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Last Updated: 11/26/2009

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Wednesday, July 26, 2006 

Category: Music

Marcello Vor, 25, é conhecido pelo seu projeto "2Hi" (lê-se Too High) - realizado juntamente com VIBRA - e pelos seus sets que podem passar pelo Nu Breaks ou adentrar o full on. Vor começou em 1994, tocando dance music e em 1999 mudou para o psytrance. Ultimamente tem colaborado com artistas renomados, como os suecos do Ibojima (Spliff Music), o italiano M-Klome (Alchemy Records), os israelenses Perplex (Spun) e Goblin (Psysex), além de Dado (Deedrah) e Dimitri Nakov. O dj e produtor está indo para uma turnê na Europa, onde estudou engenharia de áudio e se apresentou em diversas festas, festivais e clubs. Ele conta a sua história, fala sobre assuntos polêmicos e sobre seu projeto em desenvolvimento com o Gabe (Wrecked Machines).

01-) Como foi tocar no Skol Beats?
VOR: Foi uma experiência maravilhosa! O Skol Beats é o maior evento de música eletrônica do Brasil. Leva informação nova às massas e sai um pouco do mundinho, entrando no mainstream, mas sempre trazendo artistas de peso e qualidade. Fazer parte de um evento como esse é algo muito especial, é também ver que existe reconhecimento de um trabalho que eu venho fazendo há anos. Fico muito feliz! Ter feito parte do Palco Tribe foi algo muito bacana. Eu vi o núcleo nascer, fiz parte da história desde o início e agora que vejo que eles chegaram a este patamar, fico muito orgulhoso!

02-) O que você pensa da inclusão de uma área só para o psytrance em um evento como o Skol Beats, que sempre foi contra?
VOR: Na real o Skol Beats nem sempre foi contra, me lembro de ter ouvido Total Eclipse em uma edição ainda no Autódromo. Mas realmente o psytrance ficou meio de fora por um bom tempo. Acho legal essa inclusão, o psytrance no Brasil não pode ser considerado mais algo muito underground, então só agrega. Da mesma maneira que hoje em dia podemos ver combinações, como a D.Edge e Psyde que rolou na praia, em Ubatuba, levando uma pista de electro e house para um evento de psicodélico, que pode ter espaço para que estilos coexistam em uma festa. Rola uma troca de informações, tanto entre público como entre os artistas, que é muito rica para todos.

03-) O que você tem percebido nas produções musicais atuais do psytrance em relação às musicas antigas, de quatro ou cinco anos atrás?
VOR: Eu acho que hoje em dia, com os avanços da tecnologia, fazer música eletrônica ficou muito mais acessível do que era antigamente. Muita gente começou a produzir e conseguiu chegar a uma sonoridade legal, mas não são todos que conseguem passar alguma coisa com a sua música, perdeu-se um pouco a essência. Fazer uma música que soe como algo que já faz sucesso não é tão difícil, mas são poucos que conseguem acrescentar algo à cena. Não sei se sou eu que estou ficando velho e chato, mas hoje em dia existe uma infinidade de sons que escuto e não me dizem nada, apesar de terem uma boa produção. Porem, é sempre da mesmice que aparece alguém e te fala amigo, agora este é o caminho!

04-) Você está retornando para um tour na Europa agora e já morou lá durante um bom tempo até o ano passado. Quais as diferenças com a cena no Brasil?
VOR: Acho que são cenas bem distintas, mas mesmo dentro da Europa a cena é diferente em cada país. Em linhas gerais acho que a cena por lá ainda é um pouco mais underground que aqui. Alguns lugares, como Londres, ainda têm eventos mainstream, como a Antiworld&Psygate, da qual eu era residente. Faziam festas em lugares como Brixton Academy ou Alexandra Palace, para 5000 pessoas (isso porque tinha pistas de techno, hard house). Mas na maioria as festas não são tão grandes como as do Brasil. Eventos como a Tribe de dezembro, por exemplo, 25.000 pessoas mais ou menos, isso eles conseguem apenas nos festivais de verão, como VooV Experience na Alemanha ou Glade's Festival na Inglaterra (por volta de 20.000), e são festas de 3 dias. No resto do ano é muito frio, não rolam festas open air e os eventos indoor não comportam tanta gente. Porém é uma cena bem sólida, rola muita informação, revistas, fanzines, workshops, coisas que façam com que as pessoas se sintam parte de algo que vai além do gosto musical. Acho que iniciativas como a revista da Union, de Curitiba, por exemplo, são muito válidas e podem ajudar a trazer informação às pessoas que fazem parte da cena.


05-) Atualmente estão vinculando todo tipo de drogas e prisões com o psytrance e com as festas do gênero, você acredita que os artistas que dão nome de drogas para suas músicas tem alguma influência nisso? Conhecendo diferentes países e suas festas, isso é um problema nacional ou global?
VOR: Não sei se o nome das músicas é um problema. Se você pensar por aí, poderia encontrar até uma ligação entre Eric Clapton e o Cartel de Medellin, algo assim meio Teoria da Conspiração. Particularmente acho meio besteira esse lance de colocar nome de droga na musica, ou é falta de criatividade ou é algo querendo chamar a atenção. Claro que existem exceções, como a musica Cocaine de Eric Clapton, que é uma baita musica, mas de modo geral, não acho legal. Cada artista também é livre para intitular sua obra como bem entender e não acho que isso deveria ser problema em lugar nenhum.

06-) Além do seu projeto com o Daniel(Vibra), chamado 2Hi, você tem investido em algum outro tipo de produção?
VOR: Alem do 2Hi tenho trabalhado com o Gabe (Wrecked Machines), estamos com um novo projeto, algo meio progressive house, meio electro, não sei bem definir o estilo. São varias influências, mas é música dançante, na casa dos 125, 127 bpm. Não decidimos quanto ao nome do projeto ainda, mas podem esperar por coisas bem interessantes.

07-) O que você acha dessa nova onda electrohouse que vem "invadindo" as festas de psytrance, seja com djs que tocam tradicionalmente fullon ou com artistas gringos e até nomes de peso?
VOR: Eu acho que é uma busca do público, dos organizadores e até mesmo dos djs por algo diferente. Uma festa psytrance open air, como muitas que vêm rolando nos finais de semana em São Paulo, por exemplo, chega a durar 24 horas, então acho que tem bastante tempo para que rolem vários tipos de som. Full on 145 bpm por 24 horas acaba ficando bem enjoativo.

08-) E sua antiga festa, Freak*a*Delic? Desistiu de produzir festas desse porte? VOR: Eu produzi quatro edições da Freak*a*Delic em Londres, durante o tempo em que fiquei por lá. No começo deste ano também rolou uma em Santos, em parceria com o Noronha e com o Cassiano (Soundshop). Estou pensando em armar uma com a galera brasileira que vai estar pela Europa em agosto, mas ainda nada certo. Na real produzir eventos requer muita energia, tem que ficar em cima, e eu estou numa fase em que prefiro colocar minha energia nas produções. Não dá pra ficar enfurnado no estúdio tendo que se preocupar com mil coisas para a festa, mas não significa que não possam rolar outras Freak*a*Delics no Brasil mais pra frente.

09-) Você tem ouvido novos produtores? Fora os nomes conhecidos você acredita que alguém possa se destacar em 2006? VOR: Gostei de coisas que ouvi do Panick e do PTX, numa linha mais full on. Numa pegada mais progressiva, curti Allaby e Even 11 e também achei interessante algumas coisas que ouvi do Glocal, projeto carioca.

10-) Fale sobre sua nova tour pela Europa, onde você vai tocar e se já tem data marcada para a volta. VOR: Estou indo dia 24 de Maio, toco 26, 27 e 28 no Liquid Time Festival, na Alemanha. Também no festival Sonica, em julho, na Itália alem de festas na Françaa, Holanda, Áustria e Inglaterra. Principalmente Londres, onde tem festas quase todos os finais de semana se eu quiser (Squat parties), além dos clubs já confirmados. Minha volta ao Brasil será do meio para o final de agosto, sem data definida. Provavelmente para o meu aniversário, que é no dia 21.

Para BOOKAR 2HI entre em contato com a In Trance Djs:
www.intrance.art.br
Fone: (19)9239.0961
Email: bookings@intrance.art.br