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In Torment



Last Updated: 10/18/2009

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Status: Single
City: São Leopoldo
State: Rio Grande do Sul
Country: BR
Signup Date: 2/17/2008
[15 May 2008 | Thursday] 
O ano de 2006 mostrou dois grandes nomes do Death Metal nacional. Um deles, os baianos do Ungodly, o outro, os Riograndenses do Sul da In Torment, com o álbum "Diabolical Mutilation Of Tormented Souls". Conversamos com Alex (vocal) e soubemos a opinião do músico sobre cenário underground nacional, produção fora do país, gravadora e composição de um novo trabalho.

01. Saudações. Depois de algum tempo, ouvimos inúmeras vezes o excelente debut da In Torment e nos sentimos aptos a realizar uma entrevista. Uma dúvida que temos, qual o motivo da mudança de nome, de Torment para In Torment?
Alex Zuchi: Bem, em primeiro lugar obrigado por suas palavras. A troca de nome ocorreu diretamente pela existência de grupos homônimos. Uma banda alemã entrou em contato conosco e nos comunicou que eles detinham os direitos sobre o nome. Não estávamos interessados em correr o risco de problemas futuros e muito menos em sermos associados a outras bandas.

02. Não tivemos acesso aos primeiros registros em estúdio de vocês, ou seja, conhecemos a banda faz pouco tempo, através da Rapture Records. Quais seriam as diferenças mais significantes entre os demo - CDs e o debut?
Alex Zuchi: A maior diferença reside na produção que esses materiais antigos tiveram em relação ao CD. No álbum, tudo soa mais coeso, mais claro, mais agressivo.
     As músicas, contudo, seguem a mesma linha de raciocínio, ou seja, desenvolver algo técnico, com grande variação rítmica e agressividade.

03. Percebemos um direcionamento musical um pouco diferente nas quatro primeiras músicas do álbum, em relação às demais. Aparentemente, foram compostas em épocas diferentes. A afirmativa é verdadeira ou isto foi coincidência? Comentem.
Alex Zuchi: Na verdade, acredito que cada música apresente um direcionamento diverso. Desde a fase de concepção da banda, traçamos alguns pontos chaves para a sonoridade do In Torment. Primeiro, sempre buscar desenvolver algo novo dentro dos nossos próprios parâmetros. Não seguir as tendências musicais em evidência também é um dos nossos objetivos. Felizmente, acredito que atualmente as pessoas já entendam que não somos clones de alguma banda já consagrada. Desenvolvemos nossa própria sonoridade e no futuro, cada vez mais seguiremos esse caminho de originalidade.

04. A In Torment consegue fusionar tudo o que há de melhor no Death Metal e acaba criando uma sonoridade diferenciada, que, além de pesada, rápida e agressiva, é virtuosa. Como é o processo de composição?
Alex Zuchi: Bem, na resposta anterior, acredito que um pouco já foi explanado, mas em linhas gerais, afirmo que o In Torment é formado por cinco caras viciados em Death Metal, mas não somente aficionados na agressividade inerente ao estilo. Gostamos da parte técnica e virtuosa que o estilo tem a oferecer. Além disso, apreciamos muito outros estilos musicais que ajudam imensamente na hora da criação.
     Acredito que o fator determinante e que nos diferencia das incontáveis bandas de metal extremo, é que mesclamos as influências de cada integrante, não temos apenas um compositor e sim cinco. Todos contribuem, todos opinam, todos criam. A música se origina da junção de riffs compostos e trazidos aos ensaios, e é nesse local e com a presença de todos os integrantes que as músicas são moldadas.

05. Como surgiu a idéia de masterizar com Colin Davis? Chegaram a pensar em um outro produtor?
Alex Zuchi: Entrei em contato com o Colin inicialmente com o intuito de divulgar o In Torment, a partir deste contato, conversamos um pouco sobre música, inclusive mandei uma música para ele com o objetivo de obter sua opinião acerca de nosso som.
     Falei com o resto da banda sobre a possibilidade de termos uma masterização feita no exterior e achamos que seria interessante do ponto de vista comercial e ao mesmo tempo, muito benéfica para a própria sonoridade do CD pelo fato dele ser um cara que entende de Metal extremo e com experiência reconhecida.

06. A relação custo/benefício de mandar masterizar um álbum no exterior é compensatória? Há algo que hoje vocês fariam diferente?
Alex Zuchi: Acreditamos que tenha sido benéfica nossa decisão de mandarmos o CD para masterizar no exterior. Conseguimos, em função disso, aliar uma produção muito boa e, de quebra, divulgarmos nosso som.
Em relação à sonoridade atingida no CD, claro que as vezes fica um sentimento de que poderíamos ter feito algo diferente. Hoje, por exemplo, teríamos tido um cuidado maior com os timbres dos solos.

07. Quanto a Rapture Records, vocês estão satisfeitos com o trabalho do selo?
Alex Zuchi: A Rapture vem se esforçando para divulgar o álbum apropriadamente. Eles conseguiram distribuir o CD em diversos países, tanto da Europa quanto da América do Norte. Confiamos neles, são pessoas honestas e que buscam, assim como nós, crescer.

08. Em 2006, dois álbuns me chamaram a atenção. Um foi o "Diabolical Mutilation Of Tormented Souls" e o outro, o debut da Ungodly. Porém, percebo que não se ouve mais falar tanto de ambas as bandas. Que fatores vocês atribuem a isto?
Alex Zuchi: Em primeiro lugar, ótima pergunta essa. Eu poderia, em um primeiro momento, enumerar alguns fatores e justificativas que confirmariam tua colocação. No nosso caso, nos encontramos em fase de composição do próximo álbum. Mas tenho de ser honesto e dizer que não temos aparecido muito principalmente pela falta de shows e por nosso esquema de divulgação ser muito deficitário. Para ser ainda mais franco, acho que somos os piores divulgadores de toda a cena!

09. O que ocorreu para o vídeo não sair na prensagem do CD?
Alex Zuchi: Isso ocorreu por uma falha de comunicação entre a gravadora e a empresa que fez a prensagem. Ficamos chateados com a situação, uma vez que tínhamos em mente apresentar tanto nossa sonoridade quanto a imagem de um show do In Torment. Assim teríamos a possibilidade de apresentar a banda de uma forma mais eficaz.

10. Sabemos que a In Torment está compondo um novo álbum. Como está este processo? Há previsão de lançamento?
Alex Zuchi: Temos nos concentrado muito na composição das músicas novas. Sabemos que o segundo CD de uma banda é muito importante, uma vez que é nele que podemos avaliar se uma banda é realmente boa ou apenas teve sorte em um primeiro registro. O CD será conceitual e será intitulado "Paradoxical Visions Of Emptiness". Pelo material já composto, temos certeza que sairá algo ainda mais brutal e técnico que o "Diabolical Mutilation Of Tormented Souls", álbum este que nos orgulha muito.
     Quanto à previsão de lançamento, ainda não temos nada confirmado.

11. Como vocês avaliam a receptividade do debut no Brasil e no exterior? Já houve alguma proposta de lançamento em um outro país?
Alex Zuchi: A receptividade do CD tem sido muito boa. Grandes reviews tanto no Brasil quanto no exterior. Fato este, que obviamente atesta que banda se desenvolve no caminho certo. Não tenho informações precisas quanto ao lançamento no mercado internacional, embora saiba que ele vem sendo distribuído em diversos países.

12. O Rio Grande do Sul é um celeiro de bandas, principalmente quando o assunto é Death Metal. Além disto, há um cenário forte e aparentemente independente dos "grandes centros" (Rio de Janeiro, e São Paulo). Vocês concordam com a afirmativa?
Alex Zuchi: Concordo plenamente. É incrível o número de bandas talentosas oriundas do Rio Grande do Sul. Não faço idéia do motivo disso ocorrer, se bem que desconfio que o clima seja um dos responsáveis (risos). Atualmente, residir fora dos "grandes centros" já não é mais um grande empecilho, visto que a internet é a ferramenta mais utilizada e ela, independe de local.

13. Em relação à shows, quais o maiores empecilhos para a In Torment se apresentar?
Alex Zuchi: Acredito que o principal empecilho para que possamos nos apresentar é a falta de apoio da grande maioria dos produtores brasileiros. Salvo uma minoria, o resto apenas visa o lucro sem ao menos dar condições técnicas para que a banda possa demonstrar suas virtudes. Equipamentos sucateados e incapazes de resistirem a um show inteiro, nos quais muitas vezes, pede-se para ligar baixo e guitarra no mesmo cabeçote, o baixo ligado diretamente na mesa...
     Muitos ainda chegam ao cúmulo da cara de pau, de nem proverem água durante o show.
     Já nos taxaram de mercenários e outros adjetivos, mas não nos importamos muito com esse tipo de consideração, lutaremos sempre por condições mínimas para podermos fazer um show decente, afinal quem decepciona o público quando ocorre uma apresentação ruim é a própria banda.
     Quando eu olho para a organização que é o circuito underground europeu, sinto inveja. Falta - nos isso, já que bandas de qualidade, temos em larga escala.

14. Das apresentações realizadas, quais as mais importantes? Comentem.
Alex Zuchi: Para nós, todo show é importante, sabemos das dificuldades que o público tem para comprar suas entradas, então sempre tentamos dar o nosso melhor.
Contudo, o mais marcante com certeza foi a abertura para o Cannibal Corpse. Mencionamos também as passagens por São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Paraguai e alguns shows aqui no Rio Grande.

15. Despedimo - nos agradecendo pelas respostas, lembrando que pretendemos em breve ver a In Torment ao vivo. Deixamos espaço aberto para considerações finais.
Alex Zuchi: Agradeço - lhe pela oportunidade de podermos divulgar o In Torment no grande All The Bangers.