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Déa Trancoso

Déa Trancoso



Last Updated: 11/17/2009

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Tuesday, November 06, 2007 

Category: Music

Meus queridos amigos, é com muita alegria no coração e um sorriso na alma que partilho com vocês o e-mail que Egberto Gismonti me enviou após ouvir TUM TUM TUM:

"Déa, que beleza o seu tum tum tum menina!
Que bem que faz à alma, e, ao coração, então?

Bonita a citação do Rainer Maria Rilke no prefácio.
Vou te lembrar de outras que gosto muito:

-"For the creator must be a world for himself and must find everything in himself and in Nature, to whom his whole life is devoted".
Para o criador deve existir um mundo para ele e ele deve encontrar tudo nele e na natureza, a quem sua vida inteira é devotada.

-"A work of art is good if it has arisen out of necessity".
Um trabalho de arte é bom se estiver/sair fora da necessidade.

Até parece Manoel de Barros que diz que está interessado mesmo é na formiga atrás da árvore, embaixo da folha; também diz que 85% do que fala é invenção, só 15% é mentira.

Ouvindo seu Tum Tum Tum descobri o que falta no Carmo (minha cidade que não pertence ao grupo das 5 de Minas e nem é irmã da nordestina, é colega de Além Paraíba, Porto Novo do Cunha, mas, do lado Fluminense)...

Obrigado pela casinha, pelos cartões e pelo carinho que veio de brinde. (mando a casinha integrada no tabuleiro das "coisas" Brasileiras).

Agradeço pelo CD, pela paciência, pela anuência ao Brasil, pela simpatia, pelo chapéu com as fitas coloridas (mando minhas fitas pra você entender meu gosto pela coisa).

Boa sorte, Egberto.

Filho Da Folha: Gostava de demandar sabia dizer, pedir, escutar, sorrir, chorar, alegrar, plantar, colher, florescer... Uma beleza. Que voz bonita, corta e finge que não quer cortar. Fica com aquele sorriso na capa, cheia de fitas no chapéu, finge que não vai mandar chumbo grosso. Uma beleza.

Tupinambá: Fiquei em dúvida do canto e das harmonias quando você canta nas segundas vezes "oi é uma cobra coral...", já com o contracanto fica claro, tudo combinado. Bonito demais esse Tupinanbá.

Passarinho Pintadinho: O Kristoff e o Tabajara já tem nomes de duplas feitas, desde há taaaaanto tempo que se confundem um com o outro. Não sei quem convidou esses um violeiros, foi uma idéia das boas (seguindo o tum tum tum de perto). Tudo bom nesta faixa, é bonito que o som dos violões começa abafado, moco e depois abre (sem falar nas citações). Tudo em família, todos aí gostavam de demandar, sabem dizer, escutar e tocar.

Grande Poder: Linda música, poesia que parece veredas, grandes veredas, janelas abertas e o Brasil, fervorosamente passando, não para nunca né. As vozes estão lindas, o baixo e as terças, o "grande poder" - aí muda, sem avisar muda e o passo apressa, o poder continua, é grande e não se entrega, domina a turma toda. No fim, a impressão é que a cobra some mas deixa seu chocalho de aviso "grande poder".

Indio - Filho Do Mato: Essa música é a mais normal, parece música.

Beija – Flor: O Congado da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário tem até cheiro. Dá pra ver a santa sendo carregada, balançando o escapulário no pescoço, gente querendo carregar e gente pedindo pra carregar. Cantado lentinho, sem os violões, percussões, etc, vira ladainha das boas.

Rainha: Você canta tão bonito! Gosto muito da edição da sua voz que tem respiração, tem contrição, é verdadeira. Os violões afinadinhos que dá gosto. Arranjo simples como tem de ser, cheio de gosto de tocar. Seu disco tem cara de coisa inventada por amigos que ficaram felizes e comemoram sem parar. Acho que todo mundo ficou sorrindo na audição final. Tá evidente que é música pra fazer a gente feliz. Obrigado.

Luandas: Senti falta das letras escritas pra cantar junto – perdi algumas palavras que finalizam... Os tambores, o resto da turma, os pífes e sua voz formam um time imbatível. É rico mesmo esse folclore que nos carrega. Parabéns por vivenciá-lo com tanta expressão. Garantia de mais um século.

Benzim Veloso: Dá pra ouvir uma Guitarra Portuguesa com certeza. No grave sua voz tem outra personalidade, parece mãe cantando. "Meu benzim..." me lembrou uns "versim" do Manoel de Barros que diz: "vento, só subindo no topo da árvore pra pegar ele pelo rabo". Em tempo: a mistura da voz grave e da aguda prova que os heterônimos existem mesmo.

Canarim do Mato: Você conhece o disco da Marlui Miranda que chama "Olhos D'água"? Não tem nada a ver com o Canarim, Alto Jequitinhonha ou Minas Gerais, mas também vale a pena.

Meus Amô: Você tá cantando em casa, sentada com os amigos, cada qual mais animado, e, parece que da cozinha chega um perfume de comida boa feita na lenha. Tá todo mundo esperando a hora de almoçar ou receber a entidade (que no caso deve ser nome de alguma mistura de não sei o quê com aquilo ali, bom demais!

Canto de uma Terra: Arranjo cheio de acordes, sabe o Nivaldo Ornelas? Diria "óia o acóooordi!". É Canção mesmo. Parabéns."