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Vivian



Last Updated: 1/3/2008

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Wednesday, April 18, 2007 

 

 

A atriz Hermila Guedes na capa

 

Já leu a Revista Moda nova?  Tem aqui.

Abaixo, meu textinho de tendências feito com a Camis.

Inverno genérico

Estilistas apostaram no sport-chic, no futurismo pop e em temas sociais em temporada de pouca força criativa

A moda brasileira está passando por uma séria crise de imagem. Foi essa a impressão deixada pelas duas maiores semanas de moda do Brasil, o Fashion Rio e a São Paulo Fashion Week. Com raras exceções, faltou força criativa a boa parte das coleções na temporada outono-inverno 2007.

A estação foi recheada de coleções sem vigor nem invenção, cenário que escancara um dos principais impasses do design nacional. Em nome da "segurança comercial", muitas grifes estão deixando de aprofundar suas pesquisas de moda e evitando correr riscos no prêt-à-porter.

Essa postura só faz diminuir as chances de criar uma moda com DNA brasileiro, que possa oferecer um produto mais criativo ao consumidor local e atrair a atenção do mercado internacional.

 look Osklen


Embora nenhuma imagem feminina forte tenha sido delineada para o inverno, algumas referências e inspirações ajudam a esclarecer quais são as principais tendências para a próxima estação fria.

As grandes apostas dos estilistas se voltaram para três vertentes: o sport-chic, que nesta temporada foi abordado pelo viés ecológico, com elementos futuristas; o retrofuturismo pop, que resgatou o estilo Courrèges e o imaginário espacial da década de 60; e a imagem de uma mulher mais adulta e confiante, traduzida em peças de uma elegância impositiva.

No segmento sport-chic, a Osklen e a Ellus investiram na discussão sobre as conseqüên-cias do aquecimento global e o consumo consciente. O tema ecológico foi traduzido em imagens otimistas (às vezes escapistas) e utilitárias de jovens entusiastas da natureza –com muitos casacos-casulo, vestidos-barraca, tecidos inteligentes e peças em moletons com cortes sofisticados.

O toque futurista ficou por conta da pesquisa de têxteis ecologicamente sustentáveis e pelo shape maximalista, principalmente nas jaquetas e casacos, que parecem projetados para resistir ao tempo e a situações climáticas extremas.

Principalmente entre as grifes do Fashion Rio, apareceram coleções retrofuturistas, quase sempre apoiadas em ícones pop, como no desfile da Sommer. Barbarella, "Guerra nas Estrelas" e os primórdios da corrida espacial foram fonte de inspiração para diversos criadores que, em geral, revisitaram formas minimalistas, cores primárias e experiências e estampas geométricas.

Em menor escala, apareceu outra vertente do pop, mais focada no mix caótico de estampas e nos anos 80, como nas coleções de Marcelo Sommer para a grife Do Estilista e de Fábia Bercsek, respectivamente.

Na moda mais adulta e sofisticada, os designers apostaram em um perfil feminino ativo e seguro. A sensualidade é discreta, e a idéia é a de uma mulher que faz diferença no meio em que vive, que preza a praticidade, mas não abre mão de um certo charme. As peças-chave são as roupas emprestadas do guarda-roupa masculino, os trenchs, as pantalonas e os vestidos pouco acima do joelho.

Alguns criadores investiram em inspirações com fundo social. A Huis Clos injetou espírito combativo à sofisticação de suas mulheres intelectuais do verão passado, Ronaldo Fraga olhou para a China para opor tradição e modernidade, Alexandre Herchcovitch recorreu as bóias-frias altivas e elegantes, vestidas com provocadores sacos de lixo. Temáticas ousadas para um inverno bastante genérico e muito conformista.

por Camila Yahn e Vivian Whiteman
fotos Alexandre Schneider

 look Fábia Bercsek

 

Wednesday, April 18, 2007 

Nova loja do Herchcovitch no Japão. Dá vontade de morar nela.

Monday, April 16, 2007 
jovem talentosa encrenqueira

Aos 23 anos, dona de uma voz que remete às cantoras da soul music, a inglesa Amy Winehouse ganha elogios pelo seu segundo disco e é figura constante na mídia devido às polêmicas em que se mete

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Simone Joyner/Getty Images
Amy Winehouse em show realizado em novembro passado, em Londres


.. -->--> -->VIVIAN WHITEMAN
DA REPORTAGEM LOCAL

Os cabelos pretos, cheios de ondas vivas, passam longe do estilo louro-e-domesticado da maioria das cantoras jovens, e o visual é um mix original da moda anos 60 com os acessórios dourados dos rappers e dos "chavs" ingleses. As músicas revelam os traços de uma mulher geniosa, sincera, cool e divertida, capaz de rir da estupidez alheia e de suas próprias burradas, de confessar seus vícios e de contar como chorou largada no chão da cozinha por causa de um romance fracassado.
Depois de tudo isso, fica difícil não se apaixonar por Amy Winehouse. Se a descrição não for convincente, basta apertar o play em "Back to Black", segundo CD da cantora da mais recente safra de talentos britânicos, para reconhecer suas qualidades nada ordinárias.
O disco, que sairá no Brasil em fevereiro, tem a produção de Mark Ronson- responsável pelo álbum de Lily Allen, outra garota-prodígio inglesa. O primeiro single, "Rehab", em que Amy fala de seus problemas com o excesso de álcool, rendeu ao CD uma estréia no terceiro lugar da parada britânica. O novo single, "You Know I"m No Good", lançado oficialmente hoje, conta com um remix de Ghostface Killah, membro do norte-americano Wu-Tang Clan, um dos mais conhecidos e adorados coletivos de rap do mundo.
Apesar de ter conseguido muito espaço na mídia graças a seu pavio curto e por se envolver em confusões quando exagera nos drinques, Amy é muito mais do que uma marqueteira da pá virada. Sua voz irresistível, que parece pertencer a uma diva do soul com bem mais de 23 anos, impressionou a crítica especializada e, entre seus fãs, está o ícone mod Paul Weller, que a convidou para dividir o palco em uma série de shows.
De Londres, Amy falou à Folha, por telefone e e-mail, sobre música, bebidas e moda.  

FOLHA - O single "Rehab" fala sobre como você se recusou a participar de um programa de reabilitação para alcoólatras. Qual é a sua relação com a bebida?
AMY WINEHOUSE
- Estava passando por um momento pessoal difícil, e meus agentes quiseram me levar para uma clínica, mas decidi que resolveria tudo sozinha. Eu e a bebida temos uma relação bem intensa, de amor e ódio. Tenho noites incríveis e divertidas e momentos péssimos, que me causam sérios problemas.

FOLHA - Você é conhecida por falar sempre o que pensa, e isso nem sempre é bem visto no mundinho das celebridades...
WINEHOUSE
- Não dou a mínima para essa gente que se preocupa demais com as aparências. Ignoro completamente.

FOLHA - Seu visual é bem marcante e original. Você escolhe suas roupas?
WINEHOUSE
- Gosto de me vestir como uma adolescente dos anos 60 ou como uma dona-de-casa daquela época. Eu mesma escolho as peças, faço a minha maquiagem e arrumo o meu cabelo.

FOLHA - Quase todas as suas letras falam de seus relacionamentos e problemas pessoais. Você não tem medo de se expor demais?
WINEHOUSE
- Não mesmo. Quem sai na chuva, se molha.

FOLHA - Já pensou em criar outras coisas com suas histórias de amor, como poemas ou um romance?
WINEHOUSE
- Desde criança eu sempre escrevi músicas, poemas, histórias. Gosto de criar pequenos contos a partir do que acontece com as personagens das minhas canções. Mas, acima de tudo, adoro escrever letras para as minhas músicas.

FOLHA - Seu disco tem uma forte pegada retrô. Quais foram suas referências para gravar esse álbum?
WINEHOUSE
- Eu estava obcecada pelas coisas da Motown, especialmente pelos grupos vocais femininos dos anos 60. Enfim, músicas desesperadas, de partir o coração.

FOLHA - Você tem sido comparada com divas do porte de Aretha Franklin e Etta James. O que acha disso?
WINEHOUSE
- Fico lisonjeada, embora nunca tenha sido especialmente influenciada por elas. Admiro a originalidade dessas cantoras. Elas são artistas únicas.

FOLHA - Por curiosidade, qual é o seu drinque preferido?
WINEHOUSE
- Dia diferente, drinque diferente.

Texto original: aqui

Saturday, March 10, 2007 

Vista essa canção

Estilistas e novas bandas remodelam o bem-sucedido namoro entre moda e música

por Vivian Whiteman


Em Nova York, ao fundo, da esq. para a dir., Carolina Parra, Ana Rezende, Ira Trevisan e Adriano Cintra; à frente Luiza Sá (à esq.) e Lovefoxxx

Agradecimentos: Carol, Gina,
Humberto e Olivia (Opening
Ceremony) e Scott (Visionaire)

Nos anos 50, o mundo descobriu o rock com o rebolado de Elvis Presley. Desejado pelas meninas, admirado pelos garotos, todos queriam ter um pouco do "rei"_ copiavam seu topete, sua postura cool e, claro, suas roupas. Começava ali o namoro da moda com a música pop, que mais de meio século depois continua firme e forte.

Os motivos de tanto entrosamento são, basicamente, a capacidade da música de funcionar como antena dos desejos da juventude (o que é essencial especialmente para a renovação do streetwear) e o poder do furor consumista que costuma ser despertado por cantores e bandas hype.

O eterno reinado de Madonna como ícone fashion, o revival do visual mod capitaneado por Hedi Slimane na Dior Homme e as constantes coleções inspiradas em movimentos musicais, como o disco-punk mostrado pela D&G nesta temporada, são exemplos contempor‚neos desse casamento. Outra iniciativa que aproveita a fórmula de sucesso é o Fashion Rocks, evento que reúne artistas e estilistas top numa espécie de show de abertura da Semana de Moda de Nova York e que, neste ano, ganhou uma revista própria.

No Brasil, cresce o número de grifes interessadas no potencial dessa dobradinha criativa. "A música traduz simbolicamente códigos que a moda trata de panfletar e comunicar. às vezes, fica até difícil de discernir onde começa uma e onde termina a outra", diz a estilista Karlla Girotto, que, ao lado de Alexandre Herchcovitch e Fábia Bercsek, está entre os designers mais ligados aos desejos vindos do circuito musical.

"Todas as minhas coleções começam e terminam com música, da inspiração inicial à trilha do desfile. É como se o som se transfigurasse em peças de roupa", afirma Fábia, que recentemente fez uma coleção de ares folk inspirada na banda Fleetwood Mac.

Apesar de continuar de olho no passado da música, a moda também vem procurando renovar suas referências de imagem nesse universo. Deixando os revivals mais simplistas um pouco de lado, os olhares mais atentos já estão explorando uma nova fonte de tendências: bandas com identidade visual composta de referências múltiplas, que não podem ser facilmente rotuladas mas têm um impacto de imagem forte e fresco.

Em turnê pelos EUA e pela Europa, a banda paulistana Cansei de Ser Sexy é um dos melhores e mais recentes achados nesse sentido. Donas de um senso de estilo espontâneo, divertido e nada óbvio, as meninas do CSS atraíram a atenção dos editores de moda de revistas estrangeiras hype como a "Nylon", a "i-D" e a "Dazed and Confused". "Nosso visual não é temático, não pertencemos a uma cena uniforme. Temos uma facilidade natural para misturar elementos nos nossos looks sem analisar demais", diz a baixista Ira Trevisan, ex- assistente de Alexandre Herchcovitch.

A vocalista Lovefoxxx, musa dos fãs do CSS e adorada pelos fashionistas, mistura elementos ultrapop com a praticidade do streetwear. "Encontrar uma imagem própria não tem de ser um esforço dos infernos. Se for, é porque algo está errado", afirma.

Fãs do estilo de artistas como as rappers Kelis e Missy Elliott e a banda de rock Liars, o CSS tem no palco o mesmo visual do dia-a-dia _o que inclui muitas peças de Herchcovitch e da divertida grife Amonstro, das estilistas Helena Pimenta e Lívia Torres, alÈm de coisas garimpadas em brechós . "Nossas roupas de show têm a ver com o que somos, são nossas roupas da rua. Um figurino de palco totalmente artificial acaba ficando cafona", declara a guitarrista Ana Rezende.

As bandas Montage, do Ceará, e Multiplex, de São Paulo, são outros exemplos de novos grupos com imagens de moda marcantes, mas não facilmente rotuláveis. Fã da trupe glam-rock, especialmente de David Bowie, Daniel Peixoto, vocalista do Montage, é adepto da geléia-geral fashion. "No encarte do novo disco, usamos roupas do Lino Villaventura, mas geralmente eu misturo peças comuns com outras mais exageradas, com um pé na escola de samba e outro no punk, sabe?", diz.

Leandro Cunha, vocal do Multiplex, além de misturar estilos com muita propriedade, também inova na relação das roupas com o espaço público, abolindo regras que considera ultrapassadas. "Já subi num ônibus maquiado, com uma roupa rasgada e pichada e vou ao supermercado com looks que, teoricamente, seriam apropriados só para uma festa ou para o palco", conta. Apesar das reações adversas dos passantes, ele não se abala. "Uso o que tem a ver comigo, seja onde for. Não para chocar, mas porque é mais verdadeiro e divertido. No final, as pessoas se acostumam."

É claro que a onda do multimix não vai apagar a força individual de cenas musicais históricas, como o punk e o glam, mas a novidade está aí, para ser compreendida, apreciada e, como é regra na moda (e na música), amplamente copiada.


Em sentido anti-horário, Daniel (de cabelo rosa) e Leco, do Montage; Bruno (de óculos escuros), Maurício e Leandro Cunha, do Multiplex

Texto original: aqui
Wednesday, January 10, 2007 

Fotorocker


Mick Rock (à frente) durante sessão de filmagem com David Bowie (ao fundo)

O lugar de destaque que o cenário rocker dos anos 70 ocupa na história da cultu-ra pop mundial deve muito ao olhar do fotógrafo inglês Mick Rock. Das lentes dele saíram imagens históricas da época, especialmente da cena glam, que incluía nomes como David Bowie e Lou Reed.

Entre seus cliques mais célebres estão capas de discos históricos como "Transformer", de Reed, "Raw Power", dos Stooges, e "Space Oddity", de Bowie, com quem desenvolveu diversos outros trabalhos, entre eles, um livro de fotos e os videoclipes de "Life on Mars" e "The Jean Genie".

Aos 57 anos, Rock comanda um programa de rádio em Nova York e continua fotografando as bandas mais interessantes do cenário atual. Além disso, prepara para 2007 o lançamento de dois livros: um sobre Lou Reed e uma coletânea de fotos que deve se chamar "Exposures". Dos EUA, Mick falou à FolhaFolha sobre música, fotografia e seus novos projetos:

Quais são os seus projetos atuais?

Estou preparando dois livros: um sobre Lou Reed, que provavelmente terá texto dele e fotos minhas, e outro mais geral, uma coletânea de diversos trabalhos. Nesse segundo, que deve se chamar "Exposures", reuni coisas antigas, como os meus primeiros trabalhos com Syd Barrett até coisas mais novas, com bandas como Scissor Sisters, Yeah Yeah Yeahs e The Killers. O livro terá ainda algumas coisas de moda, como minhas sessões com Kate Moss, e amostras do meu trabalho com imagens eróticas, que é menos conhecido. Também estou produzindo e dirigindo um documentário sobre a história do rock, que deve chegar à TV em 2007.

Você costuma trabalhar para revistas de moda e comportamento?

Sim, mas não costumo fotografar editoriais. As fotos que faço são de bandas, porque a música é um assunto presente e importante nas melhores revistas de moda e comportamento do mundo, como a "i-D", a "Nylon" e a "Dazed and Confused", para as quais tenho trabalhado com alguma freqüência. A associação de moda e música é constante, quase natural, principalmente quando falamos de cultura jovem e de rua.

Qual é o papel da fotografia no processo de transformação de um músico em ícone de estilo e comportamento?

A fotografia tem o poder de congelar momentos. Se for realmente boa, ela imprime uma imagem fixa na cabeça do público, imortaliza aquela atitude, aquela roupa, torna aquela figura muito desejável. Mas é claro que nem todas as imagens de artistas são memoráveis, assim como nem todos os artistas ocupam lugar de destaque na história da música. Depende muito da sensibilidade do fotógrafo e do carisma de quem está sendo clicado.

O que levou você a fotografar David Bowie, Iggy Pop e Lou Reed antes mesmo de eles se tornarem artistas famosos?

Eu realmente gostava daquela cena, daquela movimentação criativa que estava acontecendo. David, Iggy e Lou eram roqueiros do underground quando eu os conheci, então, eu não estava trabalhando por dinheiro ou fama. A mesma coisa aconteceu com o Queen e o Roxy Music, quando eu os encontrei pela primeira vez. É claro que, além de grandes músicos, eles eram ótimos modelos também, cheios de personalidade. Sem falar nos figurinos, que eram realmente especiais. O desejo de fotografá-los era algo intuitivo, visceral. Felizmente, minhas obsessões profissionais sempre me deram sorte. (Vivian Whiteman)


A banda Yeah Yeah Yeahs, em foto do novo livro de Mick Rock, "Exposures"

GUARDA-ROUPA DE ESTILOS

Rockabilly

Origem musical: primórdios do rock, nos anos 50; mistura blues e countryRevival: psychobilly, nos anos 80, com bandas como Stray Cats e The Cramps
Representantes: Elvis (foto), Bill Haley, Carl Perkins
Como é o look: ternos amplos, jaquetas curtas, peças de couro, topetões com gel

Mod

Origem musical: estilo surgido na Inglaterra nos anos 60, com influências de R&B
Representantes: The Who (foto), Small Faces
Revivals: anos 70, com o The Jam; anos 90, com o Ocean Colour Scene
Como é o look: alfaiataria, botinhas curtas, jaquetas ajustadas, minis, vestidos curtos

Psicodélico

Origem musical: surgiu nos anos 60, da fusão do rock com sintetizadores e ritmos orientais
Representantes: Beatles, Hendrix (foto), Greatful Dead e, no Brasil, a turma da Tropicália
Revivals: diversos, mas sem uma cena
Como é o look: hippie, com muita cor, estampas , batas, vestidos, calças boca-de-sino

Folk

Origem musical: começou como música de protesto social nos anos 60 e foi revolucionado por Bob Dylan
Representantes: Bob Dylan, Donovan, Devendra BanhartRevivals: o mais recente em 2005, com a turma de Devendra (foto)
Como é o look: hippie étnico com elementos do estilo country tradicional

Glam

Origem musical: Inglaterra, nos anos 70, com performances e visual exóticos Representantes: Bowie (foto), T-Rex, Lou Reed
Revivals: diversos, como nos anos 90, com as bandas Spacehog e Placebo
Como é o look: muito brilho, maquiagem dramática, visual andrógino

Punk

Origem musical: surgiu nos anos 70, com músicas de melodias simples e letras irreverentes
Representantes: Sex Pistols (foto), The Clash, RamonesRevivals: nos anos 90, com grupos como Green Day
Como é o look: jeans e camisetas rasgados, visual sadomasoquista, jaquetas de couro, tachas de metal

Disco

Origem musical: surgiu no fim dos anos 70, com elementos do funk e batidas marcadas
Representantes: Bee Gees, Abba, Donna Summer
Revivals: o mais recente veio com Scissor Sisters (foto)
Como é o look: lycra, leggings, vestidos e blusas em lurex, sandálias com meias, exageros

Rap

Origem musical: ligado ao hip-hop, surgiu nos EUA nos anos 70,
Representantes: Grandmaster Flash, Public Enemy
Revivals: a mais recente geração, bem pop, inclui nomes como Missy Elliott (foto)
Como é o look: agasalhos, calças oversized, tênis coloridos, muitas jóias

New Wave

Origem musical: início dos anos 80; sonoridade pop e uso maciço de sintetizadores
Representantes: The Human League, Blondie, B-52's (foto), Culture Club
Revivals: influências dispersas
Como é o look: cores cítricas, estampas com grafismos, tecidos sintéticos, cores primárias

Gótico

Origem musical: desdobramento mais sombrio do pós-punk, surgido nos anos 80
Representantes: The Cure (foto), Bauhaus, Siouxie and the Banshees
Revivals: os emos bebem na fonte da cena gótica
Como é o look: sobretudos, visual vampiresco, corsets, vermelho e preto, maquiagem pesada

Grunge

Origem musical: híbrido de punk e metal com melodias melancólicas, surgido nos anos 90
Representantes: Nirvana (foto), Pearl Jam, Mudhoney
Revivals: influenciou diversas bandas recentes, como Foo Fighters e Silverchair
Como é o look: jeans rasgado, camisa de flanela, tênis Converse ou coturno

Britpop

Origem musical: nos anos 90, com uma onda de bandas inglesas influenciadas pelo mod e pelo glam
Principais nomes: Suede, Pulp (foto), Oasis, Blur
Revivals: o mais recente veio com o Libertines
Como é o look: vai do dândi-mod retrô, tipo Pulp, ao esportivo, como o visual do Blur

Texto original: aqui
Wednesday, January 10, 2007 

A próxima onda fashion



Da esq. para a dir., Tiago e Pedro, da Subject 2 Change; Mario, da Pierre; Roberto, da Ash; Brian, da Pierre; Guil, da Ash; em pé, Giuliana Romano e Patrícia, da Laundry. Os estilistas vestem suas próprias criações

Jovens estilistas descartam tendências internacionais e propõem moda mais pessoal e inspirada nas ruas

Nada de cópias nem de correr atrás das tendências que estão dominando as passarelas mundo afora. Se depender da nova geração de estilistas que começa a despontar no Brasil, o caminho para conseguir um lugar ao sol no disputado mundo da moda está na criação de identidades pessoais fortes e na capacidade de capturar os desejos que vêm das ruas. "Não somos excêntricos como os ingleses, refinados como os franceses nem conservadores como os italianos. Temos referências populares muito fortes", analisa Giuliana Romano, 30, que largou uma carreira de oito anos no mercado financeiro para se dedicar à moda.

As roupas de Giuliana, que abriu seu primeiro ateliê no final do ano passado, são para garotas que gostam da praticidade do guarda-roupa masculino, mas não abrem mão de toques e detalhes ultrafemininos. Mulheres como... a própria Giuliana. "Faço roupas que gostaria de comprar. Não sigo tendências e dou ênfase à qualidade das peças. Tudo tem a minha cara."

Destaque no casting da Casa de Criadores, evento que reúne desfiles de estilistas iniciantes, Patrícia Grejanin, 32, e sua marca, a Laundry, também conseguiram decolar graças ao estilo pessoal da criadora. "É uma roupa fofa e rocker", define. Não por acaso, a grife já é uma das preferidas das jovens que flertam com o gótico, com o punk e com o hardcore, incluindo aí a turma emo. "Consegui formar um público autêntico, que curte música acima de tudo e se identifica com o meu estilo de criação."

Também foi de uma inspiração metropolitana, mais especificamente a cena do grafite paulistano, que surgiu a grife Ash, hype entre os modernos. O estilista Guil Macedo, 25, fez vestidos de festa e chegou a trabalhar para a Daslu. Mas a carreira mudou de rumo quando ele resolveu largar os modelões de alta-costura para virar parceiro do ilustrador Roberto Leme, 26, que é um dos artistas da galeria Choque Cultural, especializada em arte de rua. "Queremos trazer o universo do grafite para a roupa. Desde a modelagem até a estampa, a identidade com o movimento é muito forte", afirma Guil.

O mais novo do grupo, Pedro Rehnman, 20, também aposta no grafite como diferencial de sua marca. Filho da editora de moda Erika Palomino, Pedro resolveu trilhar sua própria história fashion e abriu, neste ano, a grife de streetwear Subject 2 Change, em sociedade com o empresário Felipe Tamegão, 30. Para ajudar na criação, chamou outro colega, Tiago Nicastro, 19, e um time de grafiteiros top, que inclui nomes como Titi Freak e Deddo Verde. "As pessoas estão cansadas da mesmice das grandes grifes. E é aí que entram as pequenas marcas, mais originais, que estão se multiplicando", diz Pedro.

Mais radicais, os camiseteiros underground Brian, 25, e Mario De Mario, 26, da Pierre Modas, sequer acreditam em público-alvo e descartam rótulos de estilo. "Vendemos no sistema boca-a-boca. As camisetas são para qualquer um que goste do nosso trabalho", conta Brian. A dupla começou no mercado de ilustração, trabalhando para revistas. Depois, desenvolveram estampas para a grife Amonstro e acabaram usando a experiência acumulada para criar suas próprias camisetas. Mesmo sem loja nem representantes, os estilistas estão conseguindo bons resultados, usando a internet como ponto de venda. "Temos um site com as peças, vendemos por email e em alguns bazares. Como tem dado certo, vamos começar a fazer moletons também", completa Mario. É a new wave da moda brasileira abrindo novos caminhos.

texto Vivian Whiteman
foto Mário Daloia

Texto original: aqui.