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Black Bombaim



Last Updated: 12/27/2009

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Wednesday, December 10, 2008 
....
Escrito por André Forte   
23-Nov-2008

O Surgir do Stoner Português: Entrevista a Black Bombaim

 


passavam das dez noite. Os Black Bombaim, que figuravam no cartaz da
noite de 22, aguardavam o início dos concertos encostados à carrinha
que os levou até à porta da Via Latina em Coimbra. Com o Ipod
amplificado através de umas pequenas colunas, instalado no tabeliet da
carrinha, ouviam Sleep e fumavam os seus cigarros. O Ponto Alternativo
abordou-os para uma pequena conversa sobre um pouco do passado, muito
do presente e ainda algo do futuro – que começa a adquirir contornos
promissores.

 
Comecemos pelo mais importante: vocês foram abrir para Brant Bjork – é um privilégio.
Como foi? Correu bem?

Tójó: Foi o melhor. Ele é um ídolo da nossa adolescência. Já o ouvimos a música dele desde que temos 15 anos, Kyuss, Fu Manchu,
e tocar com ele... O concerto correu bem. O pessoal que estava a ver
era da onda. E raramente tivemos isso nos nossos concertos, pessoas que
gostassem de Stoner e de Rock Psicadélico. E todos gostaram. Boa gente
veio falar connosco no fim para dizer "altamente". Foi muito bom para a
visibilidade.

E ele gostou daquilo que ouviu?

T:
Ele não ouve. Nós estivemos a falar imenso tempo com ele. Mas ele disse
que não gosta de ouvir bandas [antes de tocar]. Desconcentra-se da cena
que tem de fazer. Isso e também não fuma ganzas antes de tocar. Ele
disse que o desconcentra, se estiver a ouvir bandas. Mas o roadmanager
dele, um alemão, gostou. O gajo do Stoner Hands of Doom, ou Stoner From
The Underground, disse que ia entrar em contacto connosco.

Isso
é muito bom. E serem convidados para tocar com o Brant é sinal de
alguma coisa. Quer dizer que vocês começam a ter visibilidade.


T: Pois. Quem organizou o concerto foi a Cooperativa dos Otários, uma organização de quinze, dezasseis pessoas. E alguns que já nos conheciam viram que era adequado ao Brant.

A vossa maqueta de 2007 tem tido alguma atenção, mais nesta fase de 2008…

T:
É a primeira maquete. Essa nem saiu do armário. Essa ficou por lá, teve
no myspace algum tempo… Agora queremos apostar no que acabámos de
gravar e que está para sair.

Digo isto porque, é curioso, tenho visto que agora é que começam a pegar na maqueta e começam a ver o que é que vocês lá tinham.

T: Sim…

Já de Fevereiro de 2007, de há mais de um ano.

T:
Já não tem quase nada a ver com o que nós fazemos agora… quer dizer,
tem as raízeszitas. Mas é muito diferente agora. Adoptámos mais o
psicadélico, fugimos mais aquele rock 4 por 4.

Vou ter
de vos fazer esta pergunta. Sei que já falaram disto nos Santos da
Casa, sobre o vocalista. Acho que foi o Ilídio que escreveu na vossa
biografia, no Myspace, que "é esta a banda a que todos tentam arranjar
um vocalista." Mas eu vou tentar pôr isto de outra forma – vocês acham
que o vocalista ia condicionar o vosso som?


T: Totalmente. Da maneira que nós fazemos [música] é impossível nós termos vocalista.
Senra: Não temos esse método de trabalho.
T:
Não, porque – e tu vais ver o concerto – é diferente. Os temas que
temos gravados no Myspace, mesmo os novos que vão sair, são
completamente diferentes daquilo que nós fazemos em concerto. É um
conceito também diferente. Um vocalista… não dava.

Condicionava a estrutura…

T: Exactamente.

E vocês são uma banda de Jam, pelo que percebi.

S:
E não há tantos vocalistas por aí que se adeqúem a este tipo de som. O
nosso som é mesmo instrumental, é muito vocacionado para o
instrumental. Já pensámos, deixámos de pensar. Agora esquecemos
completamente. Não há necessidade nenhuma.

O instrumental é mesmo o que faz mais sentido, para vocês….

S: As nossas vozes são cordas. É um site, por acaso, de música instrumental. "Their voices are strings."

O vosso álbum de estreia também está para breve. Vai ser misturado pelo John Golden…

T: Já foi, já foi. Os temas que estão no Myspace já estão masterizados.

E como é que conseguiram esse contacto?

T:
Como é que foi? Ah, isso é interessante. Nós estávamos assim um bocado
descontentes com o trabalho de mistura e masterização. De gravação
correu muito bem, mas o de mistura e masterização não estava a assim
correr muito bem. Tivemos de insistir para ele fazer uma mistura muito
boa. Mas depois decidimos mandar-nos para a frente e para o futuro. Eu
falei com Scott Reeder, dos Kyuss,
pelo Myspace e perguntei-lhe se ele não masterizava o nosso trabalho,
eu sabia que ele tinha um estúdio e tudo. Ele disse que isso não é uma
coisa que tu dás a um gajo com um computador para fazer, que tem de ser
um profissional e mandou-me o site do gajo que masteriza tudo aquilo
que ele grave. Entrei em contacto com a filha dele [do John Golden],
ele mandou-me lá o orçamento e fomos para a frente com isto.
Custou-nos, tivemos que arranjar dinheiro por aí, roubar e assaltar
pessoas…

Estou a ver que os bancos e bombas de gasolina lá pelo Norte…

S: Em Barcelos ficou tudo por nossa conta (risos).

Já têm título e data para a edição do álbum?

T: Título, vai ser homónimo. É capaz de soar a cliché, mas é este o som que nos define. Black BombaimBlack Bombaim.
Foi como ele disse no Santos da Casa: não é bem o que nós fazemos em
concerto, é um complemento. São canções que fizemos para ser mais fácil
de ouvir. Mas da próxima que gravarmos, daqui a algum tempo, já vamos
optar por temas mais longos, como fazemos agora. E data… Janeiro,
Fevereiro.

Ainda não é certo…

T: Ainda não está certo. Temos ainda de tratar disso com a Lovers e com a Sonic Infusion.

Vocês já têm tocado fora, foram tocar a Vigo há pouco tempo…

S: É um bocado mentira. Fora…

Sim, bem sei que a Galiza é quase Portugal.

T:
Por acaso, a gente vinha a falar, hoje foi a primeira vez que passamos
o Douro. Tocámos em Bragança, não foi Vigo, foi numa cidade entre
Santiago Compostela e Corunha, mais para dentro. Foi porreiro, com os
amigos Supa Scupa.
S: Temos é no dia 5 de Dezembro, na Fábrica do Chocolate, em Vigo.
T: Sim, agora é que vamos a Vigo.

Mas no geral os vossos concertos têm boas reacções? Além da parte do vocalista…

T: Pois, isso era no início! Agora… eu fiquei maravilhado, mesmo, com as pessoas no fim do concerto de Brant Bjork. Vieram todas dizer-nos que o nosso som era altamente. Nós ficámos mesmo…

O público em Portugal também começa a estar mais habituado ao instrumental.


T: Ao instrumental e ao Stoner, também.

Pois começam a aparecer algumas. Há os Josué O Salvador aqui de Coimbra…

T: Há os Cosmic Vishnu, uns amigos nossos de Barcelos…
S: Os próprios Marbles, que tocaram connosco lá no Brant Bjork. Que não é bem Ston
er…
T: Isso é que é o Stoner! O Stoner assim mais straight.

Vocês falaram de Barcelos e eu tenho de vos perguntar isto. Aquilo que está a acontecer lá é fenomenal, não é?

T: Visto de fora parece grande, parece um grande movimento.

Pergunto
isto porque não são só vocês que começam a ter visibilidade, mas há
muitas bandas mais experimentais por lá que também o começam a
experimentar… os Lalala Ressonance são de lá, os Nikouala são de lá…


T:
É assim, visto de fora, aquilo parece mesmo, como às vezes dizem,
Seatle. Mas nós, por dentro, nem temos noção disso. Sempre foi assim,
sempre lidámos com muitas bandas. Toda a gente que conhecemos ou toca
numa banda ou tem amigos próximas que tocam numa banda. É natural. Nós
nem vimos isso como uma cena, mas por fora é capaz parecer.

Digo
isto porque o movimento musical mais interessante dos últimos tempos
aparece lá. Nos últimos dois, três anos é quase tudo de lá. É fenómeno
para nós, por exemplo, que somos de Coimbra, supostamente a capital do
Rock.


Ilídio Marques (Sonic Infusion): Eu estou parvo!
T: E nós olhamos para Coimbra e dizemos que é a capital do Rock. Dizemos que é onde os Tédio Boys apareceram.
S:
As bandas singraram aqui… enquanto que em Barcelos, por muito que as
bandas caminhem, têm que arriscar muito mais. As bandas arriscam muito
pouco. Temos bandas lá que têm qualidade e raramente saem de Barcelos,
raramente ensaiam, raramente tocam. Tu conheces muitas bandas de lá,
vamos falar que há mil e uma bandas. Mas bandas a tocarem, mesmo,
encontras três, quatro no máximo.
I: Sempre houve bandas em Barcelos, a questão é que nunca houve forma de as pores cá fora.
T:
Não há nada como no Barreiro. Porque eles unem-se todos, fazem o
festival deles e mexem-se para fora. Em Barcelos, não há ligação entre
as bandas.
I: Não é questão d
e
haver ligação ou deixar de haver ligação. É um bocado difícil teres
ligação entre bandas que têm estilos completamente diferente, gostos
completamente diferentes. No Barreiro é muito a cena de Rock 'n' Roll,
não consegues encontrar Stoner e assim. Em Barcelos tens bandas de
Metal, de Rock, de Pop, de Hip Hop, de Punk… tens tudo. Começou é a
haver um bocadinho a cena de venderes o produto. Em Barcelos vendeu-se
o produto. Tinhamo-lo, mas não sabíamos como lhe fazer promoção.
Começámos, finalmente, a fazer promoção ao produto, a vender o peixe, e
em três anos… o Myspace ajudou bastante naquilo. Muita gente conhece
bandas de Barcelos pelo blogue Rock Rolla em Barcelos, que foi eu que
criei. Por isso é que fico surpreendido ao ver-te falar assim de
Barcelos, não tinha noção que aquilo parecesse Coimbra no tempo dos
Tédio Boys. Lá não tens aquele espírito Rock 'n' Roll, musical. Não
tens sítios para tocar… tens um barzinho e o auditório.

Mas isso não é só em Barcelos.

I: Pois, mas isso leva as bandas a querer sair dali e foi o que aconteceu.
T: Isso da cena de Barcelos é um tema um bocado polémico. Já dava outra entrevista.
S: É reunires as bandas…

Tenho de pensar nisso… mas estou a ver é que isso dava um debate.

S: Dizem uma coisa pela frente, mas por trás…
T: Isso foi o que ele [Senra] disse no Santos da Casa! (risos)

Essa parte foi engraçada. Até te podia perguntar o que é que querias dizer com isso.

S: Não, está aí o Ilídio, ele tem o blogue e acho que ele consegue desenvolver melhor o assunto.

Sim, mas o Ilídio não é da banda…


S: (risos) Vai-te embora [Ilídio]!

E planos para o futuro? Claro que sobre o álbum já falámos…

T:
Tocar, mostrar a nossa música, fazer com que as pessoas conheçam…
basicamente isso. Sabemos que o ponto mais alto que podemos ter, na
nossa carreira enquanto músicas desta banda, é tocar no Roadburn. Isso
é um desejo, é o ponto máximo. Muitas bandas dizem que é actuarem no
Royal Albert Hall, num alto festival. Roadburn – para nós é o máximo.
Não estou a dizer que estamos a trabalhar isso, não é um objectivo.
S: Seria um bónus.
T: Nós fazemos isto por gosto.


E só por curiosidade, o que é que têm ouvido?

T: Earthless é a minha banda do momento. Ultimamente, muito Sleep e Black Sabath, mas isso também é sempre. Houve uma que descobri… descobri não, arranjei: Blood Cerimony. Uma mistura de Jethro Tull com Sabath.

Flautas com guitarradas?

T: É. É uma miúda a cantar e a tocar flauta.

S: O que é que eu ando a ouvir? Não é possível dizer… Karma to Burn, OM… e… Ivan Costa (risos).
Ricardo: Sleep, Jimy Hendrix, Sabath…

Falaste
em arranjar… Vocês disseram uma coisa muito curiosa no Santos da Casa,
sobre o download. O pessoal faz o download, deixa-o lá por casa atirado…


S: É o Rock do Mp3.

O vosso Ipod ali [no tabliet do carro] diz algo sobre isso…

T:
Pois! (risos) Sacas um álbum, és capaz de ouvir uma ou duas músicas e,
pode até ser muito bom, mas nunca mais pegas naquilo. Quando compras um
CD, um vinil, uma mixtape, tu ouves aquilo até à exaustão. Agora os
álbuns sacados… há alguns que, claro, vais ouvir sempre. Mas é mais
fácil de ignorar, de esquecer.
S: Lembras-te de quantos gigas de música tens no disco, mas não te lembras que bandas é que lá tens.

Também
pergunto isto porque o vosso percurso foi até bastante clássico.
Utilizaram o Myspace, é algo novo. Mas foi trabalhar, tocar, gravar com
o dinheiro que obtiveram para, finalmente, editar um CD. Mesmo que por
uma editora independente como a Sonic Infusion, o objectivo é o
clássico.


T: Nós não sabemos fazer de outra maneira. Nem sabemos fazer desta maneira!
S: Há quem faça por nós: a Sonic Infusion e a Lovers & Lollypops. O álbum vai ser editado pelas duas. A ideia surgiu vinda deles. Eles acreditam em nós, nós só temos que agradecer e trabalhar.

Mas vocês não acham que através do download chegam a mais pessoas?

T: Eu sou completamente a favor [do download]! Que saquem o nosso álbum e que toda a gente o ouça! Er
a um espectáculo! Eu acho que uma banda tem que ganhar o que tem a ganhar em concertos. Isto de vender discos… quanto mais pessoas sacarem o nosso disco e o ouvirem melhor. São mais pessoas que possivelmente vão ver os concertos e isso é que dá gosto.

É a mais valia. Pelo menos para vocês que, sendo uma banda de Jam, aquilo que tocam não é o que gravam.

T: É um guia, é um complemento.