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canduras



Last Updated: 11/26/2009

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Monday, January 26, 2009 
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23/01/2009 às 19:01
O soul do Qinho
Adilson Pereira

“Canduras” ficou rodando muito. Como geralmente acontece com os discos, antes das resenhas. “Mais de uma janela” acabou se sobressaindo bastante, causando ótima impressão no escriba aqui. A parceria de Qinho, o dono deste disco de soul, com Botika se destaca em relação às outras. Tem uma melodia muito convidativa. É a melhor música da bolacha e é dela que dá mais vontade de falar: boa manha na interpretação, uma letra que junta várias oposições e prende a atenção de quem pára e tenta entender o que se passa ali. Ok, pode ser que os dois estejam falando de telas de Windows em computadores, as tais janelas, mas fazem isso de uma maneira capaz de manter o ouvinte atento - e, não raro, sorridente. Boa canção.

“Sem ar” (Qinho) também tem uma letra que mostra oposições entre idéias, mas ganha uma interpretação tão lenta que pode provocar uma crise em que é mais chegado a coisas velozes. Tipo se você é um cara que freqüenta clubes com música eletrônica e declara sua paixão pela velocidade com que as coisas são apresentadas neste universo contemporâneo de meu Deus, passe longe de “Sem ar”. Porque você pode ficar sem ar. Se por outro lado você é do tipo que gosta daquele sofrimentozinho típico do samba, está aqui um prato cheio. É apertar o play e sentir vontade de ir pro bar, encher a cara.

“Ver livre” (Qinho/Dr Gameiro) parece que vai seguir por aí, até que alguém resolve pisar um pouquinho no acelerador e apertar uns botões. O contrabaixo de Marcelo Penner dá um clima bastante legal à música. Há a poesia de Omar Salomão, em leves doses, mas o mais importante mesmo é o convite à dança que há na letra e na levada. Funciona. “Freio de mão” (Qinho/Omar Salomão) também tem essa história de poesia, e até que funciona bem, ajudando a transformar uma discussão sobre relacionamento em algo que cabe bem num disco. “Versos não” (Qinho) é uma espécie de antídoto para isso. Dá um clima diferente: menos discussão, mais sentença/decisão. Uma música cheia de nãos, como já diz o título. É não e pronto.

Quando surge “As voltas” (Qinho/Vitor Paiva), indo além do clima de fossa, isto é, chegando ao fundo do poço, é capaz de - sozinha - fazer o ouvinte chegar a pensar: “Puts, mas esse disco é meio pesado, hein, meio tristão demais… Não basta encher a cara, o negócio é…” Não, não é. A parada é outra. E esta outra parada é reafirmada por exemplo em “Bom dia”, uma faixa que, falando de “luta dança” e “esquiva”, faz a gente, fácil, fácil, pensar em Capoeira. Além disso, tem “No norte da saudade”, de Gil, que ganhou vida nova com o baixo de Penner e uma interpretação em que Qinho empresta bastante leveza à música. Maneiro.

E tem ainda “Tudo nosso” (Qinho/Miguel Jost), que segura bem a atenção e o sorriso do ouvinte, com um refrão que pega: “O que você bem quiser/ O que tem no seu olhar/ Tudo vai acontecer/ Tudo vai acontecer”. Maneiro mesmo.
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