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Andreia Dias - Blog do Myspace

Andreia Dias



Last Updated: 12/22/2009

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Status: Single
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State: São Paulo
Country: BR
Signup Date: 2/22/2007
Thursday, April 16, 2009 

Quando cheguei em Ubatuba pela primeira vez minha alma se encontrou. Tudo ficou claro e iluminado para mim.


Meus olhos brilharam, minha cabeça inflou e meu coração se acalmou.


Agora sabia quem eu era. Uma caiçara é óbvio!


Ir pra lá foi muito difícil, minha família não queria deixar de jeito nenhum. O negócio já estava insuportável em casa.


Ninguém se agüentava mais.


Eu mentia como uma experta e eles não mais fingiam que acreditavam.


As surras já tinham cessado, mas as chantagens emocionais começaram com toda força! Era cruel!


A última surra que levei do meu pai foi muito boa. Nunca esqueço foi muito relaxante.


Quando eu assumi que queria cantar toda sexta com o tomate inglês ninguém conseguiu mais me segurar.


Eu ia de qualquer jeito, com ou sem dinheiro, e ficava até as 5 ou 6 da manhã. Chegava em casa sem a chave batia no portão, meu pai abria e surra!


Às vezes pegava táxi e e fazia eles pagarem. Filha da puta!! ou fazia a Kika me levar.


A Kika é irmã do Kiko, ela tocava guitarra na banda. Coitada me levava sem querer porque eu era uma mala que fazia maior drama.


Ainda sou, mas hoje tenho alça e rodinha.


Em casa sempre rolava uns quebra paus, uns pega pra capar.


Às vezes eu chorava e inventada umas histórias escabrosas pra não apanhar.


Era raro conseguir. Geralmente acabava em porrada mesmo.


Foi então que comecei a perder o medo e não me importava mais. Chegava Bêbada e nem sentia as cintadas até pq papai não batia com muita força.


Nesse dia eu cheguei bem tarde quase de manhã. Ele bateu, bateu e bateu, eu não soltei uma lágrima.


Quando ele acabou eu dei um sorriso, uma espreguiçada e falei:


_ Brigada pai, até amanhã então, foi bom para o senhor também?


E deitei.


Ele me olhou constrangido e desde então nunca mais me bateu.


Até senti falta.


Brincadeira.


Voltando pra Ubatuba, minha querida Ubatuba.


Inventei maior história falei que ia vender sanduíche natural e tinha que ficar o final de semana, implorei, supliquei até que deixaram, acho que também pra ver se eu melhorava.


E eles estavam certos, eu melhorei!


Fiquei 15 dias sem dar notícia em casa.


Ficaram doidos, foram atrás de mim com foto e tudo. Não me acharam.


Afff! Só rindo hoje, imagina os coitados me procurando com uma foto em Ubatuba? Eu tava tão feliz e largada que de certo ninguém me reconheceu  naquela fotografia.

Depois de 15 dias voltei pra casa na maior cara de pau e encarei todo mundo sem medo.

Eu já sabia quem eu era e estava decidida a me picar dali. Não tinha mais jeito. Eu já tinha 17 anos e era uma mulher, tinha sonhos e planos que eles nunca iam entender nem aceitar.
Meu pai me chamou pra uma conversa franca.

Deitou-se no sofá e até me pareceu um pai que conversava com os filhos. Foi nosso primeira e última conversa de entendimento.
Pai_ Não gostamos dessa sua vida, ou você volta a ser o que era (uma anta de 13 anos que achava que pra ter filhos era só casar) ou pode ir embora.
Com todas essas possibilidades que ele me deu só me restava festejar.
_ Sério pai? posso ir?? ninguém vai morrer??
_ Não, ninguém vai morrer!
Foi o acordo perfeito eu entrei com a bunda e ele com o pé!
Juntei todas as minhas coisas que eu nem dava conta de carregar e fui embora de casa pra nunca mais voltar.
Quer dizer, uma vez eu voltei mas fiquei 10 dias, minha mãe achou maconha na minhas coisas me deu vários tapas na cara.
Escondeu todas as minhas coisas, falaram que iam me internar.
Fiquei surtada uns dias com o drama familiar em alta!! Foi foda!!
Depois de vasculhar a casa achei o fumo na gaveta do Dimas, consegui recuperar minhas tralhas e me mandei.
Fui de novo para os braços da minha Amada Ubatuba!
Salve Várias canoas e todas as pessoas que me acolheram e me ajudaram nesse paraíso tropical paulistano.

Carinho especial ao querido Thomas de Carle

in memória

Vamos preservar a Mata Atlântica Porra!!!!!