UMA EXPOSIÇÃO ESCUSADA
“A minha obra não
se destina a ir ao encontro do gosto de um público imediato, antes foi
feita para durar eternamente.” – afirmava Joakin Pereira, esse mito das
artes plásticas, em plenos anos 70. Existem relatos comoventes de pessoas
que afirmam ter sentido arrepios de prazer pela espinha acima depois de
ler estas palavras. São afirmações destas que nos dão força para
continuar.
Esta exposição –
aparentemente – não diz nada (é a velha história de não falar com
estranhos…). Aborda banalidades calculando-lhes as profundezas. Convida o
pseudo-intelectual a referir-se a ela como “uma espécie de arte Pop” e
provoca uma repulsa imediata ao amante de bricolage regional executada por
iluminados. É um misto de viagem no tempo com laivos de visão intemporal.
É uma coisa qualquer cheia de sentido, com objectivos bem traçados de
borracha na mão. É tão relevante como qualquer revista de sociedade ou
tónico capilar. Relaciona-se violentamente com a inutilidade e não tem
medo de enfrentar cobardes. Aparece pela frente e ataca por trás, qual
político em campanha eleitoral. São aparências que iludem e desiludem,
vários exercícios de vampirosismo compulsivo, valentes ataques de
verborreia que, ainda assim, deixam tudo por dizer. Enfim, é uma exposição
escusada.
