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...une-nos o espa?o em branco das palavras. e o poema... sempre o poema.
teresa

teresa cuco


Last Updated: 5/3/2009

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Thursday, February 12, 2009 

O teu silêncio tem o tamanho
da minha agonia
pesa no meu peito
abre-se numa ferida
o teu silêncio tem o tamanho
da ausência e do vazio
corta-me os dias
arde nos meus olhos
no teu silêncio moram
todas as feridas
todas as guerras
todos os muros
todas as pessoas que eu não quero ver
no teu silêncio morre a palavra
e a voz que me ensinaste a usar
queimam-se as asas nesse silêncio
abrem-se as navalhas
e todas as portas se fecham
dentro do meu coração.


(Teresa Cuco; "lugares de mim"; corpos editora, 2006)

Friday, December 21, 2007 

É esta a nossa solidão…....

Apartados da nossa alma....

é à procura de nós que andamos…aflitos…....

deste Amor maior que o mundo ....

deste Deus em nós que tudo sabe…....

Somos nós o  maior inimigo a enfrentar ....

é sempre dentro de nós ....

o maior combate.....

Penso que é preciso passar a palavra ....

do medo....

da solidão....

da morte....

do inferno....

transformar a palavra dentro do peito....

amassar a raiva....

explodir a dor....

vivê-la até ao fim....

perder tudo....

ganhar tudo.....

É este o grito. ....

Anseio pelo Silêncio que repousa no coração dos homens.....

(Teresa Cuco; "do Amor e da Espada"; corpos editora; 2008)

Tuesday, March 20, 2007 

Category: Writing and Poetry

Arrastas essas cadeias

embrenhas-te nessa bruma

e sonhas com rios onde as aves matarão a sede

e o mundo lavará as mágoas;

entretanto, os relógios não se calam

e há um halo de urgência

em tudo o que não fazes.

(Teresa Cuco)

Monday, March 19, 2007 

Category: Writing and Poetry

diz-me agora

se eu dissesse que te amo,

estaria o teu coração disponível para me ouvir?

saberias no teu peito

que há muitas vidas eu te amei

e que todas as terras se misturaram

e todos os céus desabaram

e que de novo me levantei

e da energia nova imensa

te recriei?

saberias no teu sonho

que foi tua a voz que me ergueu

foi o teu corpo a manhã clara da minha noite

foi o teu cheiro o segredo

do meu entardecer?

saberias que ainda assim

as forças da natureza me trouxeram o teu retrato

quando percorria sozinha as ruas do meu peito?

saberias que em cada momento ergo ao céu

os gestos de cada vida?

Saberias ...

Saberias tu de mim?

(Teresa Cuco)

Tuesday, December 19, 2006 

Vens no fim do dia

e trazes-me o espírito da noite

Falas-me

dos cavaleiros andantes

das estrelas que guiam os caminhantes

da magia dos sorrisos

Dizes

de ti

do mundo

de mim

E toda a emoção do universo

acorre aos meus sentidos

E calam-se as guerras

E quebram-se os gritos

E renasce em cada passo

A flor

O mar

A chama

O chão dos anjos pressentidos

A  glória da terra

no  céu dos  esquecidos

....

(Teresa Cuco)

Wednesday, December 06, 2006 
[Se falo desses lugares
é porque sei que já lá estivemos]

mas isso foi no tempo
em que eu era apenas
uma brisa na tua cara


(Teresa Cuco-lugares de mim)
Sunday, December 03, 2006 

Não chores por mim

Ri por mim

Canta as histórias

que não tive tempo de contar

Vive as memórias

do passado

que há-de chegar

Depois

abraça e guarda no teu peito

o amor da terra

           generosa

a persistência dos gatos

           fiéis

o chilrear dos pássaros

           de luz

as viagens solitárias       

Não chores pois por mim

Dança por mim

           em  mim

Embala-me na música que amei

Ilumina os teus olhos

(da estrada já sem escolhos

que outrora te ensinei)

 

(Teresa Cuco)

Saturday, November 25, 2006 

Category: Writing and Poetry

Guardei todos os gestos
de todos os dias
de todos os tempos
Guardei os ponteiros
de todos os relógios
esquecidos nas outras paredes
Fui ao fundo das marcas
que os meus pés deixaram
quando pisaram os dias
Fiz as pazes com a terra
que guardou para sempre
os corpos dos que amo
Ergui-me no meio dos escombros
saí de mim e de todos
voei mais alto e mais longe
e verdadeiramente só
agora vejo tudo
sinto tudo...
Agora sim...estou mais perto!
Seguirei os sinais até Casa



(Teresa Cuco-lugares de mim)
Saturday, November 25, 2006 

Category: Writing and Poetry
Se te amo? Não.
Estás em mim
no meio da corda esticada
no braço que perdeu o abraço
na mão aberta sem peito
na solitária multidão
dos dias que passam
em vão
não
eu não te amo
estás em mim
na beira do meu abismo
na dúvida
no vazio profundo
do meu corpo
que me trai dia após dia
estás sim
tu estás em mim
na corda bamba
da ternura e da raiva
na mágoa crescente
em cada gargalhada
na pena imensa intensa
de sentir que não sou nada
assim, para o bem e para o mal
estás em mim e neste abismo
são mil e uma razões para ficar
e outras tantas para partir
são navalhas abertas
mensagens incertas
de um eterno devir.


(Teresa Cuco)
Saturday, November 25, 2006 

Category: Writing and Poetry
Se eu te amasse diria
que as aves se calam quando partes
e que, mesmo assim,
o silêncio insiste em me trazer a voz
da tua ausência
se eu te amasse diria
que o meu corpo se amarrota
porque não vens
e que, mesmo assim,
há marcas de dedos na minha pele
e recados de olhos
nos meus ouvidos
se eu te amasse diria
que todas as mãos
das manhãs
são as tuas, meu amor,
únicas mãos
que todas as manhãs inventam
e recortam


(Teresa Cuco-lugares de mim)
Saturday, November 25, 2006 

Category: Writing and Poetry

Talvez seja de morte
o teu abraço
talvez haja anémonas
pelo espaço
talvez...talvez...
as horas mudem num repente
e sejam o fruto
de um corpo ausente
talvez...talvez...
as vozes da mágoa
se aquietem
e a terra inteira se abra
em flor
pr'a celebrar a tua chegada
desta vez sem mágoa
e sem dor.





(Teresa Cuco)
Saturday, November 25, 2006 

Category: Writing and Poetry
Que novas me trazes, anjo da noite...
Mil anos de guerra
Mil anos de amor
Corpos quebrados
Corações amargurados
Tanto ódio
Tanta raiva...
Tanto amor guardado
Tanto espanto silenciado...
E estamos tão sós, meu anjo da noite
E engolimos o desejo
E adiamos o beijo
E vergamo-nos ao mesmo peso
Dessa guerra
E dessa Terra
Vórtice que nos embebeda
E nos maltrata
Amor que nos redime
E que nos mata
Nenhumas novas me trazes,
anjo da guerra...
mil anos de noite
mil vagas de terra
mil águas de espanto...
prendem-te nesse céu
cobrem-te nesse chão
e continuamos tão sós, meu anjo da noite
no vórtice
do desejo
no peso
desse beijo
na guerra..
Terra desse Amor.


(Teresa Cuco)
Saturday, November 25, 2006 

Category: Writing and Poetry
Trazia no rosto restos de viagem
e das suas mãos soltavam-se ainda fragmentos de luz
tinha o ar ausente de quem acaba de chegar
e a Presença intensa
da imensidão de Estar
Sentou-se a meu lado.
Em silêncio
Contou-me dos caminhos e das sombras
que se agigantavam pelas estradas
dos sobressaltos nas madrugadas
do fogo e da água e do sal
de todas as lágrimas.
Desenhou-me campos como palavras
Magias de Saberes Ancestrais
Olhou-me com os olhos de quem lava mágoas
Olhos de quem já havia visto tudo.
Vira os cães e as pessoas
Vira as mulheres vestidas de luto
Vira as copas transformar-se em espadas
e as espadas, em riste,
nas mãos das Deusas
Morrera mil vezes na mesma estrada
e outras tantas nas mesmas camas
Carregara o peso de todas as trevas
De todos os mundos
De todos os medos
De todos os tempos
Transcendera o tempo
E os medos e os mundos e as trevas
Era mais. Era Maior.
Tocou na minha mão.


(Teresa Cuco)
Saturday, November 25, 2006 

Category: Writing and Poetry
Deixo em branco o espaço da ternura
e elevo o Silêncio da tua memória
Assim escrevo as páginas
da tua ausência
e os segredos ocultos
na voz do vento projectam-se
nas paredes de todas as casas
e de todos os corações
finalmente desfeitos
finalmente vazios.
Na verticalidade do sentir
cruzo-me com todos os poetas
que morreram antes de mim.


(Teresa Cuco-Lugares de Mim)
Saturday, October 14, 2006 

Category: Writing and Poetry
Entre nós e as palavras
há o Silêncio
e a certeza da eternidade
entre nós e as palavras
há a coincidência
o mágico e consentido
esquecimento
da Verdade
entre nós e as palavras
há o Vazio
o indizível
o que não tem forma
nem verbo
nem vontade
entre nós e as palavras
o Divino
Sagrado
Inevitável
Predestinado
E é nesse Silêncio
nesse Vazio
nessa Ausência
que me reconheço
e cresço
e me invento
e nos reinvento
e revejo a minha Casa.
Só depois vêm as palavras.




(Teresa Cuco-Lugares de Mim)