"Putos ao poder
Sinto-me rejuvenescido, contente, eufórico, livre, com um enorme sorriso de dentes podres e, ao mesmo tempo, cheio de inveja. Os culpados são The Glockenwise.
Um pontapé na depressão, um arrancar de cús gordos das cadeiras dos bares costumeiros e um desentupir de ouvidos de uma cidade (Barcelos) há muitos anos mergulhada nos sons de batuques, hip-hop ranhoso e tecno pop de menininhas não-me- toques e de aprendizes de mitra devoradores de ganza, líderes de gangs de três elementos, que choram nas esquadras perante as ameaças dos senhores agentes.
Não me interessa se o som é básico e sujo, é mesmo assim que eu gosto dele. Felizmente parece que não sou o único. Há uma geração apressada que não quer saber de músicas longas nem de ins ins tim nin nins transformados em solos pasmacentos.
Não me interessa se há riffs roubados aos Vicious 5 nem se há poses copiadas dos Green Machine, porque esses também os roubam e isso dilui-se com o tempo.
O que me interessa é que há garage dos 60's e punk dos 70's que se diluiu com o tempo e faz falta recordar, sem um pingo da depressão dos 80's nem da "pedrada" dos 90's.
Putos ao poder já!
Para quem lhes chama geração myspace engasguem-se com isso, porque dessa eu também faço da parte, como fiz da outra a que chamaram rasca.
Não adianta inventar rótulos, eles já definiram o seu, "explosive generation". Uma geração explosiva com pressa e vontade de viver face a correntes políticas gastas, pressões financeiras, mentes corrompidas e futuros incertos.
The Glockenwise são uma banda descomprometida, sem timidez e sem vergonha de afirmar que não tem idade para conduzir, entrar em casinos, casas de alterne, nem tão pouco comprar tabaco nas máquinas, mas que tem coisas para mostrar a um público, nas mesmas circunstâncias, ávido de som e movimento.
E não, isto não é rock para crianças, tenho a certeza que há muitos adultos, alguns bem mais velhos do que eu, que vão ficar contentes em ouvi-los.
Como todas as bandas de gente crescida esta também tem um frontman, um Iggy puto que "corre, pula, canta, dança, brinca, joga salta e ri" e ainda tem tempo de confessar que não é mentiroso como os Classified (uma banda da zona com nome de laranjada da loja dos 300) no arranque de uma música feita no dia anterior.
E agora? E agora? Putos ao poder!
O importante é não os deixar amadurecer, lançá-los, assim mesmo, às feras enquanto têm os dentes todos e não chegam a casa a cheirar a álcool e tabaco.
Depois é só espalhar discos nos talhos, nos barbeiros, nas floristas, no centro comercial que não existe e deixá-los crescer."
Hg Ferro
ver mais em: http://microfone.wordpress.com/2007/12/29/putos-ao-poder/
"A abrir a noite tocaram The Glockenwise, uma banda de miúdos que não têm noção daquilo que tocam. Fazem o que gostam, para se divertirem, sem grandes preocupações, mas sem se aperceberem que aquilo que fazem tem mais qualidade do que eles julgam.
E como é de vocalistas que falamos o destes, um tal de Nuno, assim mesmo, sem apelido de rockstar. Uma espécie de Iggy Pop em miniatura, um daqueles brinquedos que muitas meninas crescidas que eu conheço gostariam de ter. Uma verdadeira máquina de destilar rock'n'roll."
Hg Ferro
ver mais em: http://microfone.wordpress.com/2008/02/11/na-terra-da-discoteca/