(1)
as duas raparigas que passaram por mim de mão dada gritaram vai olhar pócaralho.
pus-me a pensar, há todos estes rapazes e raparigas adolescentes fechados no quarto a fazer música nos seus computadores - como o Nathan Fake, que tinha 19 anos quando se tornou uma estrela do minimal techno - talvez um deles seja gótico e esteja a fazer música gótica em software tipo o Pro Tools. se de repente me pusesse a fazer música, era assim. elementos do gótico (andamento lento, heroísmo romântico, coros oníricos, baixo grave) e elementos do tecnho (o esqueleto da batida seriam pequenas explosões e uma espécie de ressonância que era o ameaçar da própria explosão).
(2)
quando a música acelarava, a rapariga abria os braços e fazia o movimento de quem toma balanço para fugir, concretizava a ameaça com dois passos mas depois parava abruptamente. alternava isto com abanar a cabeça, até abrir outra vez os braços. era fascinante. podia ser um problema mental.