Refletores: Rafael Castro e Os Monumentais
por Enrico Vacaro
Segunda banda do concurso TramaVirtual / Peligro a se apresentar, Rafael Castro traz folk-rock-pastelão ao Milo Garage
08/07/2008
A quase 300 km da capital, em Lençóis Paulista, vive um cara de bem com a vida, tranqüilo, que não perde a piada nunca. E foi com muito bom humor e visual escrachado, vide as fotos inusitadas espalhadas pela rede, que Rafael Castro se transformou numa máquina de compor músicas.
Gravando tudo de forma caseira, com o espírito lo-fi aventureiro, ele lançou, desde 2006, cinco discos, sendo três apenas no ano passado.
Rafael Castro é um cancioneiro de primeira e merecidamente aparece entre os ganhadores do concurso. O compositor, sempre acompanhado d'os Monumentais, hoje empresta seu próprio nome ao projeto em que está envolvido. Mas passou anos liderando a patota quando esta se reunia sob outro nome, SuperQuase.
Muito comentado em blogs e podcasts, e visto ao vivo por poucos, Rafael Castro finalmente mostrará seu trabalho aos paulistanos. "Fobia Aguda de Pessoas Que Batucam Mal" foi o carro chefe de sua campanha rumo à apresentação no Milo Garage, nesta quinta (10/07), e ilustra bem a simplicidade e a irreverência do vasto repertório de Rafael.
Lembrando que a coluna Refletores se propõe a lançar luzes especiais para as atrações vencedoras do concurso TramaVirtual/Peligro. Os shows do ciclo continuam durante todo o mês de julho, sendo os próximos Tenis (no dia 17), Velhos e Usados (no dia 24) e Destruidores de Tóquio (no dia 31).
Refletores acesos:
Rafael Castro e os Monumentais
Quando começou?
Fazia música desde criança porque gostava de tocar o piano que tinha em casa. Mas eu não gostava de estudar música, daí fazia as minhas próprias e assim não precisava ficar lidando com partitura e essas coisas importantes. Isso foi em 1990, e é claro que eu era muito ruim e não tinha nada a ver com isso de agora.
Como começou?
Esse lance mais ou menos como é hoje começou depois de aprender a gravar toscamente, lá em casa, em 2004, e mostrar para os amigos. Não demorou muito até alguns apoiarem a idéia de montar uma banda pra tocar aquilo. Daí continuei gravando e tocando com esses amigos, aqui e ali.
Principais influências?
Jorge Mautner, Juca Chaves. Jards Macalé, Roberto Carlos e algum guitarrista estrangeiro fodidão.
Como define seu som?
Som pra tirar no violão, cantar com os amigos e não sentir vergonha, ainda que precise beber um tiquinho antes, mais pra aquecer a voz, mesmo. Quanto a estilo, pra não ter erro, é MPB. É música, é popular e é brasileira. Definição mais rápida: trilha sonora de suicídio.
Por que vale a pena ouvir você?
Porque minhas músicas são feitas com amor, carinho e dedicação. Se bem que, se pá, nem vale a pena - é uma coisa de momento, de cheiro, de pele...
Como você usa a internet?
Com café e cigarro, tranqüilo.
Se você pudesse escolher algum outro bardo do folk ao seu estilo para tocar ao lado, quem seria?
Então, rapaz. Num entendo muito esse negócio que saiu por aí de folk rock. Se for ver mesmo, tem um negocinho ou outro de folk numa música ou em outra, mas "folk-folk" mesmo, num é. Eu me identifico mais com a idéia do Diego Franco (produtor do podcast Baixaria) de me chamar de Hard Rock - tem o riff, tem o refrão e tem o solinho. Se fosse pra escolher alguém pra tocar do meu lado seria meu pai. Só que ele é muito grosseiro, embora tenha uma puta presença de palco e uma deliciosa voz de cafajeste.
O que de melhor e pior aconteceu com você até o momento?
Pô. Pergunta complicada. Teve uma vez que eu achei uma nota de R$20 no chão do bar depois que minha grana já tinha acabado. Essa foi uma das melhores coisas que aconteceram até o momento, dentre as coisas que a gente pode dizer assim sem culpa, em público. De pior teve uma vez que eu fumei maconha e fiquei com síndrome do pânico.
Qual foi a sensação de ter sido escolhido no concurso?
Sensação boa, né? Eram quase 400 ou mais de 400 bandas inscritas, daí me escolhem. Qualquer um sentiria um afeto no ar. Uma satisfação e tal.
Qual é o futuro desse folk meio pastelão no Brasil -é uma coisa que pode virar hype?
Como eu disse ali em cima, eu não sei de nada disso aí! Se bem que, sendo justo, qualquer coisa pode virar hype, até mesmo eu e você. A coisa do pastelão rola bem, né? Não pesa, não enche os pacová. Pode virar hype.
Você se sente ofendido com o rótulo?
Não, não. Ofendido, não. Se rolou o desejo, tem mais é que pôr. Só acho que rótulo é uma coisa que tem que sentar pra conversar, dar aquela debatida, tomar uma cachaça, rolar um acordo comum. Ó, um rótulo legal é 'o novo Mutantes' - isso é quase tão injusto quanto folk pastelão, mas deve dar mais polêmica e mais sentação pra falatório. Que tal?
http://tramavirtual.uol.com.br/noticia.jsp?noticia=7570