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Last Updated: 10/27/2009

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City: lisboa
Country: PT
Signup Date: 1/31/2006
Sunday, September 13, 2009 




Dão um passo atrás para chegar mais longe.

Os Ölga que conhecíamos antes criavam música maioritariamente instrumental, paisagens abstractas que escapavam aos clichés habituais do chamado pós-rock pela óptima gestão da dinâmica e da cenografia das canções - e também por ser evidente, principalmente em "What Is", álbum de 2005, um apreço pelos sons kraut de Can ou Neu!
Os Ölga que conhecemos hoje, os que acabam de editar "La Résistance", parecem ter trocado as longas digressões pela concisão das canções. Cantam com uma voz grave e encorpada que parece colada ao microfone e que nos recorda imediatamente o tom grave e encorpado de E, dos Eels.
Mas "La Résistance", que tem pianos e metais no refrão ("Elephants"), que nunca é eufórico, mas radiante de melancolia ("It's alright" é exemplar disso mesmo), que inventa disco-sound para quem não o aprecia particularmente (Rhodes e calor analógico a conduzir a dança indie do muito recomendável "Mirror bowling"), é um álbum bicéfalo. Progressivamente, as canções-canções vão-se cobrindo de mais elementos, vão dando espaço aos sintetizadores e às divagações sonoras do space-rock. E é precisamente aí que eles, os Ölga que pareciam ter descoberto o prazer de criar canções pop concisas, se tornam mais interessantes do que nunca.
Tudo resumido em "Magic room", longa de dez minutos: o vocalista canta, o piano percute e a percussão é seca e tensa; ouve-se um violino a oferecer à canção a vertigem de que a canção precisava e temos um épico de mistério "Ummagumma", reinventado como épico central de um disco chamado "La Résistance" e editado em 2009.



santos da casa:

Existe aqui uma vontade em fazer diferente. Para este novo registo, os Ölga apresentam-se com novos fatos. Dão uma roupagem diferente à sua sonoridade. Melhores? Pergunta de resposta dificil. Apenas vos posso afiançar: igualmente bons!
Para trás ficam dois registos em que a banda percorria um caminho em que a seta indicava pós-rock. Músicas em que a voz quase nunca aparecia. Agora as canções estão em parte do disco muito mais coloridas e a voz brilha.
“La Résistance” é um disco que podemos dividir em três partes. Uma primeira, composta por cinco temas, em que a pop floresce. Os Ölga mostram aqui um carinho grande pelos anos 60 e por projectos como os Beatles ou os Beach Boys. “It’s Alrigt”, single de apresentação, é uma faixa brilhante. Nunca imaginaríamos os Ölga a escreverem assim.
Depois temos um conjunto de quatro temas mais ambientais. Mais gélidos. A lembrar as paisagens da Islândia. Aqui o grupo mostra todo o seu amor pelo som praticado por Sigur Ros. Nesta segunda parte os Ölga estão muito más próximos daquilo que deles conhecíamos.
Por fim dois temas mas psicadélicos, com o primeiro deles a trazer um travo de Divine Comedy no seu corpo.
Contudo, temos aqui um Ölga muito pessoais. Com um som muito seu… e uma forma de compor hábil, que apesar das referencias que busca, sabe dar-lhes cores que apenas estão na sua paleta.
Pelo que ficou escrito, é fácil de perceber que este disco foi escrito em tempos diferentes. Contudo e apesar destas diferenças que existem dentro do seu interior ele mostra-se um disco inteligente e de muito bom gosto. Incoerente? Não! Apenas não linear! E que mal tem isso?!
Os Ölga voltam assim ao activo mostrando toda a sua vitalidade. Trazem com eles um disco com um alinhamento que pode parecer estranho à primeira, por começar tão colorido, mas que no fim se mostra muito certeiro.
Atrevam-se a escutar este pedaço de som. Os Ölga trazem um disco diferente. Reconstroem a sua carreira, depois de um período de pausa, que serviu para delinearem o seu esquema de ataque. Lutaram pelo seu ideal. E agora estão cheios vontade de nos mostrar este lado b da sua obra.


Nuno Ávila



a trompa:

Com um novo álbum no mercado, os Ölga submeteram-se à ‘chapa 7′ d’a trompa:
1. Numa frase apenas, como caracterizam o novo álbum “La Resistánce”?
Um disco intenso de rock psicadélico, e é na sua essência o reflexo do espírito revivalista que a banda atravessa.
2. “La Résistance” foi gravado nos Toolateman estúdios, tendo contado com uma série de convidados. Como correram as gravações? E como ‘aparecem’ nelas os vossos convidados? 
Os estúdios Toolateman e também posteriormente os estúdios Golden Pony ofereceram-nos todas as condições para que conseguíssemos por em prática as nossas ideias. As gravações decorreram bastante bem num ambiente descontraído onde imperou a total liberdade para experimentar e arriscar novos caminhos. Os convidados “aparecem” porque sentimos a necessidade de fazer um álbum produzido e onde os temas fossem preenchidos e densos, mas ao mesmo tempo cheio de pormenores e subtilezas. Nesse aspecto salientamos a preciosa ajuda da Lurdes Lopes que idealizou os arranjos para a secção de metais, o Filipe Bernardo que consideramos quase como um 4 elemento dos ÖLGA e o Eduardo Ricciardi que além de participar, foi também o produtor do La RÉSISTANCE nos estúdios Golden Pony e a Maria Gonçalves nas cordas.
Alguns dos convidados do álbum são músicos que nos acompanham ao vivo, e com quem partilhamos uma grande empatia, pareceu-nos natural que surgisse o convite para colaborarem.
3. Em relação aos vossos anteriores registos, “La Resistánce” parece ser claramente um disco de viragem, em termos estéticos. O que vos levou a essa viragem e que principais diferenças encontram? Ou não pensam desta forma? 
Essa viragem, surgiu de forma natural, fruto da maturação da banda e da tentativa de procurar outros caminhos. Após o período de promoção do «WHAT IS» optamos por nos dedicarmos apenas à composição e ouve um longo processo de pré – produção de onde resultaram os temas que compõem o LA RÉSISTANCE. Construímos temas mais curtos e abordamos novas formas de compor, optamos por enfatizar mais as vozes e existiu uma grande preocupação ao nível dos arranjos. Exploramos em LA RÉSISTANCE uma vertente mais rock com composições em formato canção. No entanto, existem também momentos de grande intensidade e onde a nossa vertente mais ambiental e experimentalista está bem presente, no fundo, penso que conseguimos sintetizar em 11 temas aquilo que caracteriza a essência da banda.
4. Que sensações esperam que as pessoas retirem da audição de “La Resistánce”? 
Esperamos que para as pessoas seja uma experiência agradável. Ouvir música deve ser um acto de prazer e tudo se resume à percepção individual de cada um. Penso que deve existir por parte do ouvinte uma predisposição inicial e espírito aberto para desfrutar da nossa sonoridade e entrar no nosso universo musical, que de facto apresenta diversas possibilidades de interpretação, depois cada um deve sentir da forma que considerar mais enriquecedora.
5. Se tivessem que escolher a faixa que melhor encarna o espírito do novo disco, qual escolheriam? Porquê, mais sucintamente? 
Pergunta difícil…. Pois uma das principais características deste álbum é o facto de os temas serem bastante diferentes uns dos outros, tornando-se difícil optar apenas por uma faixa que seja emblemática e que absorva o espírito do disco. Na realidade penso que todos os temas representam aquilo que somos.
6. O que podem esperar as pessoas que vos forem ver ao vivo? 
Podem esperar um concerto intenso, onde iremos apresentar os temas deste álbum de uma forma mais “crua” e onde será visível o prazer que retiramos das actuações.
7. Como vai ser o futuro próximo dos Ölga? 
De momento já temos concertos agendados durante todo o mês de Setembro e Outubro, para Lisboa, Porto, Guimarães e Barcelos e iremos realizar showcases de apresentação pelas fnac’s de todo o país. Estamos a colaborar com os Goodbey, Labrador uma banda de Brooklyn, com quem iremos partilhar o palco em diversas ocasiões. O nosso intuito é promover ao máximo o álbum em Portugal e pretendemos também tocar além fronteiras, nesse sentido existe já a possibilidade de realizar alguns concertos em Brooklyn, Madrid e Barcelona.
Estamos também já a gravar o próximo EP sucessor de LA RÉSISTANCE, e a colaborar com uma banda de Hong Kong para um cd de parcerias entre artistas portugueses e chineses.