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Category: Music
ENTREVISTA DIF MAG  Bizarra Locomotiva Entrevista – Nuno Moreira, DIFMAG
Como correu o processo de composição e gravação de “Álbum Negro”?
- O conceito “Álbum Negro” foi inspirado num antigo livro da idade média chamado “Hypnerotomachia Poliphili”, remonta aos tempos da santa inquisição e da dita idade das trevas... O autor desconhecido explorou a fase hipnagógica do sono, (fase em que estamos ainda meio acordados meio a dormir, onde o cérebro acaba por desenvolver um processo muito criativo). Foi essa fase do sono que acabou por se tornar por acaso no processo de criação de alguns dos temas do álbum, foi assim que alguns deles nos surgiram e por fim nos arrastaram para o conceito geral do disco, líricamente, musicalmente e tambem gráficamente pois para a capa do “Álbum Negro” inspirámo-nos nas iluminuras que esse livro continha e em toda a imagética dessa época negra da nossa história, tão bem ilustrada por Bosch ou mesmo Bruegel... Convidámos um ilustrador nosso amigo para recriar esse ambiente e que fez um trabalho magnífico que incluímos em formato poster oferecido na edição digipack do CD. Quanto ás gravações, decorreram no nosso estúdio onde nos dedicámos a explorar as sonoridades que queríamos para este álbum e que depois fomos misturar aos estúdios Namouche - que são os mais antigos e conceituados estúdios de gravação do nosso país, onde tivémos a opurtunidade de usar a maquinaria vintage que por lá havia, tipo as caixas de reverberação reais etc...o que ajudou muito a criar as atmosferas deste novo trabalho. Tivémos alguns convidados especiais também, tais como Fernando Ribeiro dos Moonspell que participou no tema “O Anjo Exilado” e também Carlos Santos que já tinha gravado os baixos eléctricos no nosso disco anterior - “Ódio”.
Os Bizarra trabalham em ensaio, ou as músicas são algo que surge individualmente em letras e composições rítmicas isoladas?
- Por vezes fazemos umas jam sessions de onde surgem algumas ideias, mas a maior parte surge de trabalho de estúdio. A parte lírica é feita seguindo um fio condutor ou um conceito e depois é musicada conforme os ambientes que descreve e as sonoridades que precisa como suporte.
Temas como a desumanização, a fronteira ente homem e máquina e uma sociedade hiper-industrial são recorrentes no som e ambiente da banda ao longo dos anos. Trata-se de um grito de alerta ou um manifesto de descontentamento face à sociedade em que vivemos?
- Esse é um sentimento generalizado, basta olharmos á nossa volta o que se passa por todo o planeta... O sistema em que vivemos está completamente falido, seja a nível social, seja a nível económico, seja a nível ambiental... o modelo social em que vivemos não resulta e obriga as pessoas a viverem em descontentamento permanente com tudo o que as rodeia. Não somos visionários nem profetas mas temos o bom senso de reparar nas coisas que nos afectam por isso consciencializamos esses temas nas nossas músicas. Não em carácter interventivo mas noutro modo mais lírico ao ilustrar o som e as atmosferas que criamos.
A componente estética dos Bizarra é algo que tem vindo a acompanhar a evolução da banda, de onde derivam as vossas influências?
- A componente estética da banda tem muito a ver com o imaginário da parte lírica. Por exemplo no nosso 4º álbum – “Bestiário”, actuávamos ao vivo embrulhados em película aderente para ilustrar o lado carnal do corpo em exposição pública como fazem nos talhos e nas grandes superfícies comerciais, explorar a visão animal do homem enquanto besta, e no início das actuações o corpo de Rui Sidónio renascia de um casulo plástico para se entregar á multidão. Tentamos sempre conceptualizar a componente visual nas actuações. São esses pormenores que reforçam o imaginário do conteúdo lírico dos nossos trabalhos e que completam as prestações da banda perante o público.
Os Bizarra Locomotiva são uma banda com uma forte presença em palco. Tenta descrever aos leitores uma típica actuação dos Bizarra para quem nunca vos tenha visto…
- Nós entregamo-nos sempre de corpo e alma cada vez que subimos a um palco para as actuações da Bizarra Locomotiva, creio que isso transparece e quem está do outro lado não fica indiferente ao que se passa entre o estéreo. É difícil de descrever... só estando presente e absorvendo mesmo essas energias do nosso espectáculo é que cada pessoa irá realmente perceber o que é a Bizarra Locomotiva.
Ao longo dos 16 anos de formação da banda qual é a sensação de serem precursores no género industrial em Portugal? Algum momento especial que recordes com entusiasmo?
- Temos mantido o nosso estilo ou género musical porque é o que gostamos de fazer e onde nos sentimos bem. Podemos inclusivé dizer que somos filhos do dito “industrial” devido a termos crescido e sido criados nessas atmosferas citadinas que nos rodeiam ainda e que nos marcaram tanto como pessoas ou como influencias sonoras ou visuais. As coisas evoluiram entretanto nestes 16 anos, a tecnologia evoluiu muito e as máquinas que usamos hoje para criar o nosso som são muito diferentes de 1993... mas temos boas recordações que nos marcaram por estas viagens que a Bizarra Locomotiva tem percorrido. Posso relembrar algumas actuações mais importantes que fizémos como o caso da primeira edição do festival do Sudoeste em 97 com Marilyn Manson, também a primeira edição do festival Ilha do Ermal com os Sisters of Mercy, ou como convidados dos Rammstein ou dos Young Gods... e mais recentemente o festival SuperBock com os Korn. Foram bons momentos que marcaram a nossa viagem e que difícilmente iremos esquecer.
Quais são as próximas estações na viagem dos Bizarra Locomotiva para este ano?
- Iremos estar brevemente no Festival MetalGDL em grândola no dia 5 de Junho. Estaremos também dia 4 de Julho no SideB em benavente e depois disso queremos fazer o lançamento do “Álbum Negro” no Porto tb ainda numa data a anunciar e possívelmente alguns festivais ainda este verão. Quem quiser estar actualizado com as estações por onde passa a Bizarra Locomotiva basta consultar o nosso MySpace ou Fórum oficial em: www.myspace.com/bizarralocomotiva
Miguel Fonseca.
NOTA: A DATA DE 4 JULHO MENCIONADA PASSOU PARA SETEMBRO (A CONFIRMAR)
VER A ENTREVISTA DIF MAG ONLINE AQUI:
http://www.difmag.com/
4:20 PM
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