No final de 1992, quatro garotas se conheceram indo ao ensaio da banda DZK e resolveram montar uma banda.
No início, a formação era Cuca – baixo, Edwiges – guitarra e Meiling – bateria. (Duda também fazia parte do projeto inicial, mas nunca aparecia para ensaiar e a deixamos de lado.)
Ficávamos pedindo pro Makarrão (DZK) deixar nós ensaiarmos e ele acabava deixando, né?! Nós enchíamos tanto o saco dele.
Nós éramos terríveis, cada uma de nós tocava num tempo diferente (hoje acho tudo engraçado) nós precisávamos de uma vocalista e Meiling que era doida importou a Cebolinha lá de Sorocaba... Ensaiamos uma três vezes.
E um dia, o Makarrão (DZK) me falou: - Marquei a estréia de vocês! Nós vamos tocar em Ferraz Alvim e vocês vão também.
Eu disse: - Makarrão, nós só temos três músicas.
Ele falou:- Não faz mal vocês tocam as três, depois repetem de novo.
Eu disse: - Então tá bom.
Quando chegamos lá o som estava cheio. O DZK tocou, depois era a gente. Tocamos, foi maravilhoso, todo mundo agitando o som da gente. Só que no meio da segunda música o som começou a encher de carecas. Eles chegaram com tacos de baseball na mão, correntes e machados e os "Punks" foram saindo. Eu sei que quando terminamos a terceira música só restaram eles, o DZK e nós.
Eles fazendo aquela pressão "toca aí".
Eu disse: - Nós só temos três músicas, já acabou. Eles não acreditavam, mas era verdade. E até parece que a gente ia continuar tocando para eles. Pra completar a Cebolinha ainda foi dar uns beijos em um deles, lá. Já a mandamos embora no primeiro show.
Eu arrumei outra menina, Elaine lá de Diadema onde moro.
Deixamos de encher o saco do Makarrão e fomos ensaiar na casa de um amigo nosso, o João Marcelo.
Mas dessa vez foi a Meiling que resolveu pirar na vida. Ela não aparecia para ensaiar e nós ensaiávamos com uma outra garota, a Érika uma menina gente boa pra caramba.
Ela arrumou um som na Zona Sul onde morava.
Quando fomos tocar e o pessoal viu a gente cantando "Políticos vão se foder" e "Policiais são todos bastardos filhos da puta".
Aí já foram logo puxando as tomadas.
Ela morria de culpa por ter levado a gente pra tocar num lugar tão idiota. Eu e a Cuca não estávamos nem aí saímos de lá xingando todo mundo.
Ela ia ser a nova baterista, mas por incrível que pareça ela tinha 18 anos, tinha asma e fumava, teve um ataque cardíaco, tentou se recuperar durante um mês, mas teve outro e morreu. Nós ficamos muito tristes eu me lembro dela até hoje.
Colocamos a Luciana, outra de Diadema. Nessa época deu uma melhoradinha, ensaiamos bastante e fomos tocar no Rio de Janeiro em Jacarepaguá. O som foi legal pra caramba.
Então nossa vocalista resolve arrumar um namorado e virar crente. Não dava mais, né?!
Colocamos a Indaira, menina gente boa (eu gosto muito dela até hoje), mas ela era muito tímida. Chegou a tocar com a gente no Rio, em Macaé. Depois sumiu, nós não ligamos mais e ela também não. Eu acho que nós erramos com ela, mas ela podia ter nos procurado.
Logo depois a Luciana também saiu. Ficou com a cabeça virada por causa do namorado e saiu da banda.
Lá vamos nós de novo: Cuca e eu.
O Ariel (Invasores de Cérebro) e o Zorro (Invasores de Cérebro) ligaram na casa do Makarrão falando pra gente entrar na coletânea "SP Punk Vol. I".
Nós queríamos, mas como íamos somente eu e a Cuca?!
Lá fomos nós, atrás do pai de novo: - Makarrão, você grava com a gente também? Dá grana aí pra ajudar a gente pagar? Depois a gente te dá uns Cds.
Ele como sempre: - Tá bom vai...
Só ele mesmo capaz de dar essa força.
Fomos... Gravamos... Foi maravilhoso gravar nossas músicas com uma estréia boa. O CD foi divulgado no Brasil todo. Foi da hora.
Então, o Makarrão arrumou mais duas minas para tocarem com a gente: a Penélope e a Tocha. Acho que ele as tirou do bolso. Não é possível, o Makarrão é foda.
A Penélope até que era boa. A Tocha era ruim, mas não durou muito, apenas um som no Rio Grande do Sul em Porto Alegre.
A Cuca resolveu tocar bateria por não agüentar mais tanto entra e sai de baterista.
Então chamamos a Leine pro baixo.
Meu! O som ficou bom pra caramba nós já estávamos melhorando musicalmente ela tocava legal, ficou da hora. Ensaiamos bastante e fomos tocar no Rio de Janeiro em um som que ela mesma arrumou, mas no dia antes de ir, ela não foi porque a filha caiu e quebrou os dentinhos. Nós fomos e tocamos sem ela.
Até que o som foi bom, foi da hora. Quando voltamos queríamos que ela continuasse a tocar, mas ela estava toda enrolada... Acabamos deixando para lá.
Arrumamos a Verônica, uma mina lá da Zona Sul não sabia tocar lá essas coisas, mas dava pro gasto... depois foi melhorando.
Essa formação durou uns 4 anos: Cuca, Edwiges, Penélope e Verônica. Foi legal! Tocamos em vários lugares.
Íamos entrar em outra coletânea organizada pelo Tel.
Chegamos a gravar tudo, mas ele era um enrolado.
Não deu certo, a coletânea nem saiu.
Tocamos em muitos lugares pelo interior de São Paulo (Limeira, Arthur Nogueira, Santa Bárbara do Oeste, Campinas, Sorocaba, etc.).
Só que aí, a Penélope também já estava com a cabeça virada por causa de namorado não queria tocar em lugar nenhum, para ensaiar era uma dificuldade. E a Verônica também estava relaxada, não tinha nem corda no baixo para tocar.
Fomos tocar na Vila Madalena e a Penélope queria me deixar falando com o "ampli" lá no som porque ela tinha que ir embora com o namorado. Já mandei à merda. A Verônica veio tentar "por panos quentes" e, a mandei à merda também.
Então sobramos eu e a Cuca de novo. Fomos tentar com a Leine novamente, só que as minas ainda estavam querendo o nome da banda e enchendo a Cuca, pra que eu não sei só se fosse pra pregar na geladeira, as minas não faziam porra nenhuma.
Mas como a Cuca era uma besta, falava: - Vamos fazer uma banda nova aí...
Concordei, né? Fazer o que, não estava contente com aquilo, mas era o que eu tinha na mão.
Fomos tocar no bar do Ball e o pessoal quando viu eu e a Cuca já pediram sons do Menstruação. A Leine quase apanhou porque não sabia tocar "Punk até Morrer".
Nós tocamos e a Leine enrolou, claro. Então percebi que o Menstruação tinha que continuar. Não ia deixar isso morrer de jeito nenhum...
Para ajudar, dessa vez foi a Cuca que resolveu pisar na bola... Arrumou um doido e foi ficar mais doida ainda.
Nessa época foi um puta baque para mim, ela sempre tinha resistido junto comigo durante 9 anos, mas pensei: não desisto.
Fiquei mal durante um tempo, mas não desisti. Comecei pelo mais fácil, arrumei a minha irmã Elida para tocar baixo. E o Isaias para quebrar um galho na batera até eu arrumar uma mina.
Fomos tocar no Pontal. Nesse som apareceu gente de tudo que era lado, até do interior para ver a volta do Menstruação.
Foi Maravilhoso!
E o pessoal perguntava: - Vocês vão voltar a tocar?
Eu dizia: - Já voltamos, mas tenho que arrumar mais uma mina, né?! Voltamos à ativa nesse som mesmo.
O Makarrão (DZK) me falou da Fabiana, eu fui atrás dela.
Ela concordou morrendo de medo porque não sabia tocar, mas aprendeu e está com a gente até hoje.
O Ariel e a Tina chamaram a gente para tocar no fim do mundo, um festival organizado por eles. Foi lindo com bandas de tudo quanto era lugar, uma semana de som. Tinha mais ou menos 8 mil punks, com exposição de "zines", revistas, fotos, discos, Cds, etc.
Mas precisávamos de uma vocalista. Conhecemos a Jacy.
Quando eu a ouvi cantar a música do Action Pack lá em casa, falei:
- Essa é a mina!
Ela também está com a gente até hoje.
Então participamos da coletânea Pragas dos Arralbaldes, organizada pelo Waldemar (Carne Moída). Foi legal pra caramba, participamos com 5 faixas.
Depois, eu vi a Carol cantando num som da Tribe House, deu vontade de chamá-la para tocar, íamos ter duas guitarras. Falei com as meninas que concordaram, então a chamamos e ela também está conosco até hoje.
O som ficou bom, mas como a história não muda a Elidia ficou doida, virou a cabeça por causa de homem e pulou fora.
Então colocamos no Fotolog: - Procura-se baixista.
Apareceu uma garota que até hoje eu custo a acreditar que é verdade, a Psonha, gente boa pra caramba, dedicada com propósito de correr atrás para branda, nós adoramos ela.
Vamos gravar nosso CD em agosto até que enfim, continuamos sempre tocando, levando a todos nossa mensagem da qual nunca vou desistir:
Punk um dia, Punk até morrer.
(Acredito não ter deixado ninguém de fora, mas a história é grande, muito grande e continuará crescendo.)
Obrigada ao nosso público que nunca nos deixou, vocês são o máximo e o resto é resto.
Edwiges
25/04/2007