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Hammurabi (looking for a new guitarplayer)



Last Updated: 11/24/2009

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Tuesday, September 30, 2008 

Category: Music
14/09/2008 - Sodom: a velha escola alemã de volta a BH

Domingo. Almoço familiar, churrasco com os amigos, sítio, clube, boteco, namoros, agonias com o time de futebol preferido ou a simples prática lúdica e amadora do esporte, dentre outras atividades características do dia. Que tal acrescentar uma boa dose de cevada, torcicolos, hematomas e decibéis em porções nada homeopáticas? Pois é, o último domingo foi mais uma página na inexorável história do Heavy Metal mineiro. Belo Horizonte abriu as portas, mais uma vez, para a lenda alemã Sodom, um dos bastiões do Thrash Metal mundial, com mais de vinte anos de história e estórias. O evento ocorreu no Lapa Multishow e teve a participação das bandas Hammurabi (MG) e Farscape (RJ).

Levando em consideração datas quase vizinhas de um show para o outro na cidade, e o fato de ser no dia antecedente ao desânimo habitual da segunda-feira, o público presente foi relativamente bom. Cabeludos, tatuados, carecas, jovens ou "quase coroas", os que foram, definitivamente, não se arrependem. Foi uma noite baseada na essência mágica dos anos 1980. Além dos alemães, as bandas de abertura tinham muito daquela década em seus trabalhos – cada uma à sua proporção.

Voltando de uma turnê por SP, onde divulgaram seu último disco, Shelter of Blames, a banda Hammurabi apresentou seu Death/Thrash visceral e agressivo. Contando com Danilo Henrique e Josias Martins (guitarras), Daniel Lucas (baixo e vocal) e Crislei Rodrigo (bateria), os mineiros deram um aperitivo do que seria a temática da noite. Pequenas rodas começaram a se formar, mesmo com o público ainda chegando ao local. Trabalho de atitude, com excelente harmonia musical – inclusive solos de baixo muito bem executados por Daniel. O destaque fica por conta de Madness is to Live in This World, porrada com inferências oitentistas, e The End, na qual os músicos mostraram domínio sobre seus instrumentos.

A banda seguinte veio do Rio de Janeiro para surpreender a cidade berço do metal brasileiro. Tudo nos caras remetia a uma década que, paradoxalmente, cresce o número de fiéis seguidores. A começar pelos nomes. Léo Witchcaptor (voz e guitarra),Victor Whipstriker (baixo), Victor PoisonHell (guitarra) e Pedro Skullcrusher (bateria), provaram que é possível deixar uma platéia impressionada com algo não tão novo para muitos. Seu Thrash Metal old school causa a inevitável comparação com outra banda alemã de renome: Kreator. Sejam nas bases, solos e até mesmo vocal, tudo lembra Mille Petrozza e cia. na melhor fase da banda – o que já faz muito tempo, apesar de ainda serem bons. Era impossível deixar o corpo parado com o som dos cariocas. Thrash até o osso! Altamente recomendado para os fãs do estilo.

Hora dos headliners. Todos bramem o nome da banda. Tom Angelripper (baixo, vocal), Bernemann (guitarra) e Bobby (bateria) vieram saciar a fome de açoite dos mineiros. A escolhida para o pontapé inicial (literalmente) foi Blood on Your Lips, logo seguida de Outbreak of Evil – músicas que abrem último e primeiro álbuns de inéditas, respectivamente. A catarse coletiva entra em ação. A roda não pararia de girar até o fim, todos queriam expurgar seus demônios através da violência pacífica, exibir a testosterona no ritual sagrado do metal, algo que somente um headbanger pode conceber... o mosh que constrói e destrói. Tom, o membro fundador, o todo-poderoso da banda é, ao contrário do que muitos dizem, uma pessoa muito simpática. Antes de Napalm in the Morning, ele diz que o público brasileiro é o mais louco do mundo e que é um prazer voltar a Belo Horizonte. O ventilador logo abaixo do vocalista fazia sua cabeleira voar, exibindo um semblante quase profético, função que lhe caberia muito bem, levando em consideração a legião de fãs que possui.

Um power trio, no sentido lato da palavra. Músicos com habilidade incontestável, carreira consolidada e amor pelo que fazem. Bernemann é o mais carismático. Usando camisa do Slayer (humildade é para os fracos?), brincando e acenando o tempo todo, o competente guitarrista mostrou que merece o posto de maior rotatividade da banda – já se passaram sete felizardos antes dele. Bobby segura muito bem a onda com as baquetas. Apesar de não possuir a velocidade do baterista anterior, Chris Witchhunter, sua pegada também agrada aos ouvidos. Tocar Thrash Metal não requer virtuosismo, é muito mais uma questão de atitude. E isso o Sodom tem de sobra, não é atoa que se firmaram no primeiro escalão das grandes bandas mundiais no estilo.

Sodomy and Lust. Uma porrada, oriunda do EP Expurse of Sodomy, trabalho que influenciou muita gente e possuidor da melhor composição na trajetória do grupo: Tom, Blackfire e Witchunter. Quebradeira, tanto no palco como na platéia. Interessante é ver como cada um reage à sua maneira; desde os que estão na roda, como aqueles no cantinho, solitários e atenciosos, perpassando pelos casais de namorados, todos têm algo em comum: adrenalina a mil, instinto air guitar acionado e a cabeça querendo fugir do resto do corpo. Isso é Thrash, isso é Sodom. City of God e The Saw is the Law deixaram todos com sede, mas agora de líquido mesmo.

O repertório buscou músicas de todas as fases do grupo. A próxima potencializaria a torcicolo do dia seguinte: Blasphemer! Tradicionalmente rápida, tanto lírica quanto musicalmente, fica só o refrão para o público cantar. Logo após um clássico de outrora, uma música mais recente era executada. Foi assim com M-16 e Obssessed by Cruelty, esta última com sua costumeira intro soturna, que abre espaço à pancadaria. Tom e Bernemann estão em perfeita harmonia, tanto na execução das músicas quanto na postura de palco, brincando com o público em momentos alternados. Importante citar também o espaço preenchido pela cozinha durante os solos do guitarrista. Na última oportunidade em que estiveram na cidade, em 2005, essa falha foi perceptível em algumas músicas – fato não registrado desta vez. Várias vezes aparecia alguém da produção para filmar imagens do público. De acordo com Tom, eles lançarão um DVD em breve, com cenas da turnê atual.

Axis of Evil, também do último disco de inéditas e que leva o nome da banda, botou a roda para funcionar novamente. Isso foi um aperitivo para os petardos seguintes: a clássica Agent Orange aumentou os inevitáveis hematomas; Witching Metal foi oferecida por Tom ao baterista original e co-fundador, Witchhunter, falecido há alguns dias. Ausgebombt surge como homenagem às bandas punks que inevitavelmente influenciaram o som dos alemães. Antes de Among the Weirdcong, Tom brinca com o público, daquele jeito sacado de gritar e todos repetirem, à medida em que os intervalos diminuem, até parar com a enrolação. Desculpem, mas essa brincadeirinha já está batida. A música seguinte tem a homenagem irônica do vocalista ao presidente Bush: hora de honrar os heróis caídos com Remember the Fallen. Clássica, com riff pegajoso e letra contundente, o público viu o ingresso valer ali – como se já não estivesse pago. Parecia que a banda estava quitando uma dívida. No show de 2005 a guitarra falhou e, por mais da metade da música, só se ouvia baixo e bateria. Tudo certo, agora.

Banda sai, banda entra. Assim foi para o encore, tudo muito rapidinho. Todos pediam por várias músicas ainda não tocadas, uma delas era Iron Fist. Se queriam Motorhead, assim foi. Mas os caras surpreenderam e mandaram Ace of Spades, emendando com Bombenhagel. Logo depois, baquetas e paletas para quem tem sorte, a banda agradece e sai definitivamente do palco, deixando uma leve frustração em quem ficou, mas nada de grave. Apesar de algumas músicas terem faltado, como Nuclear Winter, quem foi teve a oportunidade de assistir a um dos representantes mais significativos da escola alemã de Thrash Metal, em excelente estado de conservação. Só isso já elimina qualquer sintoma de mal estar. A não ser torcicolo, hematomas e ressaca...

Set List – Hammurabi

Avatar
Madness is to Live in This World
Fools
Submersos
Urban Exodus
Shelter of Blames
The End
www.myspace.com/hammurabimetal

Set List – Farscape

Mercenary Love..s House
Under the Loudness
Thrash Until You Drop
Celebrate My Death
Killers on the Loose
Eletric Fist
Politicians (Exploited Cover)
Carrasco do Metal
Demon..s Massacre
Billy the Butcher
www.myspace.com/farscapekillers

Set List – SODOM

Blood on Your Lips
Outbreak of Evil
Napalm in the Morning
Sodomy and Lust
City of God
The Saw is The Law
Blasphemer
M-16
Obssessed By Cruelty
Axis of Evil
Agent Orange
Witching Metal
Augesbombt
Among the Weirdcong
Remember the Fallen
Ace of Spades
Bombenhagel

www.sodomized.info


Por: Oswaldo Diniz

Local: Lapa Multishow