Heitor e Banda Gentileza
24/03/2008
EP Ao Vivo na Grande Garagem Que Grava – Vol. 2
A Grande Garagem Que Grava; 2007
Uma garagem de sons que exalam diversas influências e brincam com a língua com liberdade, para fazer um samba dos bons
Um dos grandes trunfos e também a maior diferença entre o novo EP do curitibano Heitor e sua Banda Gentileza e seu primeiro trabalho de 2005, foi a entrada dos metais tocados por Artur e Tetê Fontoura. A adição trouxe mais versatilidade ao som da banda, que agora passeia do seu antigo rock, até a valsa e o samba.
Assim como o anterior, o novo trabalho foi todo gravado ao vivo na "Grande Garagem que Grava". Mas, no final, não fica a impressão de que ouvimos uma grande jam session. A definição mais fácil é que seria um álbum de estúdio gravado ao vivo. Talvez por esse motivo, a qualidade do som não é das melhores, mas, por outro lado, isso mostra a grande capacidade de improviso e dá uma amostra da sintonia da banda no palco.
Logo na segunda música já vemos a qualidade do trabalho. A esperta Coracion tem um clima meio latina, de rock misturado com MPB, além de lembrar Los Hermanos. É nela que Heitor começa a brincar com as rimas, o que se mostra evidente em todas as suas composições. E brincar com as rimas, às vezes, pode soar muito legal, como no trecho, "Pra que fazer se tanto faz? / Adiar não adianta mais / Tanto disfarce, infelizmente / É um atraso para a gente / E mesmo assim você não desmente / Que o que te traz pra frente / É sempre ter um pé atrás.". Tudo a Perder, a terceira faixa, mantém o alto nível da anterior. É uma valsa que faz o ouvinte rodar ao seu som.
Piá de Prédio é a primeira do EP com levada de samba e é também uma das duas únicas faixas do disco assinadas pelo guitarrista Jota. Nela se percebe a diferença na forma de compor entre os dois letristas da banda (Heitor assina cinco e Jota duas músicas). As rimas de Jota não são tão amarradas quanto as de Heitor, mas isso não diminui em nada a qualidade da história do rapaz que se apaixonou pela menina do elevador. Muito pelo contrário.
Num disco eclético e cercado por influências mais diferente possíveis, talvez nada melhor para fechar o rápido EP do que um samba-rock. Maior com Sétima tem apitos de bateria de escola de samba no início, Heitor chamando todos para dançar e brincando que a língua portuguesa não se importa em como ela é usada, desde que seja num samba dos bons. O que, certamente, é o caso.
Rômulo Pereira
romulopereira@superig.com.br