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Blequimobiu



Last Updated: 9/23/2009

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Status: Single
City: Salvador
State: Bahia
Country: BR
Signup Date: 2/8/2006
Monday, May 26, 2008 

Current mood:  determined
O movimento na Carlos Gomes estava frio, a noite quente, mas o movimento estava devagar, estranho tratando-se de uma sexta-feira. Não lembro bem a data, mas era época de pagamento e todo mundo estava bem, mas aonde?

Eu mesmo nem queria saber, tava de guarita esperando uma carona, na minha, de olho em tudo e em todos.

Em um flash, ao observar o fim da rua e o relógio, copiei o movimento do coroa do outro lado da pista. Com ele saiu umas três colaboradoras e na calçada ele apontou o serviço. Deu um beijo na cabeça da mais nova e passou outras coordenadas aos seguranças.

As meninas resmungaram, mas em seguida se posicionaram no posto de serviços, alisaram o cabelo, comportaram os seios no sutiã e suspenderam a bunda ao mesmo tempo que ajeitavam a mini-saia.

Encostaram por lá uma viatura da PM, um táxi, um carro importado, mas não entrou ninguém. Não saberia dizer se foi o calor ou a qualidade da meninas. Imagino que quem vai na busca da noite na Carlos Gomes já imagine o nível do bagulho.

Passou novamente outro buzão e já me preocupava onde estaria a porra da carona. Na verdade seria um rolé básico, eu tinha vazado da faculdade e iria pra uma festa que não lembro onde seria.

Parei pra pensar sobre o que sabia daquela rua. Ali já foi uma rua freqüentada pelos barões de várias mercadorias, hoje o melhorzinho é um jokey que vendeu bem e tá com duzentos conto de boa e mais cinco gramas da boa, só pra brincar com a vida.

Mas aí, algo brilhava no início da rua, bem na curva do Sulacape, bem ali onde os trios elétricos fazem a curva no carnaval e os Filhos de Gandhy mostram quem é que comanda. Quatro faróis brilhavam e os olhos brilhavam, os cordões brilhavam e o neon piscava fosco. O coroa que tinha entrado voltou no mesmo momento, ele se agitou todo, chamou as meninas pra pista, a narina coçava, e elas gritavam:

- E aí rapaziada...

Eles vibram e um grita alto:

- É nós gaaaaatas! Cadê as outras? Tamu em alta, cinco mil graaaaaaau.

Eu reconheçi a voz, mas sem lembrar de quem, e torci pra que falassem de novo. Encostaram o carro e prestei atenção no som, e é claro, estavam escutando rap, reconheci o beat e me assustei, era meu som que estava tocando.

Outra vez escuto um grito, só que junto a buzina do carro que me aguardava. Minha atenção estava presa ao objetivo de saber que barreira era aquela, e nesta vibe me vi sair do carro. Não conseguia entender, pensei ser um sonho, mas não era, eu me vi vestido com uma bela roupa, tipo Rocawear, tipo todo fino, primeira linha mesmo. Saí desengonçado do carro, era meu andar, eu com mais três parceiros, todos rindo, batendo palmas e gingando no andar.

O coroa me olhava rindo, mas não era de felicidade pela minha grana, era pela minha presença, a expressão de minhas vitórias em bens materiais era motivo de seu orgulho no olhar e ele sabia como eu venci, ele não me julgava por nada, só estava feliz.

Os parceiros, todos que nem eu, uma espécie evoluída do que provavelmente foram seus passados, meu pai os olhou com o mesmo afeto, éramos na verdade irmãos. A gente se chegou, nos abraçamos com as irmãs e entramos.

A confusão me atormentava, porque o que agora te conto, eu vi como um sonho, do outro lado da rua. A buzina tocou mais forte, o parceiro me gritava do carro. Olho pra ele e volto a vista pra o estabelecimento, reparo no neon, ele oscila e acende com toda força e lá leio:

Casa da Mãe Africa Nigth Club.