, leva-me à infância do ouvido na telefonia a ouvir o Álvaro Costa, o Henrique Amaro, o António Sérgio e o Nuno Calado no meu rádio-despertador, acordado até às 3 da manhã para o programa do Rui Estêvão, e acordar às 7 para ir para a escola.
Espero que gostem e partilhem.
Acima de tudo, espero que lhe dêem o benefício da dúvida.
Tudo de bom,
Daniel Catarino – Landfill