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Andreia Dias - Blog do Myspace

Andreia Dias



Last Updated: 12/22/2009

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Status: Single
City: São Paulo
State: São Paulo
Country: BR
Signup Date: 2/22/2007
Thursday, April 09, 2009 
.
Apesar de todas as desavenças e desencontros até que tenho boas lembranças do meu pai.
Seu Josué era um homem bom,  simples e trabalhador. Era rústico. Ah...isso era.
Não comia sem feijão e tinha que ser um feijão rústico como ele, temperado só com alho.
Uma vez inventei de fazer um feijão com vários temperos e rolou um mal estar.
Vivia avoado,  estressado e ausente, embora estivesse sempre por perto.
Eu tinha muito medo do meu pai.
Muitas vezes desejei ardentemente que ele morresse.
Só quando criança, claro.
Ele era cruel quando queria. Pouco carinhoso e muito distante, não fazia menor questão de uma aproximação.
Eu era louca por ele  mas ele me evitava.
Trabalhou em casa a vida inteira, era um alfaiate de mão cheia.
Tinha a mina de ouro em suas mãos, mas não soube aproveitar.
Costumo dizer que papai era um garimpeiro frustrado. Ficava sumido meses enquanto minha
mãe segurava a família nas costas.
Se enfiava nos cafundós do interior de Minas Gerais em busca do ouro e pedras preciosas
e só o que conseguiu garimpar desilusão, traição e amargura.
Tinha um olhar cansado, frustrado e injuriado.
Me amava do jeito dele, eu sei, ou pelo menos do jeito que ensinaram pra ele.
Um amor duro, ciumento  sem carinho.
Meus irmãos também passaram maus bocados com meu pai, o velho era ignorante que só a porra!!
Pior é que os cretinos descontavam em mim. Nunca pude contar com esses irmãos pra nada.
Minha família nunca foi um exemplo de união. Mineiros bravos e ignorantes. Pouco afetuosos.
Seu Josué Dias Brum era fogo!
Essa  família Brum não é flor que se cheire. Um pior que o outro, de tia que desmata e enjaula onça,
a primo que vai pra São Paulo fazer faculdade no crime e na falcatrua! Claro que tem algumas exceções,
mas a maioria é osso duro de roer.
Minha avó Maria, mãe do papai era uma índia grossa! Foi enterrada sem caixão. A família não tinha dinheiro,
então emprestaram o caixão até o cemitério e lá jogaram o corpo direto na cova, na terra.
Prático e eficiente. Essa é das poucas histórias dos Bruns que eu gosto. Tem uma poesia. Macabra, mas tem.
Eu queria ser enterrada sem caixão, ouviram meus netos queridos? he! he! he! (risada amarela...).
Falando sério, acho um puta desperdício!
Morrer não tá barato não. Podia facilitar pros vermes, né não?
Lembro de várias fotos de velório que o pessoal fazia no interior.
O Morto numa mesa só com um lençol branco por cima e toda família em volta.
Eu tinha um medo lascado dessas fotos!!
Voltando pro Seu Josué, eu lembro umas coisas engraçadas.
Uma vez ele me deu um dinheirinho e mandou eu comprar papel higiênico.
_Filha! Vá no mercado e compre um papel bem áspero, tipo lixa, daqueles que limpam mesmo!
Não vá comprar esse papel branquinho sedoso,
não limpa nada e é mais caro.
O velho sabia das coisas. Foi criado na base do milho e do sabugo.
Eu limpei muito a bunda com sabugo quando era criança. E banho com balde de cordinha.
Chuveiro da roça, uai!
E no lugar do papel higiênico uma cordinha com sabugos higiênicos bem crespos e compridos.
Ouro não tinha, mas cus de ferro, de montão!

 
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