Sangue, Suor e Sucesso
À entrada do Cabaret Maxime encontrava-se um grande cartaz da banda, representativo de toda a entrega e profissionalismo do grupo. Para eles, o Maxime é uma segunda casa, pois é uma sala que se enquadra perfeitamente no estilo da banda, apesar das condicionantes muito próprias para acolher um concerto de rock. Não apareceu tanta gente quanto mereciam, mas uma festa de lançamento de um trabalho faz-se com os amigos e com meia-dúzia de fotográfos.
A banda apresenta aqui um alinhamento similar ao da actuação em Dezembro no festival Superbock em Stock, contudo este está bem mais enriquecido com novos temas que o grupo decidiu agora apresentar.
É essencial louvar a sua evolução na fermentação da sua identidade, está cada vez mais bem conseguida a associação do campo visual ao campo das ideias, não deixando a componente musical de fora, tornando assim o universo dos The Profilers bem mais coeso do que a maioria dos projectos em território lusitano.
Ainda a crescer e de uma forma saudável, sem correrias, hesitações ou receios, o projecto sintrense vai mostrando aqui e ali sinais do seu potencial que passa muito pela sua versatilidade cultural e linguística (cantam em francês, inglês, espanhol e português) e por serem grandes fazedores de canções, conseguindo assim momentos musicais muito naturais e cheios de diversidade, muito por causa do irrequieto Dj Pitosga.
Afinadinhos como de costume, os The Profilers arrancam em grande estilo e muita da sua atitude nas primeiras canções deveu-se aos movimentos certos de San, frontwoman do grupo, que continua a ser uma pedra angular das actuações ao vivo do projecto sintrense.
Dos ritmos dançantes e contagiantes passam para temas mais maduros, inspirados num rock clássico de bom gosto.
Pouco depois fazem uma curta pausa, aproveitam para trocar meia dúzia de palavras com o público, falando um pouco deste novo trabalho e agradeçendo a presença destes.
Mais uma série de canções, com muitas novidades que nos atraem de maneira espontânea para a pista de dança. “Coisa Bem” é um tema de particular destaque pelo empenho na interpretação de um tema de cariz quase cinematográfico.
Momento para variações. Uma evasão ao rock'n'roll, para todos podermos respirar calmamente e recuperar forças. Surge a grande balada da noite cantada bem ao estilo de June Carter.
Os músicos dão por terminado o concerto depois terem conquistado o mais importante, um estado de sintonia partilhado com público e vão para casa felizes e com a sensação de missão cumprida.
Por: Francisco Manitto Torres