Esse show já era esperado pelo próprio Phú à mais de 10 anos, sendo portanto uma espera mais antiga que a própria banda. Phú (baixista e cabeça de frente do Macakongs 2099, de Brasília), desde sua antiga banda, D.F.C., já tinha planos de pisar em nossa terrinha. E ele chega à ser tão aficionado pela cidade mangueirosa que insistiu em visitar o "mercado-do-peso" (como ele chama o ver-o-peso, hehe) e ainda conhecer a cantora Gabi Amarantos, do techno brega, do qual (pasmem!!!) é fã confesso. A organização ficou à cargo da união de 3 integrantes de bandas, sendo elas: Jayme Katarro (Delinqüentes), John Bogéa (Rennegados) e Kalado (Estorvo e Morte Suicida), e ainda contando com a ajuda fundamental de Jacob (Rennegados) e Kaká (Derci Gonçalves), sendo estas as bandas que participaram do evento. Vamos ao show.
Com um pouco de atraso, Derci Gonçalves sobe ao palco, numa Scorpions ainda não tão cheia. O velho problema da galera não estar preparada para shows pontuais, e isso incluem tanto público como algumas bandas. Azar de quem não chegou na hora, e perdeu um puta show do Derci Gonçalves, que com um som bom e luz excelente, despejou um excelente fast-core pra rapaziada. Kaká está bem mais solto no palco agora só cantando, já que Betox (ex-Licor de Xorume) assumiu a guita. Arrisco em dizer que foi o melhor show que já vi deles, embora não tenham sido tantos assim que eu assisti.
Já com a casa mais cheia, Estorvo sobe ao palco e mostra um excelente hardcore rápido e panfletário. A grande diferença entre essa e a outra banda de Kalado está justamente nas alternações do hardcore com a harmonia punk, sendo destaque os novos músicos que estão com ele agora, principalmente Nestor, já velho conhecido da galera por ter tocado em outras bandas antes e que deu um grande gás na banda. O único senão do show foi um elemento porre que ficou mandando cotoco o show inteiro pro Kalado, que fez com que ele quase perdesse a cabeça e partisse pros finalmentes com o revoltado de plantão. Isso lembrou o episódio com o Inocentes em Belém, quando vários "punks" (?) xingaram o Clemente até ele se encher. Mas isso não tirou o brilho da noite. A festa estava apenas começando e nada poderia atrapalhar uma noite especial. O indivíduo foi posto pra fora e a noitada continuou.
A 3ª banda era pra ser o Rennegados, mas como o vocalista Beto estava perdido por entre as ruas escuras do guamá (desculpem, mas o trocadilho com o release deles foi inevitável, hehe), sobe ao palco então a Delinqüentes que botou a moçada pra agitar com um repertório mais voltado ao HC porrada. Mesmo assim, o crossover se fez presente em alguns sons mais novos e em poucos, porém fulminantes clássicos. A guitarra de Pedrinho está mais agressiva e audível (foi o que me disseram), combinando com a excelente performance de Sandrão e a batera ágil de Raphael.
Nos intervalos entre as bandas, Mancuso (Peso Pesado) assumia o microfone, encaixando, no meio das apresentações, participações e apoiadores do evento, como o Augusto, da Pizza Rock, (que ainda sorteou uma pizza) e o Mário Hesket, que falou sobre a importância da boa relação que a galera do rock e os skatistas já tiveram no passado e que se propõe agora novamente. Infelizmente não houve uma premiação divulgada nos flyers, devido um pequeno acidente com o skatista em questão.
Mas a noite era mesmo de música e sobe ao palco então o headliner do evento, Macakongs 2099. Vindo diretamente do nordeste, numa turnê que passou por 5 cidades até chegar à nossa capital, a banda não se mostrou cansada pelas duas semanas seguidas de shows, e mostrou pros paraenses um hardcore novaiorquino com grandes pegadas de metal e de rap, o que chamou a atenção até dos skatistas presentes que não conheciam a banda. Para quem já conhecia, foi um prato cheio para o pogo e os moshes, inclusive de algumas figuras tarimbadas do cenário, como o Robson (Escárnio) que deu um belo mortal em cima da galera.
Sem dúvida um dos pontos altos foi a música "Sem Mancada", do último disco Tropicanália, que fez os presentes ecoarem o coro com vontade. O novo vocal segura bem o estilo, sendo em tom mais baixo, porém mais agressivo que o anterior. A performance do Phú lembra muito a moçada que os influenciou, como membros do Biohazard, Agnostic Front, Suicidal tendencies e toda a cena novaiorquina em geral. Um excelente show que Belém tava precisando.
Depois de um bom tempo de show dos candangos, era de se esperar que a última banda tocasse para poucas pessoas e mesmo assim já cansados de tanto agitarem. Pelo menos é o que acontece com freqüência nos shows em que uma banda local toca depois da banda principal e principalmente se tratando de um domingo. Mas não foi isso que aconteceu. Rennegados bota todos os presentes (que não eram tão poucos como o esperado pela avançada hora) para fazerem a autêntica e genuína roda de pogo, com participações ilustres de amigos que a toda hora subiam no palco, dividindo o microfone com o vocalista Gilberto. Bokaum Jr. Mostra que segurou o pique na batera, enquanto o Jacob, já há algum tempo no baixo, desfila o hardcore crossover com precisão ao lado de John. Não precisa dizer que fecharam com chave de ouro essa noitada de hardcore que há muito Belém não via (não desmerecendo outros festivais importantes do gênero, mas é que nunca mais tínhamos tido shows com bandas de hardcore porrada de fora).
Talvez se esse show fosse em outro lugar, como no teatro Waldemar Henrique, ou se não houvesse um show de graça na mesma hora lá perto, desse mais gente ainda. Mesmo assim, o saldo do show foi bastante positivo, com uma grande quantidade de pessoas indo prestigiar um gênero que (ainda bem) está fora de moda. Macakongs prova ser uma das grandes forças desse gênero do cenário nacional, além de serem pessoas bastante simples e gente boas.
Nota: No outro dia, dando um rolé com o Phú, que ficou mais um dia na city, acabamos provocando o tão cobrado por ele encontro com a Gabi Amaranto, que provou ser uma pessoa super gente fina e fiquem ligados pois uma participação dela num próximo trampo do Macakongs é bem possível.
Por: Jayme Katarro.